06 outubro 2009

Bicicleta para além do desporto

A bicicleta como meio de transporte tem sido uma bandeira política, sobretudo nesta altura, de campanha eleitoral em Lisboa.

As ciclovias estão hoje na baila, seja nos media, seja de boca em boca na população - uns contra outros a favor...

Para mim, em termos individuais, as ciclovias não aquecem nem arrefecem, pelo menos as que têm sido feitas, que têm um cariz mais de lazer do que prático.

Eu explico melhor:
Como me desloco bem no meio do trânsito - vários anos de experiência a andar de mota diariamente - raramente a ciclovia é melhor opção do que as vias normais.

Nas vias normais a escolha do trajecto e as respectivas mudanças de direcção são mais fáceis de efectuar - vamos sempre no sentido certo do trânsito, podemos mudar de faixa em função da viragem que vamos fazer a seguir, etc, etc, ao contrário das ciclovias onde as mesmas são partilhadas - mesmo! - com os peões, onde por vezes vamos no sentido "errado" do trânsito, onde por vezes há voltinhas que não interessam a quem tem que se deslocar mesmo, etc, etc.

Outro argumento apontado por quem usa a bicicleta diariamente é o resultado de estudos que apontam com a ciclovia como mais perigosa face ao uso das vias normais, pois nas vias normais a nossa presença é mais sentida e quando se mete na equação as mudanças de direcção essa diferença faz toda a diferença.

Agora, há outro lado da questão:
Para mim as ciclovias - mesmo as que temos - são melhor do que nada, pois dão visibilidade à bicicleta em geral, dão um estímulo a quem tem receio do trânsito a experimentar e quiçá continuar e fornecem alternativas às voltas à praceta normalmente feitas por pais e filhos.

Como infelizmente não posso utilizar a bicicleta todos os dias, utilizo-a sempre que posso.
Alguns exemplos:

No outro dia fui num instante comprar farturas à feira da Luz em Carnide. Em 20 minutos, estava de volta em casa com um saquinho de farturas, sem se quer ter desmontado da bicicleta para as comprar! :) Usei a nova ciclovia Telheiras-Carnide (quando me servem utilizo-as, até porque é proibido ir pela estrada havendo ciclovias - lei bastante contestada pelos ciclistas, por sinal). O que de carro teria sido uma seca, de bicicleta foi um prazer!

Na semana passada, fui ao debate Que lugar para o peão em Lisboa, organizado pelo Passeio Livre, que aconteceu no Cinema S. Jorge em plena Av. da Liberdade. Chegado a casa de carro, vindo de fora de Lisboa, estacionei e peguei na bicicleta e 20 minutos depois - com circulação pela rotunda do Marquês e tudo! - estava a estacionar à porta do cinema (com cadeado). Depois disso ainda jantei por ali. Só regressei a casa pela meia-noite, regresso que fiz de metro e não era o único com a bicicleta.

Muitas pessoas podem encaixar estas pequenas deslocações no seu dia a dia. Aconselho que o façam, pois a sensação é óptima! Eu chamo-lhe a sensação "Verão Azul"! Até parece que ouço a música de vez em quando! :D

(O DEBATE foi um sucesso só pelo facto de ter existido e nem tanto pelo conteúdo onde os políticos são sempre políticos e acabaram por falar muito dos carros e de se acusarem uns aos outros do que fizeram mal ou deixaram de fazer bem, etc. Também se falou do peão, claro!
O movimento Passeio Livre foi quem organizou e apesar de o tema não ter sido sobre esse movimento, ficou claro que todos simpatizam com ele pelo que defende e pelo que representa - participação cívica na sociedade)

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