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18 dezembro 2012

Be the change...

Várias razões me levaram a abrir uma loja de bicicletas.

Por um lado acho que é um mercado promissor, pois acredito no potencial da bicicleta e no crescimento que vai ter em Lisboa em particular e em Portugal em geral, mas por outro quis participar e provocar também essa mudança.

As lojas induzem consumo, ninguém duvide disso. No caso da Velo Culture, induzimos consumo de "Bicicletas e estilo de vida", que é o nosso lema.

Ora, este lema não é só conversa e a prova é que grande, mas mesmo grande parte dos nosso clientes mudam efectivamente de vida.

Recentemente passou-me mais um caso pela mãos, que não queria deixar de referir, quão sintomático é o caso.

O Tiago decidiu presentear a namorada, a Sara, com uma lindíssima Bobbin Birdie amarela. Se foi surpresa total ou não, não sabemos, mas o que é certo é que se destinava a uso utilitário, ou seja, para usar como meio de transporte no dia a dia.

Há uns sábados, o Tiago e a Sara aparecerem na loja, desta vez para o Tiago espreitar as bicicletas para homem. Entre a Bobbin Daytripper, Dutchie Dapper e a Olov Amsterdam, depois de alguma conversa, chegou à conclusão que a Olov de 7 velocidades era a que melhor se adequava à utilização que lhe pretendia dar.
Ainda insisti para que ele experimentasse os vários modelos, mas não quis.

Escolha feita, encomendou-se a dita (só havia o modelo de senhora de 3 velocidades na loja) e combinou-se a entrega, para dali a uma semana, outro sábado. Depois ainda houve tempo para dar umas dicas à Sara, que ia começar nessa semana a pedalar para o trabalho.

No sábado da entrega, a cheguei à loja e já o Tiago e a Sara haviam chegado, estando o Tiago pronto para montar a Olov e o António, meu sócio, montado na sua Foffa, ali ao lado. Estranhei tal cenário e aproximei-me.


Logo percebi o que se passava. O Tiago só tinha aprendido a andar de bicicleta recentemente, num curso ministrado pela Federação de Cicloturismo.
Ajudei-o a arrancar duas ou três vezes, e rapidamente ultrapassou os nervos que eram a única coisa que o impedia de pedalar calmamente.

Como não tinha ainda à vontade suficiente para pedalar até casa e a bicicleta não cabia no seu carro, o António ofereceu-se para a levar até casa, enquanto a Sara se equipava a rigor na loja, depois de uns dias de experiência, nessa semana, lhe terem dado uma melhor percepção do que precisava. Quando questionada sobre como tinha corrido a semana a pedal, respondeu prontamente que tinha corrido bem, mais fácil até, do que aquilo que tinha previsto.

E assim se conta a história de como um jovem casal decidiu mudar de vida e neste momento pedala diariamente por Lisboa, encostando os seus carros, usando-os quando são mesmo necessários - que é bem menos do que se pensa.

Ser a mudança que queremos ver no mundo é isto, também.
Boa sorte aos dois!


25 setembro 2012

Um sábado ao sol, em trabalho - VeloCulture@Belém

A convite da organização do 1º campeonato de Brompton em Portugal, pegamos nas nossas Bobbins, Wren, Olov, alguns selins e acessórios Brooks, nas jerseys, luvas e caps Le Coq Sportif, algumas revistas de culto, uns bonitos cestos e na nossa "clássica" secretaria e, depois de duas viagens, recriamos o estilo Velo Culture dos Anjos em pleno relvado em Belém, ao lado dos outros (poucos) stands.

Apesar da maior parte dos participantes do evento - a corrida! - se localizarem mais junto à tenda da organização, as nossas bicicletas coloridas a brilhar ao sol iam atraindo quem ali estava ou passava. 

Venderam-se alguns acessórios e revistas, demos a loja e a marca a conhecer, prometeram-se visitas, entregaram-se cartões de visita feitos à mão na hora e experimentaram-se bicicletas, sendo a Birdie amarela com o cesto de pesca a estrela da tarde. Aposto que há fotos de perfis de facebook com meninas de cabelos ao vento numa linda bicicleta amarela! ;)

Entretanto jogadores de bike polo e amigos, sobretudo do Rolha Cycling Club (que iniciavam ali um passeio até Telheiras onde foi comemorado o seu 1º aniversário - parabéns!!) foram chegando e tudo isto fez com que um cansativo dia de trabalho passasse num instante e o saldo profissional e pessoal fosse super positivo!

Também dinamizamos o bike polo com trajes "a la" antigamente, como se pode ver nas fotos.

Pelo meio experimentou-se uma tall bike e, eu, experimentei bike polo e gostei muito mais do que estava à espera! :)

Ah, ainda entregamos o prémio ao bromptoneiro mais bem vestido!

Alguns momentos do longo dia...


Em trânsito.
Aviso: nenhuma bicicleta ficou magoada neste episódio!


Descarregando o produto...

Loja montada.

Bobbin às cores.

O estaminé completo

(Não, nenhum destes móveis e afins foi comprado novo...)

Selins de pele Brooks e Tabor.

A estrela do dia!

 A lufa lufa de uma loja...

Miguel, o nosso técnico em pose centenária!

Le Coq Sportif L'Eroica...



The bike polo team.

O Druída, a Rita e Bramble roxa

Tall bike polo!

Tall bike me! ou "César Cardinali" como alguém já me chamou ao ver esta foto.


Um quadro ligeiramente oversized...
(sim, precisei de ajuda para iniciar a marcha)

Tocou a todos! Aqui o técnico à frente do estaminé...

Amigos, amigos e clientes... 

O sócio com uma Tall bike and tall hat! 

A entrega do prémio da Velo Culture ao ciclista-dobrável-mais-bem-vestido.


Foi um dia de verão no primeiro dia de Outono.

08 junho 2012

Novo projecto


Como os mais atentos já devem ter reparado, tenho escrito pouco.
A razão é boa. Tenho andado muito ocupado com O projecto Velo Culture (em Lisboa). Mete bicicletas e estilo de vida, tudo o que me move, como já repararam.
A bicicleta e o(s) estilo(s) de vida que induz são os principais temas deste blog, da minha vida, no fundo.

Não vou mudar de vida, vou estar nos bastidores da coisa, excepto nos meus tempos livres.
O António Cruz, amigo e vizinho, será o rosto da Velo Culture em Lisboa e se há alguém que sabe sobre a utilização da bicicleta em Lisboa (e não só) é ele. A loja está bem entregue!

Ontem foi um dia livre e por isso passei-o na loja e em família. Foi feriado mas como ainda há muita gente que quer conhecer a loja, desde amigos que não puderam estar na inauguração, desde clientes loucos para consumir dos nossos belos produtos :), decidimos abrir.
Não é vidinha má, passar um dia a falar com amigos e clientes sobre bicicletas e estilo de vida em conformidade. Aproveitei para conhecer um restaurante étnico na zona (há muitos!), beber umas cervejas com amigos e até, reencontrar um professor da faculdade que está interessado em mudar de vida.

Mudar de (estilo de) vida, é o que os nosso clientes querem e dizem-no até. Há coisa melhor do que presenciar isso e ajudar a materializar? :)

Fica a foto do dia!


Todas as deslocações foram feitas de bicicleta, claro. Fizemos Telheiras > Anjos em três bicicletas, com o Afonso à pendura na long-tail. A Joana cada vez mais domina a cidade (sob a nossa vigilância atenta, claro). O Afonso fica muito irritado por não ir a pedalar! Provavelmente já tem pedalada para este tipo de distâncias (8+8km) mas não tem maturidade suficiente para partilhar a estrada com automóveis. Não tem não! Gosta de velocidade e de arriscar - It's a (crazy) boy! :)

PS: Amanhã de manhã estarei novamente na loja. Apareçam!

Esta semana saiu notícia com o título "A bicicleta como meio de transporte e de fazer amigos". Guess who is :D


02 maio 2012

Vamos almoçar fora?

Quando combinamos o ponto de encontro em nossa casa para, de seguida, ir a qualquer lado, o resultado é este:



[estacionamento à porta do restaurante]

Quatro adultos e quatro crianças (dos 5 aos 9 anos).
Almoço a 1km de casa e, para fazer a digestão, passeio de cerca de 6km . Tempo "chuvoso" e algum vento não causaram mossa. Os convidados gostaram e querem repetir, mas para mais longe e todo o dia. Talvez um passeio até à Costa da Caparica....

01 março 2012

Ciclo-momentos

 Afonso conquistando a cidade.

Vendo o Metro passar...

À saída das aulas de Inglês da Joana.

No Colombo, estacionados à porta ;) 

 Em Vila Franca de Xira, em trabalho, no ponto de partida do BRM 200

 Passagem pela casa da sogra, a caminho do restaurante

No estacionamento no local de trabalho 

 Transportando uma quiche.

 A caminho do Inglês, para apanhar a Joana (com a sua bicicleta a reboque).
Foto tirada "contra o sol" :-)

Num ciclo-confronto de famílias, num semáforo! :-)


20 janeiro 2012

A cidade, o Tejo e uma aventura

Mais um post da série "Uma aventura". Sem dúvida que, volto a dizê-lo, a opção bicicleta trás muita aventura à nossa vida. Aventurinhas, pronto. Peripécias, histórinhas que ficam....

Nas passadas férias escolares, de Natal, os meus filhos passaram grande desse período no Algarve, terra da minha mulher. O mais novo, o Afonso foi lá para baixo com familiares e a Joana foi mais tarde de comboio, com uma amiga e seus filhos.

Como essa amiga que a ia levar estava na Costa da Caparica, só tínhamos que levar a Joana até lá e foi aí que entraram as bicicletas.

Já há muito que andávamos para fazer a travessia para a Trafaria de barco com as bicicletas. O futuro muito incerto da continuação desta ligação de barco foi o empurrão para se fazer desta vez.

Aqui fica a história.

Num belo domingo de Inverno, céu limpo e temperaturas baixas, bom para pedalar... acordámos, molengámos e rapidamente ficámos atrasados para fazer a ligação Telheiras-Cais de Belém, cerca de 15km. O stress acumulou-se e saímos de casa a 45/50' do barco partir. Tínhamos que apanhar aquele, porque só haveria outro 2h depois, o que invalidava toda a "missão".

Como a Joana só ia, não voltava, foi à pendura na Xtracycle.
Foi uma viagem puxada. A minha prática desportiva reduzia-se às viagens urbanas de bicicleta e, para tentar a chance, foi preciso puxar pelo cabedal do início ao fim e só a coincidência de haver uma prova de atletismo naquele dia, que fechou ao trânsito o Saldanha, a Fontes Pereira de Melo, a Rotunda do Marquês e a Av. da Liberdade, nos permitiu chegar a horas (ou a tempo de o barco esperar que comprássemos os bilhetes).

O regresso foi agradável, mas também um pouco penoso, tal a minha falta de forma física actual, sobretudo para corridas-de-15km-com-carga. Valeu-me a bicicleta eléctrica do meu primo, que conduzi em parte da viagem.

Fica a reportagem fotográfica e alguns comentários.

 A partir do Saldanha, entrámos numa "via verde". "Furámos a barricada" e invadimos uma corrida de atletismo. Foi hilariante, pois uma família a pedal apareceu, passou pelo pelotão, passou os líderes (mais ou menos no momento da foto) e ainda foi passar o batedor da polícia (que se vê ao fundo na foto). Entrámos na rotunda a fazer de batedores e só a meio da Av. da Liberdade fomos desviado por um polícia mais zeloso que nos desclassificou e nos retirou do circuito. Esta "participação", para além de memorável, foi o que nos permitiu chegar a horas ao destino. Chegámos com um velocidade média de 18km/h, atravessando a cidade pelo meio, o que não é nada mau! O principal obstáculo foi a própria ciclovia à beira rio, manhosa, e os BTTistas-de-ciclovias, demasiados lentos para um família-pedalo-voadora. :D

 Os veículos no barco, a caminho da outra banda. Eu aqui tive que tirar a camada interior de roupa, pois estava encharcada... Fomos com speed-over-style!

A saída do barco.
Esta travessia (Belém-Trafaria) tem o seu fim previsto.
Talvez hoje se saiba o veredicto final...(update: Mantém-se!!)

 Brincando e pedalando!

Na Trafaria, vila pescatória, com Lisboa no horizonte.

Já no paredão da Costa da Caparica.
Estava um dia espectacular para pedalar e passear. Fresco e luminoso!

Parados, só para desfrutar a paisagem (e os ângulos para fotos).

No regresso, um fim de tarde magnífico, que nos brindou com as cores que aqui vêem. 

Um ciclista à espera de dois ciclistas. O meu primo, com quem combinámos e que nos fez companhia até casa, metendo a conversa em dia. Tentem fazer isto de carro, tentem! :)

Porque será que os ciclistas têm tantas fotos tão boas? (1)

Porque será que os ciclistas têm tantas fotos tão boas? (2)

Resposta às perguntas (1) e (2):
Porque têm sempre tempo e disposição para tirar fotos, mesmo a meio da viagem.

Na realidade são fotos normalíssimas, sem qualidade por aí além, tiradas por um telemóvel. As oportunidades é que são boas. :)



09 setembro 2011

O puzzle de Lisboa

Para se fazer um puzzle, é necessário ter uma boa noção da "big picture" mas também conhecer alguns elementos específicos. Se conseguirmos ligar esses pontos específicos, então temos capacidade de acabar o puzzle com muito mais facilidade.

Como não temos propriamente a imagem das cidades onde vivemos na cabeça (mesmo com o uso generalizado do gmaps e afins), acabamos por tentar fazer o puzzle sem recurso a esse elemento.

Mas o que quero dizer com esta conversa?
Em baixo está a cidade de Lisboa com os percursos que já foram feitos de bicicletas por todo o agregado lá de casa.

[Principais trajectos percorridos em família, alguns deles muitas vezes]

Apenas parte do "puzzle" está completo, mas de bicicleta todas estas peças se unem com bastante facilidade e tenho como certo que os meus filhos, com 4 e 8 anos, têm uma boa noção da cidade onde vivem. O nível de dificuldade deste puzzle acaba por diminuir. :)

Circular com eles de bicicleta pela cidade, dando-lhes pequenas informações sobre os vários locais, monumentos, praças, etc, parando aqui e ali, etc, dá-me um imenso prazer.
Descobrir, realmente, a cidade e em simultâneo dá-la a conhecer desta forma aos meus filhos é uma das melhores coisas que a bicicleta trouxe à minha vida.

O reflexo desta "educação", em termos de mobilidade, tem um retorno quase imediato. Cada um deles olha para o carro como uma das hipóteses de transporte e quase sempre como a última. De bicicleta, a pé são sempre as opções óbvias para eles e por vezes é preciso justificar porque não se pode ir dessa forma :).

PS: A minha filha já foi chamada de mentirosa na escola ao contar alguns episódios relativos às viagens de bicicletas...

20 julho 2011

Lisboa turística

Muitas vezes vivemos em cidades e conhecemo-las menos do que os turistas que as visitam por meia dúzia de dias.

A viver em Lisboa desde 1999, mas há muito ligado à cidade devido a diferentes fases dos meus estudos, só depois de me tornar ciclista é que estou a conhecer e a sentir, MESMO, a cidade que escolhi para viver.

Já falei disto antes, várias vezes!, mas não há nada melhor do que a velocidade não muito rápida nem muito lenta da bicicleta para permitir passar e ver, passar e sentir, parar para ver melhor, mudar de rota só porque sim, etc, etc.

São sítios e vistas como estas, que todos "conhecemos", mas pouco temos o privilégio de lá passar, ver e sentir verdadeiramente.


O Parque Eduardo VII e a fabulosa vista que se tem "lá em cima"



A Praça do Município


A Praça D. Pedro IV, ou o Rossio, que tenho o prazer de atravessar, volta e meia, enquando pedalo lentamente, só observando em redor...

Somos poucos mas bons! Poucos, mas cada vez mais [ciclistas urbanos], uns priviligiados, no fundo.

Fotos tiradas do site da CML.