08 agosto 2013

Preparar a frota

Com a família prestes a chegar a Bruxelas, ter bicicletas para todos torna-se imperativo. Para nós, pelo menos.
Sendo uma cidade muito bike friendly, como já tentei descrever antes, estando o Verão a acabar não tarda (trata-se de uma estação diferente, por aqui), o melhor será aproveitar cada dia de bom tempo para pedalar, desde o 1º dia.

Ontem fui buscar a 3ª bicicleta, ficando a faltar apenas veiculo para a Joana – mas não por muito tempo, pois já a tenho em vista.

Depois de a ter encontrado no site de coisas em 2ª mão cá do sítio, ter combinado ver a bicicleta, não me apeteceu ir a pé, apesar de não ser longe (1,7km).
Meti uma bomba de ar e uns elásticos no alforge e lá fui eu, de bicicleta, claro.

Negócio feito e o vendedor perguntou "E agora, como vai levar as duas bicicletas?" a que respondi, com orgulhosa naturalidade, enquanto tirava os elásticos do alforge, "Atrelada a esta, tipo reboque".

Dito e feito. Em 2 minutos atei, sem grande técnica – basta enrolar os elásticos bem esticados e garantir que a bicicleta rebocada não mexe, muito menos descai – e larguei um "Au revoir", enquanto me afastava do local.


Curiosamente, já tinha feito este mesmo caminho enquanto puxava uma mala, ao lado da bicicleta. :)

A coisa ficou estável suficiente para fazer o caminho mais curto, que inclui 400mts de uma avenida principal… no problema.

  
As fotos da praxe ao chegar a casa…


E pronto!, foi para a cave. Está muitíssimo estimada, mas precisará de alguma atenção – pneu da frente furado e as mudanças praticamente não funcionam – e o valor ridiculamente baixo não me permitiram que não a trouxesse. Mesmo que a tenha que mandar reparar, compensará :)

Em breve haverá uma divisão na entrada do prédio onde poderão ficar todas as bicicletas cá de casa - só para bicicletas.

27 julho 2013

Bruxelas a pedal

A viver em Bruxelas há precisamente 3 meses, venho agora escrever sobre a minha experiência até agora.
Não tenho carro por cá e a bicicleta é utilizada em 95% das deslocações que faço. Ficam de fora apenas as deslocações de e para os aeroportos e uma outra viagem de metro (ainda nem gastei um bilhete de 10 viagens, que tenho).

Dito isto, acho que tenho a experiência necessária para poder partilhar e opinar sobre o que é utilizar a bicicleta em Bruxelas.

Antes, algumas considerações.

Bruxelas (e a Bélgica em geral) tem imensos carros, tirando a zona histórica da cidade, há carros por todo o lado, mas...

O centro da cidade é enorme e é onde ficam os vários Centros Comerciais, que são assim :)...



Nesse aspecto - na quantidade de carros - pode dizer-se que tem muitas semelhanças com Lisboa, embora em Lisboa, para além da Rua Augusta e metade da Duque d'Ávila, os automóveis cheguem a todo o lado. Mesmo a todo o lado.

Apesar de serem muitos carros, o seu estacionamento não invade os passeios, ou zonas interditas. Não tenho visto acções de fiscalização, portanto assumo que há oferta de lugares ajustada à procura e mais civismo por parte dos condutores.

A "fama"/ realidade(?) da cidade de ter muito trânsito passa despercebida a quem não anda de carro.
A forma com o trânsito é gerido "empurra-o" quase todo para as grandes avenidas principais e essas avenidas foram afundadas em túneis e mais túneis e vêm à superfície em cruzamentos para permitir a quem o deseje, sair delas.


A primeira vez que andei de carro cá foi no regresso de uma visita a Portugal em que tive que apanhar um táxi devido à hora tardia a que o voo chegou, hora a que já não haviam transportes públicos (por ser domingo). Em cerca de 10 minutos cheguei a casa (13km), sempre "a abrir" e por um trajecto até ali desconhecido (apesar dos 2 meses que já tinham passado) e grande parte dele em zonas que atravesso com regularidade - quase sempre por auto-estradas, avenidas e túneis.

Por outro lado, a rede de transportes públicos é bastante boa, totalmente integrada e com uma oferta bastante razoável (comboios, metro, tram e autocarros). Talvez fale disso num post próprio, um dia.

De bicicleta, como é?

Para quem vem de um país como Portugal, onde andava de bicicleta, pedalar em Bruxelas é super tranquilo. É 10x mais fácil.

Ao contrário do que este vídeo (versão completa aqui) dá a entender, pode pedalar-se em Bruxelas "quase" sem conviver com carros, sem ser "um de vez em quando", claro.

Como é possível, se há tanto carros?
Estas duas fotos, de duas vias paralelas, que distam entre si menos de 100 metros, explicam muita coisa.




Obviamente que os ciclistas usam as ruas secundárias e evitam estas grandes avenidas. Mesmo nestas avenidas, as laterais nem são muito congestionadas, uma vez que têm um perfil bastante lento.

Ao contrário de Lisboa, onde cada uma é igual à do lado, com a excepção da largura e número de faixas, em Bruxelas as vias em zonas residenciais são muito distintas das vias onde circula a grande parte do trânsito. A grande maravilha, é que elas se misturam e por isso é possível atravessar Bruxelas de uma ponta à outra (uns 20km) sempre por vias com perfil super tranquilo. Depois, lá está, quanto mais se conhecer, mais melhora a selecção dos trajectos.

Alguns exemplos do tipo de vias de que falo:

Para que, como eu, gosta de conduzir sem mãos, Bruxelas (e as ruas ruas "interiores" praticamente sem trânsito) é "perfeita".




Mesmo em zonas mais centrais, como a zona onde estão todas as instituições europeias, há várias vias que têm tão pouco trânsito que permitem que os ciclistas se desloquem nelas com toda a calma.

Na foto a seguir, tirada pelas 9h da manhã, todo o trânsito desenrola-se por baixo desta via, num mega túnel.


Eu diria que 80% das vias da cidade têm trânsito reduzido ou muito reduzido, o que permite que ciclistas se desloquem com grande relax por essas vias.

Um factor determinante para essa distribuição desequilibrada de trânsito pelas diferentes vias, tem a ver com quantidade de vias de sentido único que existem. Mesmo numa rua com sentido único, esse sentido não é o mesmo de início ao fim da rua, o que a torna impossível de ser percorrida na totalidade, muitas vezes servindo apenas aos que se destinam à própria rua (moradores, etc).
Ora, para os ciclistas isto acaba por ser uma grande vantagem graças à maravilhosa exclusão para os ciclistas em praticamente todos os sentidos proibidos.


Mesmo com pouco espaço para o contra-fluxo, os automobilistas e o ciclista acabam por negociar a passagem, na grande maioria das vezes o automobilista para ou abranda para facilitar o cruzamento.

Todos os restantes sinais estão sintonizados com essas excepções como se pode ver neste caso a seguir, onde é indicado que a rua que se cruza só tem um sentido, mas para bicicleta tem dois.


Como todas estas vias são bastante cicláveis, com medidas de acalmia de tráfego, como cruzamentos elevados, rampeados, etc, a segregação para ciclistas acabou por ser apenas implementada em vias onde a diferença de velocidades praticadas é maior e onde havia espaço para tal. De qualquer maneira, essa segregação é quase sempre bem conseguida, com bons nivelamentos nos cruzamentos e quase sempre unidireccional. 

Outra coisa que joga muito a favor dos ciclistas é a cordialidade dos automobilistas, não sendo raro o automobilista esperar pelo ciclista que ainda está a uns metros do cruzamento da sua via com a dos automóveis (no caso de segregação, por exemplo), ou olhar para a via segregada que segue ao seu lado quando quer virar à direita no cruzamento.



Um colega meu, que usa colete reflector (muito comum, por cá) disse-me que desde que passou a usá-lo que os automobilistas são ainda mais simpáticos, pois apercebem-se mais depressa da sua presença. No inverno, mais frio e mais escuro, vou experimentar.

 Depois, há toda um conjunto de condições, não menos importantes, que facilitam o uso da bicicleta. Em baixo, um conjunto de fotos e alguns comentários.


Estacionamentos para bicicletas, são bastante comuns e abundantes, e muitos são cobertos.



Avistar crianças a circular sozinhos pelos bairros, é um excelente indicador sobre o enraizamento da bicicleta e sua integração no trânsito (pelo menos para mim).


Apesar de ser mais comum a tradicional cadeirinha, também se vêem autocarros a pedais...



O uso das faixas para Bus e Taxis facilita imenso, até porque há muitas vias onde o espaço é maioritariamente para este tipo de veículos.



Ciclo-faixas com piso mais liso para facilitar a circulação dos ciclistas...


Ruas em zonas centrais onde, devido à tal confusão provocada por sentidos proibidos, passa a ser possível utilizar a rua para outros fins...


Em avenidas principais, é normal haver segregação.


Aqui, bidireccional, numa via principal na periferia da cidade.


Já praticamente fora da cidade, ao longo de uma via principal...


Outra medida presente é o uso de bike-boxes, que permitem que o ciclista fique sempre frente dos automóveis nos semáforos. Gosto sobretudo porque nunca fico atrás deles para respirar o seu escape e assim sempre parto com vantagem suficiente para embalar....


Aqui, numa zona bem central, este sentido é apenas permitido para ciclistas.



 Outro exemplo...


Infra-estruturas específicas para ciclistas e peões também abundam pela cidade, como estas pontes, uma sobre uma avenida principal e outra sobre uma simples rua desnivelada.




Também se vêem muitas medidas de acalmia de tráfego, daquelas que só tinha visto nas apresentações do Mário Alves... :)



Bruxelas é enorme e o que mais me espanta é que a impressão que toda a gente tem sobre a cidade, antes de a conhecer é que tem muito trânsito e praticamente se desconhece o nível de integração que a bicicleta tem na cidade. Andar de bicicleta aqui é encarado com a maior das normalidades, todo tipo de gente o faz, desde os teenagers, dos executivos, casais com filhos, senhoras de idade, pobres, ricos, tudo. É um meio de transporte como os outros e, ao contrário do que acontece nas cidades de Portugal, tem dois modos que são fortes concorrentes, o pedonal e os transportes públicos, já que para ambos há também excelentes infraestruturas. 

Por tudo isto, e muito mais que ficou por dizer ou mostrar, é possível tirar fotos destas no meu dia a dia. Ida para o trabalho (esta rua tem sentido único para carros, mas está sempre a mudar o sentido autorizado):



E o parque para bicicletas no meu local de trabalho (ainda há mais dois à entrada da garagem):


Será preciso dizer que ando feliz da vida, em termo de mobilidade?
Claro que a chuva será muito mais frequente, quando for altura dela, mas logo lidarei com isso na altura.

24 julho 2013

Uma história sobre transportes públicos portugueses

Nos últimos dois meses e meio tenho vivido sem carro. A viver sozinho e noutro país, a bicicleta e, como complemento, os transportes públicos (TP's) são mais do que suficientes para fazer uma vida normal.

São suficientes, mas onde a oferta for aceitável.
Em Portugal, tirando dentro de Lisboa, do Porto e poucos mais, a oferta de TP's é ridícula. É pior do que ridícula, é anedótica.


Escrevi este texto sentado num degrau, na rua, ao lado da estação de comboio de Tunes, no passado dia 13 de Julho.
Aterrei em Faro antes das 13h, para apanhar boleia da minha mulher e filhos que supostamente vinham de Lisboa a tempo de me levar para Portimão.
Como partiram depois das 14h, pensei, ingénuo - já devia calcular - que ia andando de TP's e que nos encontraríamos lá.

Para começar, o 1º autocarro do aeroporto para Faro só saía quase 1h depois de eu ter aterrado. Como sabia que só tinha autocarro em Faro (para Portimão) depois das 14h30, resolvi esperar por ele.

Ao chegar ao terminal dos autocarros em Faro, fiquei a saber que a viagem até Portimão ia demorar mais de 2h30! 
Decidi, tentari, mesmo ali só lado, a sorte nos comboios. Sem surpresa, fui informado que o 1º comboio com passagem em Portimão só passava às 16h e tal e ainda chegava mais tarde que o autocarro...

A melhor opção seria esperar que a minha mulher, que tinha acabado de sair de Lisboa, a 300km, me viesse buscar. Chegaria mais de 30' mais cedo ao destino. Estranho? Não em Portugal.

Depois de comer uma bucha e beber a bela bica (o café "lá fora" não é a mesma coisa!), decidi espreitar a ria de Faro, mesmo ali ao lado.
Durante uns 20 minutos entretive-me a apreciar a beleza da paisagem, mas também os sinais de abandono, que a zona apresenta.


Estava eu de regresso à estação e foi anunciada a passagem de um comboio, no sentido Este, oposto ao que eu procurava.
A raridade do momento é bem visível no ritual que provoca. De repente, dezenas de viajantes desesperados surgem no apeadeiro, que se enche num ápice. Horas de espera e de acumulação de almas pacientes provocaram a enchente.

O comboio, sujo e vandalizado, aproxima-se com a calma própria de quem tem toda uma linha só para si. Não virá ninguém atrás dele e quem espera horas espera mais uns minutos se for preciso.
Depois de imobilizado metade dos viajantes que estavam no apeadeiro aperceberam-se que as carruagens deles não vieram. O comboio é mínimo e tiveram que ir atrás dele mais uns metros.



Não houve problema, quem aguentou até ali, aguentaria tudo, até entravam em pino, se tal fosse necessário para deixar aquela experiência para trás.

Caricato foi ver o apeadeiro ser pequeno para toda aquela gente ao mesmo tempo, em que os passageiros que saíram do comboio tiveram que se equilibrar pela beira do mesmo para conseguirem sair dali.

Devem ter estado ali 20% dos passageiros daquele dia. Talvez justificasse haver mais comboios, digo eu. Pelo menos na época alta, vá....



Resignado, sem vontade de explorar mais a zona, fiquei dentro da estação, à espera.

Passado poucos minutos apercebi-me que estava para partir o Alfa-pendular para Lisboa. O supra-sumo da ferrovia portuguesa, o melhor de todos, ali, mesmo à mão de semear.
Perguntei onde parava no Algarve e comprei bilhete para Tunes, última estação algarvia antes de o comboio rumar a norte. 11€ e tal para quatro dezenas de kms, mas evitaria que a minha mulher e filhos se desviassem esses kms.

E foi assim que vim parar a Tunes, 3h depois de ter chegado a Faro (44km de distância).


Para temperar o episódio assisti ainda a uma cena nada estranha para mim, mas muito sintomática sobre o estado do sector dos transportes ferroviários portugueses.

Na saída do comboio onde vinha, o Alfa, dois jovens ciclo-turistas franceses viram o seu plano fracassado, quando o barrigudo revisor lhe disse com a maiores das calmas que não podiam entrar no comboio com as bicicletas, a não ser que as desmontassem e cobrissem.


Dali a 2h teriam outro. E o comboio partiu.

Abordei-os e expliquei-lhes que neste país andar de comboio com bicicletas não era como no mundo de onde eles vinham. Expliquei também que a alternativa eram os comboios regionais, mas que esses já não circulam entre o Sul e o centro do país. A boca deles ia abrindo cada vez mais... Por fim disse-lhe que este país deixou de investir na ferrovia há 50 anos. "Fifty?!" Perguntaram incrédulos. Sim, 50.

Disse-lhe ainda que apostámos tudo nas auto-estradas, mesmo sabendo que os portugueses não tinham propriamente perfil económico para essa solução.

Depois, um pouco cansado, sentei-me, no lado de fora das estação à espera da minha boleia salvadora, que saíu de Lisboa 1h30 depois de eu aterrar em Faro e já estava muito perto.

Conclusão:
Demorei cerca de 10h de porta a porta, repartidas da seguinte maneira (+/-): 
  1. Da minha casa em Bruxelas até à estação Midi, de metro/ a pé, 25 minutos.
  2. Da estação Midi até ao aeroporto de Charleroi, de autocarro, 1 hora.
  3. Espera no aeroporto até levantar voo, 1 hora.
  4. Voo entre Charleroi e Faro, 3h.
  5. No aeroporto de Faro, à espera por autocarro para ir para Faro, 1h.
  6. Do aeroporto de Faro até Faro, 20 minutos.
  7. À espera de apanhar qualquer coisinha que me tirasse dali para fora, em Faro, 1h 10 minutos.
  8. De comboio de Faro até Tunes, 20 minutos.
  9. Em Tunes à espera da boleia, 40 minutos.
  10. De Tunes até Portimão, 50 minutos.
Foi praticamente metade para fazer 2.500 km e outra metade para fazer 70 km.
Custa a crer.

23 julho 2013

Promenade Vert

... ou trilho verde, é um belo trilho com cerca de 65km que permite que ciclistas e peões possam passear à volta da região da cidade de Bruxelas, através dos seus inúmeros parques e paisagens protegidas.

Trata-se de um percurso maioritariamente verde, rico em diversidade de paisagens, em magníficas vistas de campo, bosques, lagos, pântanos, bairros variados e imensos, mesmo imensos parques.

Para quem, como eu gosta de desfrutar a natureza, Bruxelas não pára de surpreender. Já tinha ouvido falar da Promenade Vert e tal, que era muito gira e coiso, mas percorrê-la como fiz no passado domingo foi uma mui agradável surpresa.



Depois de um sábado passado em casa a tratar de assuntos administrativos, em que acordei tarde - depois de uma festa na noite anterior da quase-instituição de Bruxelas, Apéros Urbains, um conjunto de eventos no final de tarde, com música e em ambiente de parque, relva, mantas, amigos, colegas e bebidas - o domingo nasceu para mim como um dia que não podia desperdiçar.



Dia em que o Philippe ia ser corado Rei, dia da Bélgica, com festas de manhã à noite, decidi ir até ao centro dar um passou-bem ao novo Rei e depois logo via o que fazer. Como na tal festa de sexta um colega meu falou-me tão bem da Promenade Vert fiquei com a pulga atrás da orelha e saí de casa preparado para tudo, ou seja, com algum farnel e água no alforge.
Depois de sentir o clima e perceber que não ia ter pachorra para esperar para ver uma nesga de Rei e sem companhia ou motivo para festejar alguma coisa. Decidi ir para o plano Vert. Ficam algumas fotos da festa:

Parlamento, onde o novo Rei assinava/ formalizava o acto.

Parque de Bruxelas, em frente ao Palácio Real, ao rubro.

Havia muito monarca-aficionado!


Antes das 13h segui em direcção ao Parc de Woluwé, nada perto, mas era o único local onde eu sabia que passava a Promenade Vert. Pelo caminho...

Uma salva interminável de canhões.
Ainda bem que era de "pólvora seca" pois estavam mesmo a apontar para o edifício onde trabalho (que se vê no canto inferior esquerdo da foto)

Os arcos do Parc du Cinquantenaire, onde nunca me canso de passar (por baixo) e apreciar, tal a imponência do monumento.

E assim, cerca de 12km depois de ter saído de casa, cheguei ao ponto de partida para a etapa verde, os tais 65km.


Por acaso já tinha feito esta parte (e toda a zona seguinte, nem sempre pelo trilho oficial), poucos dias depois de ter chegado a Bruxelas, numa bicicleta emprestada. Nesse dia foram 42km, numa pasteleira com os pneus meios vazios....

Daqui para a frente foram cerca de 5h e tal de passeio, com muitas paragens para apreciar, comer, beber, tirar fotos. Deixo apenas as fotos (clicar para ampliar) e um ou outro comentário, pois se fosse contar tudo o que tinha para contar, tinha que fazer dez posts e não tenho assim tanto tempo. Enjoy!

Um moinho de água a funcionar.

Um caminho demasiado apertado (esta parte era apenas pedonal, mas decidi passar de bicla)

 Valeu a pena!



 Primeira paragem técnica.

 Sem o mapa no telefone, tive que seguir as marcações do trilho, o que foi um desafio giro.

Um simples túnel que permite que o peão e ciclista não tenha que dar "uma granda bolta". Aqui, somos gente!

Outro logo a seguir... 


Um mostrador que diz a velocidade a que seguem os veículos e o valor da multa, por baixo.
No meu caso, em vez do valor da multa, agradeceu.  

Uma bela estação de comboios.

 Mais um exemplo da sinalização do trilho. 


Aqui o trilho passa, literalmente, pelo meio de uma estação do Tram, a que se seguem uma data de túneis só para peões e ciclistas, que lhes permite atravessar uma zona densa de estradas (de que mal se apercebe)  

 O já conhecido Atomium, visto do Parc de Laeken.


Um pequeno parque onde entrei só para espreitar. Lindo e praticamente privado, tal o sossego. 




 Mais um belo parque, o Parc Roi Baudouin,  


 Quem não tem praia, caça com parque ;)
É comum verem-se pessoas em fato de banho por todos os parques da cidade, mesmo os mais urbanos. 










Por muito selvagem que seja o parque, há sempre sacos para os donos dos animais apanharem os seus cocós.
















Outra paragem para comer e apreciar o parque e o seu lago cheio de aves.



Aqui perdi o trilho (e já era pro a encontrá-lo). 











Hortas urbanas informais.
Aqui, já no trilho novamente, com uns 6 ou 7km fora dele, somando distância à já grande etapa... 


Outra surpresa, um parque cheio de comboios miniatura, com quilómetros de linhas, cruzamentos, estação, oficinas.
Lindo! Os meus filhos vão adorar.










Atravessamento de um bairro bem fino...





Chegada ao Bosque que já tinha conhecido no regresso de Charleroi.

Esticar as pernas... ;) 






Mais um parque quase privado, com relva/praia. 




A foto do dia. 



Mais um belo parque infantil. Passei por dezenas, cada um mais engraçado que o outro. 

Aqui, numa zona com uma densidade urbana muito grande, deu imenso gozo atravessá-la por estas veredas "escondidas", quase nem pisando nas estradas. 




 Volta feita!

Uma das minha zonas preferidas dos vários parques que já conheço.
Um vale perfeito e verde, sempre cheio de vida e, mesmo assim, tão calmo.
Parque Woluwé.



A 1 de Maio, três dias depois de chegar à cidade, enquanto dava uma volta de reconhecimento por parte da cidade, parei no banco que se vê do lado direito da foto para comer e lembro-me de estar a apreciar tudo isto. Hoje, passados quase três meses, ainda me surpreendo com tanta beleza natural que esta cidade tem para oferecer a quem cá vive.

FIM.