São tempos complicados, os que vivemos hoje. A recessão, e as transformações que provoca, afectam cada vez mais pessoas, mesmo aquelas que há bem pouco tempo achavam que tinham uma vida estável e não lhes chegaria a si.
A resiliência, capacidade de resistir a um choque externo, é a palavra de ordem.
Há um factor muito importante para aumentar a nossa resiliência, o factor "comunidade". Todos sabemos isso, pois a família e os amigos são aqueles a quem recorremos quando precisamos de apoio.
Acontece que a comunidade é bem mais do que os familiares e amigos, embora na sociedade actual, se resuma quase a isso, algo que acontece devido aos altos ritmos de vida que se vivem hoje.
Até este círculo, de amigos e familiares, é cada vez mais pequeno, pois tirando o contacto virtual, pouco se convive com intimidade suficiente para cultivar minimamente essas relações.
Hoje venho falar sobre o alargamento, a amplificação desta comunidade. Ter familiares e amigos é excelente, mas a
comunidade de que falo é bem mais do que isso.
No mundo global em que vivemos hoje, é muito fácil descobrir grupos, associações, movimentos com os quais nos identificamos. Desde a associação de moradores, o clube de Xadrez, passando pelo grupo desportivo, de apoio aos necessitados, de apoio a animais abandonados, etc, até aos movimentos sociais, todos estão aí, abertos para novos participantes, sem custos associados e se pode ajudar imenso, por vezes com apenas um par de horas semanais.
Além deste lado voluntarioso, que por si só, dá imenso de volta, há também imensos ganhos pessoais, em temos sociais.
Participar em causas em que se acredita, partilham-se valores com novas pessoas, conhecendo-as, desenvolvendo novas amizades, por vezes bem mais sólidas do que amizades antigas mantidas à custa de partes do nosso passado. Fazem-se amigos!
Outro lado, não menos importante, é o desenvolvimento pessoal. Por muito que achemos que somos desenvolvidos, em geral, ou em determinado tema, ao conviver com outras pessoas, com muitas pessoas, somos sempre confrontados com outras ideias, perspectivas, que nos fazem pensar e por vezes reposicionar sobre assuntos sobre os quais tínhamos ideias sólidas, mas cristalizadas. Cresce-se como pessoa!
Uma vantagem óbvia é o desenvolvimento inter-pessoal. Ao se conviver com "estranhos" (pelo menos, inicialmente), em organizações pouco ou nada estruturadas, é-se confrontado constantemente com novas situações de relacionamento inter-pessoal e o desenvolvimento neste campo é notório. Fica-se mais social!
Dependendo dos projectos e do envolvimento, também há um desenvolvimento de capacidades, pois ao praticar o bem (assumindo que não estamos a falar de um grupo maléfico) e o que e gosta, estamos a trabalhar e normalmente com menos recursos do o habitual, algo que obriga a desenvolver capacidades que nem se conheciam até então. Desenvolvem-se capacidades, fica-se mais habilitado.
Há imensas mais vantagens, inerentes ao lado voluntário, de ajudar o próximo, de desenvolvimento da sociedade - a sociedade civil é quem mais pode contribuir para o desenvolvimento -, de ocupação de tempos livres (para quem tem tempo livro, claro), de ter novos tempos de lazer - lado muito importante!, de desenvolvimento local, seja na escola, no bairro, naquele descampado que se quer transformar em horta ou jardim, etc, etc.
Deixo para o fim a vantagem referente ao tema, amplificação. Nestes envolvimentos, uma das coisas mais importantes é o alargamento da comunidade em que nos inserimos. Participar é alargar, criar comunidade. Fazer parte de uma comunidade maior é aumentar a capacidade de resiliência pessoal e dessa comunidade. Nos dias que correm, o networking é muito importante. Deste networking saem novas ideias, projectos, parcerias, oportunidades de emprego, de novas relações, de novos grupos de novos interesses, novos networkings. Estas redes que se criam são altamente dinâmicas e orgânicas, verdadeiros ecossistemas aos quais se passa a pertencer, com muita vantagens para todos os que participam e muitas mais para a sociedade em que se inserem. Amplifica-se a vida!
Nota-se, claro, que estou a partilhar experiências pessoais. Este blog é um pouco para isso. Partilhar o que acho que deve ser partilhado, tentando afectar positivamente quem o lê.
Participo hoje em variados grupos, associações, movimentos e causas. Neles tenho conhecido imensas pessoas, com as quais tenho desenvolvido relações bastante saudáveis. Tenho mais vizinhos com quem posso contar, mais amigos, mais conhecidos, etc. Até já tenho
sócios de uma empresa que, posso dizer, são frutos destes envolvimentos. Já assisti a spin-off's de ideias que surgem de um grupo e acabam por criar outro. Não há limites e é brutal assistir ao fervilhar de ideias!
Não entrei nisto para sacar vantagens, mas sim para dar algo de mim. O que posso dizer hoje é recebo bem mais do que aquilo que dou.
Quando foi a última vez que fizeste algo de novo?
Amplifica a tua vida!