23 julho 2013

Cicloturismo. Bruxelas > Charleroi > Bruxelas (parte II)

(Continuação da parte I)

Assim que cheguei a casa do anfitrião, fui recebido com um bela sangria, seguido de um belo jantar muito variado, com diferentes carnes grelhadas e uma salada mesmo apetitosa. Os membros Warmshowers não decepcionam pelos vistos. Pelo menos o Adrien foi incansável.

Depois de um banho (re)temperador fomos dar um volta a pé pela cidade que, ao contrário de todas as outras vilas e cidades que conheci, não apresenta um urbanismo e edificado muito bonito. Nota-se que decorrem grandes obras e que na próximas vez que lá voltar (se acontecer) que vai ter algumas zonas bem mais amigas dos peões e ciclistas.

Valeu a estação de comboios, muito bonita iluminada, de noite. Este tipo de edifícios destacam-se dos demais, fruto da construção ter ocorrido numa época onde o comboio era mesmo um meio de transporte importante. Na Bélgica ainda é, embora este país não tenha escapado à loucura dos automóveis.


(A diferença em relação a Portugal é que conseguiram manter/aumentar as condições para peões, transportes públicos e mais tarde, criar condições para ciclistas, ou seja - todos têm a sua atenção)

O dia já ia longo e depois de pagar um copo num belo café/bar no centro, cedo voltámos a casa. Antes da meia-noite estava a dormir.

No dia seguinte, o tempo Belga voltou e o céu encheu-se de nuvens.
O plano de regresso foi simples. Não repetir o caminho para conhecer outras vilas e paisagens. Subir pelo canal até Pont-à-Celles, percorrendo uma parte que tinha evitado por conveniência no dia anterior, e daí para cima, seguir pelas estradas secundárias até Bruxelas. O plano correu às mil maravilhas.


O casaco de malha polar manteve-me quente até o dia abrir. O fresco da manhã deu-me pica para pedalar e o ritmo começou saudavelmente intenso.


Uns kms mais à frente, a ponte com a estrada que apanhei para seguir viagem longe do tranquilo canal, mas por onde o belo campo Belga me esperava, verdejante, com vacas felizes (mas não riam), cheio de actividade agrícola, vilas bonitas, belas igrejas e lugarejos todos pimpões.
Ficam algumas fotos (de imensas que tirei... :):










E eis que chega a primeira vila, digna desse nome, Nivelles.
Assim que cheguei, parei o veículo e sentei-me num banco de jardim para comer e beber.


Uma chamada para casa, para dar notícias e decido seguir em direcção ao centro para conhecer melhor a zona.


Uma passagem por baixo de uma casa (?) e pouco depois chego a um largo onde decorria uma feira (da ladra, mas muito pouco chungosa) e onde está plantada a Igreja Colegiada de Santa Gertrudes, construída no ano 1046 e com uma nave com 102 metros de comprimento. À parte deste wikifactos, é uma igreja romântica (como há muitas por aqui) e muito, mas muito imponente.


Há muita coisa que as fotografias não captam, pelo menos a partir do chão, e a grandeza destes edifícios é uma delas. Nem me cabem no ecrã, tão pouco!


Com um série de outros edifícios também muito bonitos, um mercado cheio de vida (pessoas), sem carros à vista, o centro de Nivelles não me vai sair da memória tão cedo. Soube mesmo bem. Aproveitei para me apear e dar uma volta a mercado e procurar algo antigo e em conta pois não resisto a um bom bargain


Tentei livros do Tim Tim, mas estão sempre caros e acabei por comprar um livro do meu tempo de criança - Petzi, um urso marinheiro - mas em francês, para ajudar os meu filhos a praticarem a nova língua que terão que dominar antes de iniciarem as aulas, em Setembro (ok, se dominarem em Dezembro já é muito bom)

Mais umas fotos, umas voltinhas pelas ruas ali à volta, todas pedonais e segui em direcção à saída da cidade que me convinha. Toda a navegação foi feita com recurso aos mapas da App Google Maps, mas sem internet (apenas via o ponto azul no mapa, dado pelo GPS). Foi "interessante" (ainda bem que sei conduzir sem mãos! :)








A viagem lá continuou, bela e tranquila (sem carros, quase - a escolha das estradas foi boa).


Ficam mais algumas fotos, algumas de igrejas, belas casas. Antes de chegar a Braines-l'Alleud, outra bela localidade, ainda houve uma paragem técnica para comprar fruta e um gelado (que foi saboreado junto a uma igreja, lol). Olha se fosse católico....











Mais um vila, Braines-l'Alleud, também muito preservada e sem automóveis no centro (começa a ser repetitivo dizer isto, certo?).
Aqui, mais um vez fui até ao centro onde ainda apanhei o final de um mercado de rua - algo muito comum por aqui - onde comprei pizza e mais não-sei-o-quê, que guardei para comer mais à frente.




Mais estrada, desta vez até a Waterloo, sim, a famosa Waterloo onde se deu a batalha em que o Napoleão foi finalmente derrotado. O Duque de Wellington foi o herói e pôs novamente fim (e para sempre) ao reinado de Bonaparte, naquela que também ficou conhecida pela batalha dos Cem dias.
Passar por estes lugares aguça, naturalmente, a curiosidade (para quem gosta de História) e foi o que me aconteceu aqui e noutros locais por onde passei. Mais sobre esta interessante batalha no sítio do costume.


Muitas dos troços destas estradas regionais têm uma berma razoável e por vezes marcada como ciclo-faixa. Os automobilistas respeitam a distância ao ciclista na ultrapassagem, quase sempre.





Depois de Waterloo, já às portas da cidade de Bruxelas, foi altura de entrar no enorme bosque que a contorna, na parte da sueste.


 Esta passagem estava prevista e valeu todo o esforço e não só.
Já com cerca de 50km nas pernas, mais 70km do dia anterior, o piso trepidante e cheio de declives acentuados fizeram mossa.




Mais uma paragem para comer e descansar...




Há quem tenha veículos vivos... :)




Depois a bateria do telemóvel morreu.

Para juntar à festa, mais à frente, numa descida que começou acentuada e acabou vertical - tipo down-hill - um pedra ocultada pela imensa sombra que me envolvia (e pela velocidade louca a que seguia) furou-me o pneu da frente. Poim! e pfffffffff! Foi sacar das ferramentas e ali, no meio de um bosque lindo, remendei calmamente um furo. Serviu para comer e beber o resto do que ainda havia e descansar mais um pouco (sobretudo um dos joelhos que acusava cansaço).

Fin de l'histoire.

Foi um post longo mas é difícil comprimir tanto em tão pouco.

1 comentário:

Cátia Vanessa disse...

Olá César,
Ainda bem que não comprimiste mais. Deu gosto ler.
Já agora. E a cerveja? Não bebes?!
Apita quando estiveres por cá. Pode ser que dê tempo para bebermos uma juntos.
abraço
RF