29 dezembro 2010

Bom ano 2011!!

Desejo a todos um bom ano novo!


Será que 2011 vai ser o ano da bicicleta e da mudança do paradigma da mobilidade em geral (menos automóveis particulares, mais Transportes públicos, mais meios suaves como andar a pé)?

Será que 2001 vai ser o ano de mudança em relação à dependência do petróleo? O petróleo voltou a estar em alta. A procura continua a subir (China, India e afins) e a produção mantém-se inalterada...

Será que 2011 será um grande ano de Transição? Em Telheiras o processo continua!

Se fosse uma candidata a Miss Mundo era disto que eu falaria no meu discurso "I wish..." Ehehe :D

Bom ano a todos! mesmo para os que têm uma pegada ecológica brutal, seus brutos! :)

18 dezembro 2010

O que o carro faz aos nossos bairros

O carro tem imensos efeitos negativos nas nossas ruas. Para além do ruído, poluição, espaço que roubam para passar e estacionar, há ainda implicações de que poucos se apercebem...
Vejam este video com o resultado de um estudo sobre o impacto do trânsito na vida de bairro.

15 dezembro 2010

Frio...

... vento, sol, calor (interior), pequeno-almoço em andamento, mais frio, vento, calor...
Um bike-to-work-day, como outro qualquer!

10 dezembro 2010

Brincar na rua (ou viver a rua)

Brincar na rua como antigamente...

Já falei disto. A solução é simples.
Basta ir para a rua, dar alguma liberdade às crianças e elas logo dão largas à imaginação e entretêm-se horas. Um bocado de giz, umas pedras, uns paus, um carrinho ou boneca que levam de casa, um novo amigo, uma bicicleta/skate/trotinete/triciclo, etc, etc. Experimentem!
Escolham um "bocado de rua" com alguma área, de preferência sem estar cheio de carros (algo difícil neste país) et voilá!

Se há coisa que dá vida, valor, alegria a uma rua são as pessoas, sobretudo as crianças. Uma rua, um bairro sem pessoas a passar, a "estar", no fundo a viver a rua, não interessa. Escolham outra rua/zona.
As pessoas são o sangue das cidades e as nossas cidades estão anémicas! Cabe a cada um de nós alterar isso. Se não há condições para tal, reivindiquem-nas!!

Se precisarem de um incentivo mais gráfico e com instruções, é fácil, está tudo aqui: Playing Out!
O site está muito bom, com um design tipo giz no alcatrão. Vale a pena visitar e, sobretudo, explorá-lo.
É um exemplo um pouco mais elaborado, já que fecharam as ruas no período pós-escolar. Mas cada um de nós pode remar contra esta maré estéril em termos de vida nas ruas.

Vejam como as crianças se divertem e como os adultos também conhecem vizinhos que nunca tinham visto! Oiçam acerca dos benefícios que brincar na rua tem!

Eu quero isto na minha rua!!!! Queiram também na vossa. Se foi possível ali, porque não é possível aqui e aí??


07 dezembro 2010

Pouca actividade, por outro lado nem por isso

Não tenho aparecido por aqui.
Não tenho andado parado, excepto em termos físicos pois nesse campo só mesmo a natação tem sido praticada e com muito exercício pois o prof. puxa bem pela malta e os resultados depressa aparecerão.

Ando "mole"! não tenho conseguido gerir o tempo para "fazer tempo" para as actividades físicas. Tenho algumas desculpas, mas não as aceito, interiormente. Uma delas foi uma forte constipação com grandes dores de garganta à mistura (até tive que usar o carro para ir trabalhar durante dois dias! custou-me andar enlatado e preso no trânsito!).

Correr já não é muito aconselhável para as minhas costas. "Tenho que correr em pisos mais moles", digo, mas não tenho arranjado forma de o executar.

No campo das bicicletas, tirando um bike-to-work-day há duas semanas, nunca mais pedalei. É mau, mas nem tenho tido pequenos recados para fazer em Lisboa, nem ido às Massas Críticas e nem tenho organizado bem a minha vida para ir para o trabalho de bicla, que exige mais tempo do que a solução motorizada (mota!).

No campo mais teórico, tenho feito umas coisas.
Organização uma palestra, "Há pedalada em Telheiras!!!"* sobre bicicletas, participação em várias iniciativas de transição em Telheiras como por exemplo, ajudar numa horta urbana, na construção de uma espiral de ervas aromáticas, dar os primeiros passos para um novo projecto de criação de medidas de acalmia de tráfego em Telheiras e partilha de muitas coisas com a comunidade que está a crescer graças a esta iniciativa. Eu e o António (com quem organizei a palestra) somos os bike-guys a que toda a gente recorre para pedir conselhos e opiniões sobre tudo o que se relaciona com este tema. Há várias pessoas à procura de bicicletas em Telheiras, neste momento! Há pedalada em Telheiras!!!

* A palestra "Há pedalada em Telheiras!!!" foi dia 24 e ainda nem falei dela aqui.
A assistência foi relativamente boa, mais de 50 pessoas, muitas novas para este mundo.
Eu e o António falámos sobre o assunto de A a Z, passando por todos os mitos sobre o tema (já espelhados no cartaz do evento). As pessoas gostaram, acho.
Bom bom, foi ver o Mário Alves fazer a sua magia e abrir uma nova janela na mente dos presentes, sobre a mobilidade suave em geral. Estava previsto alargar o tema para esta vertente e não podia ter corrido melhor.
Ver cada um dos presentes conhecer outras realidades de mobilidade, ruas com medidas físicas de acalmia de tráfego (passadeira sobrelevadas, árvores desalinhadas, etc, etc) e seus benefícios para a sociedade em geral. Muito bom.
Desde o evento que muitas pessoas vêm ter comigo e referem precisamente esta parte, que nunca tinham ouvido falar de tal coisa e que adoraram a ideia, mesmo pessoas muito viajadas e informadas. Quando não se está alerta para determinadas coisas, nem se nota que elas estão ali! Pessoas despertaram para a mobilidade e seus efeitos na sociedade em que vivemos! Priceless!!!
No fim houve debate e a minha mulher ainda testemunhou a sua experiência que começou este Verão e já vai bem rica.

Agora é começar a inverter este processo menos activo e voltar a fazer mais coisas, no desporto em geral e no ciclismo em geral! :D Depois de arranjar a minha bicla de estrada tenho que começar a rolar para ver se faço o Brevet de 200km dos Randonneurs Portugal, já a 26 Fev de 2011.

25 novembro 2010

Manifesto da reparação (e afins)

É simples: Gasta-se um pouco mais e compra-se produtos que são projectados e construídos para durar muito tempo e sobreviver melhor às modas. A longo prazo poupa-se dinheiro e sobretudo o meio ambiente.

Isto é um assunto sensível já que implica uma mudança significativa no comportamento dos consumidores e na forma de projectar "coisas" de todas as nações industrializadas e ainda dos respectivos modelos de negócio.

A esperança e´que, se mais nada sair de bom das actuais dificuldades económicas, que aprendamos a valorizar a importância da reparação em vez da eliminação, que aprendamos a re-apreciar o talento das pessoas que dão vida às "coisas" e que deixemos que essas coisas tenham uma segunda vida depois da reparação.

O manifesto, em inglês, é muito claro. Vale a pena lê-lo e pensar em tudo o que nele é dito. Faz todo o sentido!
(clicar no Manifesto para ampliar)

Pessoalmente, gosto de explorar as coisas até elas não darem mais. Nunca tive o impulso de deitar fora algo assim que avaria. Muitas vezes nem faço nada, pois a funcionalidade mantêm-se boa, mesmo com uma pequena avaria ou dano. Muitas vezes meto um pouco de cola ou fita-cola. Quando as coisas deixam de funcionar, antes de deitar fora, olho sempre para cada componente e muitos ficam até terem novo uso. E, "guess what?", muitas vezes têm nova vida, na mesma função ou em funções distintas.

Gosto de provérbios e um dos que tenho sempre presente é "Guarda o que não precisas encontrarás o que te faz falta".

É preciso organização e algum espaço para guardar coisas, mas com um pouco de ginástica consegue-se!

Pequenos exemplos recentes:

- Umas tábuas que vinham na embalagem de máquinas de loiça, etc, estão já destinadas para uma pequena construção que tenho planeada.
- Um cabo de esfregona que deixou de servir para a esfregona, passou pouco tempo depois a servir para a pá (daquelas de cabo alto).
- Cordas e atacadores, elásticos, arames, etc, acabam sempre por dar jeito para atar mais tarde.
- Guardanapos de papel pouco danificados podem ser guardados e mais tarde usados para absorver gordura e molhos de loiça suja, evitando assim que vá pelo cano abaixo (lá em casa já usamos guardanapos de pano, mas as visitas recebem de papel).
- Sacos de plástico (dispensa explicações)
- Pregos, parafusos, etc, etc
- Caixas de cartão
- Peças de bicicletas
- Coisas electrónicas sem uso : Tenho um colega que faz mini-projectos com a filha e dou-lhe imensas coisas que depois são convertidas e servem para cativar os pequenos jovens para electrónica e ciência em geral.
Um exemplo: Retirou motores de uma impressora velha que lhe dei e fez uma maqueta de um prédio com elevador e tudo! Já fez carros movidos a energia solar, etc, etc.

Enfim, um sem fim de coisas, que muita gente considera lixo, acaba por dar sempre jeito, mais tarde. Mesmo antes de deitar fora, há que pensar se será útil para alguém. Se for e não se conhecer alguém que precise, deixar de uma forma arrumada na rua ao lado do lixo é meio caminho andado para ser aproveitado.

Recentemente conheci um sistema de "reutilização inter-pessoal" o Freecycle, onde basta aderir ao grupo e depois anunciar algo para dar e estar atento para algo que nos possa dar jeito, até mesmo anunciar o que nos faz falta.
Ainda não usei, mas tenho coisa para oferecer e já vi anúncios de recheios inteiros de uma casa para dar!!!


Muito relacionado com este tema, temos "A histórias das coisas" em http://www.storyofstuff.com/, muito gráfico, com desenhos em tempo real, onde se demonstra de uma forma eloquente como está pensada a indústria de consumo e como esta indústria está a esmifrar o nosso planeta. Vale a pena ver os filmes!!!

22 novembro 2010

Quando tudo começou...e 21 meses depois

Depois de amanhã vou orar :) sobre esta cena das bicicletas. Estou apanhado por este modo, mas consigo ver para além dele, pois tudo está relacionado e espero ajudar a mostrar isso a quem aparecer no evento.

Ainda há apenas 21 meses, relatei a minha 1ª experiência de utilização da bicicleta para fins estritamente utilitários depois de me tornar adulto (pois é, confesso!).

Em jovem usava a bicicleta muito para além da utilização normal para a idade, a de puro lazer. Na Aroeira, onde passei grande parte da minha adolescência, a bicicleta era um meio de transporte e faziam-se N kms diariamente. Também em Mem Martins, Sintra, no Verão, passava o dia em cima da minha bicla e volta e meia lá ia até à Praia Grande a pedalar...

Hoje, e depois de me libertar da formatação social-automóvel, estou de novo a viver esta agradável sensação de liberdade.
É inexplicável. Apareçam para ver um pouquinho, valerá a pena!

É incrível como a mudança que começou há 21 meses me abriu tanto, mas tanto os horizontes em termos de tanta coisa. Sou claramente diferente e em parte devo-o à bicicleta.


16 novembro 2010

De regresso aos...

... Gocycle-to-work-days!!

Pronto, era só isto. ;)

PS1: Continuo a contrariar a teoria geral de que troquei as biclicletas pela mota.
PS2: ZERO viagens de carro (para o trabalho) desde que tenho a mota.

09 novembro 2010

Cartão velho, carro novo!

No Domingo passado, aproveitei algum tempo livre para dar andamento a um projecto que já tinha na calha. Coisas feitas de cartão. O cartão é um material com muito potencial e bem trabalhado dá para imensa coisa, desde brinquedos, móveis, assentos, candeeiros, etc, etc.

Material: Caixa de cartão (enviada por correio pela Gocycle); cola, tesoura (não é o ideal) e ainda utilizei um x-acto.


Peças depois de cortadas...


Os miúdos também participaram. A Joana a colar...


... e o Afonso a snifar cola!/verificar colagem :)


Produto acabado: Um jipe (que não pode apanhar chuva) :)


Mas pode fazer todo o terreno (quando seco!)


Assim terminou este primeiro projecto.
O brinquedo continua a ser o preferido do dia e já tem montes de passageiros desenhados pelo Afonso, pois o cartão estava mesmo a pedir...

O melhor disto tudo é o processo de montagem partilhado com as crianças, pois há uma tendência para acharem que as coisas nascem nas lojas. O Afonso só perguntava "Quando é que está pronto? Já está?" :D. Já a Joana participou activamente.
Ah... e mais ninguém no mundo tem um brinquedo igual aquele. :D

Agora é arranjar tempo para mais brinquedos e utilidades. Talvez um avião e um estojo para lápis e canetas...

08 novembro 2010

"E agora, Portugal?"

Deixo aqui um post de um vizinho que conheci recentemente, nas sessões da Iniciativa de Transição em Telheiras.
É um excelente artigo sobre o estado da nação e do mundo, que deveria fazer pensar todos aqueles que o lerem.
Aconselho vivamente a leitura do post (e o resto do blog).

Aqui:

É bom ter vizinhos, sobretudo destes! ;)

05 novembro 2010

O petróleo está no fim (?)

O pico do petróleo é um assunto que me tem despertado interesse, sobretudo ultimamente, mas um pouco desde que li o livro "O sétimo Selo" do José Rodrigues dos Santos, onde fiquei a perceber alguma coisa (pouca!) sobre o petróleo e as questões à volta das reservas, extracção do dito e das questões geo-políticas-estratégicas que envolvem esta preciosa, e cada vez mais escassa, substância.

O tema não é nada fácil e é encarado pelos leigos, comuns cidadãos como mais uma história do fim do mundo, do Apocalipse e tal.

A conceituada revista National Geographic publicou, em 2004, um extenso artigo sobre este tema, que partilho aqui (digitalização do papel).

Uma coisa é certa, desenganem-se aqueles que pensam que tudo vai permanecer como está hoje, com os seres humanos a explorar o planeta até ao tutano, ao mesmo tempo que o sufocam com gases de efeito de estufa e com os chineses (indianos, etc, etc) a caminharem para o modelo de consumo ocidental (americano, mesmo).

Um pensamento "giro" sobre o petróleo é que vai "aparecer" algo que o substitua. A evolução tecnológica vai encarregar-se, naturalmente, de arranjar uma saída, como está acontecer com os carros eléctricos, visto como a salvação e a razão para deixarmos de consumir petróleo, de o abandonarmos, mesmo (recentemente alguém argumentava comigo isto mesmo, íamos deixar de precisar dele por causa dos carros eléctricos :s).
O petróleo não faz apenas andar os nossos carros, o petróleo está em tudo o que nos rodeia, e as energias alternativas de que tanto se fala (eólica, solar, das ondas, etc) não vão servir para fazer os produtos químicos de que depende toda a agricultura, para medicamentos, alcatrão, plásticos, etc, etc. etc...
A própria rede eléctrica é, ainda, alimentada sobretudo por combustíveis fósseis, como o petróleo, gás natural, carvão.

Bom, não sou especialista (nem de longe nem de perto!) e ainda há pouco tempo não tinha bem a noção de uma série de coisas... Apenas pretendo partilhar alguma informação ;)

03 novembro 2010

Cidadania


"Ask not what your country can do for you - ask what you can do for your country." é das frases históricas que mais me toca.

Em Portugal vivemos ainda na fase "O que é o Estado pode fazer por mim" e como o Estado é muito, muito, muito mau, o que tem sido feito não é bom para ninguém, a não ser para a oligarquia que o compõe.

Na onda do que é que podemos fazer pelo país, acabei de enviar um e-mail à direcção do instituto (público, sim!) onde trabalho, no sentido de os alertar para a falta de políticas de eficiência energética no gigante edifício em que estamos instalados.

Apelei ao lado económico, mas também ao lado ecológico e dei algumas sugestões de fácil implementação, como por exemplo instalar interruptores para se poderem apagar as luzes!!!! Edifícios modernos... :(

Não sei o que isto pode dar (vou tentar que dê algo), mas que fiz o que devia, fiz!

02 novembro 2010

Surf's up

Praia da Rocha, Portimão

Este fim de semana foi um fim de semana com surf!

O Surf é um desporto (é tão mais que isso!) sobre o qual já tinha assumido que tinha saudades e que ia voltar a praticar, assim que possível.
Sem forçar esse momento apareceu.

Por motivos familiares tive que ir passar parte deste fim de semana grande a Portimão, Algarve. A Praia da Rocha foi o spot onde regressei às ondas!

Domingo, bem cedo (hora nova mas hábitos velhos) fui ver o mar e lá estavam elas, as ondas que me iriam receber de volta. Regressei a casa para voltar com toda a troop incluindo os cães. Aí sim, os Marques tinham chegado à praia...

Eu segui a minha via, directo para o mar. O tempo estava mau, chuva e vento, e o resto da troop rápido regressou a casa.

Fiz um rápido aquecimento e entrei na água.
A temperatura estava boa, cerca de 20º suficientemente quente para não ter tido frio com o meu fato de amador (e de Verão, calção e manga curta) - o tal fato que já serviu para tudo, desde ski aquático, wakeboard, snorkeling e triatlo.

O mar estava grande e desordenado. O forte vento baralhava a ondulação e o resultado não era bonito, mas naquele momento nada me desmotivaria.
A primeira onda não tardou. Era grande e pensei "siga". Umas remadas e aí estava eu a apanhar a boleia. Assim que tentei pôr-me de pé, ainda no drop, Pumba! grande tralho!
Abusei e tentei cedo de mais meter-me de pé, como se tivesse sido ontem a última vez que surfei. Ri-me! Ainda debaixo de água, pensei "que estica! venha a próxima".
Segunda onda e zás, estava de pé. Fiz parte do drop ainda deitado e levantei-me com mais calma. De pé, senti-me realmente de volta. A onda já estava desfeita, mas o regresso estava feito.

Daí em diante foi sempre a evoluir, novamente. Onda atrás de onda, tralho atrás de tralho, porrada atrás de porrada, passei quase 2h dentro de água, sem qualquer cansaço, graças à forma física da natação! Se tivesse voltado ao surf sem "braços de natação" aquela sessão teria sido reduzida a 30 minutos de sofrimento, pois o mar estava difícil. Assim, foi muito, muito fácil voltar! :)

No dia seguinte voltei ao spot. O mar estava ainda maior, mas mais ordenado. O meu surf continuou a evoluir em grande velocidade. A sessão acabou por ser mais curta mas muito produtiva. Enquanto surfava a família e os cães brincavam na praia, num dia esplêndido de sol mas com vento.

O surf é um desporto que nos une com a natureza de uma forma indiscritível. Estar ali no meio do mar, sentir a força do mar, o Sol nele reflectido, a chuva (quando cai), o vento e todo aquele silêncio humano, só o som da natureza.... É muito bom! Tinha saudades, tinha mesmo saudades e só naquela altura percebi o quanto.

Assim foi o regresso, com as expectativas pessoais muito excedidas.
Surf's up, again!

29 outubro 2010

Grande opção, pequena falha

Utilizar a mota, aliás VESPA, para o trabalho tem-se provado uma excelente opção.
É a terceira semana que a uso e tenho poupado em todos os aspectos, Euros, minutos e stress, pois sei sempre quanto tempo vou demorar a fazer determinado trajecto.

O que tenho ganho é liberdade. Ontem tive que ir ao centro de Lisboa buscar o cartão de cidadão... Olhei para o relógio ao chegar ao Campo Pequeno, enquanto esperava pelo semáforo verde na cabeça da fila e constatei que tinha demorado 5' desde casa até ali com um trânsito descomunal. Disse para mim mesmo: "UAU".

A pequena falha é a falta de material de chuva. Tenho-me desleixado com isso e hoje apanhei a 1ª molha... ok, kind of, pois só ensopei o casaco e molhei uma pequena parte da camisola na barriga. Estou impecável, embora tenha uma poça atrás de mim debaixo da roupa motard que escorre pendurada numa cadeira...
Tenho que atinar e comprar o impermeável e as luvas que me faltam!

Mesmo assim, quando estiver mesmo mau tempo (como está neste preciso momento!)... posso pegar no carro, não há estigmas.

Para aqueles que já estão a pensar que deixei de usar de bicicleta, digo o seguinte: ERRADO!! Ainda ontem à noite fui às compras de bicicleta.

Transição em Telheiras

Telheiras é um bairro diferente. Já tinha percebido isso.
Sempre me senti bem vivendo em Telheiras. Sinto que estou integrado num bairro e que faço parte de uma comunidade.
A ART - Associação de Residentes de Telheiras, tem sangue novo e um dos projectos que está a arrancar nesta associação é a Iniciativa de Transição em Telheiras.

Na quarta feira-passada realizou-se o primeiro encontro, feito para palpar terreno e sentir se haveria quórum no bairro para tal projecto. A resposta foi muito positiva muitas dezenas de pessoas marcaram presença.

Feitas as apresentações, houve a projecção de um filme que focava um dos problemas globais actual, o pico do petróleo e o impacto na estilo de vida actual.
O filme (muito bom!), "THE END OF SUBURBIA" é centrado no modelo americano, mas aplica-se com muita facilidade noutras regiões, nomeadamente na Europa, dado que cada vez mais imitamos o "american way of living"...

Depois do filme houve um debate sobre o tema e não só. Falou-se do movimento de transição, de permacultura, do fim do petróleo, da dependência actual do petróleo e afins.
Vi muitas caras conhecidas, vizinhos ou nem por isso. Vi e fiquei a conhecer mais um pouco desta comunidade. Gostei de ver uma comunidade preocupada com estes temas e senti que havia ali vontade de fazer algo mais do que se faz actualmente.

No fim ficou a promessa de novidades em breve, a recepção de sugestões para temas a debater. Um dos temas a incluir será, claro, a bicicleta!

Chegámos a um ponto em que reciclar não é suficiente. Há que reduzir drasticamente a pegada ecológica!!

Já estava semi-familiarizado com a Transição e Permacultura(*), mas gostei de sentir ao vivo a coesão social em volta do tema. Se vai dar frutos ou não, veremos...

No fundo, no fundo, já estou em modo de transição há uns anos.

(*)Uma definição para Permacultura:
É um método holístico para planear, actualizar e manter sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias e comunidades) ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis.

Ficam mais alguns sites e blogs sobre o assunto:
poscarbono.blogspot.com
Pico do Petróleo
Transição e Permacultura Portugal

28 outubro 2010

Casa nova - Plano C

Mudei de poiso. Trouxe comigo tudo o que tinha acumulado. Mudei-me mas não vou deixar caixotes por abrir, nem vou mudar de decoração.

Continuo o mesmo, apenas precisei de sair de dentro de um Sportblog, que já não transmitia tudo aquilo que o blog representava. O desporto foi o princípio, agora é apenas parte de um "plano" mais abrangente.

Bem vindos de novo ao meu blog, o PLANO C.

27 outubro 2010

Randonneurs Portugal

Grande notícia para a bicicultura portuguesa.
Portugal já tem Randonneurs, representado por Randonneurs Portugal.


Vale a pena visitar o site oficial: www.randonneursportugal.org

O que é o Randonneurs Portugal?
É uma associação que tem como missão a implementação em Portugal dos Brevets Randonneurs Mondiaux (BRM), eventos de ciclismo de longa distância não competitiva.

Basicamente tratam-se de eventos que são obrigatórios para quem pretender participar no "Brevet de todos os brevets" o mítico Paris-Brest-Paris, evento que se realiza de 4 em 4 anos e que terá a a próxima edição já em 2011.

MAS, este eventos também são para quem queira simplesmente desafiar-se a si próprio ou fazer estes "passeios" pois normalmente têm um cariz turístico associado. As regras são muito simples pois basta fazer uma média mínima start-to-finish de 15km/h (e máxima de 30km/h), passar nos pontos de controlo obrigatórios e ter autonomia total entre eles.
Cumprindo estas simples regras e o código da estrada, o resto é com cada um. Se gosta de pedalar depressa e parar para uma almoçarada, uma soneca, etc, é à vontade.
A distância mais curta é de 200km a percorrer, no máximo, em 13h30m.

A calendário para 2011 já está definido e abrange todo o país, algo notável para primeiro ano de actividade.


Em Portugal esta modalidade está a arrancar, mas quem sabe... podem aparecer praticantes deste tipo de ciclismo que até aqui andaram por aí a pedalar "sozinhos" e claro, novos interessados em experimentar, como é o meu caso.

O simples facto de Portugal aparecer no mapa desta grande organização global é mais um motivo de orgulho para mim, pelo menos.

Como jovem associação que é, peço a colaboração de todos na divulgação desta modalidade que é não competitiva e que permite a cada participante alargar os horizontes em vários aspectos, sempre pedalando.

Parabéns aos organizadores, um pequeno grupo de entusiastas, liderado pelo meu colega e amigo, Pedro Alves (de quem já falei por diversas vezes neste blog). Ok... confesso que sou uma pequena parte deste grupo :).

Um nota importante: Esta associação não tem qualquer fim lucrativo e a valor das inscrições serão baixos e existirão apenas para os pequenos custos da organização.

25 outubro 2010

Bicicleta - Mitos e pequenos prazeres dos detractores.

Sempre que se fala de um novo conceito, uma nova tendência, há sempre aqueles que vão levantar problemas, argumentando contra, procurando defeitos, etc. São os novos velhos do Restelo, no fundo.

A bicicleta como meio de transporte tem sempre montes de problemas logo à partida, sobretudo para quem não se imagina largar o automóvel.
É incrível como passamos N vezes pelas mesmas conversas....
"E a chuva? :) Quando começar a chover quero ver como é...."
"E as colinas de Lisboa??"
"E a transpiração? Eu não posso chegar ao trabalho todo transpirado/a"
"E os filhos? Como levo os meus filhos à escola?"
Basicamente quase tudo isto se encaixa numa frase simples "Quero lá saber dessa merda de transporte. Tenho um sofá com volante e não vou abdicar dele!"

É claro que há aqueles que vivem a 50km do trabalho e têm os filhos algures no meio, mas para estes também digo algo: "São opções!!!"
Querem ficar perto da praia, ou perto da família, ou perto não sei do quê... tudo bem, mas não se queixem e não me venham pedir mais impostos para não pagarem portagens etc...
Quanto ao custo das casas nos centros urbanos... sim, são mais caras e mais pequenas, mas é tudo uma questão de opções, na mesma, pois contas feitas, muitos suburbanos gastam quase tanto ou até mais na prestação do carro do que na prestação da casa. Opções, opções, opções.
Isto não vale para todos, é certo, mas vale para muita gente!

Voltando aos mitos e aos velhos do Restelo, recentemente aconteceu-me outra engraçada. Toda a gente que sabe que também uso a bicicleta para ir trabalhar e me vê agora de mota, diz logo: Então substituíste a bicicleta? (sempre com um sorriso cínico na cara). Respondo logo, "Não, substituí o carro!".

Como tenho a Gocycle (a do motor auxiliar eléctrico) parada à espera de uma peça, este mês ainda não fui trabalhar de bicicleta, de facto, mas desde que tenho a mota, utilizei o carro ZERO vezes para ir trabalhar!
Por Lisboa, tenho feito as minha deslocações de bicicleta e ainda não alterei uma vírgula ao comportamento que tinha antes de ter a mota. O que fazia de bicicleta continuo a fazer!!!

As bicicleta com motor eléctrico são um estigma, até mesmo dentro da comunidade de ciclistas. Pensa-se sempre na "batota". Normalmente quem experimenta fica fã!!

Já os outros, os tais do Restelo, quando alguém me diz "... e não chegas todo transpirado??" e eu digo "Não, tenho uma bicicleta com motor eléctrico", em vez de dizerem, "Ah, boa, assim faz-se!" e verem o lado bom, não! reagem logo com "Isso é batota" e pronto a conversa perde o lado sério e ficam com a deles. A bicicleta não serve para nada além de passear ou fazer desporto!

Claro que a epopeia dos descobrimentos portugueses teve sucesso apesar dos velhos do Restelo. Já a epopeia da bicicleta, está a aparecer como um modo de transporte em grande ascenção em todo o mundo. Cá não será diferente...

No Porto, há um Mythbuster a trabalhar e a provar que é possível. Último mito quebrado, não é possível optar pela bicicleta quando se tem que levar crianças è escola.

Andar a pé é bom e aconselha-se!

Andar a pé é uma das "actividades" que mais defendo.

Falo muito de bicicletas, mas a bicicleta não é a chave da mobilidade mas sim um conjunto integrado de medidas onde a principal é a redução de viagens de automóvel particular no dia a dia.

Para mim o modelo de mobilidade a implementar deve ter como peça central a pessoa, sempre a pessoa.
Não o carro nem a bicicleta, mas sim a pessoa. Os Transportes Públicos, a mobilidade pedonal, a bicicleta também, claro, e até os automóveis, mas nunca com o focus que têm hoje!

Para não se chegar ao ponto de o andar a pé desaparecer e passar a ser uma modalidade olímpica daqui a uns anos, é preciso incorporar esta actividade no nosso dia a dia.

Como sempre gostei de falar e escrever (umas coisitas neste blog) sobre este tema, fui convidado a falar como pai para pais numa sessão do excelente projecto A pé para a escola, projecto coordenado pelo Mário Alves e companhia com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.


Já tinha falado do tema numa escola mas com criancinhas da escola básica da minha filha. A mensagem foi diferente mas deu para perceber que ir de carro para a escola é das formas menos apreciadas pelos míudos para este tipo de viagens. So they said!

Foi interessantíssimo ver a apresentação em diapositivos, cheios de resultados de estudos (preocupantes, diga-se!) e depois relatar a minha própria experiência desde do "antes" de andar a pé até ao presente dia e constatar que tudo batia certo.
Penso que o meu contributo foi bom para o projecto e o humanizou mais ainda, tornando mais real uma apresentação muito boa, mas necessariamente teórica, embora preveja passar à prática numa fase seguinte.
Espero ter galvanizado ainda mais os (poucos) pais presentes!

Obrigado Mário Alves pela oportunidade.

20 outubro 2010

Já estive mais longe...(de 1988)

Não é segredo que o surf é uma das minhas paixões não correspondidas (por mim!) :)
Por falta de disponibilidade ainda não voltei a este desporto.
Já tenho todo o material mínimo necessário, a antiga prancha (semente 6'2" de 1987), o fato de verão da Decathlon (o tal que fez triatlo!) e, comprados já neste milénio, o leash (corda que agarra a prancha à perna), o axe e uma lycra interior. Recentemente comprei uma prancha melhor para recomeçar, uma prancha em Epoxy de tamanho 6'9" , portanto maior e mais flutuante, mais fácil para maçaricos como eu serei certamente (outra vez!).

No sábado passado, tive um almoço de família na Aroeira e levei o material no carro. Pela tarde fui até à praia, mas as ondas não foram e o cenário foi este:

Bonito, mas não para as minhas intenções. :)

MAS, I'll be back! para a Costa da Caparica, mas mais no centro da vila, onde há spots com ondulação mais certinha... Estou quase, quase lá...

PS: Novamente de Vespa, de regresso ao Surf... A minha vida está a voltar a 1988! Só pode ser bom sinal! :D A juventude que gostaria de preservar, no fundo... Assim o corpo o permita.

12 outubro 2010

One less car - kind of....


Uma referência motorizada neste blog... Sem medos! :)

O Sportblog começou por ser uma coisa muito focada na minha mudança em termos desportivos. Tinha sido um desportista nato, passado por um sedentário nato, gradualmente regressei à actividade desportiva e no inicio do blog estava a começar a intensificar e diversificar essa mesma actividade desportiva.
O regresso à bicicleta ocorre já com o Sportblog em andamento e da bicicleta à mobilidade em geral foi um saltinho.
Já a ecologia e a cidadania, atravessam todo este período e são temas que sempre me interessaram e me moldaram como pessoa.

A ecologia e mobilidade mais o meu passado motard conspiraram e o resultado foi este. Comprei um Vespa (GT200L), para me deslocar para o trabalho, sobretudo, mas não só.
Estava cansado do trânsito e de andar com 1 tonelada e tal para trás e para a frente só para me deslocar para o trabalho, cerca de 36 Km diários.
Assim, poupo o ambiente, poupo tempo e poupo "a carteira" e ainda desfruto do prazer de andar de Vespa, algo que já me era familiar, já que conduzi uma (PX125) entre os 16 e os 20 anos.
E a chuva???, pergunta que qualquer carro-dependente faz quando se fala de bicicletas ou motas ou tudo o que não seja andar dentro de um carro...
Não vou ser extremista mas conto apanhar algumas chuvas, sempre com equipamento adequado, claro.

Como gosto de traçar objectivos, para já estabeleci que a ideia é reduzir 70% das viagens de carro para o trabalho, indo de bicicleta ou de mota.

O próximo passo em termo de política de mobilidade familiar é vender um carro. Será um grande passo, mas como o carro menos necessário não é o meu, não depende directamente de mim... A ver vamos!

04 outubro 2010

Os putos

Quem não se lembra da letra desta canção?
Os putos, que pareciam bandos de pardais à solta. Pareciam, pois agora já não parecem, muito menos são!

Os miúdos de hoje podem ter muitas coisas que nós não tivemos, mas uma coisa que não têm mesmo é a liberdade que nós efectivamente tivemos.

Quando surge aquela conversa com a inevitável pergunta, gostavas de ser criança hoje? blá blá... Penso sempre: Trocar a vida que tive com a vida que teria hoje, mesmo com estes gadjets e brinquedos hi-tech, etc, etc... Nah!

Passávamos a vida na rua a brincar com amigos reais e não virtuais. Éramos chamados pelos pais, pelas janelas a centenas de metros de distância... Enfim, todos já conhecem estas comparações.

E a mobilidade e autonomia das crianças?? Essa hoje é ridiculamente diminuta e crianças-não-tão-crianças são despejadas nas escolas de popó pelos pais, que na maior parte das vezes não pararam para pensar se seria viável a criancinha de 10, 12 14 anos ir para a escola a pé ou de transportes públicos (nem vou meter aqui a bicicleta!)....

Uma cena normal num final de um dia de escola de 2º ciclo (idades dos 10 aos 14 anos):


Reparem no pormenor... Dezenas de carros em dupla fila, a passadeira completamente tapada de carros com pais que querem que os filhos saltem do portão para a assento do automóvel, o caos completo.
Circular nesta rua nesta altura é completamente impossível. A polícia (PSP Escola Segura), claro, assiste a tudo sem fazer nada, pois pagam-lhe apenas para vestir a farda.
Esta foto foi tirada em Junho deste ano, num dia de bom tempo e não num dia de chuva ou temporal....

No meu tempo, ir para a escola era fixe, íamos em grupo, ficavamos na conversa/namorico na estação, jogavamos jogos das cores dos carros, etc, etc. Ah... não tínhamos telemóveis para mandar SMS's às centenas... e por isso tinhamos que nos divertir mesmo! :D

Este post soa a conversa de velho, eu sei, mas custa-me ver estes miúdos sempre engailoados... Casa->garagem->carro->escola->carro->actividades->carro->garagem->casa.

PS: Nem peguei no tema da saúde e da obesidade infantil, que é um flagelo!!!

01 outubro 2010

They love bikes. E nós, o que adoramos?



Resposta: Carros!

PS: Mas é tão difícil (e arriscado) abraçar os passageiros...

O ciclista urbano

São 8h da manhã. Um já-não-tão-jovem homem, dos seus trinta e muitos anos sai de casa, com uma bicicleta de ciclismo ao seu lado. Olha em redor, sente o ar ainda fresco, o sol radiante mas ainda morno a bater-lhe na face e pensa, “que grande dia para pedalar para o trabalho”.

Com desenvoltura monta-se na bicicleta e dá as primeiras pedaladas com vigor, como que se quisesse afirmar, “cheguei e faço parte do trânsito”.

No primeiro entroncamento entra com eficácia e suavidade no trânsito da rua principal da sua zona. O trânsito parou para um peão atravessar a passadeira e a bicicleta surge com o seu charme e passa depois do peão sem lhe causar perigo ou agressividade.

No primeiro semáforo o trânsito adensa-se e o ciclista passa por entre os restantes veículos usando toda a sua elegância de forma e de movimento. Na cabeça da fila, antecipa-se ao verde e ganha a vantagem inicial suficiente para fugir aos fumos da largada dos poluidores automóveis. No cruzamento seguinte entra numa ciclovia. Não é fã deste tipo de solução, mas usa-as que não lhe retiram segurança, conforto e eficácia na sua deslocação.

O ritmo a que segue é moderado. Vai vestido para trabalhar, com excepção da camisola que é desportiva e mais respirável, e terá que chegar ao seu trabalho, a 18km dali, em condições de higiene aceitáveis, embora mesmo assim vá necessitar de um pequeno “tratamento” antes de se apresentar aos demais colegas.

No parque tecnológico em que trabalha vive-se um ambiente empresarial e o carro é quase obrigatório, seja pelo status seja pela necessidade de chegar a um local remoto e mal servido de transportes públicos. Ali a bicicleta é um ser estranho e deve ser vista com algo para deslocar alguns desfavorecidos que nem para o passe têm dinheiro.

Atravessando uma zona central, circulando num corredor BUS, a sua presença é notada pelos transeuntes. O meio de transporte que usa é despido e isso torna-o humano. É uma pessoa que vai ali, à mostra, com emoções, expressões faciais, há contacto visual, há vida naquele meio de transporte.

Passado pouco mais que uma dezena de minutos desde que saiu de casa, o ciclista chega à estação de comboios onde vai apanhar um comboio que o levará para mais perto do seu destino. A boa frequência com que passam comboios deixa-o despreocupado com os horários, tornando a sua viagem livre de constrangimentos temporais.

Desta vez, surpreendentemente chega a tempo de apanhar o comboio anterior ao que tinha previsto, fruto da temperatura mais fresca sentida aquela hora que permitiu pedalar com maior vigor.

Na estação entra semi-desmontado em suave deslize das últimas pedaladas.

Depois de validar o bilhete sobe ao apeadeiro tranquilamente com a bicicleta a seu lado. No apeadeiro tem tempo ainda para folhear um jornal gratuito enquanto aguarda sentado pelo comboio que chega no minuto seguinte.

Uma vez no comboio, na zona habitual, encosta a bicicleta a três bancos corridos e senta-se junto à janela onde recebe novamente o ainda tímido sol da manhã. O sentido em que vai o comboio, do centro para a periferia, é demonstrado pelo vazio de passageiros. Apenas outro passageiro se encontra perto.

É nesta altura que o ciclista faz a sua primeira refeição. A relativa pressa com que sai de casa apenas lhe permite preparar um pequeno-almoço para levar e a vontade de o comer muito cedo também não é muita.

Ali, tranquilo, pode finalmente apreciar a refeição. Distraído enquanto se alimenta, grande parte da viagem de 16 minutos desaparece. Mais uns minutos e chega ao seu destino.

Novamente no chão, sai calmamente do apeadeiro, atrás de todos os peões que fazem o mesmo. 30 metros depois volta a montar e a pedalar, voltando a sentir aquele prazer da simbiose homem-máquina que só a bicicleta permite.

Mais à frente passa numa passagem desnivelada para peões que passa sobre uma das estradas com maior circulação da Europa. A fila no sentido da urbe é interminável. O reflexo do sol funde todo aquele metal numa peça única, como se uma grande serpente metálica e brilhante se estendesse sobre aquela estrada. Paralelamente a toda aquela realidade o ciclista segue o seu caminho, metido consigo próprio mas misturado com tudo o que o rodeia, vivendo cada metro daquela viagem.

Neste troço a viagem endurece. O bairro-dormitório por onde passa foi construído numa verdadeira encosta e do outro lado está o seu destino. Calmamente vence a inclinação, pedalando levemente, recorrendo-se das mudanças mais leves da sua bicicleta. Num declive mais acentuado, apeia-se durante umas dezenas de metros, atalhando caminho e poupando umas gotas de transpiração.

Até chegar ao cume, o ciclista é o mais lento da via. Sem vergonha segue o seu caminho, lento mas determinado, mas sempre motivado pelo que o leva a estar ali, o prazer de andar de bicicleta e o prazer de não andar de carro no meio do trânsito.

Uma vez no cume, avista o seu destino. Vários amontoados de betão e uma via cheia de formigas metálicas correndo na sua direcção. A descer é o mais rápido da via, passando ao lado da fila em direcção à grande rotunda que gere vários fluxos com muitos automóveis e agora também uma bicicleta.

A entrada no parque tecnológico é feita ultrapassando mais uma vez umas dezenas de automóveis, cheias de executivos, bem vestido e cheirosos. Ali ao lado, segue este ciclista, sem dress-code e sem cheiro a perfume mas completamente sem stress e desenlatado.

Uma centenas de metros à frente o cliclista entra na garagem subterrânea do edifício onde trabalha e estaciona a bicicleta num dos dez lugares de bicicletas que conquistou com o seu activismo interno. Hoje é só a sua bicicleta que lá está, mas o futuro poderá trazer mais uma quantas.

Enquanto sobe os três pisos pelo elevador limpa as pouco sociais gotas de transpiração. Usa o elevador só por isso, como sala ascendente de pequenas limpezas. Já no corredor, apenas a sua camisola de Lycra o denuncia como ciclista. O sorriso semi-rasgado poderia ser de outra coisa, mas quem o conhece percebe a razão do mesmo. Ele foi de bicicleta para o trabalho.

28 setembro 2010

Ciclovias analisadas

As ciclovias são polémicas.
Esta é a minha visão sobre as ciclovias. Há muito estudos e opiniões melhor formadas, conhecimentos académicos, etc. Está é apenas a minha humilde opinião, depois de experimentar, mas também depois de me informar, em alguns dos tais estudos e opiniões :D.

Normalmente, para quem não anda de bicicleta, são uma grande medida que cria todas as condições para andar de bicicleta.

Para quem anda de carro são uma maravilha já que retira estes "veículos lentos" da frente dos automóveis. Há alguns que pensam que, em mobilidade, só o que for gasto em prol do automóvel é que é bem gasto.

Para quem anda a pé, há um misto de sentimentos.
Por um lado retira-lhes mais um pedaço do pouco espaço que têm e obriga-os a conviver com este tipo de "veículos rápidos e perigosos", pondo em risco a integridade física, sobretudo em jovens (irrequietos) e idosos, estes com menor agilidade para fugir das bicicletas.
Por outro lado, as ciclovias, são pistas óptimas para caminhar, empurrar os carrinhos de bebés e de compras, etc, etc.

E os ciclistas, o que pensam das ciclovias.
Aqui é que a polémica é grande. Há de tudo. Em geral, os principiantes adoram-nas, pois com elas atrevem-se a pedalar pelas ruas onde elas existem, onde antes nem pensar!!
As famílias adoram-nas. Podem levar os mais pequenos a passear e o piso/pista é propícia para aprender.
Depois há os ciclistas de ocasião, BTTistas a caminho do Monsanto, etc, que usam a ciclovia porque ela segue exactamente o seu trajecto e assim "escusam de se chatear com o trânsito".

Ora, o problema das ciclovias é que elas induzem uma falsa segurança e falsa separação do trânsito. Sobretudo as ciclovias bi-direccionais, opção única ou quase, em Portugal e feita sempre em jeito de remendo, já que as urbes onde são implementadas já se encontram praticamente construídas, sendo por isso difícil a coexistência.
Há imensos estudos sobre isto. Refiro aqui um, do Mário Alves, especialista nessa "estranha" área da Mobilidade.

Os mais informados e que realmente usam a bicicleta para se moverem eficazmente pelas cidades, apercebem-se com facilidade dos perigos que se correm quando se usam as ciclovias portuguesas.

Ficam alguns exemplos:
- Perigo de colisão com peões. Os peões usam as ciclovias. Por vezes por falta de espaço pedonal suficiente, outras por comodidade, mas é um facto que as ciclovias estão cheias de peões. Alguns são crianças e aí o perigo aumenta, pois mesmo não estando em cima da ciclovia, podem rapidamente mudar de trajectória. Também há o perigo dos animais, que mesmo com trela podem ser imprevisíveis.
- Atravessamentos/passadeiras. Em cada cruzamento ou entroncamento temos que atravessar a estrada. Aqui reside o maior risco/perigo e alguns inconvenientes.
Os inconvenientes são vários. Desde a perda de prioridade para os automóveis, passando pelo tempo de espera em caso de semáforos (que nestas ruas secundárias estão mais tempo fechados do que os das vias principais), passando pela necessidade de subir e descer o lancil do passeio, muitas vezes com altura desadequada para quem circula de bicicleta, etc, etc.
O risco é a colisão!!! Por exemplo, quem circula de automóvel, quando entra numa rua perpendicular nunca conta com um ciclista, sobretudo quando este circula no passeio ao seu lado, mas também com ele se aproxima do cruzamento, vindo do passeio da direcção contrária.

Como uma imagem vale mil palavras, roubei esta ao artigo do Mário Alves:

- Quando a ciclovia não nos leva ao destino/ transição para a estrada. Seguir numa ciclovia bi-direccional e no lado errado do sentido normal é por vezes um quebra cabeças deixo os ciclistas com verdadeiros desafios de conseguirem voltar a "entrar nos eixos" dos sentidos normais do tráfego.
- Voltinhas e obstáculos. As ciclovias em Portugal são feitas por cima do que já está feito. Encontrar um caminho e o espaço que elas exigem nas nossas ruas não é fácil, admito. Roubar espaço/fluidez aos automóveis requere muita coragem política e raramente é feito.
O que resulta é o que temos. A ciclovia vai aqui, mas ali à frente passar para o outro lado da rua, dá uma curvinha ali e interrompe N vezes acolá. No campo dos obstáculos temos os famosos pilaretes, sinais de trânsito, etc, etc. Juntando os peões "invasores", circular com algum ritmo nunca ciclovia exige tanta ou mais atenção do que fazer um single track rápido no BTT. Sim, porque andar de bicicleta não é só passear e stlyle-over-speed!



A minha experiência.
Moro numa zona de Lisboa bastante bem servida de ciclovias.
A minha prática actual em zonas servidas por ciclovias resulta da experiência que fui adquirindo ao longo do tempo, passando por esses locais. No início ia pelas ciclovias (trajectória a verde).

Deixo aqui dois exemplos referentes a duas zonas por onde tenho passado todos os dias. No 1º exemplo, Largo da Luz, caso circulasse pela ciclovia, by-the-book, teria que fazer 6! atravessamentos, numa zona em que circulando junto com o trânsito demoro cerca de 30 a 90 segundos a atravessar, dependendo dos semáforos da via principal, sempre mais favoráveis do que os das vias secundárias.
(clicar para ampliar)

[Largo da Luz, Carnide]

[Av. Colégio Militar, Benfica]

Legenda:
A vermelho estão sinalizadas as ciclovias (os mapas ainda não as incluem).
A verde, a trajectória do ciclista caso use a ciclovia.
A amarelo a trajectória do ciclista circulando da forma mais prática (e segura).
A azul, em elipses, as zonas de atravessamento, com todos os risco e inconvenientes referidos anteriormente.

Volto a afirmar, não sou especialista na matéria. Sou apenas um cidadão do mundo das ciclovias! :D

23 setembro 2010

Mobilidade a fingir e mobilidade a sério

Esta semana, a "mobilidade" é tema em destaque um pouco por todo o mundo.
Cá, são anunciadas medidas, mas na maior parte delas interessa mais "parecer" do que "ser". São os autocarros com wi-fi, são os sites do género Lisboa Ciclável, são as 10 (!) bicicletas que a EMEL que disponibiliza a preços exorbitantes para os clientes que deixem o carro num parque específico (depois de fazerem porradas de Kms), etc, etc...

Houve uma iniciativa mais lúdica, o Marquês Down Tunnel, e eu claro, estive lá, não tanto para descer o túnel de bicicleta (já andei em descidas muito mais emocionantes), mas para curtir o ambiente. No blog Lisbon Cycle Chic há um excelente post com fotos e um filme, onde se pode ficar com uma pequena ideia sobre o que se passou ali. Aproveitem e vejam o resto deste blog que tenta retratar (literalmente) o que se está a passar em Lisboa em termos de utilização de bicicleta como meio de transporte.

Mobilidade e as cidades.
A "mobilidade" não são só bicicletas, longe disso. A "mobilidade", ou seja, a política de mobilidade deve dar condições para que todos os cidadãos, sem excepção, se possam mover livremente, e sempre beneficiando os mais "frágeis" em detrimento dos mais "fortes", i.e previligiando os peões e prejudicando os carros, passando pelos transportes públicos capazes de satisfazer as reais necessidades de quem deles precisa, passando pela criação de condições para a mobilidade em meios suaves como bicicletas, trotinetes, etc (não é criar ciclovias em cima dos passeios!!!).

Enfim, todo um mundo, ainda longe dos nossos decisores políticos, cujos os votos ficariam em risco se alterassem a ordem natural (not!) das coisas....

Agora, há cidades/países onde estão a ser feitas coisas, mesmo!
Vejam este pequeno vídeo sobre a City!

Esta semana só andei de carro na segunda-feira e se não estiver a chover amanhã (neste momento, em que escrevo, está a chover) voltarei a ir para o trabalho de bicicleta+comboio e sem motor, já que a Gocycle está encostada com um problema num crank.

Também amanhã, acontecerá a Massa Crítica, não esquecer (e espero mesmo que não chova par se bater o record de 200 ciclistas).

21 setembro 2010

Dia Mundial sem carros - Amanhã (/todos os dias)

Amanhã é o dia mundial sem carros. Acima de tudo é um dia simbólico, mas não só, pois há medidas concretas, mas também há muito aproveitamento político e greenwashing.
Este dia alerta para esta questão, o uso intensivo do carro para tudo e mais alguma coisa. Para ir ao pão, para ir ali abaixo, para ir para a estação, para ir para o emprego, para levar os miúdos à escola, etc, etc. Nem se pensa noutra forma, sai-se de casa direito à garagem, liga-se o carro, a climatização e o rádio e lá se segue de forma enlatada para o destino, destino quase sempre forrado a quatro paredes.

A rua, o clima, as pessoas, os cheiros, o exercício físico, fica para quando for de férias, ou para a reforma. Claro que a probabilidade de chegar à reforma é menor com o estilo de vida sedentário que se leva cada vez mais.
Li recentemente num livro do Prof. Fernando Pádua que nos próximos anos vamos assistir a uma queda na esperança média de vida de cerca de 10 anos, devido aos hábitos sedentários nas novas(/todas!) gerações.

Bom, chega de discurso e vamos à acção! Toca a repensar no modelo de mobilidade, pelo menos de vez em quando, pois há tanta deslocação que pode ser feita de outras formas.... a pé, de bicicleta, de transportes públicos, de boleia, em carpooling, etc, etc, etc, etc....

Eu, não sou gajo de deixar para amanhã o que posso fazer hoje e por isso, hoje, lá em casa temos mais coisas penduradas....
Amanhã é outro dia, verde, espera-se!

PS: Hoje está um dia esplêndido de sol e temperatura amena. Pedalar para o trabalho soube a férias. Sério.

20 setembro 2010

Corrida Destak. O regresso às corridas. 10km

Ontem voltei ao atletismo. Foi um regresso forçado. Fui forçado pela atracção que esta prova desperta em mim. Tal como a Corrida do Tejo, decorre na Marginal e é um regalo para os olhos e para a mente.
Este ano, 2010, só tinha feito três corridas. Corrida do Benfica (10km) e dois triatlos Sprint (5km cada). Treinos, não deu!

Com a "banhada" do meu parceiro de corridas (até para acordar dependemos do telemóvel e quando a bateria falha, nem chamadas do amigo-que-dá-boleia se recebe) , atrasei-me e não consegui implementar a medida verde que pretendia que consistia em ir de comboio desde Lisboa até Carcavelos e depois de Cascais até Lisboa. Atrasado lá segui de carro até Carcavelos.

Cheguei com tempo para um mini-aquecimento e alguns ligeiros alongamentos.

Partida!
Juntei-me pacientemente ao pelotão e segui na velocidade que este me permitiu. Sabia que não iria ser pêra doce e poupei-me, mas sem perder o objectivo que eram os 50/55'. Cedo percebi que os 50' eram possíveis e lá segui a ritmo mais ou menos certo, com algum quase-sofrimento nas subidas, fruto da falta de treino.

O que safou a coisa foi a panorâmica, que ia enchendo a vista, vista que, inconscientemente, ia fugindo para a baía de Cascais, onde a meta me aguardava.
Cortei a meta com o meu famoso sprint (not!), ultrapassando quase uma dezena de atletas e com um tempo oficial de 49'59", o que foi bem bom.

O regresso foi feito de comboio (até Carcavelos) na companhia de um corredor mais sénior, na conversa sobre corridas e afins. Retive a frase "chamam-me maluco, mas quase todos que têm a minha idade (58) andam a cair de podres...." Este senhor fez pouco mais tempo do que eu e treina 4x por semana. É preciso manter a actividade, está no meu lema! :D

Parciais por km (pelo garmin):
Km 1: 4'56"
Km 2: 4'48"
Km 3: 4'57"
Km 4: 5'08"
Km 5: 4'57"
Km 6: 5'03"
Km 7: 4'57"
Km 8: 5'08"
Km 9: 5'06"
Km 10: 4'45"

Pulsação média de 162 bpm e máxima de 180 bpm.

Resultado
Posição: 727º (2.166 terminaram)
Tempo: 49'59" (a 18'27" do 1º)

Garmin stuff: aqui.


16 setembro 2010

Massa Crítica de Setembro - 7º aniversário

Este mês realiza-se a maior Massa Crítica do ano e muito provavelmente a maior de sempre em Lisboa. Há um ano foram cerca de 200 participantes, o record da MC de Lisboa até então.
A julgar pelo aumento de utilizadores de bicicleta que se vêm por Lisboa (e não só), o record vai ser facilmente batido, haja divulgação do evento.

De que se trata?

Uma Massa Crítica (MC) é um passeio no meio da cidade feito em transportes suaves. Realiza-se sempre na última sexta-feira de cada mês às 18h00, partindo de um local pré-determinado.

As MC também são conhecidas nos países lusófonos como "Bicicletada" porque a maioria dos participantes desloca-se em bicicleta. No entanto o termo "Massa Crítica" é mais apropriado porque encoraja a participação de pessoas que se deslocam de outras formas suaves: patins, skate, trotinete, etc

Parados no Semáforo, MC Lisboa Junho 2007. Foto: FBrunoPara lá das motivações pessoais de cada participante, a MC é uma celebração da mobilidade suave que permite aos ciclistas circular com mais segurança e facilidade, marcando a sua presença no espaço público e tornando-a visível pelo número e densidade da concentração. Esta "segurança através da quantidade" torna-a uma excelente forma de iniciação à utilização de veículos suaves em espaço urbano.

Ver mais massacriticapt.net.

14 setembro 2010

Menos dois carros - Dia Carbono Zero

Hoje foi é 1º dia lá de casa em que estão a ser usados apenas meios de transportes não poluentes!

Qual haveria de ser o transporte??? Bicicleta, claro.

Pois é, eu e a minha mulher estamos de bicicleta (nos respectivos trabalhos) e os miúdos foram a pé para a escola, hoje, levados pela minha mulher, também a pé.

Como já estava previsto antes, este ano seria o ano em que ambos os meus filhos ficariam em escolas no meu bairro, a cerca de 5' a pé da minha casa.

Com isto, cai a necessidade de a minha mulher (e eu, por vezes) andar de carro para levar o mai-novo à escola. Como a relativa curta distância e tipo de percurso de casa para o trabalho dela permite uma fácil utilização de bicicleta a opção foi feita - de bicicleta para o trabalho.
Claro que, o activismo caseiro também teve muito peso nesta decisão!!! :)

Ao todo, deixarão de ser feitos cerca de 45 km de carro, só hoje!

Boas pedaladas!

26 agosto 2010

Mobilidade (suave) de Verão

Há uns meses falei de um parque de estacionamento numa praia na Dinamarca, cheio de bicicletas. O título do post era "Se fosse cá" e critiquei a opção (quase) única dos portugueses em termos de mobilidade, mesmo em pequenas distâncias, o carro!

Não é que este Verão fui surpreendido em pleno Algarve...

Já no ano passado foi assim (mas não tirei foto), embora este ano houvesse mais. Porquê neste local?? O estacionamento escasso para tanto automóvel!!!! Pois... a necessidade aguça o engenho, e que melhor engenho para pequenas deslocações, sobretudo quando o estacionamento é difícil?

A questão de segurança nem é (ali) grande problema, pois se repararem os cadeados estão à volta de postes verticais de 1 metro de altura. :) É uma praia fina e pouco central, onde os larápios não passam, suponho...

Cheguei a ver uma família de 6 em 3 bicicletas...

Ainda há esperança!

19 agosto 2010

A melhor notícia do Verão



The $600 billion challenge

Bill Gates, Melinda Gates, and Warren Buffett are asking the nation's billionaires to pledge to give at least half their net worth to charity, in their lifetimes or at death. If their campaign succeeds, it could change the face of philanthropy.
LOOK WHO CAME TO DINNER:
The crowd at the inaugural event added up to a list that would make any charity – or any conspiracy theorist – swoon.
Left to right: Bill Gates, Oprah Winfrey, Warren Buffett, Eli and Edythe Broad, Ted Turner, David Rockefeller, Chuck Feeney, Michael Bloomberg, George Soros, Julian Robertson, John and Tashia Morgridge, Pete Peterson

Notícia completa no site da Fortune/CNN

Pode-se acusar o EUA de muita coisa, mas neste capítulo são imparáveis!

30 julho 2010

Bike-family

Há cerca de dois anos comecei a olhar para a bicicleta como um meio de transporte e não apenas como um objecto de lazer/desporto.

Rapidamente tomei conhecimento de alguns movimentos e grupos que advogam este tipo de transporte e hoje sou parte integrante dos mesmos. Hoje uso sempre que possível e divulgo os "meus feitos" com o propósito de mostrar que é possível.

Em minha casa tem havido mudanças, no que diz respeito às bicicletas.
Todos temos bicicleta e sempre que é possível anda-se de bicicleta.
A Joana aprendeu antes de fazer 6 anos, o Afonso ainda anda com rodinhas, mas estou convicto mais uns meses e aprende (talvez antes dos 5).

Eu, por trabalhar fora e "longe" de Lisboa, onde vivo, tenho alguma dificuldade em optar por este meio de transporte. Acaba por não ser muito competitivo, já que gasto pouco menos e demoro um pouco mais, face ao carro. Mesmo assim, sempre que posso vou de bicicleta.
Cerca de 7km + 15 minutos de comboio para cada lado, num total de 40 e poucos minutos de viagem (de carro faço uma média de 25 minutos). Utilizo a Gocycle, que tem motor eléctrico auxiliar. Em Lisboa farto-me de andar de bicicleta para pequenas deslocações/tarefas.

A minha mulher trabalha muito perto de casa e como no próximo ano lectivo os filhos ficam ambos perto de casa, a partir dessa altura passa a ser viável ir de bicicleta para o trabalho, pois já não há necessidade de transportar o Afonso. Cerca de 2km.
A bicicleta já foi comprada e é perfeita para ela. Está super contente com a escolha.
A partir de Setembro haverá menos um carro pelas ruas de Lisboa, sempre que houver condições aceitáveis para pedalar, claro.

A Joana já dá boas voltas de bicicleta pelas ciclovias de Lisboa. Ainda recentemente começou a ir para o Ballet (a cerca de 2km de casa) de bicicleta e até levámos uma amiga/vizinha... Adoraram e querem repetir, claro!
Mais uns meses e começa a andar também fora das ciclovias, acompanhada, claro.

Joana e amiga (e eu), de regresso a casa, depois de uma aula de Ballet.
Bike-week
Esta semana estivemos sem filhos (de férias com familiares) e aproveitámos para por mesmo em prática a opção que temos vindo a tomar. Em 4 noites, na 1ª comprámos a bicicleta (da minha mulher) e nas restantes saímos sempre de bicicleta. Os destinos variaram. Foram Cacilhas, Av. Igreja e Duque de Ávila.

O nº de bicicletas lá em casa tem variado entre as 7 e 8 bicicletas. Para optimizar mais ainda este meio de transporte, decidi fazer um abrigo no quintal da frente em vez de ter que ir à garagem à praceta de trás cada vez que pretendo usar a bicicleta. Será um projecto Do-it-yourself para depois de regressar das férias.

Agora é altura de partir para férias, no sítio do costume, Lagoa, Algarve. Três bicicletas acompanharão esta família... claro!