Andar de bicicleta como meio de transporte altera a vida de quem opta por o fazer.
Uma das alterações é a adição de uma dose aventura na vida do dia-a-dia, o ram-ram. Pode ser visto com um ponto negativo, sobretudo pelos detractores, e há muitos por aí, como já referi antes.
Aventura é uma componente que desaparece na vida ao longo dos anos, sobretudo quando se vivem vidas muito mais controladinhas, standerizadas e formatadas.
Para quem anda de carro, o maior imprevisto nos dias que correm é a quantidade de trânsito que se apanha, aliás, justificação sempre bem aceite por quem espera muito por alguém – Aposto que é das desculpas falsas mais usadas, tal a boa aceitação que tem.
De bicicleta, o maior imprevisto, dos poucos aliás, é sem dúvida alguma a meteorologia, sobretudo em dias de tempo incerto.
É claro que não é tanto quanto os automobilistas pensam, pois estes nem se apercebem que é raro o dia em que chove muito tempo seguido – fechado num automóvel não se tem uma percepção acertada das condições atmosféricas (nem de uma carrada de outras coisas…).
No sábado passado, dia incerto, o plano familiar era passar de bicicleta pelo Campo Pequeno a meio da tarde. Estava a decorrer o 1º Encontro Cycle Chic de Lisboa e a Cenas a Pedal tinha lá uma tenda/loja. Como tinha encomendado um “assento” para os passageiros da Xtracycle, assim passava por lá e aproveitava para ver como estava a decorrer o encontro chic.

[Quando a carga é irrequieta, demora-se mais a acondicioná-la]
À medida que nos íamos preparando e atrasando, o céu foi escurecendo, até que passados poucos minutos de termos começado a pedalar, começou, naturalmente a chover. Eu na X com os miúdos e minha mulher na dela (por prevenção à chuva a Joana não levou a dela para simplificar em caso de molha).
Quanto mais andamos de bicicleta, mais nos relaxamos com a cor do céu – não há utilizador de bicicleta que não faça isto. Há três razões principais: 1) Uma melhor percepção do tempo devido à maior exposição a este; 2) Gostar imenso de usar a bicicleta como meio de transporte; 3) Mais abertura para a “aventura”.
Seguíamos, todos frescos, já com as pingas a engrossar, e aceleramos o andamento até pararmos debaixo da Padre Cruz, num grande viaduto que serve peões e a ciclovia Telheiras-Entrecampos.
Enquanto aguardávamos por uma aberta, desfrutámos daquele abrigo. Desfrutar é gozar o momento, nem que seja rir da situação em que nos metemos e imaginar como vamos sair dela.
O Afonso corria feito louco de um lado para o outro.
A Joana, menina, imaginava como sairíamos dali, enquanto a chuva se adensava e os trovões começavam…
Enquanto os minutos passavam, as esperanças que mudasse o tempo foram ficando menores, e fotografias se tiravam… :p
Como tínhamos um casal amigo ali perto – com quem tínhamos combinado este passeio, mas aguardava uma aberta para sair de casa – em troca de mensagens, ofereceram um resgate dos miúdos dali para fora de carro.
Toca de vestir os impermeáveis...
... e enquanto o carro chegava e não chegava, preparei-me para levar os miúdos até à estrada…

Claro que eles, instintivamente, meteram-se debaixo do meu poncho. Foi uma risada completa aqui e, ficou a ideia para outra altura… :)
Resgate dos miúdos feitos, e nós decidimos seguir para casa, mas… distraídos com o resgate nem analisámos bem as condições do momento e foi precisamente quando caiu a maior carga de água. Andei 100mts, a subir, e dei meia-volta e voltei à “toca”… Esperámos mais um pouco e lá seguimos, hilariantes… no meio do barulho da chuva conseguia ouvir as gargalhadas da minha mulher :).
O meu poncho (na Xtacycle leva-se sempre muita coisa e este já lá estava!!!) tapava-me quase todo, o problema era por baixo pois ainda não tenho pára-lamas, apesar de já estarem encomendados… :(
Passado minutos estávamos em casa, encharcados da cintura para baixo, mas muito bem dispostos. Os miúdos aguardavam dentro do carro, estacionado à nossa porta.
Assim se passou uma parte de Sábado. Se podia ter sido evitado? Podia, mas não teria sido a mesma aventura. De certeza que desta ninguém se vai esquecer e a vida é também é feita de coisas como estas.
Depois de um lanchinho, acabámos por passar de carro pelo Campo Pequeno para fazer o que estava previsto.
Curiosidade: o pessoal da Cenas a Pedal também estava encharcado e nem impermeáveis levaram… “Olhámos para o céu, mas estava calor, por isso pensámos, que se lixe, vai ser uma cena tropical…” – Eu não disse que os ciclistas relaxavam em relação às condições meteorológicas…. Eu disse!
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Já esta semana, o Tagus Park ganhou mais uma ciclista, com grande contribuição do serviço gratuito da MUBi, o Bike Buddy. O Rui Costa foi o voluntário de serviço e sem nunca lá ter ido antes, cumpriu a sua tarefa com distinção. O Trajecto foi Amadora->TagusPark com comboio à mistura. Quem ainda pensa que não é possível, pense novamente, pois as desculpas começam a ser poucas.
1 comentário:
Fantástica aventura. A pedalada assim até tem outro sabor.
Aí pela capital o S. Pedro não teve de modas. Sábado passado, cá na Imbicta felizmente as gotas de chuva foram poucas e apenas deu para refrescar.
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