'Crawl' é uma palavra de pesquisa que manda leitores para este blog com alguma frequência.
Um pouco por causa disso, mas também porque voltei agora à piscina depois de 6 meses de interrupção (estou com pica!), vou contar a minha experiência no crawl, ao longo deste últimos anos.
Este post retrata apenas a minha experiência neste estilo. Não sou especialista, longe disso.
Toda a gente sabe nadar! Toda a gente nada crawl, bastando para isso dar uma braçadas em jeito de remadas e já está.
Nas nossas praias assistimos a verdadeiros nadadores... de praia. Cabeça de fora a girar (rabinho bem lá em baixo), braçadas enérgicas e curtas e pronto, 20 metros e 'tá' feita a demonstração técnica do Tarzan.
Volta e meia, aparece um que leva a cabeça debaixo de água e faz o dobro da distância - este sim, sabe nadar!
É certo que ninguém nasce ensinado e que não temos todos que nadadores, mas cada vez me divirto mais a ver o crawl que se nada por aí.
Não há muito tempo estava naquele grupo que metia a cabeça debaixo de água e fazia 30 metros seguidos, tudo isto com respiração bilateral! Eu sabia nadar mais-ou-menos... pelo menos pensava isso. Sério.
Um dia, decidi ir nadar para uma piscina, em regime livre.
O primeiro choque foi quando percebi que não conseguia nadar com ritmo meio-enérgico muito mais do que 25mts seguidos. Com a insistência comecei a aumentar a resistência.
O segundo choque, este enorme, foi quando decidi pegar numa prancha e bater apenas as pernas. Não consegui sair do sítio, literalmente.
Abandonei a prancha e continuei durante algum tempo a nadar em regime livre. A resistência foi aumentando e as sessões chegaram aos 1700mts (cerca de 45').
Depois de parar cerca de um ano, decidi voltar, mas desta vez para ter aulas. Foi o melhor que fiz.
Só quando temos um professor é que percebemos que afinal não estamos tão longe dos tais figuras de que falei antes, mesmo com respiração bilateral! :)
As pernas são duas âncoras que ao invés de nos darem propulsão, puxam-nos para trás, 'pedalando' (os joelhos trabalham muito e o movimento é rotativo) em vez de baterem , fazendo mais resistência do que outra coisa. Há aprendizes que chegam a andar para trás, quando apenas batem pernas.
A somar às pernas a trabalhar em contra-mão, temos as braçadas sem técnica, resultando numa coisa que não se pode chamar crawl, na realidade.
O problema maior é quando há 30 e tal anos disto. Desmontar todos estes vícios mecânicos é uma tarefa muito complicada e só anos de aprendizagem e prática nos permitem nadar com uma técnica média.
Ao olhar para a minha filha a bater pernas na sua aula de natação, tenho a certeza que me ganharia nesse exercício e temos o mesmo tempo de aulas de natação.
O que tem que ter quem sabe nadar crawl?
Deslize, deslize, deslize - Um bom nadador parece que vai parado, tal a aparente lentidão/subtiliza dos movimentos. Na realidade tem um bom deslize e apesar de poucas braçadas a velocidade é elevada e com um esforço optimizado.
Amplitude na braçada - para haver deslize é preciso agarrar a água lá à frente e deixá-la lá bem atrás.
Direcção - Todos os movimentos devem ser equilibrados e alinhados. Os braços não se cruzam à frente da cabeça, a anca pode 'dançar', etc. Os S's não permitem o tal deslize.
Pernada - As pernas têm que bater com um mínimo de técnica. Só muitos exercícios só de pernas podem dar a potência e a técnica. Nada de dobrar joelhos! Sem uma boa pernada o corpo afunda e os braços é que pagam.
Hoje, passados 4 anos de aulas de natação, 2x por semana, posso dizer que sei nadar crawl, porque reúno as condições base que acabei de descrever. Tenho-as, mas todas elas precisam de melhorar.
Quem quiser aprender (mesmo!) a nadar crawl, ou outro estilo, vá para as aulas, pois em regime livre não chega lá. Pode até chegar a uma boa performance, mas ficará sempre aquém do seu verdadeiro potencial. O longo percurso de aprendizagem da natação é o torna este desporto mais atractivo, pois é um desafio constante.
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