A ciclo revolução está a ganhar forma. Para além dos cada-vez-mais-frequentes avistamentos de ciclistas pelas ruas das cidades portuguesas, mais concretamente Lisboa, onde o fenómeno está a ganhar expressão, a Massa Crítica está cada vez maior.
Setembro foi o mês de aniversário da MC de Lisboa (já lá vão 8 anos!) e é sempre mês de record de participantes.
Na passada sexta-feira, fomos mais que 400 ciclistas (há contagens que apontam para 450), praticamente o dobro do record que foi estabelecido há um ano, no 7º aniversário.
Ter participado nesta Massa Crítica foi um privilégio por vários motivos, dos quais destaco (em jeito de resumo):
- Já não andava de bicicleta há 25 dias (devido à recuperação de um acidente de mota)
- Levei a Joana pela 1ª vez (à pendura na Xtracycle), que apesar da confusão, especialmente alguns corkings mais confusos, gostou.
- O percurso de Telheiras até ao Marquês. Saímos 17 de Telheiras e ao longo do trajecto, vários ciclistas se foram juntando. Indescrítivel!! Parecia uma cena combinada para um spot publicitário. Até banda sonora teve, pois o SOM da MC mora em Telheiras e era nesta caravana que ia.
Telheiras, mais uma vez, no topo da mudança, em transição!
Chegámos ao Marquês num grupo de cerca de 30 ciclistas. Muito bom!
[chegada do "gang" ao Marquês]
- A minha irmã também participou e veio de bicla do Montijo (acho que andou de barco pela 1ª vez e já lá está há uma porrada de anos) e acabou por fazer um fim de semana inteiro de bicicleta e transportes públicos E gostou! (óbvio, quem experimenta, normalmente gosta...).
- Foi engraçado ver ali quase uma dezena de ciclistas que directa ou indirectamente estão ali por causa da minha influência (tive que fazer um esforço para o reconhecer um ou outro), alguns dos quais já optaram por incluir a bicicleta nas suas opções de mobilidade. É uma grande satisfação.
- Numa reunião recente numa empresa (por causa desta lides) lançámos o convite para participarem na MC e disponibilizamo-nos a arranjar bicicletas para quem não tivesse.
Estavam lá cerca de 15 colaboradores, todos estreantes!!!
Fica aqui o agradecimento à Bike Ibéria e ao Didier que emprestou bicicletas muitos destes novos participantes. É assim que se luta pelas causas que acreditamos!
- A Massa atingiu um volume brutal (que já mostra um pouco do que vem aí) e eu estava lá! A sensação de participar numa onda positiva daquelas é algo que não se esquece. ;)
[Praça de Espanha]
E como foi o percurso de mais de 400 ciclistas por volta das 19h numa sexta-feira? Foi o de sempre mas em "mais bom" :)
- A rotunda do Marquês de Pombal, onde se dão várias voltas iniciais, ficou atestada, não dando sequer para perceber onde começava ou acabava a coisa.
- Todas as avenidas por onde passávamos ficavam repletas de ciclistas, escapando-se apenas a faixa BUS, como sempre.
- Para manter esta massa compacta, foram necessárias rolhas (corking) nas vias perpendiculares quando os semáforos estavam verdes para as mesmas. Tirando a rotunda de Entre-Campos, onde os ânimos tiveram ao rubro, correu tudo bem.
- Com estas rolhas, o trânsito nas zonas onde circulámos ficou caótico, em todos os sentidos. Em Entre-Campos o verdadeiro dead-lock foi feitos com bicicletas, o que não deixa de ser engraçado. We are traffic!
- A Praça de Espanha foi quase "tomada". Metade de toda a extensão circular da dita foi ocupada por bicicletas, até à compactação num semáforo onde se atingiu um êxtase geral, com salva de palmas e tudo. Muito bom.
- Mais uma passagem pela rotunda do Marquês e depois segui dali para casa, já que tinha penduras menores. Sei que continuou para a baixa e terminou com a "tomada" da Praça do Comércio para fotos finais.
Esta MC teve necessariamente muitos estreantes e de certo que esses não ficaram indiferentes ao fenómeno, quer da Massa propriamente dita, quer do movimento em geral, pois estiveram na "montra" e puderam observar N soluções cicláveis, com carga, crianças pequenas e grandes, etc, etc. Há muito que a bicicleta saiu da esfera do desporto/BTT e ali estão centenas de casos que provam isso.
Fotos de Alexandre Paris, aqui.


5 comentários:
O aumento de ciclistas no dia-a-dia e na sexta-feira crítica são realmente razões de sobra para um sorriso de contentamento em prol da causa.
Continuo no entanto sem perceber como é que a causa ganha indo a massa até ao Aeroporto de Lisboa, com a confusão que causa numa zona já de si complicada, ou andado às voltas na Rotunda do Marquês e dificultando ainda mais o já difícil fluir do trânsito.
A Massa Crítica é de origem um movimento de contestação mas que por acção não pode em momento algum provocar propositadamente desagrado na opinião pública.
Se há coisa de que nos devemos orgulhar enquanto utilizadores urbanos da bicicleta, é sermos parte da solução e nunca catalisadores de problemas.
Mesmos as chamadas rolhas não fazem muito sentido, porque se "we are trafic" então temos de respeitar as regras de tráfego. Por cada semáforo não respeitado não são apenas automobilistas que são afectados, mas também peões e demais utilizadores das vias. Até outros ciclistas que não estejam no mesmo trajecto que o desfile.
O desfile Massa Crítica não deve, porque legalmente não pode, comportar-se como se duma manifestação organizada se tratasse.
Espero que a Massa aceite a Crítica.
Humberto, as questões que colocas são pertinentes e já foram muitas vezes debatidas.
A questão é, como fazer diferente?
Não tenho especial gozo com isso, mas há um certo grau de contestação na Massa Crítica, sim.
As revoluções são difíceis fazendo tudo by-the-book.
Quanto aos peões, posso dizer-te que foram sempre respeitados, pelo menos nas situações com que me deparei.
Se os carros invadem e transtornam a vida de todos nós nos restantes 29,8 dia dos mês, porquê preocupar-me muito com o transtorno que lhes causamos neste pequeno período.
Nem estamos a falar de níves de transtorno comparáveis, sequer...
Por muito que me custe e por mais ainda que não goste do peso nem do comportamento que muito automobilistas têm, a verdade é que não vejo como pode ajudar à causa ser a bicicleta razão de transtorno, mesmo que seja apenas numa tarde de sexta-feira.
Eu vejo a promoção da bicicleta na cidade como algo que mostra, ainda que através dum desfile desproporcionado de ciclistas, que a bicicleta é compatível com a vida dos demais cidadãos e contribuí para fazer melhor cidade.
Repito: Não é criando engulhos no aeroporto ou nas rotundas por onde passa que a bicicleta fica na memória de quem a vê como uma coisa positiva. Duvido mesmo que fique sequer para as crianças que acompanham os pais na passeata.
Claro que uma horda de ciclistas será sempre mais ameaçadora para um qualquer motorista exaltado, mas num dos outros 29 dias do ano se calhar a coisa não é assim... e depois lá pagará o justo pelo pecador o preço da rolha!
A Mega-horta do Continente também causou imensos engulhos no trânsito da zona e não é por isso que os condutores afectados vão começar a odiar a agricultura e os agricultores.
Imensos condutores afectados mostraram simpatia com a causa e ficaram a saber que também se pode andar de bicicleta por onde andam de carro.
O que realmente é bom nestas MC's é que os (novos) participantes ficam com outra percepção da realidade, conhecem pessoas que o fazem, motivam-se para o fazerem. Já presenciei algumas mudanças e sei que a participação na MC foi o ponto de viragem.
A bicicleta tem um lugar nas nossas estradas e esse lugar vai ser tomado, mas a revolução será pacífica.
PS: Estive no aeroporto duas vezes com as MC's e não vi engulho nenhum!!
Não deixei de reparar em muitos automobilistas a colocarem o polegar para cima e a dizer adeus aos ciclistas, como que desejando fazer parte da massa!
As buzinadelas de pessoal chateado foram reduzidas e é interessante pensar no caos que seria o trânsito com mais 400 carros em vez de bicicletas. Sugiro até que um dia se faça uma massa de automóveis, à mesma hora, com um percurso idêntico... ah, e cumprindo todas as regras de trânsito!
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