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24 outubro 2013

Alegoria dos Porcos

O texto a seguir não tem autor conhecido. Circula pela internet, dizem que o original, em espanhol, apareceu entre os alunos da Universidade de Piracicaba em 1981. Apenas as fotos foram acrescentadas.
(copiado daqui)

Alegoria dos Porcos

Certa vez, aconteceu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, acostumados a comer carne crua, experimentaram e acharam deliciosa a carne assada. A partir daí, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque.

Photo: ELEANOR BENTALL

Mas fazia tempo que as coisas não iam lá muito bem: às vezes os animais ficavam queimados demais ou parcialmente crus. O processo preocupava muitoa todos, porque se o SISTEMA falhava, as perdas ocasionadas eram muito grandes - milhões eram os que se alimentavam de carne assada e também milhões os que se ocupavam com a tarefa de assá-los. Portanto, o SISTEMA simplesmente não podia falhar. Mas, curiosamente, quando mais crescia aescala do processo, tanto mais parecia falhar e tanto maiores eram as perdas causadas.


Em razão das inúmeras deficiências, aumentavam as queixas. Já era um clamor geral a necessidade de reformar profundamente o SISTEMA. Congressos, seminários, conferências passaram a ser realizados anualmente para buscar uma solução. Mas não acertavam o melhoramento do mecanismo. Assim, no ano seguinte repetiam-se os congressos, seminários, conferências.


As causas do fracasso do SISTEMA, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou ainda às árvores ou à umidade da terra ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava a quantidade das chuvas…
Na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: maquinário diversificado; indivíduos dedicados exclusivamente a acender o fogo - incendiadores especializados (da Zona Norte, da Zona Oeste, noturnos e diurnos, incendiador de verão, de inverno, etc). Havia especialista também em ventos - os anemotécnicos. Havia um Diretor Geral de Assamento e Alimentação Assada, um Diretor de Técnicas Ígneas (com seu Conselho Geral de Assessores), um Administrador Geral de Reflorestamento, uma Comissão de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias (ISCUTA) e o Bureau Orientador de Reforma Igneooperativas.
Havia sido projetada e encontrava-se em plena atividade a formação de bosques e selvas, de acordo com as mais recentes técnicas de implantação. Eram milhões de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais potente. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos para deixá-los sair apenas no momento oportuno.


Foram formados professores especializados na construção dessas instalações. Pesquisadores trabalhavam para as universidades para formação dos professores especializados; fundações apoiavam os pesquisadores que trabalhavam para as universidades que preparavam os professores especializados na construção das instalações para porcos….
As soluções que os congressos sugeriam eram, por exemplo, aplicar triangularmente o fogo depois de atingida determinada velocidade do vento, soltar osporcos 15 minutos antes que o incêndio médio da floresta atingisse 47 graus, posicionar ventiladores-gigantes em direção oposta à do vento, de forma adirecionar o fogo, etc.

Um dia, um incendiador categoria AB/SODM-VCH (ou seja, um acendedor de bosques especializado em sudoeste diurno, matutino, com bacharelado em verão chuvoso), chamado João Bom-Senso, resolveu dizer que o problema era muito fácil de ser resolvido - bastava, primeiramente, matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então sobre uma armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor - e não as chamas - assasse a carne.

Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o Diretor Geral de Assamento mandou chamá-lo ao seu gabinete, e depois de ouvi-lo pacientemente, disse-lhe:
- Tudo o que o senhor disse está muito bem, mas não funciona na prática. O que o senhor faria, por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos aaplicar a sua teoria? Onde seria empregado todo o conhecimento dos acendedores de diversas especialidades?
- Não sei - disse João.
- E os especialistas em sementes? Em árvores importadas? E os desenhistas de instalações para porcos, com suas máquinas purificadores automáticas de ar? E os anemotécnicos que levaram anos especializando-se no exterior, e cuja formação custou tanto dinheiro ao país? Vou mandá-los limpar porquinhos? E os conferencistas e estudiosos, que ano após ano têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles, se a sua solução resolver tudo? Heim?


- Não sei - repetiu João encabulado.
- O senhor não vê, que, se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a solução há muito tempo atrás? O senhor com certeza compreende que eu não posso simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas! O que o senhor espera que eu faça com os quilômetros e quilômetros de bosques já preparados, cujas árvores não dão frutos e nem têm folhas para dar sombra? Vamos, diga-me.
- Não sei, não senhor.
- Viu? O senhor tem que trazer soluções para certos problemas específicos - por exemplo, como melhorar as anemotécnicas atualmente utilizadas, como obter mais rapidamente acendedores de Oeste (nossa maior carência), como construir instalações para porcos com mais de sete andares.


Temos que melhorar o sistema, e não transformá-lo radicalmente, o senhor, entende? Ao senhor, falta-lhe sensatez!
- Realmente, eu…. - suspirou João.
- Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por aí que pode resolver tudo. O problema é bem mais sério e complexo do que o senhor imagina.

15 janeiro 2013

Ir para o trabalho de bicicleta - Medida 14

No meio de um artigo com 60 medidas para poupar em 2013, apareceu isto:

in Jornal Expresso, edição de 29 de Dezembro de 2012.

15 março 2012

Nos ouvidos


Desde que aderi à onda dos smartphones, tenho enriquecido mais ainda a minha consciência sobre o mundo que nos rodeia e os desafios globais que teremos que enfrentar.
Porquê?
Porque o audio passou a ser uma forte fonte de informação e de 1ª qualidade! (não é preciso um smartphone, mas ter tudo-em-um facilita)

Uma das principais fontes de informação têm sido os podcasts do Treehugger. Passear os cães tem sido como "assistir" a autênticas palestras!

Design, arquitectura, ecologia, agricultura, energia, sociedade, mobilidade, etc, tudo por grande cromos.

Há dois ou três temas que estão na boca de quase todos, sustentabilidade, alterações climáticas e pressão demográfica.

PS: Ao almoço chamaram-me hippie. Se olhar bem para as principais características deste movimento, aceito com orgulho :D
PPS: Não é a primeira vez que me classificam assim.

03 outubro 2011

A ciclo-revolução

Depois não digam que eu não avisei.

A ciclo revolução está a ganhar forma. Para além dos cada-vez-mais-frequentes avistamentos de ciclistas pelas ruas das cidades portuguesas, mais concretamente Lisboa, onde o fenómeno está a ganhar expressão, a Massa Crítica está cada vez maior.
Setembro foi o mês de aniversário da MC de Lisboa (já lá vão 8 anos!) e é sempre mês de record de participantes.

Na passada sexta-feira, fomos mais que 400 ciclistas (há contagens que apontam para 450), praticamente o dobro do record que foi estabelecido há um ano, no 7º aniversário.


Ter participado nesta Massa Crítica foi um privilégio por vários motivos, dos quais destaco (em jeito de resumo):

- Já não andava de bicicleta há 25 dias (devido à recuperação de um acidente de mota)

- Levei a Joana pela 1ª vez (à pendura na Xtracycle), que apesar da confusão, especialmente alguns corkings mais confusos, gostou.

- O percurso de Telheiras até ao Marquês. Saímos 17 de Telheiras e ao longo do trajecto, vários ciclistas se foram juntando. Indescrítivel!! Parecia uma cena combinada para um spot publicitário. Até banda sonora teve, pois o SOM da MC mora em Telheiras e era nesta caravana que ia.
Telheiras, mais uma vez, no topo da mudança, em transição!
Chegámos ao Marquês num grupo de cerca de 30 ciclistas. Muito bom!

[chegada do "gang" ao Marquês]

- A minha irmã também participou e veio de bicla do Montijo (acho que andou de barco pela 1ª vez e já lá está há uma porrada de anos) e acabou por fazer um fim de semana inteiro de bicicleta e transportes públicos E gostou! (óbvio, quem experimenta, normalmente gosta...).

- Foi engraçado ver ali quase uma dezena de ciclistas que directa ou indirectamente estão ali por causa da minha influência (tive que fazer um esforço para o reconhecer um ou outro), alguns dos quais já optaram por incluir a bicicleta nas suas opções de mobilidade. É uma grande satisfação.

- Numa reunião recente numa empresa  (por causa desta lides) lançámos o convite para participarem na MC e disponibilizamo-nos a arranjar bicicletas para quem não tivesse.
Estavam lá cerca de 15 colaboradores, todos estreantes!!!
Fica aqui o agradecimento à Bike Ibéria e ao Didier que emprestou bicicletas muitos destes novos participantes. É assim que se luta pelas causas que acreditamos!

- A Massa atingiu um volume brutal (que já mostra um pouco do que vem aí) e eu estava lá! A sensação de participar numa onda positiva daquelas é algo que não se esquece. ;)

[Praça de Espanha]


E como foi o percurso de mais de 400 ciclistas por volta das 19h numa sexta-feira? Foi o de sempre mas em "mais bom" :)

- A rotunda do Marquês de Pombal, onde se dão várias voltas iniciais, ficou atestada, não dando sequer para perceber onde começava ou acabava a coisa.

- Todas as avenidas por onde passávamos ficavam repletas de ciclistas, escapando-se apenas a faixa BUS, como sempre.

- Para manter esta massa compacta, foram necessárias rolhas (corking) nas vias perpendiculares quando os semáforos estavam verdes para as mesmas. Tirando a rotunda de Entre-Campos, onde os ânimos tiveram ao rubro, correu tudo bem.

- Com estas rolhas, o trânsito nas zonas onde circulámos ficou caótico, em todos os sentidos. Em Entre-Campos o verdadeiro dead-lock foi feitos com bicicletas, o que não deixa de ser engraçado. We are traffic!

- A Praça de Espanha foi quase "tomada". Metade de toda a extensão circular da dita foi ocupada por bicicletas, até à compactação num semáforo onde se atingiu um êxtase geral, com salva de palmas e tudo. Muito bom.

- Mais uma passagem pela rotunda do Marquês e depois segui dali para casa, já que tinha penduras menores. Sei que continuou para a baixa e terminou com a "tomada" da Praça do Comércio para fotos finais.

Esta MC teve necessariamente muitos estreantes e de certo que esses não ficaram indiferentes ao fenómeno, quer da Massa propriamente dita, quer do movimento em geral, pois estiveram na "montra" e puderam observar N soluções cicláveis, com carga, crianças pequenas e grandes, etc, etc. Há muito que a bicicleta saiu da esfera do desporto/BTT e ali estão centenas de casos que provam isso.

Fotos de Alexandre Paris, aqui.



06 setembro 2011

A carga e as crianças - os terríveis

Andar de bicicleta é muito bonito. É actual, é saudável e tal, mas só se aplica aos outros, porque quando chega à opção do próprio, acaba sempre num redondo "[Mas] para mim não dá!".

As crianças e a carga são frequentes desculpas para nem sequer se considerar melhor o tema.

Será a bicicleta o meio de transporte indicado para responder a estas solicitações? Por si só, não, mas tendo em conta todas as vantagens de andar de bicicleta e as razoáveis capacidades de alguns modelos disponíveis (sim, como nos carros, há modelos para tudo!), acho que é um assunto que tem muito por explicar.

Claro que o ideal é ter várias bicicletas. Não vou entrar pelo tema "quantas tenho?", mas digo apenas que é bem mais económico ter duas ou três bicicletas do que dois carros.

Por exemplo, em baixo está uma bicicleta (a cinzenta) que me custou 30€ e só foi preciso encher os pneus para ficar operacional.

A estrela da companhia, nestes capítulos, é a "longa", claro. Um kit que alonga as bicicletas faz maravilhas por centenas de vidas "across the planet!" e a minha família já foi apanhada nesta revolução ;)

Como não estou muito inspirado para escrever, ficam algumas fotos do dia a dia que falam por si (e com alguns comentários).

[qualquer pessoa a conduz - aqui a Rosa, que há muito não andava de bicicleta,
experimentou e adorou... com Catarina, a filha, atrás]

 [como depois deste encontro fomos todos para minha casa, levei a Rosa na "longa". Não há fotos, mas levei também o Afonso e a bicicleta pequena com rodas de reboque. A Catarina seguiu no porta-bagagens da bicicleta da minha mulher. A Joana também estava, claro, e pedalou na dela. 6 pessoas em 3 bicicletas e outra bicla de reboque. Espectáculo em Telheiras. Parecia o corso, tudo a olhar! :D]

 [Aqui foi a minha mulher que decidiu fazer um desvio e passar no Continente. Ao optar por um carrinho de compras, o volume das mesmas descambou, mas a "longa" apara estes golpes todos na boa...]

 [Regresso da feira da Luz, Carnide, com produtos de feira. Caixa de arrumação,
regador, fruteira de barro, vassoura e pá com cabo]

[18kg de ração para levar para a garagem na rua de trás... nah, pedala-se!] 

[um passeio familiar em que a Joana se cansou depois de muitos kms, já perto de casa...
Salta para a "longa" e mete a roda da frente no saco :p]

[e quando se vai só trocar uma coisinha e se acaba por comprar muito mais coisas
 que afinal estavam em falta e nem um elástico se tem. Puxa-se pelo nosso lado asiático 
e equilibra-se o excesso de carga, usando apenas a mola do porta-bagagens.
O saco com as Estrelitas foi na mão! :D ]


[Mais uma chegada das compras...com passageiro]

09 janeiro 2011

50' alternativos à Televisão

Com um documentário de televisão, da BBC.
Desde que vi este documentário que ando a falar muito nele a amigos.
Não fazia sentido, portanto, não o deixar por aqui, até porque é sobre mais um Plano A (Agricultura) que parece estar em causa no futuro, que se adivinha no mínimo incerto.

29 dezembro 2010

Bom ano 2011!!

Desejo a todos um bom ano novo!


Será que 2011 vai ser o ano da bicicleta e da mudança do paradigma da mobilidade em geral (menos automóveis particulares, mais Transportes públicos, mais meios suaves como andar a pé)?

Será que 2001 vai ser o ano de mudança em relação à dependência do petróleo? O petróleo voltou a estar em alta. A procura continua a subir (China, India e afins) e a produção mantém-se inalterada...

Será que 2011 será um grande ano de Transição? Em Telheiras o processo continua!

Se fosse uma candidata a Miss Mundo era disto que eu falaria no meu discurso "I wish..." Ehehe :D

Bom ano a todos! mesmo para os que têm uma pegada ecológica brutal, seus brutos! :)

25 novembro 2010

Manifesto da reparação (e afins)

É simples: Gasta-se um pouco mais e compra-se produtos que são projectados e construídos para durar muito tempo e sobreviver melhor às modas. A longo prazo poupa-se dinheiro e sobretudo o meio ambiente.

Isto é um assunto sensível já que implica uma mudança significativa no comportamento dos consumidores e na forma de projectar "coisas" de todas as nações industrializadas e ainda dos respectivos modelos de negócio.

A esperança e´que, se mais nada sair de bom das actuais dificuldades económicas, que aprendamos a valorizar a importância da reparação em vez da eliminação, que aprendamos a re-apreciar o talento das pessoas que dão vida às "coisas" e que deixemos que essas coisas tenham uma segunda vida depois da reparação.

O manifesto, em inglês, é muito claro. Vale a pena lê-lo e pensar em tudo o que nele é dito. Faz todo o sentido!
(clicar no Manifesto para ampliar)

Pessoalmente, gosto de explorar as coisas até elas não darem mais. Nunca tive o impulso de deitar fora algo assim que avaria. Muitas vezes nem faço nada, pois a funcionalidade mantêm-se boa, mesmo com uma pequena avaria ou dano. Muitas vezes meto um pouco de cola ou fita-cola. Quando as coisas deixam de funcionar, antes de deitar fora, olho sempre para cada componente e muitos ficam até terem novo uso. E, "guess what?", muitas vezes têm nova vida, na mesma função ou em funções distintas.

Gosto de provérbios e um dos que tenho sempre presente é "Guarda o que não precisas encontrarás o que te faz falta".

É preciso organização e algum espaço para guardar coisas, mas com um pouco de ginástica consegue-se!

Pequenos exemplos recentes:

- Umas tábuas que vinham na embalagem de máquinas de loiça, etc, estão já destinadas para uma pequena construção que tenho planeada.
- Um cabo de esfregona que deixou de servir para a esfregona, passou pouco tempo depois a servir para a pá (daquelas de cabo alto).
- Cordas e atacadores, elásticos, arames, etc, acabam sempre por dar jeito para atar mais tarde.
- Guardanapos de papel pouco danificados podem ser guardados e mais tarde usados para absorver gordura e molhos de loiça suja, evitando assim que vá pelo cano abaixo (lá em casa já usamos guardanapos de pano, mas as visitas recebem de papel).
- Sacos de plástico (dispensa explicações)
- Pregos, parafusos, etc, etc
- Caixas de cartão
- Peças de bicicletas
- Coisas electrónicas sem uso : Tenho um colega que faz mini-projectos com a filha e dou-lhe imensas coisas que depois são convertidas e servem para cativar os pequenos jovens para electrónica e ciência em geral.
Um exemplo: Retirou motores de uma impressora velha que lhe dei e fez uma maqueta de um prédio com elevador e tudo! Já fez carros movidos a energia solar, etc, etc.

Enfim, um sem fim de coisas, que muita gente considera lixo, acaba por dar sempre jeito, mais tarde. Mesmo antes de deitar fora, há que pensar se será útil para alguém. Se for e não se conhecer alguém que precise, deixar de uma forma arrumada na rua ao lado do lixo é meio caminho andado para ser aproveitado.

Recentemente conheci um sistema de "reutilização inter-pessoal" o Freecycle, onde basta aderir ao grupo e depois anunciar algo para dar e estar atento para algo que nos possa dar jeito, até mesmo anunciar o que nos faz falta.
Ainda não usei, mas tenho coisa para oferecer e já vi anúncios de recheios inteiros de uma casa para dar!!!


Muito relacionado com este tema, temos "A histórias das coisas" em http://www.storyofstuff.com/, muito gráfico, com desenhos em tempo real, onde se demonstra de uma forma eloquente como está pensada a indústria de consumo e como esta indústria está a esmifrar o nosso planeta. Vale a pena ver os filmes!!!

09 novembro 2010

Cartão velho, carro novo!

No Domingo passado, aproveitei algum tempo livre para dar andamento a um projecto que já tinha na calha. Coisas feitas de cartão. O cartão é um material com muito potencial e bem trabalhado dá para imensa coisa, desde brinquedos, móveis, assentos, candeeiros, etc, etc.

Material: Caixa de cartão (enviada por correio pela Gocycle); cola, tesoura (não é o ideal) e ainda utilizei um x-acto.


Peças depois de cortadas...


Os miúdos também participaram. A Joana a colar...


... e o Afonso a snifar cola!/verificar colagem :)


Produto acabado: Um jipe (que não pode apanhar chuva) :)


Mas pode fazer todo o terreno (quando seco!)


Assim terminou este primeiro projecto.
O brinquedo continua a ser o preferido do dia e já tem montes de passageiros desenhados pelo Afonso, pois o cartão estava mesmo a pedir...

O melhor disto tudo é o processo de montagem partilhado com as crianças, pois há uma tendência para acharem que as coisas nascem nas lojas. O Afonso só perguntava "Quando é que está pronto? Já está?" :D. Já a Joana participou activamente.
Ah... e mais ninguém no mundo tem um brinquedo igual aquele. :D

Agora é arranjar tempo para mais brinquedos e utilidades. Talvez um avião e um estojo para lápis e canetas...

03 novembro 2010

Cidadania


"Ask not what your country can do for you - ask what you can do for your country." é das frases históricas que mais me toca.

Em Portugal vivemos ainda na fase "O que é o Estado pode fazer por mim" e como o Estado é muito, muito, muito mau, o que tem sido feito não é bom para ninguém, a não ser para a oligarquia que o compõe.

Na onda do que é que podemos fazer pelo país, acabei de enviar um e-mail à direcção do instituto (público, sim!) onde trabalho, no sentido de os alertar para a falta de políticas de eficiência energética no gigante edifício em que estamos instalados.

Apelei ao lado económico, mas também ao lado ecológico e dei algumas sugestões de fácil implementação, como por exemplo instalar interruptores para se poderem apagar as luzes!!!! Edifícios modernos... :(

Não sei o que isto pode dar (vou tentar que dê algo), mas que fiz o que devia, fiz!

29 outubro 2010

Transição em Telheiras

Telheiras é um bairro diferente. Já tinha percebido isso.
Sempre me senti bem vivendo em Telheiras. Sinto que estou integrado num bairro e que faço parte de uma comunidade.
A ART - Associação de Residentes de Telheiras, tem sangue novo e um dos projectos que está a arrancar nesta associação é a Iniciativa de Transição em Telheiras.

Na quarta feira-passada realizou-se o primeiro encontro, feito para palpar terreno e sentir se haveria quórum no bairro para tal projecto. A resposta foi muito positiva muitas dezenas de pessoas marcaram presença.

Feitas as apresentações, houve a projecção de um filme que focava um dos problemas globais actual, o pico do petróleo e o impacto na estilo de vida actual.
O filme (muito bom!), "THE END OF SUBURBIA" é centrado no modelo americano, mas aplica-se com muita facilidade noutras regiões, nomeadamente na Europa, dado que cada vez mais imitamos o "american way of living"...

Depois do filme houve um debate sobre o tema e não só. Falou-se do movimento de transição, de permacultura, do fim do petróleo, da dependência actual do petróleo e afins.
Vi muitas caras conhecidas, vizinhos ou nem por isso. Vi e fiquei a conhecer mais um pouco desta comunidade. Gostei de ver uma comunidade preocupada com estes temas e senti que havia ali vontade de fazer algo mais do que se faz actualmente.

No fim ficou a promessa de novidades em breve, a recepção de sugestões para temas a debater. Um dos temas a incluir será, claro, a bicicleta!

Chegámos a um ponto em que reciclar não é suficiente. Há que reduzir drasticamente a pegada ecológica!!

Já estava semi-familiarizado com a Transição e Permacultura(*), mas gostei de sentir ao vivo a coesão social em volta do tema. Se vai dar frutos ou não, veremos...

No fundo, no fundo, já estou em modo de transição há uns anos.

(*)Uma definição para Permacultura:
É um método holístico para planear, actualizar e manter sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias e comunidades) ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis.

Ficam mais alguns sites e blogs sobre o assunto:
poscarbono.blogspot.com
Pico do Petróleo
Transição e Permacultura Portugal

10 maio 2010

Bicicleta na cidade (e arredores) - Parte 1

Sexta-feira, dia 30 de Abril
Última sexta-feira de Abril, dia de Massa Crítica.


Saí de bicicleta logo de manhã. Levei, com a bicicleta à mão, a minha filha à escola a pé, como costume.
Segui para Benfica. Lá apanhei o comboio até Barcarena e daí subi (trepei) até ao Tagus Park. A Gocycle e o seu motor eléctrico auxiliar ajudaram-me a demorar "apenas" 39 minutos e chegar em condições higiénicas suficientes para um dia de trabalho "em escritório".

À hora de almoço, tempo ainda para uma boa aula de natação!

Depois de terminado o trabalho, segui rumo à piscina municipal do Rego, no bairro do Rego, ali, entre o C.C.Gemini e Sete-Rios. Em 30 e poucos minutos estava lá.
É excelente sair do comboio e pegar na bicicleta. É uma sensação de extrema mobilidade, sobretudo quando o caos no trânsito impera à nossa volta. Parece que estamos noutra dimensão e passamos ao lado (pelo meio) de aquilo tudo.
É certo que as motas também o fazem, mas a bicicleta sai do comboio, passa pelo passeio (com respeito pelo peão) e é uma espécie de extensão do nosso corpo! Indescritível... só mesmo passando pela experiência.

Depois da aula de natação da minha filha, que já lá estava, levada pela minha mulher, segui para o rendez-vous da Massa Crítica, o Marquês de Pombal, onde tinha dois amigos à espera e, claro, mais uma série de recentes amigos da "cena da mobilidade".
Ao chegar, senti o efeito head-turning que a Gocycle provoca, sobretudo entre apreciadores de bicicletas. Estavam lá cerca de 100 ciclistas e senti o olhar de grande parte deles. Tentei alhear-me e localizei os meus amigos e a coisa passou-se! :)
Esta MC, para mim, teve o factor Gocycle, que fez que muita gente reparasse na bicicleta e me abordasse com questões e comentários. De resto foi uma excelente MC, que terminou no Miradouro de S. Pedro de Alcântara, ao lado do Bairro Alto, onde estava um excelente ambiente, com DJ de serviço e muita bebida a ser consumida e ainda não era de noite!
Depois ainda deu para jantar por ali (Largo do Carmo) e só pela 1h da manhã segui para casa, via Av. Liberdade, Fontes P. de Melo, Av. República, Campo Grande.
Foi um grande dia e totalmente ciclado!

10 fevereiro 2010

A minha bicicleta já tem a embraiagem reparada!

Que título estranho! Seria, há uns tempos atrás, hoje não!

Para os mais distraídos (e que volta e meia aparecem), eu tenho uma (nova) bicicleta e é eléctrica! Sim, eléctrica.

Quem já leu uns posts neste blog, sabe que andava atento ao mercado, à procura da bicicleta certa para mim. Encontrei-a e no mês passado comprei-a.

A eleita foi a Gocycle!

Já fiz umas (boas) viagens nela e até agora preenche totalmente os requisitos. É pequena, é leve, tem autonomia suficiente para mim (apesar de não ser nada por aí além) e tem potência suficiente para a) evitar que transpire nas subidas que tenho que fazer; b) permitir que determinadas distâncias (maiores) se façam em tempos muito razoáveis; c) ser muito mais competitiva face à deslocação de carro.

Com esta solução, posso optar por ir de bicicleta para o trabalho com alguma frequência ;)
Por falar nisso, se o fizer em média uma vez por semana, diminuo a emissão de CO2 numa quantidade equivalente de CO2 emitido na produção de energia eléctrica gasta num mês em minha casa.

Ah, o título... Tive uma avaria na embraiagem que provocou falta de potência. Já foi substituída. Mesmo com esta avaria, fiz 40 minutos do Tagus Park à Piscina Municipal do Rego (Perto da Praça de Espanha), isto com utilização do comboio da linha de Sintra, entre Barcarena e Sete-Rios, claro! :)

Quando tiver pachorra, escrevo mais detalhadamente sobre a bicicleta. Até agora só lhe encontro um defeito - chama muito a atenção, para o meu gosto, claro.

18 dezembro 2009

Ser ecológico - A mensagem chegou ao Público em geral???


Ecológico. Quem lê este blog sabe sou, ou tento ser.

Hoje a minha mensagem (ou parte dela) chegou a um dos principais jornais diários.
Juntamente com mais três pessoas (que não conheço), fui entrevistado por e-mail.

Terei sido seleccionado por ter copiado um post meu, feito em Janeiro, num blog do Público sobre o tema. Esse meu post, "Ser ecológico" até me saiu bem na altura, ehehe (voltei a lê-lo).

O título foi inspirado na principal mensagem que tentei passar, que ser ecológico é como ser bem educado, vem de dentro (e foi capa da P2!!) :).

Fica a notícia (destaquei a minha parte! :)

O que lhe falta para passar no teste ambiental e ser uma pessoa bem-educada

Perguntámos a quatro portugueses o que é necessário fazer para se ter um comportamento verde. Reciclar é indiscutível, mas ter uma horta caseira também vem na lista. Afinal, diminuir o impacto das nossas vidas no planeta já passou a questão da cidadania, é boa-educação. Por Nicolau Ferreira



Acabou-se. Se ainda existe um lado glamoroso no discurso ecológico, atraente para jovens rebeldes que querem fazer parte das expedições mais ou menos heróicas da Greenpeace e irritante para os que olham com cinismo para a maior movida ambiental que alguma vez a humanidade viveu, Manuela Araújo afasta-o de uma vez por todas antes de começar a responder às perguntas do P2. "Todas as acções a que me refiro não se destinam a ter um impacto positivo no ambiente, apenas a reduzir o impacto negativo", explica a arquitecta de 47 anos por e-mail, antes de começar a enumerar as acções. Não há portanto uma pretensão ao heroísmo, nem ao salvamento de nada, há apenas uma tentativa de arrumar o máximo que se desarruma por termos o estilo de vida que temos.

E a desarrumação individual é significativa, basta fazer o teste da pegada ecológica para percebê-lo. Tentámos recriar o nosso quotidiano e medir esta pegada para compreender o impacto das nossas acções e perceber que efeito tem uma mudança de hábitos. Com um avatar suíço e os Alpes em pano de fundo, a situação mais próxima de Portugal que oferecia o site que escolhemos para o questionário, respondemos a perguntas sobre alimentação, o consumo de casa ou os meios de transporte que utilizamos.

O resultado está longe de ser brilhante. Mesmo com lâmpadas de poupança, reciclagem e poucos quilómetros percorridos de carro, seria necessária mais uma Terra inteira para comportar um modo de vida que não dispensa algumas horas anuais de voo, refeições com carne, alimentação importada e uma casa mal calafetada (mas sem aquecimento central). Se as perto de 6,8 mil milhões de pessoas que existem vivessem com luxos idênticos, um planeta Marte habitável não chegaria para todos, e ninguém sabe quando é que a população humana vai deixar de crescer. Mas existem alternativas para a maioria dos problemas e optar por essas alternativas pode, ao fim do dia, tornar-nos portadores de uma etiqueta verde.

Três frentes de batalha

Há um objectivo geral por trás de cada comportamento verde, por mais que o "ecológico" irrite os familiares, amigos e colegas que ainda não aderiram. "Para mim o importante é reduzir o consumo ao essencial e excluir o supérfluo, englobando aqui o consumo de água, de energia e de "coisas"", sumariza Manuela, que vive em Vila Nova de Famalicão. O consumo alimentar, a energia gasta em casa e o modo como cada um se movimenta todos os dias de um lado para o outro são as principais frentes de batalha que podem ser escrutinadas do ponto de vista ambiental.

No supermercado a primeira regra é comprar alimentos produzidos na região. Quanto mais perto for a origem do alimento, menos energia foi consumida para o fazer chegar aos pontos de venda. Depois, sempre que se puder, deve-se optar por alimentos de origem biológica, cujo certificado garante práticas naturais de crescimento, menos fertilizantes químicos e antibióticos. Também é importante a diminuição na procura de carnes, principalmente a vermelha, já que a produção animal exige grandes quantidades de cereal e feno (lembra-se da crise de alimentos durante a Primavera de 2008, em que parte do problema foi causada pelo número de famílias chinesas que passaram a consumir carne?). Para quem tenha a sorte de ter um pouco de terra sugere-se uma aventura pela horticultura para alimentação própria.

Em casa, uma das medidas mais unânimes é a separação do lixo e reciclagem. Uma actividade que pode abarcar mais do que o plástico, o papel ou o vidro e passar a incluir as pilhas, os óleos. Os restos orgânicos são grandes candidatos para a fertilização da horta. Nuno Pinheiro é um adepto. "Fazemos compostagem com cascas e restos das plantas do jardim e do olival. O olival é fertilizado com o mato da limpeza da mata da qual somos proprietários, onde plantamos de tudo um pouco e temos árvores das mais variadas espécies", explica o bancário de 39 anos que vive numa aldeia perto de Seia.

Em relação à energia e à água, Daniela Ambrósio, de 27 anos, tem uma lista longa de regras que ajudam a optimizar os recursos. Para poupar electricidade no aquecimento sugere proteger portas e janelas de fugas de ar, ter as persianas abertas durante o dia para entrar calor e manter as portas fechadas. Relativamente à luz, opta por lâmpadas economizadoras, prefere electrodomésticos de Classe A de energia, portáteis a computadores fixos, que obrigam a ter ecrã, desliga os electrodomésticos da ficha, só põe máquinas (da roupa e loiça) a trabalhar quando estão cheias, cozinha em grandes quantidades para economizar energia e defende a utilização de painéis fotovoltaicos. Para poupar água sugere a utilização de um copo sempre que se lava os dentes, armazenar a água do banho num balde para outros fins e utilizar a água da cozedura de alimentos para fazer sopa.

De tudo isto só falha uma coisa. "Não tenho painéis fotovoltaicos e solares porque o prédio onde moro não tem, mas quando tiver casa própria essa será uma prioridade", afirma a gestora cultural de Aveiro, que prefere roupas de fibra natural a fibra sintética e substitui o limpa-vidros por uma solução de água e vinagre menos nociva para o ambiente.

Nas viagens diárias não há muito a saber, trocar o automóvel com um passageiro por transportes públicos, uma bicicleta ou as pernas é a atitude mais ecológica. Mas há detalhes a ter em conta para os utilizadores de carro, como baixar o consumo de combustível reduzindo a velocidade, desligar o motor sempre que se pára em algum sítio, e abandonar o hábito de trocar o veículo de dois em dois anos.

Limitações externas

César Marques é um dos que optam por ter uma condução mais cuidada já que não consegue livrar-se do carro. "Não posso fugir a determinadas obrigações e responsabilidades, como ir para o trabalho todos os dias, que fica a 18 quilómetros de casa, num trajecto que não é servido por transportes públicos competitivos com o automóvel particular", explica o informático de 37 anos que vive em Lisboa. Se pudesse, admite que andaria só de bicicleta, pois é o seu transporte de eleição.

De resto recicla, sempre que pode vai a pé até aos locais, tem em casa um contador de electricidade bi-horário, que permite poupar dinheiro utilizando mais electricidade durante a noite, o que acarreta menos custos para a rede eléctrica. Se pudesse, faria mais: "Gostaria de produzir energia limpa de uma forma simples e sem grandes burocracias. Na Alemanha entra-se numa loja da especialidade, adquirem-se os painéis, faz-se a instalação e em meia dúzia de dias já se produz e vende energia para a rede eléctrica."

Há mais reparos a fazer ao sistema português. Como os preços altos dos produtos biológicos, das lâmpadas economizadoras, dos electrodomésticos de Classe A ou dos painéis fotovoltaicos que, segundo Daniela Ambrósio, nem todas as pessoas podem pagar. Manuela Araújo queixa-se da falta de incentivo à agricultura portuguesa, que impede termos um mercado interno maior, e sugere a implementação da certificação energética dos edifícios, não só dos que estão a ser construídos mas também dos antigos.

Nuno Pinheiro, apesar de pagar o saneamento, denuncia uma situação constrangedora para qualquer país que se diz civilizado. "A pegada ecológica da minha família poderia ser menor se os esgotos da minha aldeia fossem tratados. A agravar tudo isto, estão a ir directos para a única fonte de água que existia e abastecia a aldeia antes de haver água canalizada", explica, desabafando que "paga para poluir".

As limitações portuguesas não são uma justificação para não se fazer nada, considera César Marques, defendendo que "há ainda possibilidade de reduzir muito a pegada ecológica". O facto é que muitas pessoas não alteram os seus hábitos diários. Daniela Ambrósio acredita que para se alterar o comportamento é necessário ter-se, antes de tudo, uma "consciência do que é o ambiente, do quanto necessitamos dele para viver, e depois perceber o mal que lhe fazemos". Até porque outra opinião unânime é a de que a acção individual conta.

Ser ecológico

"Já imaginou a redução na área necessária para produção de alimentos para gado bovino se todos, ou a maioria dos habitantes dos países ditos desenvolvidos, passassem a comer apenas a quantidade de carne recomendada pelos nutricionistas?", questiona Manuela Araújo, que diz sentir-se tentada a criticar pessoas que têm um grande nível de instrução e ignoram este assunto. Nuno Pinheiro defende que a educação começa em casa, "e não na escola, como muitos pais pensam".

A forma mais fácil de educar é o exemplo pessoal, diz César Marques. "As pessoas são sensíveis aos casos particulares e projectam com maior facilidade essa experiência em si mesmas", acrescenta. E quando existem benefícios económicos, as mudanças ainda são mais rápidas, garante o informático.

Talvez não seja necessária uma etiqueta verde, uma lista que será sempre artificial e que poderá não se ajustar à realidade de cada um. Talvez as pessoas ganhem novos hábitos à medida que sintam os exemplos dos outros crescerem como uma coisa fácil, como parece ser para Manuela Araújo: "Faço de tudo um pouco e gradualmente, sem fundamentalismos, de modo a que não prejudique a vida familiar." César Marques olha para a ecologia como algo que deve estar enraizado, que faz parte de qualquer acto. "Ser ecológico é algo natural, tal como os bons modos para uma pessoa bem formada. Quem é bem-educado não tem uma lista de acções." Limpa o que suja, não cospe no chão, fecha a porta quando sai. Deixa as coisas como as encontrou, prontas para serem utilizadas pelo próximo. E a Terra é uma daquelas coisas que estão sempre a ser utilizadas pelo próximo.

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09 dezembro 2009