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03 outubro 2011

A ciclo-revolução

Depois não digam que eu não avisei.

A ciclo revolução está a ganhar forma. Para além dos cada-vez-mais-frequentes avistamentos de ciclistas pelas ruas das cidades portuguesas, mais concretamente Lisboa, onde o fenómeno está a ganhar expressão, a Massa Crítica está cada vez maior.
Setembro foi o mês de aniversário da MC de Lisboa (já lá vão 8 anos!) e é sempre mês de record de participantes.

Na passada sexta-feira, fomos mais que 400 ciclistas (há contagens que apontam para 450), praticamente o dobro do record que foi estabelecido há um ano, no 7º aniversário.


Ter participado nesta Massa Crítica foi um privilégio por vários motivos, dos quais destaco (em jeito de resumo):

- Já não andava de bicicleta há 25 dias (devido à recuperação de um acidente de mota)

- Levei a Joana pela 1ª vez (à pendura na Xtracycle), que apesar da confusão, especialmente alguns corkings mais confusos, gostou.

- O percurso de Telheiras até ao Marquês. Saímos 17 de Telheiras e ao longo do trajecto, vários ciclistas se foram juntando. Indescrítivel!! Parecia uma cena combinada para um spot publicitário. Até banda sonora teve, pois o SOM da MC mora em Telheiras e era nesta caravana que ia.
Telheiras, mais uma vez, no topo da mudança, em transição!
Chegámos ao Marquês num grupo de cerca de 30 ciclistas. Muito bom!

[chegada do "gang" ao Marquês]

- A minha irmã também participou e veio de bicla do Montijo (acho que andou de barco pela 1ª vez e já lá está há uma porrada de anos) e acabou por fazer um fim de semana inteiro de bicicleta e transportes públicos E gostou! (óbvio, quem experimenta, normalmente gosta...).

- Foi engraçado ver ali quase uma dezena de ciclistas que directa ou indirectamente estão ali por causa da minha influência (tive que fazer um esforço para o reconhecer um ou outro), alguns dos quais já optaram por incluir a bicicleta nas suas opções de mobilidade. É uma grande satisfação.

- Numa reunião recente numa empresa  (por causa desta lides) lançámos o convite para participarem na MC e disponibilizamo-nos a arranjar bicicletas para quem não tivesse.
Estavam lá cerca de 15 colaboradores, todos estreantes!!!
Fica aqui o agradecimento à Bike Ibéria e ao Didier que emprestou bicicletas muitos destes novos participantes. É assim que se luta pelas causas que acreditamos!

- A Massa atingiu um volume brutal (que já mostra um pouco do que vem aí) e eu estava lá! A sensação de participar numa onda positiva daquelas é algo que não se esquece. ;)

[Praça de Espanha]


E como foi o percurso de mais de 400 ciclistas por volta das 19h numa sexta-feira? Foi o de sempre mas em "mais bom" :)

- A rotunda do Marquês de Pombal, onde se dão várias voltas iniciais, ficou atestada, não dando sequer para perceber onde começava ou acabava a coisa.

- Todas as avenidas por onde passávamos ficavam repletas de ciclistas, escapando-se apenas a faixa BUS, como sempre.

- Para manter esta massa compacta, foram necessárias rolhas (corking) nas vias perpendiculares quando os semáforos estavam verdes para as mesmas. Tirando a rotunda de Entre-Campos, onde os ânimos tiveram ao rubro, correu tudo bem.

- Com estas rolhas, o trânsito nas zonas onde circulámos ficou caótico, em todos os sentidos. Em Entre-Campos o verdadeiro dead-lock foi feitos com bicicletas, o que não deixa de ser engraçado. We are traffic!

- A Praça de Espanha foi quase "tomada". Metade de toda a extensão circular da dita foi ocupada por bicicletas, até à compactação num semáforo onde se atingiu um êxtase geral, com salva de palmas e tudo. Muito bom.

- Mais uma passagem pela rotunda do Marquês e depois segui dali para casa, já que tinha penduras menores. Sei que continuou para a baixa e terminou com a "tomada" da Praça do Comércio para fotos finais.

Esta MC teve necessariamente muitos estreantes e de certo que esses não ficaram indiferentes ao fenómeno, quer da Massa propriamente dita, quer do movimento em geral, pois estiveram na "montra" e puderam observar N soluções cicláveis, com carga, crianças pequenas e grandes, etc, etc. Há muito que a bicicleta saiu da esfera do desporto/BTT e ali estão centenas de casos que provam isso.

Fotos de Alexandre Paris, aqui.



27 maio 2011

A minha "X"tracycle

Finalmente tenho a minha frota completa com a chegada da "Xtracycle" (até uma dobrável já temos, fruto de uma generosa oferta de um bom vizinho - conhecer vizinhos é só vantagens!!).

Xtracycle é a marca do kit que alonga a bicicleta (afastando a roda de trás cerca de 40cm) e lhe dá uma capacidade de carga estrondosa com duas bolsas laterais enormes e de grande versatilidade. Ainda por cima é escalonável com a adição de mais peças da mesma marca que encaixam facilmente.
É comum chamar "eXtracycle" ou simplesmente "X" a bicicletas com este kit, tal a importância que ele assume na bicicleta. Com ele, de facto, a bicicleta ganha toda uma outra dimensão que só quem experimenta e usufrui das suas capacidades consegue efectivamente perceber.

Como tem sido?

O 1º fim-de-semana foi super Xtraciclado.
O 2º teve um domingo 100% a pedal, mas "só" entre Telheiras e Sta. Apolónia, depois Entre-Campos, Av. Igreja e regresso a casa, 7h depois, isto tudo em modo carregando os cerca de 45kg que terão a Joana e Afonso juntos. Como é andar com os dois? É fácil! 21 mudanças ajudam e as pernas vão dando para os declives.

O que muda?

Já tínhamos forma de andar com o Afonso. Já tínhamos alforges. Já fazíamos piqueniques de bicicleta.... Agora, fazemos tudo isto e mais com muito mais facilidade.

1º Poder levar os dois filhos significa ir a todo o lado.
A Joana já pedala pela cidade, mas não está apta para 1) distâncias superiores a 2/3km, sobretudo com declives; 2) lidar com muito trânsito, ou por outra o trânsito não está apta a lidar com ela, que até já consegue ir "direitinha" - no outro dia um automobilista "atencioso" achou que era boa ideia buzinar alto-e-bom-som mesmo atrás dela para sinalizar a sua presença!!! Claro que a miúda assustou-se e ficou nervosa, e eu, claro, também tendo até gritado com o condutor no semáforo seguinte... enfim.
Levar os dois é super seguro e prático, além de dar espectáculo toda a viagem (fica tudo a olhar!), já que vamos ao ritmo de adulto, e podemos ir para todo o lado. Começamos a olhar para qualquer destino de uma forma muito menos carro-dependente. É um verdadeiro abre Ciclo-Horizontes!

2º Carga, muita carga
Como dizia um cromo com quem trabalhei, "por exemplos, um exemplo":

Ontem, dia de compras. Lista feita, 5 minutos pedalando até ao Hipermercado de Telheiras, compras feitas sem qualquer restrição de volume....


Carregado nos porta-bagagens....

[Já com o volante para os passageiros instalado, obtido e transformado na cicloficina]

Estacionar! Outra grande vantagem desta opção, para mim. Assim posso levar as compras até à porta/quintal de casa mesmo. De carro chego a percorrer 30mts entre o carro e a porta de casa.


Para ilustrar melhor a quantidade de compras (quase 20kg), decidi fazer esta foto:


Algumas considerações:

Pedalar com peso lateral - Assim que comecei a pedalar com todo este peso senti o balanço e tive que conduzir de forma mais suave. Uns 20mts foram suficientes para me habituar. Tive muitas manobras apertadas depois disso e foi na boa.

Carregar a carga - Confesso que ainda nas compras pensei "posso comprar o que quiser que cabe tudo na X".... Arrumar foi mais complicado, pois requer alguma arrumação. Acabei por meter tudo à maluca, ainda por cima só levava metade das coisas ensacadas. Não foi fácil, mas estou convencido que a prática permitirá levar mais 50% de volume/peso sem stress.

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Ontem, foi dia de Massa Crítica, onde já não ia há muito. Foi muito fixe, com 126 participantes, muitos estrangeiros, um patinador, um corredor, muito bom tempo, muito corking pacífico, um andamento super tranquilo.


Para acabar em beleza, desvio da Massa para ir jantar com a Joana (também participante da Massa) e Gonçalo para os lados da Av. António Augusto Aguiar. Pela 1ª vez percorri a totalidade da ciclovia Duque D'Avilla e gostei bastante, pena os pilaretes demasiado em cima da mesma...

Curiosidade: Do restaurante até a meio do Campo Grande, demorámos o mesmo a pedalar do que demorou o Gonçalo no seu carro (que usou devido a ter um joelho lesionado!), às 22h30, ou seja, sem qualquer tânsito.