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15 março 2012

Nos ouvidos


Desde que aderi à onda dos smartphones, tenho enriquecido mais ainda a minha consciência sobre o mundo que nos rodeia e os desafios globais que teremos que enfrentar.
Porquê?
Porque o audio passou a ser uma forte fonte de informação e de 1ª qualidade! (não é preciso um smartphone, mas ter tudo-em-um facilita)

Uma das principais fontes de informação têm sido os podcasts do Treehugger. Passear os cães tem sido como "assistir" a autênticas palestras!

Design, arquitectura, ecologia, agricultura, energia, sociedade, mobilidade, etc, tudo por grande cromos.

Há dois ou três temas que estão na boca de quase todos, sustentabilidade, alterações climáticas e pressão demográfica.

PS: Ao almoço chamaram-me hippie. Se olhar bem para as principais características deste movimento, aceito com orgulho :D
PPS: Não é a primeira vez que me classificam assim.

03 fevereiro 2012

Dois filmes, a mesma filosofia

Dois filmes, dois países, dois continentes, duas realidades distintas, um princípio - os carros (a mais) dão cabo de tudo o resto.
Aqui podemos ver o que se pode fazer para começar a inverter o paradigma (1º video) e qual a visão a atingir (2º video).



18 janeiro 2012

Crise e a mobilidade - que soluções?



Há quase sempre soluções, mas não há receitas!

A crise está aí, embora muitos ainda andem a dormir e a fazer a vida de sempre, há uma "rubrica" que tem vindo a aumentar na contabilidade caseira, a da mobilidade.
São os preços dos combustíveis a subir, o custo dos passes e bilhetes dos transportes públicos a disparar, as SCUTS que passaram a ex-SCUTS.

Muitos perguntarão, "quais são as alternativas ao automóvel", ou "como posso poupar nos transportes", ou até "que transportes públicos há na minha zona", pois muita gente nem sequer sabe que há alternativas viáveis mesmo à sua porta.

Como seria de esperar, não há receita universal, nem sequer regional. Cada caso é um caso :).

A primeira coisa a fazer é conhecer as alternativas. Para tal, é preciso sair, ainda que mentalmente, da zona de conforto.

O transporte individual é, normalmente, aquele que acarreta maiores custos directos (combustíveis, portagens e estacionamento) e muitos custos indirectos (manutenção, impostos, seguros, etc). Esta opção é aquela que mais sufoca o orçamento familiar.
O gasóleo está a ser vendido a 1,5€!!! - só no último ano, subiu 15%. Em relação há 10 anos, o gasóleo custa hoje mais que o dobro (125% de aumento).

Apesar o desenvolvimento urbano ter sido muito mau no últimos tempos, com a proliferação de bairros-dormitório, com acessos rodoviários e pouca oferta capaz de transportes colectivos competitivos, quase sempre há alternativas.

Será preciso ir de carro?
A 1ª questão a responder é se é preciso mesmo ir de carro? Por vezes a distância é tão curta que uma caminhada de 5 a 20 minutos resolve a questão. Já assisti a relatos de pessoas que passaram a ir a pé e estavam contentíssimos com a opção, económica, saudável e libertadora (do carro e do trânsito).
Hoje em dia, muitas pessoas nem sequer têm a noção das distâncias a pé entre dois pontos e desvalorizam a  capacidade mais básica que temos, a de andar (a pé!). Muitas vezes a reacção é "Foi muito mais rápido do que pensava!"

A bicicleta
A bicicleta surge aqui como uma alternativa. Há hoje uma maior noção geral sobre o potencial da bicicleta como meio de transporte, há melhor aceitação pelos condutores de outros veículos, há condições físicas/ infraestruturas que (por vezes) introduzem verdadeiras melhorias e segurança e existem N fontes de informação, entidades e até indivíduos disponíveis para ajudar a começar.
Para distâncias até 8km em meio urbano, a bicicleta é o meio de transporte mais eficaz e trás um conjunto enorme de benefícios associados, desde económicos, de saúde, sociais, etc.

Os transportes públicos
"Que transportes públicos existem na minha zona?";  "Para onde vão?";  "A que horas passam?"; "Quanto custam?"; "São directos?"; "Terei que fazer ligações?"; "Quanto tempo demoram?" são perguntas que devem ser respondidas de seguida.

A esta equação deverá juntar-se a combinação de modalidades. Por vezes a conjugação duma caminhada, da bicicleta (ou do carro) com outro meio de transporte permite tornar viável uma opção que por si só parecia não servir.
A bicicleta pode ser transportada dentro de alguns transportes públicos, ou em todos no caso de ser uma dobrável. Também há a hipótese de a deixar num parque junto a uma estação, para ser novamente utilizada no sentido inverso, ao final do dia (aconselha-se o uso de uma bicicleta sem grande valor/aspecto e um bom cadeado, para minimizar o risco).

A scooter.
É a minha solução actual.
Não se trata de uma solução para todos. Andar de mota é perigoso (as estatísticas comprovam-no), mas o risco está muito associado ao comportamento do próprio.
Digo 'scooter' e não 'mota', de propósito. Tenho muitos anos de experiência e a velocidade é o factor que mais aumenta o risco de acidente, em geral, e a gravidade dos mesmos, para condutores de motas, em particular.
Andar de scooter E de uma forma defensiva, calma, sem arriscar manobras malucas é uma solução económica, prática de enfrentar as viagens diárias para o trabalho. A chuva? é mais fácil de resolver esta questão nas motas, pois não há exercício físico (transpiração) e temos sempre onde guardar todo o material.

Não é uma experiência como a de conduzir uma bicicleta, não é tão económico (pode ser metade em relação a um carro), mas é uma solução que deve ser considerada, se as anteriores não servirem.

O tempo da viagem.
O tempo gasto é um factor importante e normalmente de difícil análise com isenção. Há estudos que comprovam que há uma tendência optimista de quem passa muito tempo dentro de um carro quando analisa esta questão.
Eu próprio já constatei isso em várias conversas que tive com amigos e colegas que usam o carro nas suas deslocações diárias. Normalmente o tempo médio está muito perto do tempo óptimo no seu raciocínio e há uma tendência para chamar excepção aquilo que é muitas vezes aproximado à média.
Depois há ainda métodos de medição de tempo que são totalmente desviados, pois não contabilizam o tempo de estacionar, ou até entre a porta de casa/trabalho e o próprio veículo. Medir tempo é de porta-a-porta!
Um factor bastante importante é a forma como passamos esse tempo, o da viagem. É totalmente diferente ir a conduzir (normalmente até com algum stress, sobretudo quando o tempo é à conta) do que ir sentado no comboio a ler um livro, ou ir a pedalar e sentir o sol a bater na cara e o cheiro do café ao passar numa rua de comércio (é só um exemplo!).
Cada um terá a sua bitola, mas parece-me mais interessante demorar um pouco mais mas usar efectivamente esse tempo a fazer uma coisa que nos dá prazer.

Out-of-the-box!
Depois há um conjunto de alternativas, mais pontuais, que podem passar por dividir o carro com um colega ou vizinho, mudar de emprego para um menor remunerado mas com custos de deslocação bem menores ou inexistentes, etc, etc.

Soube recentemente de um caso, verídico, que uma rapariga comprou um carro a crédito, a 8 anos, e depois de pagar a prestação mensal, sobravam-lhe 50€, que obviamente não cobriam os custos de deslocação para o emprego. Claro que viva com os pais, que lhe cobriam o resto dos custos.
Agora pergunto, não seria melhor ficar em casa "quieta", ou seja a usar o tempo de uma forma mais lucrativa?
É um caso extremo... será assim tanto?

A solução radical.
A fenómeno dos subúrbios é muito acentuado em Portugal. Milhares de pessoas vivem/dormem longe dos locais onde passam a vida, onde trabalham, onde têm os filhos na escola. Por vezes, mesmo ao fim de semana caminham para os centros das cidades onde não vivem e para onde caminharam toda a semana, seja para eventos culturais, seja ver os amigos, etc.
Não são tempos fáceis para mudar de casa, mas muita vezes, a solução mais económica, mais confortável, mais TUDO é, efectivamente ir morar para o centro, onde estão os empregos, as melhores escolas (muitas públicas), os melhores transportes públicos, as melhores condições para andar de bicicleta, os melhores cinemas, teatros, etc, etc, etc, tudo o que as cidades têm de bom!
A troca de mais m2 (na casa) por km's percorridos é uma concessão que sai muito cara e (também há estudos que o comprovam) que esses m2 extra são sobrevalorizados face ao uso e benefício que realmente acrescentam.
Como disse o Guterres, "É só fazer as contas!". Quanto custa a Prestação da casa + colégio dos filhos + despesas de transportes? Quanto vale o tempo que gasto a mais diariamente? Quando é que vou recuperar esse tempo perdido? (Nunca mesmo!).
Talvez a conclusão seja que afinal as casas no centro da cidade não são assim tão caras.

Conclusão.
Se há desconforto, financeiro ou de outra natureza, é preciso provocar, lutar pela mudança. O carro está demasiado entranhado e (muitas vezes) é preciso reequacionar sem essa "constante"!

03 outubro 2011

A ciclo-revolução

Depois não digam que eu não avisei.

A ciclo revolução está a ganhar forma. Para além dos cada-vez-mais-frequentes avistamentos de ciclistas pelas ruas das cidades portuguesas, mais concretamente Lisboa, onde o fenómeno está a ganhar expressão, a Massa Crítica está cada vez maior.
Setembro foi o mês de aniversário da MC de Lisboa (já lá vão 8 anos!) e é sempre mês de record de participantes.

Na passada sexta-feira, fomos mais que 400 ciclistas (há contagens que apontam para 450), praticamente o dobro do record que foi estabelecido há um ano, no 7º aniversário.


Ter participado nesta Massa Crítica foi um privilégio por vários motivos, dos quais destaco (em jeito de resumo):

- Já não andava de bicicleta há 25 dias (devido à recuperação de um acidente de mota)

- Levei a Joana pela 1ª vez (à pendura na Xtracycle), que apesar da confusão, especialmente alguns corkings mais confusos, gostou.

- O percurso de Telheiras até ao Marquês. Saímos 17 de Telheiras e ao longo do trajecto, vários ciclistas se foram juntando. Indescrítivel!! Parecia uma cena combinada para um spot publicitário. Até banda sonora teve, pois o SOM da MC mora em Telheiras e era nesta caravana que ia.
Telheiras, mais uma vez, no topo da mudança, em transição!
Chegámos ao Marquês num grupo de cerca de 30 ciclistas. Muito bom!

[chegada do "gang" ao Marquês]

- A minha irmã também participou e veio de bicla do Montijo (acho que andou de barco pela 1ª vez e já lá está há uma porrada de anos) e acabou por fazer um fim de semana inteiro de bicicleta e transportes públicos E gostou! (óbvio, quem experimenta, normalmente gosta...).

- Foi engraçado ver ali quase uma dezena de ciclistas que directa ou indirectamente estão ali por causa da minha influência (tive que fazer um esforço para o reconhecer um ou outro), alguns dos quais já optaram por incluir a bicicleta nas suas opções de mobilidade. É uma grande satisfação.

- Numa reunião recente numa empresa  (por causa desta lides) lançámos o convite para participarem na MC e disponibilizamo-nos a arranjar bicicletas para quem não tivesse.
Estavam lá cerca de 15 colaboradores, todos estreantes!!!
Fica aqui o agradecimento à Bike Ibéria e ao Didier que emprestou bicicletas muitos destes novos participantes. É assim que se luta pelas causas que acreditamos!

- A Massa atingiu um volume brutal (que já mostra um pouco do que vem aí) e eu estava lá! A sensação de participar numa onda positiva daquelas é algo que não se esquece. ;)

[Praça de Espanha]


E como foi o percurso de mais de 400 ciclistas por volta das 19h numa sexta-feira? Foi o de sempre mas em "mais bom" :)

- A rotunda do Marquês de Pombal, onde se dão várias voltas iniciais, ficou atestada, não dando sequer para perceber onde começava ou acabava a coisa.

- Todas as avenidas por onde passávamos ficavam repletas de ciclistas, escapando-se apenas a faixa BUS, como sempre.

- Para manter esta massa compacta, foram necessárias rolhas (corking) nas vias perpendiculares quando os semáforos estavam verdes para as mesmas. Tirando a rotunda de Entre-Campos, onde os ânimos tiveram ao rubro, correu tudo bem.

- Com estas rolhas, o trânsito nas zonas onde circulámos ficou caótico, em todos os sentidos. Em Entre-Campos o verdadeiro dead-lock foi feitos com bicicletas, o que não deixa de ser engraçado. We are traffic!

- A Praça de Espanha foi quase "tomada". Metade de toda a extensão circular da dita foi ocupada por bicicletas, até à compactação num semáforo onde se atingiu um êxtase geral, com salva de palmas e tudo. Muito bom.

- Mais uma passagem pela rotunda do Marquês e depois segui dali para casa, já que tinha penduras menores. Sei que continuou para a baixa e terminou com a "tomada" da Praça do Comércio para fotos finais.

Esta MC teve necessariamente muitos estreantes e de certo que esses não ficaram indiferentes ao fenómeno, quer da Massa propriamente dita, quer do movimento em geral, pois estiveram na "montra" e puderam observar N soluções cicláveis, com carga, crianças pequenas e grandes, etc, etc. Há muito que a bicicleta saiu da esfera do desporto/BTT e ali estão centenas de casos que provam isso.

Fotos de Alexandre Paris, aqui.



15 março 2011

Planos falhados

Foto daqui.

Nem sempre os planos de vida correm bem (será que há planos, objectivos conscientes?).
As cidades representam muitas vezes o sonho. Não o verdadeiro sonho, mas sim um sonho vendido pela sociedade de hoje, em que os (novos) valores levam-nos a viver uma vida que não é aquela com que realmente sonhámos.

Casa->Trabalho (quando há!)->Casa->gastar dinheiro em tudo o que nos vendem como importante->pedir empréstimos para comprar ainda mais coisas->trabalhar mais ainda->depositar filhos na escola e em actividades extra, etc etc.

Por vezes o melhor é dar um passo atrás. "Atrás" não significa necessariamente regressão!!!
Pode ser, ter menos coisas, fazer mais coisas simples e tão gratificantes, passar mais tempo com quem gostamos, conhecer os vizinhos, viver em comunidade (como era dantes!), viver mais a natureza, e tanto, tanto mais!

11 fevereiro 2011

Cidades com vida

De todo o activismo que tenho praticado recentemente (engraçado como em Portugal esta palavra é quase depreciativa), em diferentes áreas, pró-peão e contra-carros-nos-passeios, pró-bicicletas como meio de transporte, pró-andar-a-pé (para a escola), na Transição (contra-um-sem-fim-de-coisas-da-sociedade-actual), o grande somatório disto tudo é simples de obter:

O que eu quero mais são cidades com vida.

O que é uma cidade com vida? Já temos muitas pessoas (vivas) nas cidades, aliás cada vez mais... mas será que isso se está a traduzir em "vida"?

Temos cada vez mais pessoas de costas para a sociedade, à espera que alguém faça o que elas querem que seja feito, mas sem nunca pensar que podem sair do lado do problema e passar para o lado da solução.
Temos cada vez mais pessoas, mas cada vez mais dentro de carros.
Temos cada vez mais pessoas mas a viverem vidas cada vez mais isoladas (não escrevo isto na sequência da notícia da morte da idosa que só foi descoberta 9 anos depois, embora tenha tudo a ver!).
Temos cada vez mais pessoas auto-escravizadas numa sociedade de consumo., que trabalham sobretudo para "ter" e cada vez menos para "ser", e trabalham muito.
Temos cada vez mais pessoas que passam cada vez menos tempo com os filhos. Delegam a educação na TV, consolas, internet e afins.

Temos cada vez mais pessoas a viver como autómatos, ou seja com menos vida.

O que me move em termos sociais é isto. Envolvo-me para promover a vida.

Escrevi este post depois de ver estas duas imagens, não por ter sido uma descoberta vê-las pois já é um tema que aprofundo há uns tempos, mas inspiram-me!

Antes ->vidas???


Depois->Vidas!!!

Nestas duas fotos (a 2ª tem tanto fotoshop quanto as fotografias de revista de hoje em dia) podemos ver como trazer vida às cidades. O site de onde as copiei está a promover um concurso tipo "Desenha a tua rua!" e é curioso pois é precisamente o que estou a fazer com os meus vizinhos do grupo da Mobilidade na Iniciativa de Transição de Telheiras.

O que tem a Transição a ver com mobilidade e medidas de acalmia de tráfego? Tem tudo! Transição -> eliminar dependência do petróleo + comunidades mais ligadas = andar a pé.
Como conseguir converter trânsito motorizado em trânsito não motorizado? Redesenhando as ruas para dar segurança aos actores principais, as pessoas!!

O que já aconteceu até agora? Começou com um palestra sobre a utilização da bicicleta como meio de transporte e mobilidade suave em geral com a participação do Mário Alves, onde cabeças foram literalmente abertas para esta temática.
Desde então, várias pessoas (no mínimo 5 ou 6) passaram a a bicicleta como meio de transporte. Foi criado um grupo de trabalho que já tem um diagnóstico sobre o bairro, que, se tudo correr bem será o princípio de processo de transformação na vida de bairro, que não é má mas pode melhorar e muito.

Termino este post com uma frase que aprendi neste processo: "As pessoas são o sangue das cidades". Já agora uma outra: "Os carros esterilizam as ruas". Têm tanto significado. Adoro o poder da linguagem!! :)

Bons desenhos! Boas vidas!

28 janeiro 2011

Bicicleta de carga

Já tenho algumas bicicletas, mas ainda me falta ter uma.

Não é uma qualquer, é A bicicleta que vai eliminar algumas viagens (curtas) de carro, que ainda faço e que me fazem muita comichão.
Porquê a comichão, porque são curtas, porque são de carro quando podiam ser facilmente feitas de bicla, sem trânsito, sem estacionamento, sem poluir etc, etc.
Porquê de carro? Porque tenho que carregar coisas, porque tenho que levar o filho e/ou a filha não-sei-onde.

MAS, o fim desta comichão está à vista. Vêm aí a UTE! Trata-se de uma long-tail que tem os requisitos que tenho neste momento, um deles, o preço contido.

Há duas semanas tive a oportunidade de experimentar uma long-tail. Troquei de duas-rodas com o Gonçalo (Vespa<->bicicleta) na sexta à tarde e tive um fim de semana livre do carro, quase.
Logo no sábado de manhã, fui ao Continente de Telheiras com o Afonso. Para ele foi a aventura, sempre a dizer para andar mais rápido e a reclamar sempre que pedalava (ainda que apenas por momentos) em cima do passeio... "vai para a estrada, vai para a estrada!".
Giro giro, foi ameaçar para ele se portar bem, senão íamos de carro e não de bicicleta! e a resultar!!! ;)

Na parte da tarde, foi o "grande" passeio à horta de permacultura da FCUL (mais info e fotos, aqui). Já no local, este veículo tornou-se num carrocel e os meus filhos e as filhas de uns amigos que lá foram ter, só queriam andar e quase que lutavam para conseguir o seu lugar. Claro que, por onde passávamos, era garantia a atenção de todos...não sei porquê :)

Agora, é só esperar mais umas semanas para que a minha chegue.
Já está encomendada, claro, à Cenas a Pedal ;) que me ajudou imenso neste difícil processo de escolher a bicicleta ideal tendo em conta os meus requisitos. São especialistas em soluções de mobilidade a pedais! 5 estrelas!

21 janeiro 2011

Permacultura?? O que é essa cena?

Quem viu este filme já sabe um pouco do que é isto da Permacultura.

Quem não viu o filme, não sabe o que perde... mas eu digo, perde a possibilidade de ter a noção do que está por detrás da nossa agricultura convencional e como esse modelo pode ter os dias contados.
Perde a possibilidade de conhecer alguns (bons) exemplos alternativos à agricultura convencional.

Claro que pode sempre reverter isso e ver o filme, ou ir até Telheiras na próxima quarta-feira, dia 26 de Janeiro, participar no evento, "AH! Permacultura em Telheiras!", mais uma iniciativa do grupo de Transição em Telheiras, do qual, orgulhosamente, faço parte! :)
(clicar para ampliar)

Melhor ainda, pode ver o filme e participar no evento. ;)
Participem! Experimentem sair do lado do problema e passar para o lado da solução. É bem mais interessante.

12 janeiro 2011

Telheiras em Transição

Não tenho falado muito disso, mas faço parte da Iniciativa de Telheiras em Transição.

O que é a Transição? É a passagem de uma sociedade desagregada e dependente do petróleo para um conjunto de comunidades unidas e resilientes (uma definição minha).

É consumir conscientemente, é consumir local, é reduzir/eliminar a dependência do petróleo, é cultivar os próprios vegetais e frutas em horta pequenas e/ou comunitárias, de preferência permacultura, é viver em sociedade, é partilhar conhecimento e skills, é poluir muito menos....enfim... é tanta coisa boa! :)

No fundo é uma preparação, uma mudança para um estilo de vida que nos prepará para um futuro cada vez mais incerto, com crises económicas e sociais sem fim à vista, o pico do petróleo eminente (seja hoje ou daqui a 10, 20 anos), uma conjuntura que vai abanar muito a nossa sociedade e o nosso modo de vida actual.

E não, não é nenhuma seita do Apocalipse, é uma comunidade que olha para o lado da solução em vez de se focar no problema.

No âmbito deste movimento, a bicicleta tem um papel importante por todas as razões que já foram anteriormente faladas ;)

Este fim de semana a bicicleta estará em alta em Telheiras e por isso deixo o convite a todos que queiram saber mais um pouco de permacultura, que queiram/precisem reparar ou afinar uma bicicleta ou simplesmente queiram conviver com pessoas que escolheram viver a vida e outra maneira.
(clicar na imagem para ampliar)

Eu, em princípio, terei uma long tail (bicicleta mais longa que transporta muita carga e também pessoas) durante o fim de semana para um "teste de carga" a esta opção na vida real .

Já experimentei a bicicleta do Bicycle Repair Man durante uns minutos e foi a loucura (ainda hoje me lembrei dele enquanto caminhava para casa com a bicla pela mão, pneu furado) .

Era quase Natal e a Joana e o Afonso decidiram cantar uma canção de Natal, alto e bom som enquanto seguiam, ambos, sentados atrás. Tudo debaixo de chuva miudinha. Épico!
Fica um obrigado à Ana e ao Bruno das Cenas a Pedal.

Em breve haverá novidades neste tema, stay tuned!

09 janeiro 2011

50' alternativos à Televisão

Com um documentário de televisão, da BBC.
Desde que vi este documentário que ando a falar muito nele a amigos.
Não fazia sentido, portanto, não o deixar por aqui, até porque é sobre mais um Plano A (Agricultura) que parece estar em causa no futuro, que se adivinha no mínimo incerto.

29 dezembro 2010

Bom ano 2011!!

Desejo a todos um bom ano novo!


Será que 2011 vai ser o ano da bicicleta e da mudança do paradigma da mobilidade em geral (menos automóveis particulares, mais Transportes públicos, mais meios suaves como andar a pé)?

Será que 2001 vai ser o ano de mudança em relação à dependência do petróleo? O petróleo voltou a estar em alta. A procura continua a subir (China, India e afins) e a produção mantém-se inalterada...

Será que 2011 será um grande ano de Transição? Em Telheiras o processo continua!

Se fosse uma candidata a Miss Mundo era disto que eu falaria no meu discurso "I wish..." Ehehe :D

Bom ano a todos! mesmo para os que têm uma pegada ecológica brutal, seus brutos! :)

07 dezembro 2010

Pouca actividade, por outro lado nem por isso

Não tenho aparecido por aqui.
Não tenho andado parado, excepto em termos físicos pois nesse campo só mesmo a natação tem sido praticada e com muito exercício pois o prof. puxa bem pela malta e os resultados depressa aparecerão.

Ando "mole"! não tenho conseguido gerir o tempo para "fazer tempo" para as actividades físicas. Tenho algumas desculpas, mas não as aceito, interiormente. Uma delas foi uma forte constipação com grandes dores de garganta à mistura (até tive que usar o carro para ir trabalhar durante dois dias! custou-me andar enlatado e preso no trânsito!).

Correr já não é muito aconselhável para as minhas costas. "Tenho que correr em pisos mais moles", digo, mas não tenho arranjado forma de o executar.

No campo das bicicletas, tirando um bike-to-work-day há duas semanas, nunca mais pedalei. É mau, mas nem tenho tido pequenos recados para fazer em Lisboa, nem ido às Massas Críticas e nem tenho organizado bem a minha vida para ir para o trabalho de bicla, que exige mais tempo do que a solução motorizada (mota!).

No campo mais teórico, tenho feito umas coisas.
Organização uma palestra, "Há pedalada em Telheiras!!!"* sobre bicicletas, participação em várias iniciativas de transição em Telheiras como por exemplo, ajudar numa horta urbana, na construção de uma espiral de ervas aromáticas, dar os primeiros passos para um novo projecto de criação de medidas de acalmia de tráfego em Telheiras e partilha de muitas coisas com a comunidade que está a crescer graças a esta iniciativa. Eu e o António (com quem organizei a palestra) somos os bike-guys a que toda a gente recorre para pedir conselhos e opiniões sobre tudo o que se relaciona com este tema. Há várias pessoas à procura de bicicletas em Telheiras, neste momento! Há pedalada em Telheiras!!!

* A palestra "Há pedalada em Telheiras!!!" foi dia 24 e ainda nem falei dela aqui.
A assistência foi relativamente boa, mais de 50 pessoas, muitas novas para este mundo.
Eu e o António falámos sobre o assunto de A a Z, passando por todos os mitos sobre o tema (já espelhados no cartaz do evento). As pessoas gostaram, acho.
Bom bom, foi ver o Mário Alves fazer a sua magia e abrir uma nova janela na mente dos presentes, sobre a mobilidade suave em geral. Estava previsto alargar o tema para esta vertente e não podia ter corrido melhor.
Ver cada um dos presentes conhecer outras realidades de mobilidade, ruas com medidas físicas de acalmia de tráfego (passadeira sobrelevadas, árvores desalinhadas, etc, etc) e seus benefícios para a sociedade em geral. Muito bom.
Desde o evento que muitas pessoas vêm ter comigo e referem precisamente esta parte, que nunca tinham ouvido falar de tal coisa e que adoraram a ideia, mesmo pessoas muito viajadas e informadas. Quando não se está alerta para determinadas coisas, nem se nota que elas estão ali! Pessoas despertaram para a mobilidade e seus efeitos na sociedade em que vivemos! Priceless!!!
No fim houve debate e a minha mulher ainda testemunhou a sua experiência que começou este Verão e já vai bem rica.

Agora é começar a inverter este processo menos activo e voltar a fazer mais coisas, no desporto em geral e no ciclismo em geral! :D Depois de arranjar a minha bicla de estrada tenho que começar a rolar para ver se faço o Brevet de 200km dos Randonneurs Portugal, já a 26 Fev de 2011.

08 novembro 2010

"E agora, Portugal?"

Deixo aqui um post de um vizinho que conheci recentemente, nas sessões da Iniciativa de Transição em Telheiras.
É um excelente artigo sobre o estado da nação e do mundo, que deveria fazer pensar todos aqueles que o lerem.
Aconselho vivamente a leitura do post (e o resto do blog).

Aqui:

É bom ter vizinhos, sobretudo destes! ;)

05 novembro 2010

O petróleo está no fim (?)

O pico do petróleo é um assunto que me tem despertado interesse, sobretudo ultimamente, mas um pouco desde que li o livro "O sétimo Selo" do José Rodrigues dos Santos, onde fiquei a perceber alguma coisa (pouca!) sobre o petróleo e as questões à volta das reservas, extracção do dito e das questões geo-políticas-estratégicas que envolvem esta preciosa, e cada vez mais escassa, substância.

O tema não é nada fácil e é encarado pelos leigos, comuns cidadãos como mais uma história do fim do mundo, do Apocalipse e tal.

A conceituada revista National Geographic publicou, em 2004, um extenso artigo sobre este tema, que partilho aqui (digitalização do papel).

Uma coisa é certa, desenganem-se aqueles que pensam que tudo vai permanecer como está hoje, com os seres humanos a explorar o planeta até ao tutano, ao mesmo tempo que o sufocam com gases de efeito de estufa e com os chineses (indianos, etc, etc) a caminharem para o modelo de consumo ocidental (americano, mesmo).

Um pensamento "giro" sobre o petróleo é que vai "aparecer" algo que o substitua. A evolução tecnológica vai encarregar-se, naturalmente, de arranjar uma saída, como está acontecer com os carros eléctricos, visto como a salvação e a razão para deixarmos de consumir petróleo, de o abandonarmos, mesmo (recentemente alguém argumentava comigo isto mesmo, íamos deixar de precisar dele por causa dos carros eléctricos :s).
O petróleo não faz apenas andar os nossos carros, o petróleo está em tudo o que nos rodeia, e as energias alternativas de que tanto se fala (eólica, solar, das ondas, etc) não vão servir para fazer os produtos químicos de que depende toda a agricultura, para medicamentos, alcatrão, plásticos, etc, etc. etc...
A própria rede eléctrica é, ainda, alimentada sobretudo por combustíveis fósseis, como o petróleo, gás natural, carvão.

Bom, não sou especialista (nem de longe nem de perto!) e ainda há pouco tempo não tinha bem a noção de uma série de coisas... Apenas pretendo partilhar alguma informação ;)

29 outubro 2010

Transição em Telheiras

Telheiras é um bairro diferente. Já tinha percebido isso.
Sempre me senti bem vivendo em Telheiras. Sinto que estou integrado num bairro e que faço parte de uma comunidade.
A ART - Associação de Residentes de Telheiras, tem sangue novo e um dos projectos que está a arrancar nesta associação é a Iniciativa de Transição em Telheiras.

Na quarta feira-passada realizou-se o primeiro encontro, feito para palpar terreno e sentir se haveria quórum no bairro para tal projecto. A resposta foi muito positiva muitas dezenas de pessoas marcaram presença.

Feitas as apresentações, houve a projecção de um filme que focava um dos problemas globais actual, o pico do petróleo e o impacto na estilo de vida actual.
O filme (muito bom!), "THE END OF SUBURBIA" é centrado no modelo americano, mas aplica-se com muita facilidade noutras regiões, nomeadamente na Europa, dado que cada vez mais imitamos o "american way of living"...

Depois do filme houve um debate sobre o tema e não só. Falou-se do movimento de transição, de permacultura, do fim do petróleo, da dependência actual do petróleo e afins.
Vi muitas caras conhecidas, vizinhos ou nem por isso. Vi e fiquei a conhecer mais um pouco desta comunidade. Gostei de ver uma comunidade preocupada com estes temas e senti que havia ali vontade de fazer algo mais do que se faz actualmente.

No fim ficou a promessa de novidades em breve, a recepção de sugestões para temas a debater. Um dos temas a incluir será, claro, a bicicleta!

Chegámos a um ponto em que reciclar não é suficiente. Há que reduzir drasticamente a pegada ecológica!!

Já estava semi-familiarizado com a Transição e Permacultura(*), mas gostei de sentir ao vivo a coesão social em volta do tema. Se vai dar frutos ou não, veremos...

No fundo, no fundo, já estou em modo de transição há uns anos.

(*)Uma definição para Permacultura:
É um método holístico para planear, actualizar e manter sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias e comunidades) ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis.

Ficam mais alguns sites e blogs sobre o assunto:
poscarbono.blogspot.com
Pico do Petróleo
Transição e Permacultura Portugal