09 julho 2013

Cicloturismo. Bruxelas > Charleroi > Bruxelas (parte I)

Deslocado na  Bélgica, um país cerca de 30% da área de Portugal, ainda por cima com excelentes condições para andar de bicicleta, quer nas cidades, quer nas ligações entre cidades, nada melhor do que aproveitar conhecer o país de bicicleta e aos fins de semana.

Com Bruxelas no centro do país, quase todos os pontos de interesse ficam entre 40 a 120km de distância, distância perfeita para viajar de bicicleta em um ou dois dias.

Através da rede Warmshowers arranjei alojamento gratuito. Trata-se de uma espécie de Couchsurfing mas muito melhor já que é uma rede composta ciclistas, quase sempre cicloturistas que oferecem alojamento e não só a ciclistas como eles. Ou seja, tudo gente boa!

Escolher o 1º destino foi fácil, pois o critério foi ter o menos trabalho possível a escolher a rota. Como foi uma decisão meio em cima da hora e já tinha ouvido falar nos canais que ligavam as várias cidades, procurei no mapa um cana que saísse de Bruxelas e um destino a cerca de 60km, a distância que queria percorrer para 1ª experiência.
Assim cheguei à escolha de Charleroi, uma cidade a sul, já perto da fronteira com França, sem qualquer interesse turístico. Como o destino é um pormenor de uma viagem e consegui com relativa facilidade arranjar um ciclista para me albergar, não houve grande dúvida. Charleroi estava confirmada!

Escolhido o destino, foi só fazer a lista de coisas a levar, ferramentas, roupa, farnel e água, et voilá.


O colchão de espuma serviria para a viagem, para as pausas e para eventual percalço na casa onde ia ficar, já que não era certo se o colchão de ar estava ou não furado (estava e acordei no chão, ou seja no saco de cama em cima deste colchão - passou-se).

A viagem.
A primeira fase foi composta pelo atravessamento de uma grande parte de Bruxelas, já que o canal passa do lado oposto à minha zona.


Um autêntico dia de verão e cheio de pessoas na rua. Por outro lado, para aproveitar ao máximo, muitos dos habitantes de Bruxelas (os que podem) saem da cidade. Valeram-me as faixas para o Tram e foi sempre a andar (seria de qualquer maneira, de bicla...).


Passado 20 minutos estava no canal que me ia levar até ao meu destino.
Este canal faz parte de uma rede imensa de canais fluviais que a Bélgica tem, que serviram e servem com via de comunicação, sobretudo para transporte de grandes quantidades de materiais como areia, pedra, ferro velho, etc, etc. Além disso servem para barcos de recreio e as férias em família em embarcações são muito comuns por aqui.

No canal em questão, que liga Bruxelas-Charleroi, existem sempre duas boas ciclovias ao seu lado, por ser dos mais antigos, dado que antes eram os trilhos onde circulavam os cavalos que puxavam os barcos (antes de terem motores).


Daqui para a frente foi sempre a andar, sempre plano, com umas subidas de poucos metros sempre que uma ponte cruzava o canal (e não tinha espaço para o tal caminho por baixo). Apesar da viagem ser grande, acho que não parei de me maravilhar com a paisagem e com o conforto com que se circula de bicicleta ao lado deste canal.


A passagem de barcos é constante, apesar de ser fim de semana. Estes barcos são mesmo muito grandes e batem facilmente vários camiões TIR em termos de capacidade. Os comandantes deste tipo de barcos vivem a bordo com as suas famílias e há escolas internas especiais para os filhos destes profissionais.


Vista para uma eclusa, que são muito frequentes e são a única forma de "desnivelar" os canais ao longo do terreno de forma a serem totalmente navegáveis.


As paragens foram frequentes, quer para apreciar a paisagem, quer para tirar fotos e tentar captar (sem sucesso) a beleza de tudo aquilo, quer para beber água e comer uma bucha.


A quantidade e diversidade de aves aquáticas com que me cruzei foram outro ponto alto, já que sou um bird watcher em potência, sempre atento e sempre maravilhado.


Muitos pescadores aproveitam este cenário para passar o dia, sozinhos, com amigos ou com a família, e até pescar! Neste caso, um grupo de compinchas admitiram logo que queriam era beber à vontade, longe das mulheres. Assim que abrandei "meteram-me" um copo na mão e claro, fiquei por ali uns minutos na conversa e a arranhar o francês (e a ouvir maravilhas sobre o Medronho português que um deles tinha provado através de um colega tuga que trazia da terrinha).


Cerca de um terço da viagem estava feito, nessa altura. Mais ou menos a meio desta zona do mapa:




Mais uma bela eclusa...


E a mãe de todas a eclusas - Plano inclinado de Roquières - onde num desnível de 68 metros, um sistema de carruagens de quase noventa de comprimento, metros cheias de água, transportam os barcos entre os dois planos de água. São cerca de 5.000 toneladas (por carruagem) que são puxadas através de um sistema de cabos, contra-pesos e roletes. Impressionante. A torre é uma autêntico arranha céus.


Uns metros depois, um túnel por baixo do canal.


Quase a meio da viagem, foi altura para um paragem mais demorada, com colchão estendido e com direito a descalçar. Á sombra, pois o sol, mesmo belga estava a fazer mossa.


Uma ponte sobre um doss muitos canais que ligam com o canal principal.


Os últimos kms de canal, antes de desviar para as estradas normais, para evitar o menos directo percurso do canal. Mais à frente, iríamos-nos encontrar de novo.


Um olhar sobre a auto-estrada fluvial.


Em vez de seguir o canal até Pont-à-Celles, decidi cortar e poupar uns kms.


Aqui deu-se o primeiro contacto com as estradas belgas. O campo, verde num verde próprio de um país onde chove muito, passa a ser ainda mais dominante e as pequenas vilas com as suas casa de tijolo pequeno e maciço, ao natural, vão passando com a calma e silêncio que tornam toda a viagem ainda mais agradável.




Paragem para um gelado, que acabou por ser uma coca-cola gelada, e carregar o iphone para ter bateria suficiente para me orientar e ligar ao Adrien quando chegasse a Charleroi.


Uma, mais uma, igreja em Roux, mesmo antes de voltar a encontrar o canal novamente.


Mais uma passagem numa ponte, muito estética para tirar uma bela foto (digo eu).


Uma central eléctrica, mesmo à chegada ao destino.


Mais uma família a desfrutar das condições que este canal proporciona para quem quiser aproveitar (a água não é límpida, antes pelo contrário, mas dá para banhos de sol).


Uma vista de cima da eclusa, acabada de encher para este par de barcos conseguir "subir" o desnível.


Mesmo a chegar a Charleroi, uma cidade de origem industrial - uma das primeiras cidades industriais do mundo - agora em decadência, mas ainda com um tamanho considerável a nível nacional e com um aeroporto internacional.


O ponto de encontro.

Já seguindo o meu host, a caminho da sua casa que ficava do outro lado da cidade.


Mais uma ponte.


E finalmente em casa do Adrien.


Assim se conta uma história sobre uma viagem com cerca de 60 e poucos kms, que feita de bicicleta se transformou num dia espectacular, em que a solidão não teve oportunidade de aparecer, tal a riqueza da companhia da envolvente natural e não só. Cicloturismo no seu melhor.

Um dia deste vem a 2ª parte, a do regresso a casa. Foi feita maioritariamente por caminho diferentes, pois não fazia sentido repetir as vistas com tanta coisa por descobrir. Foi outro dia maravilhoso.

(Continuação na parte II)

18 junho 2013

Plano C, plano BB


Viva! Estou vivo.

Já há muito que não escrevo no blog e a razão é só uma, a mais comum - falta de tempo. "Falta de tempo" é uma razão parva, porque normalmente escolhe-se o que se quer fazer com o tempo. Falta de tempo significa falta de prioridade, ou desorganização, normalmente.

Aliás, até tenho escrito umas coisas, pois já me tinha comprometido com um projecto de uns amigos e actualmente tenho uma crónica num site sobre Telheiras. O "meu tema" é a bicicleta, como não podia deixar de ser, e tem como público alvo aqueles que desconhecem este mundo.

Voltando à "desculpa", no meu caso foi a 1ª razão. Como emigrei há um mês e pouco, tempo e prioridade para o blog não apareceu. A falta de internet em casa também não ajudou, claro.
Mas adiante. O meu Plano C, agora tem o B bem presente. Duas vezes. Bruxelas, Bélgica.
Não tendo sido um dos principais factores a considerar, o que é facto é que o meu Plano C encaixa-se muito bem na capital da Bélgica (há quem lhe chame a capital da Europa devido à centralidade e por ser sede da UE).

Trabalho numa zona central da cidade, vivo a menos de 2km do trabalho e desloco-me 90% das vezes de bicicleta. Os restantes 10% dividem-se entre o modo pedonal e Transportes Públicos com clara vantagem para o pedonal.

Agora tenho duas bicicletas, uma de senhora e uma estradeira, ambas muito antigas, mas antes de ter bicicleta andava a pé, mas andava a sério. Nas primeiras semanas terei feito uma média diária de 10km/dia. Bati uma série de bairros para escolher onde ia morar, ia e voltava para o trabalho a pé, fazia turismo a pé. Só me meti no metro passado 3 semanas e foi para ir aos arredores. Distâncias até 3km eram encaradas com uma naturalidade fora do normal.
A qualidade de vida nesta cidade é muito boa. Há um equilíbrio bastante bom entre a vida profissional e privada. Entra-se e sai-se do trabalho cedo. As lojas abrem tarde e fecham cedo. Aos fins de semana há coisas que não funcionam. Tirando as lojas para turistas, nas zonas turísticas (lojas de chocolates, aos montes!) e o sector das restauração, não há nada aberto para consumo de horário alargado. Depois das 18h é horário de lazer.

Parques grandes enchem-se de atletas amadores, todo e qualquer espaço de relva torna-se uma zona de piquenique ou de praia sem água. Esplanadas - que são aos montes - enchem-se de esplanadores profissionais, vindos de toda a parte do mundo.

Bruxelas é internacional. Em pouco tempo ouvem-se 5 ou 6 línguas diferentes. Conversas em várias línguas ao mesmo tempo é estranhamente natural. Todos os dias se aprendem expressões novas doutra língua. "Bom-dia" em romeno, "excepto" em holandês, etc, etc.
Este ambiente faz qualquer estrangeiro sentir-se em casa rapidamente. Aliás, os belgas estão claramente em minoria, nesta cidade.

Bicicletas

Bruxelas tem muita gente a andar de bicicleta. Que não haja dúvidas disso.
Bruxelas está muito preparada para os ciclistas. Que não haja duvidas disso. Pode não estar no ranking do senhor do cycle chic, mas deve meter a um canto algumas cidades que lá figuram à sua frente.

Zonas 30 por tudo o que é bairro, contra-sentidos autorizados para bicicletas em praticamente todas as ruas de sentido único - e são mesmo muitas - ciclo-faixas, sharrows, ciclovias em algumas zonas mais pressionadas pelos automóveis, andar de bicicleta nesta cidade é muito, mas mesmo muito fácil.

Criei um álbum público no Facebook, onde se podem ver muitas destas "maravilhas".
Eu sei que eu sou experiente e que posso ter uma visão enviesada, mas tenho uma evidência que dá garantias. Iniciei um amigo, também novo em Bruxelas, que não andava de bicicleta desde os 15 anos. 

Arranjei-lhe uma bicicleta tipo holandesa de 3v, dei umas voltas com ele, tipo bike-buddy e a partir do 1º dia passou a fazer toda a sua vida de bicicleta.

Ah, Bruxelas também não é plana. Tem, tal como Lisboa, um planalto central, mas à sua volta há muitas subidas e descidas. É um país baixo, mas isso não pode ser levado à letra.
Acho piada à quantidade de pessoas que rapidamente cospe o nome de uma cidade estrangeira, quando pretende justificar que em Lisboa não dá, mesmo não sabendo bem como é a orografia dessa cidade. "Ah, mas em dá, pois é tudo plano." Bruxelas também já foi metida neste saco. Normal.

Este tema é imenso e não consigo esgotá-lo aqui. E o meu embarque para o avião está quase a ser feito. :) Sim, aproveitei para escrever um post enquanto esperava pelo embarque.

Ficam algumas imagens para satisfazer alguma curiosidade.

(Uma voltinha pela cidade - Parlamento Europeu)

 (Uma voltinha por um dos vários parques - com goffre belga)

 (O topo do Parc du Cinquantenaire, onde passo todos os dias)

  (O canal Bruxelles-Charleroi, que acompanhei dezenas de kms, a caminho de Charleroi)

  (Nivelles, uma bela vila onde passei, no regresso de Charleroi)

  (Uma passagem pelo magnífico e enorme bosque que ocupa o sudeste dos dos limites da cidade de Bruxelas)

Quando tiver tempo/ ..., voltarei a escrever. Tenho imensa coisa para partilhar. Até um fim de semana de cicloturismo, com cerca de 140km percorridos, mais de metade longe dos carros e confusão.


Eu volto. :)

24 abril 2013

Velo Culture e os benefícios para a saúde


O Bernardo, brevemente Dr. Bernardo, se faz favor, ficou rendido com a Daytripper.
Depois de a testar bem testadinha, sobretudo a capacidade das três mudanças no cubo da Sturmey Archer para lidarem com as subidas, lá se convenceu que esta menina é a companheira ideal para o seu trajecto para o Hospital Amadora-Sintra, onde está a fazer o seu internato-geral.
Além de todos os benefícios do uso da bicicleta, que aqui os duendes promovem, esta Bobbin vai ainda servir para complementar um plano de fisioterapia, um toque pessoal do Dr. Bernardo, para recuperação de um joelho recentemente operado.
Depois do teste real ao percurso, o Bernardo escreveu-nos a dizer que o transporte cumpriu todas as expectativas e que até deu um cheirinho na afinação do cubo de mudanças, coisa simples depois de se passar os olhos pelo manual.

Post cópia daqui.

15 janeiro 2013

Ir para o trabalho de bicicleta - Medida 14

No meio de um artigo com 60 medidas para poupar em 2013, apareceu isto:

in Jornal Expresso, edição de 29 de Dezembro de 2012.

08 janeiro 2013

BASTA de atropelamentos! Manifestação Nacional

A falta de respeito pelos ciclistas, que se traduz em velocidade excessiva, ultrapassagens feitas sem deixar uma distância de segurança, não respeito da pouca prioridade que as bicicletas têm, etc, etc, tem gerado cada vez mais acidentes, alguns com fins trágicos.

Com o aumento do ciclistas, sobretudo nas cidades, era esperado um aumento de acidentes com ciclistas.
A segurança nos números existe, ou seja, quanto mais ciclistas formos, mais visibilidade temos e mais respeitados somos. A segurança "estatística" melhora, por Km percorrido, mas o número de acidentes em números absolutos aumenta.

Para o condutor do automóvel é mais uma amolgadela na chapa, mas para os ciclistas é muito mais do que isso.
Os ciclistas têm voz e não querem juntar-se ao peões, que "morrem que nem tordos", passo a expressão, e continuam a aturar todo o tipo de falta de respeito como carros estacionados nos passeios, falta de respeito pelas passadeiras, velocidade excessiva, etc, etc.

Porque os ciclistas são muitos e querem usar as vias onde - mesmo com este código da estrada do 3º mundo - têm direito a estar e circular, no próximo dia 19 de Janeiro terá lugar uma manifestação nacional para alertar para este assunto.



20 dezembro 2012

A palavra passa

Não ando de bicicleta todos os dias, infelizmente não.
Ando sempre que posso, ou seja, sempre que a bicicleta serve para a deslocação que pretendo.

Promovo a bicicleta todos os dias, isso sim.

No que diz respeito ao meu local de trabalho, aos poucos fiquei conhecido como o ciclista do dia a dia. Acho que há quem pense que venho sempre de bicicleta, coisa que faço questão de esclarecer que não faço.
Não o faço sobretudo por não ter disponibilidade para encaixar os 50+50 minutos que precisaria - não que não valham cada minuto, mas porque os meus dias são muito pequenos para tudo o que ando a encaixar nas 24h que ele tem. É uma desculpa das típicas - "ah e tal, não tenho tempo", mas o meu caso/trajecto está fora do trajecto típico/ideal para utilização de bicicleta, ou seja < 10 km. O meu é de 16km.
Inicialmente fazia o trajecto com recurso ao comboio, mas depois deixei o comboio pois, além de caro, não poupava muito tempo (acessos aos apeadeiros, esperas, etc).

Recentemente defini um objectivo de usar a bicicleta para ir trabalhar uma vez por semana, mas até esse "pequeno" objectivo tem falhado. Falhei as duas últimas semanas, mas nesta ainda vou a tempo - amanhã é o dia!

Regressando ao tema do post, esta promoção tem dado os seus frutos, por vezes directamente, outras indirectamente, mas alguma coisa vai ficando.

No meu local de trabalho, em termos de instalações, fiz pressão para que houvesse um lugar apropriado ao estacionamento de bicicletas na garagem do edifício. Quando comecei a usar a bicicleta os seguranças da garagem diziam que não se responsabilizavam pela bicicleta (dah!) e costumava prendê-la a secretárias de metal desmanteladas. No meio da pressão cheguei a enviar fotos da bicicleta presa a um monte de sucata para o responsável pelo estacionamento, perguntando se era assim que tinha que ser.

O assunto resolveu-se e instalaram-se suportes (manhosos) para prender 10(!) bicicletas num lugar de estacionamento de um carro. Foi uma pequena vitória.

Hoje, tenho dois colegas que usam regularmente a bicicleta para irem trabalhar. Um deles, por acção/melganço meu :), outro, com milhares de km's nas pernas, começou a vir e surpreendeu-me, tendo em conta o discurso dele face à mobilidade de bicicleta em Portugal, quando falávamos no assunto. Talvez fosse ficando qualquer coisa! :) Este último usa o ginásio, que está mesmo ao lado, para tomar banho, antes de ir trabalhar.

Curiosamente, no meu trajecto para o trabalho, passo à porta de casa dos dois. Usamos a mesma rota, o que tem contribuído para que a mesma tenha sido optimizada, com a partilha de experiências e "atalhos". Um faz 10 e o outro faz cerca de 14 km, para cada lado.


[Lugar de estacionamento com "as outras duas" bicicletas]

Assim, no meio de cerca de 300 carros (a média deve ser 1,05 pessoas por carro), há duas ou três bicicletas, 1%. É pouco, mas é uma vitória!

A palavra passa e quem experimenta, fica convencido.

18 dezembro 2012

Be the change...

Várias razões me levaram a abrir uma loja de bicicletas.

Por um lado acho que é um mercado promissor, pois acredito no potencial da bicicleta e no crescimento que vai ter em Lisboa em particular e em Portugal em geral, mas por outro quis participar e provocar também essa mudança.

As lojas induzem consumo, ninguém duvide disso. No caso da Velo Culture, induzimos consumo de "Bicicletas e estilo de vida", que é o nosso lema.

Ora, este lema não é só conversa e a prova é que grande, mas mesmo grande parte dos nosso clientes mudam efectivamente de vida.

Recentemente passou-me mais um caso pela mãos, que não queria deixar de referir, quão sintomático é o caso.

O Tiago decidiu presentear a namorada, a Sara, com uma lindíssima Bobbin Birdie amarela. Se foi surpresa total ou não, não sabemos, mas o que é certo é que se destinava a uso utilitário, ou seja, para usar como meio de transporte no dia a dia.

Há uns sábados, o Tiago e a Sara aparecerem na loja, desta vez para o Tiago espreitar as bicicletas para homem. Entre a Bobbin Daytripper, Dutchie Dapper e a Olov Amsterdam, depois de alguma conversa, chegou à conclusão que a Olov de 7 velocidades era a que melhor se adequava à utilização que lhe pretendia dar.
Ainda insisti para que ele experimentasse os vários modelos, mas não quis.

Escolha feita, encomendou-se a dita (só havia o modelo de senhora de 3 velocidades na loja) e combinou-se a entrega, para dali a uma semana, outro sábado. Depois ainda houve tempo para dar umas dicas à Sara, que ia começar nessa semana a pedalar para o trabalho.

No sábado da entrega, a cheguei à loja e já o Tiago e a Sara haviam chegado, estando o Tiago pronto para montar a Olov e o António, meu sócio, montado na sua Foffa, ali ao lado. Estranhei tal cenário e aproximei-me.


Logo percebi o que se passava. O Tiago só tinha aprendido a andar de bicicleta recentemente, num curso ministrado pela Federação de Cicloturismo.
Ajudei-o a arrancar duas ou três vezes, e rapidamente ultrapassou os nervos que eram a única coisa que o impedia de pedalar calmamente.

Como não tinha ainda à vontade suficiente para pedalar até casa e a bicicleta não cabia no seu carro, o António ofereceu-se para a levar até casa, enquanto a Sara se equipava a rigor na loja, depois de uns dias de experiência, nessa semana, lhe terem dado uma melhor percepção do que precisava. Quando questionada sobre como tinha corrido a semana a pedal, respondeu prontamente que tinha corrido bem, mais fácil até, do que aquilo que tinha previsto.

E assim se conta a história de como um jovem casal decidiu mudar de vida e neste momento pedala diariamente por Lisboa, encostando os seus carros, usando-os quando são mesmo necessários - que é bem menos do que se pensa.

Ser a mudança que queremos ver no mundo é isto, também.
Boa sorte aos dois!


31 outubro 2012

Amplifica a tua vida

São tempos complicados, os que vivemos hoje. A recessão, e as transformações que provoca, afectam cada vez mais pessoas, mesmo aquelas que há bem pouco tempo achavam que tinham uma vida estável e não lhes chegaria a si.

A resiliência, capacidade de resistir a um choque externo, é a palavra de ordem.

Há um factor muito importante para aumentar a nossa resiliência, o factor "comunidade". Todos sabemos isso, pois a família e os amigos são aqueles a quem recorremos quando precisamos de apoio.

Acontece que a comunidade é bem mais do que os familiares e amigos, embora na sociedade actual, se resuma quase a isso, algo que acontece devido aos altos ritmos de vida que se vivem hoje.
Até este círculo, de amigos e familiares, é cada vez mais pequeno, pois tirando o contacto virtual, pouco se convive com intimidade suficiente para cultivar minimamente essas relações.

Hoje venho falar sobre o alargamento, a amplificação desta comunidade. Ter familiares e amigos é excelente, mas a comunidade de que falo é bem mais do que isso.

No mundo global em que vivemos hoje, é muito fácil descobrir grupos, associações, movimentos com os quais nos identificamos. Desde a associação de moradores, o clube de Xadrez, passando pelo grupo desportivo, de apoio aos necessitados, de apoio a animais abandonados, etc, até aos movimentos sociais, todos estão aí, abertos para novos participantes, sem custos associados e se pode ajudar imenso, por vezes com apenas um par de horas semanais.

Além deste lado voluntarioso, que por si só, dá imenso de volta, há também imensos ganhos pessoais, em temos sociais.

Participar em causas em que se acredita, partilham-se valores com novas pessoas, conhecendo-as, desenvolvendo novas amizades, por vezes bem mais sólidas do que amizades antigas mantidas à custa de partes do nosso passado. Fazem-se amigos!

Outro lado, não menos importante, é o desenvolvimento pessoal. Por muito que achemos que somos desenvolvidos, em geral, ou em determinado tema, ao conviver com outras pessoas, com muitas pessoas, somos sempre confrontados com outras ideias, perspectivas, que nos fazem pensar e por vezes reposicionar sobre assuntos sobre os quais tínhamos ideias sólidas, mas cristalizadas. Cresce-se como pessoa!

Uma vantagem óbvia é o desenvolvimento inter-pessoal. Ao se conviver com "estranhos" (pelo menos, inicialmente), em organizações pouco ou nada estruturadas, é-se confrontado constantemente com novas situações de relacionamento inter-pessoal e o desenvolvimento neste campo é notório. Fica-se mais social!

Dependendo dos projectos e do envolvimento, também há um desenvolvimento de capacidades, pois ao praticar o bem (assumindo que não estamos a falar de um grupo maléfico) e o que e gosta, estamos a trabalhar e normalmente com menos recursos do o habitual, algo que obriga a desenvolver capacidades que nem se conheciam até então. Desenvolvem-se capacidades, fica-se mais habilitado.

Há imensas mais vantagens, inerentes ao lado voluntário, de ajudar o próximo, de desenvolvimento da sociedade - a sociedade civil é quem mais pode contribuir para o desenvolvimento -, de ocupação de tempos livres (para quem tem tempo livro, claro), de ter novos tempos de lazer - lado muito importante!, de desenvolvimento local, seja na escola, no bairro, naquele descampado que se quer transformar em horta ou jardim, etc, etc.

Deixo para o fim a vantagem referente ao tema, amplificação. Nestes envolvimentos, uma das coisas mais importantes é o alargamento da comunidade em que nos inserimos. Participar é alargar, criar comunidade. Fazer parte de uma comunidade maior é aumentar a capacidade de resiliência pessoal e dessa comunidade. Nos dias que correm, o networking é muito importante. Deste networking saem novas ideias, projectos, parcerias, oportunidades de emprego, de novas relações, de novos grupos de novos interesses, novos networkings. Estas redes que se criam são altamente dinâmicas e orgânicas, verdadeiros ecossistemas aos quais se passa a pertencer, com muita vantagens para todos os que participam e muitas mais para a sociedade em que se inserem. Amplifica-se a vida!

Nota-se, claro, que estou a partilhar experiências pessoais. Este blog é um pouco para isso. Partilhar o que acho que deve ser partilhado, tentando afectar positivamente quem o lê.
Participo hoje em variados grupos, associações, movimentos e causas. Neles tenho conhecido imensas pessoas, com as quais tenho desenvolvido relações bastante saudáveis. Tenho mais vizinhos com quem posso contar, mais amigos, mais conhecidos, etc. Até já tenho sócios de uma empresa que, posso dizer, são frutos destes envolvimentos. Já assisti a spin-off's de ideias que surgem de um grupo e acabam por criar outro. Não há limites e é brutal assistir ao fervilhar de ideias!

Não entrei nisto para sacar vantagens, mas sim para dar algo de mim. O que posso dizer hoje é recebo bem mais do que aquilo que dou.

Quando foi a última vez que fizeste algo de novo?
Amplifica a tua vida!


25 outubro 2012

Ciclistas, de bestas a bestiais

Não sei se é por moda, se é pela crise, se é mesmo pela verdadeira importância do fenómeno, mas o que é certo é que a presença do tema "Bicicleta como meio de transporte" é cada vez mais recorrente na imprensa.

Desta vez foram a TimeOut e a Visão que, na mesma semana, dedicaram muitas páginas aos ciclistas, às lojas de bicicletas, aos blogs, às associações e iniciativas, etc, etc.

No que me toca, dois projectos em que estou envolvido foram referidos e deixo aqui o clipping para memória futura :p.

Velo Culture "Lisboa" (apaguei a parte da concorrência, ehehe :)




Nesta página estão também o excelente projecto BikeBuddy, que permite que qualquer um comece a andar de bicicleta pela cidade disponibilizando todo o apoio necessário por parte de voluntários - basta entrar em contacto, e os blogs dos meus sócios do Porto, Um Pé no Porto e outro no Pedal do Miguel Barbot e o de bicicleta no porto do Sérgio Moura.
Para completar, o Lisbon Cycle Chic do Miguel Barroso e o nabicicleta do Paulo Almeida (de onde gamei este scan!).
Excelente página! :)