30 janeiro 2012

Tendências

O nome do post podia ser 'Aumento' do número de utilizadores de bicicleta, mas face aos números absolutos, ou à percentagem deste meio de transporte face às restantes opções, decidi chamar-lhe apenas 'Tendências'.

Há uma tendência  para o uso da bicicleta nas cidades. Cada vez se vêem mais ciclistas pelas ruas de Lisboa (e concerteza, no resto do país).
Em Telheiras, em particular, o nº de "avistamentos" (palavra usada para OVNI's) é cada vez maior.

Levo a minha filha a pé para a escola, de manhã, aproveitando para passear os cães num descampado que há ao lado da escola, o que me permite observar toda aquela azáfama de depósito de miúdos na escola. Trata-se de uma escola básica (ou primária, como se dizia antes).
Além de todos os carros, muitos, que estacionam onde calha, desde 2ª fila até por cima de parte da ciclovia que está ao nível do alcatrão, começam a aparecer uns malucos, os ciclistas.
Há dias assisti a uma sequência que me deixou com esperança.

Primeiro, uma senhora e o seu filho, cada um na sua bicicleta. Rapidamente chegaram à escola, alheios à confusão, deixaram a bicicleta do miúdo dentro do recinto presa ao gradeamento e a senhora seguiu viagem noutra direcção, provavelmente a caminho do seu trabalho.

Pouco tempo depois, um senhor, numa bicicleta de BTT com um cadeirinha atrás onde transporta o seu filho. Num minuto entrou na rua, foi ao portão e voltou a sair da rua, através da ciclovia que passa em frente ao portão da escola.

Já a caminho de casa, vejo um miúdo a passar de bicicleta por um relvado em modo vou-para-a-escola-a-curtir e a parar logo a seguir junto a um amigo, também ciclista, que estava parado a olhar para a sua bicicleta.
Aproximo-me para ajudar. A corrente tinha saído da cassete e estava presa entre a dita e o quadro. Dei-lhe umas dicas de como a soltar e perguntei-lhes para onde iam. "Doroteias", disseram. Trata-se de um colégio que fica junto ali no Campo Grande/Quinta do L'Ambert, do outro lado da Churrasqueira. Eram dois miúdos com cerca de 12 anos, 14 vá.

Aqui, alguns leitores (espero que poucos) pensam, "e se em vez de os ajudar, eu os raptasse?" Ah, pois. É um perigo deixar andar crianças por aí à solta! E se eles ficassem debaixo de um carro? E se, e se, e se, e se?
E se eles se andam a "drógar" lá na escola? E se, quando saem à noite, bebem 30 shots de vodka?
Pois, é difícil controlar a vida destes pequenos adultos, não é? O que podemos fazer, faz-se "em casa" e no caso das bicicletas nas ruas, acompanhando-os inicialmente e dar-lhes as ferramentas para lidarem com situações adversas e tentadoras, algo que faz parte da educação.

Voltando ao tema, é bom ver, em apenas 10 minutos, que no meio destas crianças pertencentes ao back-seat-generation há algumas que estão a entrar numa via alternativa, mais saudável, mais sustentável, mais humana, verdadeiramente ecológia, socialmente inclusiva, mais todas aquelas vantagens que a bicicleta tem. São estas crianças que serão os próximos adultos e é importante que nestas idades sejam semeados bons exemplos.

E como é que eu vi(vi) tudo isto? Porque estava a pé! ;)

1 comentário:

paulofski disse...

Excelente post César. É de pequenino que se ganha tino, digo sempre isto ao meu filho que desde os seus 15 anos que "comuta" para todo o lado: para a escola, para o treino, para os ensaios, para casa dos avós, ganhando a sua independência, enfrentado e ultrapassando obstáculos em direcção a um futuro mais promissor. Não tenhamos dúvidas, nem com todos os "ses" que possivelmente encontramos para as nossas desculpas, o futuro tende para a bicicleta.