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01 março 2012

Ciclo-momentos

 Afonso conquistando a cidade.

Vendo o Metro passar...

À saída das aulas de Inglês da Joana.

No Colombo, estacionados à porta ;) 

 Em Vila Franca de Xira, em trabalho, no ponto de partida do BRM 200

 Passagem pela casa da sogra, a caminho do restaurante

No estacionamento no local de trabalho 

 Transportando uma quiche.

 A caminho do Inglês, para apanhar a Joana (com a sua bicicleta a reboque).
Foto tirada "contra o sol" :-)

Num ciclo-confronto de famílias, num semáforo! :-)


20 janeiro 2012

A cidade, o Tejo e uma aventura

Mais um post da série "Uma aventura". Sem dúvida que, volto a dizê-lo, a opção bicicleta trás muita aventura à nossa vida. Aventurinhas, pronto. Peripécias, histórinhas que ficam....

Nas passadas férias escolares, de Natal, os meus filhos passaram grande desse período no Algarve, terra da minha mulher. O mais novo, o Afonso foi lá para baixo com familiares e a Joana foi mais tarde de comboio, com uma amiga e seus filhos.

Como essa amiga que a ia levar estava na Costa da Caparica, só tínhamos que levar a Joana até lá e foi aí que entraram as bicicletas.

Já há muito que andávamos para fazer a travessia para a Trafaria de barco com as bicicletas. O futuro muito incerto da continuação desta ligação de barco foi o empurrão para se fazer desta vez.

Aqui fica a história.

Num belo domingo de Inverno, céu limpo e temperaturas baixas, bom para pedalar... acordámos, molengámos e rapidamente ficámos atrasados para fazer a ligação Telheiras-Cais de Belém, cerca de 15km. O stress acumulou-se e saímos de casa a 45/50' do barco partir. Tínhamos que apanhar aquele, porque só haveria outro 2h depois, o que invalidava toda a "missão".

Como a Joana só ia, não voltava, foi à pendura na Xtracycle.
Foi uma viagem puxada. A minha prática desportiva reduzia-se às viagens urbanas de bicicleta e, para tentar a chance, foi preciso puxar pelo cabedal do início ao fim e só a coincidência de haver uma prova de atletismo naquele dia, que fechou ao trânsito o Saldanha, a Fontes Pereira de Melo, a Rotunda do Marquês e a Av. da Liberdade, nos permitiu chegar a horas (ou a tempo de o barco esperar que comprássemos os bilhetes).

O regresso foi agradável, mas também um pouco penoso, tal a minha falta de forma física actual, sobretudo para corridas-de-15km-com-carga. Valeu-me a bicicleta eléctrica do meu primo, que conduzi em parte da viagem.

Fica a reportagem fotográfica e alguns comentários.

 A partir do Saldanha, entrámos numa "via verde". "Furámos a barricada" e invadimos uma corrida de atletismo. Foi hilariante, pois uma família a pedal apareceu, passou pelo pelotão, passou os líderes (mais ou menos no momento da foto) e ainda foi passar o batedor da polícia (que se vê ao fundo na foto). Entrámos na rotunda a fazer de batedores e só a meio da Av. da Liberdade fomos desviado por um polícia mais zeloso que nos desclassificou e nos retirou do circuito. Esta "participação", para além de memorável, foi o que nos permitiu chegar a horas ao destino. Chegámos com um velocidade média de 18km/h, atravessando a cidade pelo meio, o que não é nada mau! O principal obstáculo foi a própria ciclovia à beira rio, manhosa, e os BTTistas-de-ciclovias, demasiados lentos para um família-pedalo-voadora. :D

 Os veículos no barco, a caminho da outra banda. Eu aqui tive que tirar a camada interior de roupa, pois estava encharcada... Fomos com speed-over-style!

A saída do barco.
Esta travessia (Belém-Trafaria) tem o seu fim previsto.
Talvez hoje se saiba o veredicto final...(update: Mantém-se!!)

 Brincando e pedalando!

Na Trafaria, vila pescatória, com Lisboa no horizonte.

Já no paredão da Costa da Caparica.
Estava um dia espectacular para pedalar e passear. Fresco e luminoso!

Parados, só para desfrutar a paisagem (e os ângulos para fotos).

No regresso, um fim de tarde magnífico, que nos brindou com as cores que aqui vêem. 

Um ciclista à espera de dois ciclistas. O meu primo, com quem combinámos e que nos fez companhia até casa, metendo a conversa em dia. Tentem fazer isto de carro, tentem! :)

Porque será que os ciclistas têm tantas fotos tão boas? (1)

Porque será que os ciclistas têm tantas fotos tão boas? (2)

Resposta às perguntas (1) e (2):
Porque têm sempre tempo e disposição para tirar fotos, mesmo a meio da viagem.

Na realidade são fotos normalíssimas, sem qualidade por aí além, tiradas por um telemóvel. As oportunidades é que são boas. :)



12 janeiro 2012

2012, o ano [signo] do Pedal?

Tudo aponta para um ano com muita pedalada e o fim de uma fase menos activa (meio ano praticamente parado). A ver vamos...

21 outubro 2011

Bicicletas de carga

Novamente este tema?
Sim! Nunca é demais insistir nele, divulgar estas bicicletas que podem mudar a vida de muito boa gente que pensa que o porta-bagagens e os bancos de trás são indispensáveis, logo o carro é indispensável nas suas vidas.

Para abrir deixo aqui este video com alguns testemunhos americanos sobre o tema (inclui energia eléctrica em alguns casos!)



Andar com uma coisa destas é muito mais do que andar com uma bicicleta mais alguma carga.

Muitos se interrogarão, uma bicicleta com uns bons alforges não dá para o mesmo? uma bicicleta com uma cadeirinha e uma criança não é a mesma coisa?

A resposta é "Não".
Uma bicicleta de carga, tem uma versatilidade semelhante a um carro, apenas tem menos capacidade.

Com uma bicicleta com (uns bons) alforges, temos que meter a carga avulso dentro do alforge, para depois tirá-la da mesma maneira. Se precisarmos de um item que está no fundo do dito, temos que tirar tudo para fora, quase. Não é prático.

Com uma bicicleta de carga, podemos sair de manhã e ir alterando o plano ao longo do dia mesmo que essas alterações ao plano incluam transporte de crianças (até um adulto!) ou cargas (um carrinho de compras quase cheio, por exemplo!).

Aproveitando a ausência do Afonso, ontem, pela primeira vez, fui de bicicleta para a natação da Joana, levando-a na bicicleta longa. Estou sempre a dizer a quem começa a pedalar, "Vais ver que passado meses e meses estás a descobrir mais e mais tarefas onde o carro pode ser substituído". Ontem fui eu a sentir isso, apesar de terem passado anos, ainda estou em evolução nas duas rodas como meio de transporte.

Como ia fazer o trajecto pela primeira vez, levei a minha filha (28kg) no banco de trás. Tomar esta decisão não implicou refazer a mala. O mesmo saco que ia no carro, enfiou-se numa das mega-super-versáteis bolsas laterais et voilá!
Às 18h a cidade de Lisboa estava caótica, mas o nosso caminho não incluía caos, porque algumas ciclovias são efectivamente úteis pois introduzem novos traejctos para bicicletas e não é preciso ir "dar uma granda bolta!". O que as ciclovias de Lisboa trouxeram de bom, efectivamente, foi isto, atalhos!

Durante o caminho, a sensação foi a de estar a ser filmado para um anúncio de bicicletas, onde todos olham, comentam, os carros ficam para trás e nós, utopicamente passamos "voando" por aquele caos todo, sempre com um sorriso nos lábios e cabelos ao vento (ok, no caso da minha filha!) :)

Demorando pouco mais do que a opção automóvel, acabei por estacionar à porta (literalmente).
Foi só tirar o saco em segundos, prender a bicicleta a um poste e estamos dentro do recinto!

O regresso, não foi tão directo, pois não queria subir o que tinha descido para ali chegar. Optei por um caminho mais longo, mais central e sem ganhar cota (desnecessária). A confusão/trânsito era tanto que até as motas foram ficando para trás. Ao chegar ao Campo Grande o caos instalou-se pois era jogo de um clube que veste verde que tem ali o estádio... Mais motas e motociclistas a verem-nos passar e lá chegámos a Telheiras. Para nós foi um fim de tarde normal, aproveitando o tempo da viagem para conversar e comentar o que se ia passando...

Para a próxima oportunidade, vai o mais pequeno à boleia (são só 20kg) e a Joana já vai a pedalar na dela. A carga dos dois.... vai na cargo-bike, claro!

Join the revolution! Get a cargo-bike!

06 setembro 2011

A carga e as crianças - os terríveis

Andar de bicicleta é muito bonito. É actual, é saudável e tal, mas só se aplica aos outros, porque quando chega à opção do próprio, acaba sempre num redondo "[Mas] para mim não dá!".

As crianças e a carga são frequentes desculpas para nem sequer se considerar melhor o tema.

Será a bicicleta o meio de transporte indicado para responder a estas solicitações? Por si só, não, mas tendo em conta todas as vantagens de andar de bicicleta e as razoáveis capacidades de alguns modelos disponíveis (sim, como nos carros, há modelos para tudo!), acho que é um assunto que tem muito por explicar.

Claro que o ideal é ter várias bicicletas. Não vou entrar pelo tema "quantas tenho?", mas digo apenas que é bem mais económico ter duas ou três bicicletas do que dois carros.

Por exemplo, em baixo está uma bicicleta (a cinzenta) que me custou 30€ e só foi preciso encher os pneus para ficar operacional.

A estrela da companhia, nestes capítulos, é a "longa", claro. Um kit que alonga as bicicletas faz maravilhas por centenas de vidas "across the planet!" e a minha família já foi apanhada nesta revolução ;)

Como não estou muito inspirado para escrever, ficam algumas fotos do dia a dia que falam por si (e com alguns comentários).

[qualquer pessoa a conduz - aqui a Rosa, que há muito não andava de bicicleta,
experimentou e adorou... com Catarina, a filha, atrás]

 [como depois deste encontro fomos todos para minha casa, levei a Rosa na "longa". Não há fotos, mas levei também o Afonso e a bicicleta pequena com rodas de reboque. A Catarina seguiu no porta-bagagens da bicicleta da minha mulher. A Joana também estava, claro, e pedalou na dela. 6 pessoas em 3 bicicletas e outra bicla de reboque. Espectáculo em Telheiras. Parecia o corso, tudo a olhar! :D]

 [Aqui foi a minha mulher que decidiu fazer um desvio e passar no Continente. Ao optar por um carrinho de compras, o volume das mesmas descambou, mas a "longa" apara estes golpes todos na boa...]

 [Regresso da feira da Luz, Carnide, com produtos de feira. Caixa de arrumação,
regador, fruteira de barro, vassoura e pá com cabo]

[18kg de ração para levar para a garagem na rua de trás... nah, pedala-se!] 

[um passeio familiar em que a Joana se cansou depois de muitos kms, já perto de casa...
Salta para a "longa" e mete a roda da frente no saco :p]

[e quando se vai só trocar uma coisinha e se acaba por comprar muito mais coisas
 que afinal estavam em falta e nem um elástico se tem. Puxa-se pelo nosso lado asiático 
e equilibra-se o excesso de carga, usando apenas a mola do porta-bagagens.
O saco com as Estrelitas foi na mão! :D ]


[Mais uma chegada das compras...com passageiro]

10 junho 2011

Cicloturismo familiar - do Plano C ao plano B

Ter um plano C é fácil. Exige pensar out of the box. Se ter não é fácil, executá-lo ainda é mais difícil...

Não é novidade a minha paixão por bicicletas. Não é novidade que tenho algumas. Não é novidade que recentemente investi numa long-tail e a razão pela qual o fiz foi aumentar mais ainda a percentagem de viagens feitas de bicicleta, sobretudo em família.

Dia 9 de Junho, foi o dia para o qual estava preparado um grande plano [C], a viagem e férias de bicicleta para toda a família. Quatro pessoas, três bicicletas, muita carga, farnel para viagem, muita boa disposição e espírito de aventura.

Eis o relato deste memorável dia:
O dia começou cedo. O Afonso, excitado com o que aí vinha, acordou antes da 8h e disse logo "Eu queria mesmo acordar cedo!".
A Joana teve uma manhã normal pois era dia de escola e tinha um teste. Só a fui buscar às 10h45, depois do teste.
O tempo esteve sempre muito tremido e com alguns aguaceiros, o que deixou algum stress, sobretudo se tivéssemos que sair sem folga para apanhar o comboio e estivesse a chover bem na altura. Não aconteceu!

A saída de casa estava programada para as 12h00. Toda a bagagem só foi finalizada e carregada naquela manhã. Umas compras de última hora (de bicicleta, claro) e 1 minuto antes da 12h00 estávamos todos montados nas bicicletas, prontos para o grande dia que se esperava, fazer Telheiras > Portimão com bicicletas, usando muito comboio.
As bicicletas fariam a ligação Casa->estação de Entre-Campos e estação de Portimão->Casa.
A grande inovação seria deixar o carro em casa para uma viagem longa e usar apenas bicicletas nos dias de férias no Algarve.

Nesta altura, tivemos a companhia e ajuda do João Oliveira, vizinho e amigo, que nos acompanhou de Telheiras até ao cais da estação de Entre-Campos, sempre documentando esta saída de Lisboa com fotos e filmes e terminando com uma preciosa ajuda a levar as bicicletas carregadas (long-tail semi-aviada e bicicleta da minha mulher com quatro alforges) até ao cais, utilizando as escadas rolantes.
Uma última foto do grupo junto das bicicletas, despedimo-nos do João e passado uns 10/15 minutos, o nosso comboio chegou.

Uma vez instalados, depois das bicicletas atracadas em zona própria (excepto a da minha mulher que foi encostada sobre um degrau), foi uma viagem super tranquila.


Comeu-se, bebeu-se, tiraram-se fotografias e os miúdos, felizes da vida, deliciaram-se com novas paisagens, vistas com outra calma e conforto a que ainda não estão habituados, pelo menos em longas distâncias.


Cerca de 1h depois, chegámos a Setúbal. Dali, iríamos seguir no Inter-Regional até Tunes, e daí num outro comboio até Portimão.
Como tínhamos tempo (uns 40 minutos), dirigi-me com os miúdos até às bilheteiras, situadas num piso inferior, para confirmar a linha, etc, deixando a minha mulher no cais com as três bicicletas.

Ao aproximar-me das bilheteiras, começo a ouvir a conversa entre o cliente e a funcionária e duas palavras saltaram do texto: "greve" e "regional". Comecei a gelar e com vontade de falar por cima da outra pessoa... Rapidamente chegou a minha vez e o inesperado confirmou-se, o comboio que íamos apanhar fora suprimido porque, "o revisor morava não-sei-onde-lá-para-o-norte e como não teria comboio para regressar a casa ao final do dia por causa da greve anunciada para o dia seguinte e por isso não ia haver comboio".
(Ainda agora, enquanto escrevo estas linhas, fico sem acção quando relembro esta justificação)

A partir daqui foi o descalabro... Até ali tinha sido tudo perfeito, perfeito demais, diria.
Aquele comboio era o 2º e último comboio do dia que podia transportar bicicletas.

Entretanto apareceu uma esperança, o Inter-Cidades ia passar dali a uns minutos e "se o revisor estivesse bem disposto" poderia deixar-nos seguir viagem com as bicicletas... era uma esperança. Entretanto a Srª espreitou e viu a nossa frota... "São essas todas? Esqueçam, nem vale a pena lá ir!!!" :/ Claro que fomos.
Toca a subir ao cais da linha 1 (felizmente o elevador era comprido e a long-tail cabia lá) para fazer o choradinho ao revisor. Depois de uma falha destas por parte da CP, restava a boa vontade de um funcionário....

Chegou o comboio, corro para o homem, que saiu de uma porta mais atrás, explico-lhe rapidamente o sucedido e peço-lhe para nos levar. Perguntou quantas bicicletas eram e deu o OK.
Corro para a minha mulher, acenando-lhe logo ao longe para pegar nas bicicletas e entrar... Nisto, como as portas que estavam perto das bicicletas não eram das normais, acabamos por nos aproximar do revisor e ele apercebe-se que uma da bicicletas era a long-tail.... e "epá, essa grande não dá!!" Pediu desculpas apressadamente, fez sinal ao maquinista e nós, depois de uns segundos de esperança, vimos o comboio partir... sem nós.

Ironicamente, a mesma bicicleta que nos abriu os horizontes e nos levou até ali, foi a razão por termos ali ficado, a meio da viagem, sem alternativas para continuar...
Claro que a "bicicleta grande" foi a desculpa que ele precisava para nos dar um não. Foi um alívio para ele não ter que "pisar o risco" e permitir bicicletas a bordo, mesmo depois de a CP nos ter abandonado no meio, sem aviso prévio, sem qualquer preocupação pelos seus clientes.

Finalmente derrotados, fomos até ao exterior da estação, comer qualquer coisa, já que os miúdos suplicavam por comida e também por explicações, pois perceberam que algo não estava a correr bem...
Milhares de opções passaram-nos pela cabeça... continuar de bicla via Tróia? Mas o tempo, os miúdos e a Joana a pedalar não permitiam grandes aventuras.
Com muita dificuldade e angústia decidimos voltar para trás... Dali a minutos havia um comboio para Lisboa e devido a isso, saímos rapidamente do jardim onde os miúdos almoçavam o frango/farnel e voltámos a estação da desgraça.

Com os miúdos confusos e nós ainda sem ter caído na real, fizemos a viagem de regresso, já sem a alegria da manhã, pelos menos os adultos. Só a sair da estação em Entre-Campos é que o Afonso realmente se apercebeu que estava a voltar para casa. Nem na passagem por cima do Tejo, quando dissemos que era novamente Lisboa, quis acreditar dizendo "Lisboa? não, vamos para o Algarve!".
Eram 16h e estávamos novamente em Lisboa. Pedalar até casa foi feito em modo silencioso.



No Campo Grande, o Afonso começou a cabecear e a adormecer... tive que lutar para ele manter os olhos aberto e o corpo hirto. Chegámos a casa, mas não foi a chegada esperada. Em vez de triunfantes, chegámos derrotados. Derrotados pelo absurdo.

O excelente plano C falhou. Restava-nos pensar no plano B.

A opção carro parecia-nos "nojenta", nesta altura, depois de todo este plano. Como só haveria comboio no Sábado (devido à greve anunciada para Sexta), ir nesse dia também parecia inapropriado, já que voltaríamos na Terça seguinte.

Ao entrar em casa, a escolha foi óbvia. Voltar a casa, abri-la, desarrumá-la, para voltar a sair em breve, não seria opção. O carro teria que ser usado, por muito que nos custasse.
Parecia um plano A... mas foi salvo. A minha mulher disse logo "levamos [em cima do carro] duas bicicletas e temos lá outra."

E assim foi. Consegui-se fugir do plano A e delinear um plano B.

[o carro substituiu o comboio]

[Bagagem da bicicletas, transferida. Nunca a bagageira andou tão vazia]

Claro que o plano B, usando o carro, também tinha os seus imprevistos...

[2ª circular completamente entupida]

Nove horas depois da primeira saída de casa, chegámos a Portimão, duas horas depois da chegada prevista na viagem original.

Para cúmulo, pouco depois de iniciarmos a viagem de carro, soubemos pelo rádio que a greve tinha sido desconvocada.
Azar dos azares, fomos afectados por uma greve que nunca chegou a acontecer... Troika, dêm uma olhada pela REFER e CP, paalease!

Pessoalmente cheguei com uma sensação mista, derrota-vitória. Derrotado por mais uma vez ter trazido o carro. Vitorioso por sentir que não são obstáculos destes que me/nos vão impedir de continuar a trilhar o plano C.

Hoje, na continuação do plano B, promoveu-se a bicicleta de senhora a cargo-bike-not-so-long-tail-with-a-seat.

[Alforge duplo DIY com tela reciclada (de publicidade de rua) e almofada para pendurinha]

Ao seguirmos para a praia juntamente com o meu sogro, confirmou-se... este plano B está a saber muito, muito bem.


Moral da história, o plano C está forte, será continuado, revisto e aumentado.

Esta foi mais uma aventura que não será esquecida e ficará sempre como a 1ª viagem de cicloturismo da família, mesmo não tendo sido bem assim.

Já me estou a imaginar daqui a uns anos, far, far away, à frente de uma fogueira com a família, bicicletas ali ao lado, começando uma conversa "Lembram-se na nossa 1ª viagem de bicicleta??"

01 junho 2011

Uma aventura para lado nenhum

Andar de bicicleta como meio de transporte altera a vida de quem opta por o fazer.
Uma das alterações é a adição de uma dose aventura na vida do dia-a-dia, o ram-ram. Pode ser visto com um ponto negativo, sobretudo pelos detractores, e há muitos por aí, como já referi antes.
Aventura é uma componente que desaparece na vida ao longo dos anos, sobretudo quando se vivem vidas muito mais controladinhas, standerizadas e formatadas.
Para quem anda de carro, o maior imprevisto nos dias que correm é a quantidade de trânsito que se apanha, aliás, justificação sempre bem aceite por quem espera muito por alguém – Aposto que é das desculpas falsas mais usadas, tal a boa aceitação que tem.
De bicicleta, o maior imprevisto, dos poucos aliás, é sem dúvida alguma a meteorologia, sobretudo em dias de tempo incerto.
É claro que não é tanto quanto os automobilistas pensam, pois estes nem se apercebem que é raro o dia em que chove muito tempo seguido – fechado num automóvel não se tem uma percepção acertada das condições atmosféricas (nem de uma carrada de outras coisas…).
No sábado passado, dia incerto, o plano familiar era passar de bicicleta pelo Campo Pequeno a meio da tarde. Estava a decorrer o 1º Encontro Cycle Chic de Lisboa e a Cenas a Pedal tinha lá uma tenda/loja. Como tinha encomendado um “assento” para os passageiros da Xtracycle, assim passava por lá e aproveitava para ver como estava a decorrer o encontro chic.
[Quando a carga é irrequieta, demora-se mais a acondicioná-la]
À medida que nos íamos preparando e atrasando, o céu foi escurecendo, até que passados poucos minutos de termos começado a pedalar, começou, naturalmente a chover. Eu na X com os miúdos e minha mulher na dela (por prevenção à chuva a Joana não levou a dela para simplificar em caso de molha).
Quanto mais andamos de bicicleta, mais nos relaxamos com a cor do céu – não há utilizador de bicicleta que não faça isto. Há três razões principais: 1) Uma melhor percepção do tempo devido à maior exposição a este; 2) Gostar imenso de usar a bicicleta como meio de transporte; 3) Mais abertura para a “aventura”.
Seguíamos, todos frescos, já com as pingas a engrossar, e aceleramos o andamento até pararmos debaixo da Padre Cruz, num grande viaduto que serve peões e a ciclovia Telheiras-Entrecampos.
Enquanto aguardávamos por uma aberta, desfrutámos daquele abrigo. Desfrutar é gozar o momento, nem que seja rir da situação em que nos metemos e imaginar como vamos sair dela.
O Afonso corria feito louco de um lado para o outro.
A Joana, menina, imaginava como sairíamos dali, enquanto a chuva se adensava e os trovões começavam…

Enquanto os minutos passavam, as esperanças que mudasse o tempo foram ficando menores, e fotografias se tiravam… :p
Como tínhamos um casal amigo ali perto – com quem tínhamos combinado este passeio, mas aguardava uma aberta para sair de casa – em troca de mensagens, ofereceram um resgate dos miúdos dali para fora de carro.
Toca de vestir os impermeáveis...
... e enquanto o carro chegava e não chegava, preparei-me para levar os miúdos até à estrada…


Claro que eles, instintivamente, meteram-se debaixo do meu poncho. Foi uma risada completa aqui e, ficou a ideia para outra altura… :)
Resgate dos miúdos feitos, e nós decidimos seguir para casa, mas… distraídos com o resgate nem analisámos bem as condições do momento e foi precisamente quando caiu a maior carga de água. Andei 100mts, a subir, e dei meia-volta e voltei à “toca”… Esperámos mais um pouco e lá seguimos, hilariantes… no meio do barulho da chuva conseguia ouvir as gargalhadas da minha mulher :).
O meu poncho (na Xtacycle leva-se sempre muita coisa e este já lá estava!!!) tapava-me quase todo, o problema era por baixo pois ainda não tenho pára-lamas, apesar de já estarem encomendados… :(
Passado minutos estávamos em casa, encharcados da cintura para baixo, mas muito bem dispostos. Os miúdos aguardavam dentro do carro, estacionado à nossa porta.
Assim se passou uma parte de Sábado. Se podia ter sido evitado? Podia, mas não teria sido a mesma aventura. De certeza que desta ninguém se vai esquecer e a vida é também é feita de coisas como estas.
Depois de um lanchinho, acabámos por passar de carro pelo Campo Pequeno para fazer o que estava previsto.
Curiosidade: o pessoal da Cenas a Pedal também estava encharcado e nem impermeáveis levaram… “Olhámos para o céu, mas estava calor, por isso pensámos, que se lixe, vai ser uma cena tropical…” – Eu não disse que os ciclistas relaxavam em relação às condições meteorológicas…. Eu disse!
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Já esta semana, o Tagus Park ganhou mais uma ciclista, com grande contribuição do serviço gratuito da MUBi, o Bike Buddy. O Rui Costa foi o voluntário de serviço e sem nunca lá ter ido antes, cumpriu a sua tarefa com distinção. O Trajecto foi Amadora->TagusPark com comboio à mistura. Quem ainda pensa que não é possível, pense novamente, pois as desculpas começam a ser poucas.



27 maio 2011

A minha "X"tracycle

Finalmente tenho a minha frota completa com a chegada da "Xtracycle" (até uma dobrável já temos, fruto de uma generosa oferta de um bom vizinho - conhecer vizinhos é só vantagens!!).

Xtracycle é a marca do kit que alonga a bicicleta (afastando a roda de trás cerca de 40cm) e lhe dá uma capacidade de carga estrondosa com duas bolsas laterais enormes e de grande versatilidade. Ainda por cima é escalonável com a adição de mais peças da mesma marca que encaixam facilmente.
É comum chamar "eXtracycle" ou simplesmente "X" a bicicletas com este kit, tal a importância que ele assume na bicicleta. Com ele, de facto, a bicicleta ganha toda uma outra dimensão que só quem experimenta e usufrui das suas capacidades consegue efectivamente perceber.

Como tem sido?

O 1º fim-de-semana foi super Xtraciclado.
O 2º teve um domingo 100% a pedal, mas "só" entre Telheiras e Sta. Apolónia, depois Entre-Campos, Av. Igreja e regresso a casa, 7h depois, isto tudo em modo carregando os cerca de 45kg que terão a Joana e Afonso juntos. Como é andar com os dois? É fácil! 21 mudanças ajudam e as pernas vão dando para os declives.

O que muda?

Já tínhamos forma de andar com o Afonso. Já tínhamos alforges. Já fazíamos piqueniques de bicicleta.... Agora, fazemos tudo isto e mais com muito mais facilidade.

1º Poder levar os dois filhos significa ir a todo o lado.
A Joana já pedala pela cidade, mas não está apta para 1) distâncias superiores a 2/3km, sobretudo com declives; 2) lidar com muito trânsito, ou por outra o trânsito não está apta a lidar com ela, que até já consegue ir "direitinha" - no outro dia um automobilista "atencioso" achou que era boa ideia buzinar alto-e-bom-som mesmo atrás dela para sinalizar a sua presença!!! Claro que a miúda assustou-se e ficou nervosa, e eu, claro, também tendo até gritado com o condutor no semáforo seguinte... enfim.
Levar os dois é super seguro e prático, além de dar espectáculo toda a viagem (fica tudo a olhar!), já que vamos ao ritmo de adulto, e podemos ir para todo o lado. Começamos a olhar para qualquer destino de uma forma muito menos carro-dependente. É um verdadeiro abre Ciclo-Horizontes!

2º Carga, muita carga
Como dizia um cromo com quem trabalhei, "por exemplos, um exemplo":

Ontem, dia de compras. Lista feita, 5 minutos pedalando até ao Hipermercado de Telheiras, compras feitas sem qualquer restrição de volume....


Carregado nos porta-bagagens....

[Já com o volante para os passageiros instalado, obtido e transformado na cicloficina]

Estacionar! Outra grande vantagem desta opção, para mim. Assim posso levar as compras até à porta/quintal de casa mesmo. De carro chego a percorrer 30mts entre o carro e a porta de casa.


Para ilustrar melhor a quantidade de compras (quase 20kg), decidi fazer esta foto:


Algumas considerações:

Pedalar com peso lateral - Assim que comecei a pedalar com todo este peso senti o balanço e tive que conduzir de forma mais suave. Uns 20mts foram suficientes para me habituar. Tive muitas manobras apertadas depois disso e foi na boa.

Carregar a carga - Confesso que ainda nas compras pensei "posso comprar o que quiser que cabe tudo na X".... Arrumar foi mais complicado, pois requer alguma arrumação. Acabei por meter tudo à maluca, ainda por cima só levava metade das coisas ensacadas. Não foi fácil, mas estou convencido que a prática permitirá levar mais 50% de volume/peso sem stress.

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Ontem, foi dia de Massa Crítica, onde já não ia há muito. Foi muito fixe, com 126 participantes, muitos estrangeiros, um patinador, um corredor, muito bom tempo, muito corking pacífico, um andamento super tranquilo.


Para acabar em beleza, desvio da Massa para ir jantar com a Joana (também participante da Massa) e Gonçalo para os lados da Av. António Augusto Aguiar. Pela 1ª vez percorri a totalidade da ciclovia Duque D'Avilla e gostei bastante, pena os pilaretes demasiado em cima da mesma...

Curiosidade: Do restaurante até a meio do Campo Grande, demorámos o mesmo a pedalar do que demorou o Gonçalo no seu carro (que usou devido a ter um joelho lesionado!), às 22h30, ou seja, sem qualquer tânsito.