20 janeiro 2011

Pequenas (grandes) mudanças

É com orgulho que escrevo este post.
Sempre gostei de partilhar e até influenciar, sobretudo quando tenho a certeza que essa partilha/influência é uma "coisa boa".

Há uns meses, em conversa com um colega durante o almoço, o tema era "filhos" e rotinas matinais, etc.
Este meu colega, com três filhos pequenos (dos 2 aos 6 anos, na altura, acho) não tinha a vida fácil e falava da rotina de distribuição como algo complicado.
De facto, despachar, meter no carro (casacos, malas, cintos de segurança, etc, quando são muito pequenos/não obedientes, etc, não é fácil, acreditem!), enfrentar o trânsito, arranjar lugar para estacionar minimamente bem, ir à escola, despedidas nem sempre rápidas (daí a importância de estacionar sem bloquear outros), etc, etc... Ufa, só de escrever isto cansa!
Bom, ouvindo isto e tendo eu já "visto a luz", fiz uma ou duas perguntas para perceber se havia possibilidade de mudar (haver há sempre!).

- A que distância moras da escola?
- É fácil estacionar em frente à escola?
- Costumas apanhar trânsito nesse trajecto?

Bingo!
Morava perto (dois quarteirões), estacionar era super complicado e stressante e o trânsito era também um factor muito importante já que estamos a falar de uma zona central e movimentada até com alguns dias de caos.

Meti o discurso "andar a pé", falei do meu caso e dos benefícios que senti com as mudanças, pois também tinha sido totó ao levar a Joana de carro "à passagem", o que era um absurdo completo.

A minha sugestão/desafio(!) foi logo aceite. As diferenças foram sentidas logo de início. Houve dias de resistência das miúdas, mas a mudança aconteceu.
Também a mulher do meu colega resistiu à mudanças, mas temporariamente (o testemunho é seu)

Entretanto pedi-lhes que dessem um pequeno testemunho na 1ª pessoa, que acederam logo, mas só agora me chegou às mãos. Tá tudo dito.


Andar a pé é divertido. [21.05.2010]

Todos os dias de manhã a rotina da distribuição era igual. Todos juntos num único carro e fazíamos a distribuição. Primeiro o mais pequeno, que fica com a avó e depois as meninas que andam na mesma escola, a seguir passávamos em casa e cada um seguia no seu carro para o trabalho.

No mês de Fevereiro (mais coisa menos coisa) o marido começou a ir levar as meninas a pé. Elas não gostavam nada. Faziam fita à saída, ou porque estavam cansadas, ou porque lhes doía as pernas ou porque tinham frio. Quando chovia iam contente com os chapéus-de-chuva. Eu não concordava (muito) com esta mudança, mas até me deu jeito. Pois assim perdia menos tempo de manhã e chegava muito mais cedo ao trabalho e assim também podia sair mais cedo.

Algum tempo depois, as queixas deixaram de se ouvir e começaram a perguntar-me quando é que eu ia também a pé e todos os dias respondia-lhes: qualquer dia.

Os dias ficaram melhores, o bebé começou a andar ainda melhor e experimentei. Demorei menos tempo e fiquei fã. E voltámos a sair todos juntos de manhã para a distribuição, a diferença é que não vamos de carro, mas sim a pé. Nos dias em que não há actividades extra-curriculares, também os vamos buscar a pé. Apesar da distância não ser grande, sinto que as crianças andam melhor, com o passo mais firme e mais direitas.

Desvantagens: Nenhuma.

Vantagens:

  • Não temos de nos preocupar com o estacionar na escola, que por vezes era uma confusão.
  • Poupança de combustível.
  • Despachamo-nos mais depressa (tem dias em que é muito complicado “prender” 3 crianças dentro de um carro).
  • Chegam à escola com o aquecimento feito e não há tantas birras na despedida.
  • Mais tempo com qualidade com as crianças.
  • E sem sombra de dúvida, é divertido!

Actualização [29.01.2011]

A partir do início do ano lectivo de 2010/2011 (Setembro), o mais novo foi para a escola – antes ficava na casa da Avó – e deixámos de sair todos juntos a pé, só as mais velhas é que iam a pé com o Pai. “Ele tem de ir de carro dado que a escola dele fica a cerca de 15 minutos a pé, enquanto as delas fica a cerca de 7 minutos, sem ronha”.

A partir de Outubro, com a mudança do clima ele ficou doente, até há 2 semanas, e por causa disso até as manas deixaram de ir a pé.

Desde a semana passada voltamos a fazer as caminhadas matinais, e a boa disposição voltou. Vamos no caminho a cantar, a falar sobre coisas que aconteceram na véspera e que no dia anterior não houve tempo para contar…etc, e num instante já está, chegamos à escola.

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