19 julho 2012

Mini cicloturismo - Tróia

Viajar em jeito de aventura sempre me seduziu. Viajar de bicicleta sabe sempre a aventura, independentemente do tamanho da viagem, mas aumentando a intensidade [da aventura] com a duração e distância, naturalmente.

Há uns tempos uns amigos levaram com os pedais (não com os patins) e fomos todos almoçar de bicla e com um ciclo-passeio de sobremesa. Gostaram muito e tal, mas o que foi giro foi a Marisa ter dito no final "Temos que repetir mas fazer uma passeio maior... assim... 2 dias!". O que ela foi dizer! :D

Como já tinha um pacote desenhado para Tróia/Setúbal que ficou por realizar no ano passado (por uma questão de saúde), foi a oportunidade de o reactivar.

Combinou-se a data, detalhou-se o plano e... fez-se!

2 famíias. 4 adultos e 4 crianças (dos 5 aos 9 anos). 7 bicicletas (o Afonso foi à pendura - mas chegou a chorar de contrariado - quer pedalar)

O plano foi simples e está ao alcance de qualquer família. É um excelente pacote para iniciantes nesta cena do cicloturismo.
Partimos sábado de manhã, de Telheiras para a estação de comboios de Entre-campos. Aí, comboio Fertagus até Setúbal, coisa para uma hora de viagem.
Chegados a Setúbal, fizemos em Massa Crítica uma ou duas ruas principais e entrámos numa zona quase pedonal, depois Luísa Todi, frente ribeirinha e chega-se aos ferry's.
20/25 minutos até Tróia, mas mais a sul, que os ferry's já não vão para o mesmo local dos barcos de passageiros.
Em Tróia há uma excelente ciclovia, ao longo da estrada principal, bem separada da mesma, que usámos em parte para chegar à praia.
Em cerca de 2h, chega-se de Lisboa á praia de Tróia. Uma família de 4 gasta 23€ para cada lado (comboio e ferry). Não é barato mas, lá está, não é a mesma coisa que ir de carro. Há aventura e começa logo à saída de casa, sobretudo para o miúdos.

Como Tróia anda com preços de luxo, optámos por ficar num hotel no centro de Setúbal, mesmo perto dos barcos. No dia seguinte voltámos a Tróia, para mais um dia espectacular de praia.
O regresso, foi precisamente o inverso da ida, directamente da praia para casa.

Ficam as fotografias de alguns momentos...

As viagens de comboio foram uma festa permanente para os mais pequenos. Como estavamos separados em dois grupos, por causa dos locais onde levar as bicicletas como deve de ser, os miúdos passaram o tempo todo a percorrer o comboio, sozinhos.
Aqui foi o 1º snack da viagem.
  
Entrada no ferry. Apesar das filas, de bicicleta somos sempre os primeiros a entrar no barco. O nome deste é "abre a felicidade". E não é que abre mesmo!

Primeiros kms em Tróia, na tal ciclovia. 5 estrelas! 


Saída da praia no 1º dia. As bagagens andaram sempre connosco.

Lobby do Hotel, manhã do 2º dia. 

 Regresso a casa, ainda em Tróia. Aqui a ciclovia é elevada e em madeira

A ciclista mais pequena. Começou a viagem a zizezaguear e quase a comprometer a chegada a tempo ao comboio.
No final, pedalava como gente grande (ah, a bicicleta tem travão contra-pedal)
Aqui, pedalando e sorrindo, numa rua de Setúbal. 

As restantes ciclistas pequenas, aqui na chegada à estação de comboios de Setúbal.

Mais 1h de bricadeira...

Campo Grande, já perto de casa.


E pronto, fica o testemunho de um passeio que está ao alcance de muitos. Os meus amigos nem bicicletas de cidade/viagem tinham e levaram a carga às costas (cada um com a sua mochila). Não é o ideal, mas prova que o que é preciso é vontade (de aventura)!

PS: Nesta altura está já a ser planeado um pacote mais ambicioso (4 dias, 90-100km, todos a pedalar, com campismo).

16 julho 2012

Um grande pequeno passo

Parece incrível que todas as cidades à beira mar plantadas, algarvias e não só, ainda não se tenham apercebido que as bicicletas encaixavam perfeitamente no estilo de vida dos turistas, no verão ou fora dele e dos próprios habitantes, com hábitos diferentes dos das grandes metrópoles de interior.


Vilamoura, cidade sempre alguns furos acima em relação ao cuidado que tem com o acabamento urbanístico, tem investido na bicicleta como meio de transporte.
A confirmar esse investimento, surge agora um dos primeiros sistemas de 3ª geração de bicicletas públicas partilhadas em Portugal. Sei que há outros, mas até agora com pouca visibilidade.


Espero que este, por ser em Vilamoura, onde muitos portugueses passam alguns dias, ou até horas, lhes demonstre que é um sistema altamente viável e com muitos benefícios para todos, utilizadores e não utilizadores e indutor de comportamentos mais saudáveis e sustentáveis no que diz respeito à mobilidade.

As bicicletas são completamente diferentes e não passarão despercebidas. Só tenho pena que tenham optado pela cor (totalmente) branca, tornando-as ghost bikes (bicicletas que servem para homenagear os ciclistas vítimas mortais de acidente, colocadas nos locais onde a fatalidade ocorre).

Fica uma foto das bicicletas/estação e o filme de promoção.

[foto "roubada" da lista bicicletada_pt@lists.riseup.net]



Mais informações aqui.

08 junho 2012

Novo projecto


Como os mais atentos já devem ter reparado, tenho escrito pouco.
A razão é boa. Tenho andado muito ocupado com O projecto Velo Culture (em Lisboa). Mete bicicletas e estilo de vida, tudo o que me move, como já repararam.
A bicicleta e o(s) estilo(s) de vida que induz são os principais temas deste blog, da minha vida, no fundo.

Não vou mudar de vida, vou estar nos bastidores da coisa, excepto nos meus tempos livres.
O António Cruz, amigo e vizinho, será o rosto da Velo Culture em Lisboa e se há alguém que sabe sobre a utilização da bicicleta em Lisboa (e não só) é ele. A loja está bem entregue!

Ontem foi um dia livre e por isso passei-o na loja e em família. Foi feriado mas como ainda há muita gente que quer conhecer a loja, desde amigos que não puderam estar na inauguração, desde clientes loucos para consumir dos nossos belos produtos :), decidimos abrir.
Não é vidinha má, passar um dia a falar com amigos e clientes sobre bicicletas e estilo de vida em conformidade. Aproveitei para conhecer um restaurante étnico na zona (há muitos!), beber umas cervejas com amigos e até, reencontrar um professor da faculdade que está interessado em mudar de vida.

Mudar de (estilo de) vida, é o que os nosso clientes querem e dizem-no até. Há coisa melhor do que presenciar isso e ajudar a materializar? :)

Fica a foto do dia!


Todas as deslocações foram feitas de bicicleta, claro. Fizemos Telheiras > Anjos em três bicicletas, com o Afonso à pendura na long-tail. A Joana cada vez mais domina a cidade (sob a nossa vigilância atenta, claro). O Afonso fica muito irritado por não ir a pedalar! Provavelmente já tem pedalada para este tipo de distâncias (8+8km) mas não tem maturidade suficiente para partilhar a estrada com automóveis. Não tem não! Gosta de velocidade e de arriscar - It's a (crazy) boy! :)

PS: Amanhã de manhã estarei novamente na loja. Apareçam!

Esta semana saiu notícia com o título "A bicicleta como meio de transporte e de fazer amigos". Guess who is :D


25 maio 2012

02 maio 2012

Vamos almoçar fora?

Quando combinamos o ponto de encontro em nossa casa para, de seguida, ir a qualquer lado, o resultado é este:



[estacionamento à porta do restaurante]

Quatro adultos e quatro crianças (dos 5 aos 9 anos).
Almoço a 1km de casa e, para fazer a digestão, passeio de cerca de 6km . Tempo "chuvoso" e algum vento não causaram mossa. Os convidados gostaram e querem repetir, mas para mais longe e todo o dia. Talvez um passeio até à Costa da Caparica....

22 março 2012

Entrevista a um novato

Sem dúvida que neste inverno, sem chuva, se assistiu a um enorme aumento do número de ciclistas urbanos, aqueles que usam a bicicleta para se deslocar nas cidades.
Em Lisboa, diz quem lá passa o dia (não é o meu caso) que a todo o instante se vêem ciclistas a circular.

De facto, há dias, numa esplanada na minha rua, numa hora vi passar cerca de 20 ciclistas.

O que trago hoje é uma entrevista do Camilo, que me tinha contactado há pouco tempo no sentido de obter umas dicas sobre um trajecto que ele tinha intenção de fazer, de casa para o seu trabalho.

Como acho muito importante a captação de novos aderentes, fica aqui o testemunho de quem começou recentemente, que pode inspirar outros potenciais novatos!


Idade e profissão?
35, consultor de recursos humanos.

Há quanto tempo usas a bicicleta como meio de transporte?
1 semana :-)

Porquê optaste por este meio de transporte?
Desafio, exercício físico, gozo pessoal.

Com definirias a tua capacidade física? Sentistes alterações desde que passaste a pedalar?
Baixa; Ainda não, mas conto sentir bastantes, para melhor.

Sentiste receio ou medo nas primeiras viagens? O que motivou esses sentimentos?
Algum receio pelas manobras dos automobilistas.

Qual o impacto desta opção na tua vida, sem ser em termos de mobilidade?
Melhorar o corpo e a mente, um bocadinho como o Red Bull :-) (também melhora o orçamento familiar, quer pela redução nos custos de deslocação, quer pela diminuição nos custos de saúde).

A opção pela bicicleta alterou a tua visão sobre o tema da mobilidade em geral? 
Sim, sem dúvida e faço por que altere a dos que me rodeiam.

Zona de residência e local de trabalho? Descreve o teu trajecto habitual.
Belas - Lisboa (15 km). Belas > Amadora > Benfica > Praça de Espanha > Picoas

Usas os passeios, nas tuas deslocações?
Só para atalhos muito muito pontuais (hoje usei, uns 20 metros), por norma não uso. É mesmo pelo respeito aos peões e se rolo melhor em alcatrão na maioria das situações....   depois é muito o hábito de condução com mota.

Tens carro particular? Continuas a usá-lo? Com que frequência e quais as razões/motivos porque o fazes?
Mota e Carro; Sim (mota - commuting; carro - viagens); 2 a 3 vezes por semana (commuting), neste momento por falta de aptidão física para utilizar a bicicleta todos os dias e no futuro por situações em que as condições climatéricas não favoreçam a utilização da bicicleta (mau tempo).

Como é que a meteorologia afecta o teu dia-a-dia? Como lidas com o calor do Verão e a chuva do Inverno?
Ainda não senti nem o calor do Verão, nem a chuva do Inverno, mas o calor não será um problema porque felizmente tenho uma solução que me permite tomar um duche antes do trabalho... já a chuva/mau tempo, pelo risco inerente poderá ser mais desencorajadora... 

Alguns ciclistas novatos com quem tenho falado, têm receio/vergonha que se saiba no trabalho que vão de bicicleta. Como foi contigo? 
Não tenho vergonha nenhuma de divulgar, até faço questão de o fazer.

Como reagiram os teus familiares, amigos e colegas?
A minha mulher também achou perigoso, mas sabe que eu faço uma condução defensiva.
Os amigos, especialmente os ciclistas recreativos apoiaram todos e acho que já plantei umas sementinhas para eles passarem a usar também. 

Porque achas que não há mais pessoas a optar por este meio de transporte?
Por desconhecimento de que é um transporte perfeitamente viável e principalmente pelo medo/risco associado ao transporte  de bicicleta em ambiente urbano. Muitas pessoas com quem falo chamam-me louco e perguntam se me quero matar...

O que poderá ser feito para aumentar o número de bicicleta nas ruas das cidades?
Criar condições físicas, como estacionamentos para bicicletas, limitar o tráfego e as "vias rápidas" urbanas, alterar a legislação para colocar o ciclista com prioridade em algumas situações, aumentar o número de ciclovias (se bem que as existentes parecem-me bem mais perigosas do que a estrada...) e acima de tudo incentivar a rede de contactos de cada um na escolha deste meio de transporte, quer pelo que exemplo, quer pela ajuda a quem pretenda iniciar-se.

O que gostarias que mudasse na tua cidade/país em termos de mobilidade e porquê?
Tudo o que já referi na resposta à pergunta anterior e também que as empresas e o Estado criassem condições que favorecessem a utilização da bicicleta (quer condições físicas: estacionamento, chuveiros; sistemas de bike sharing; quer incentivos, como eventuais benefícios monetários para as empresas e para os trabalhadores que adiram a este meio de transporte).

Até que ponto a internet (blogs, redes sociais, etc) teve influência na decisão de optar pela bicicleta como meio de transporte? 
Juntamente com a inspiração num grande amigo que também faz commuting, foi determinante porque me permitiu, através da partilha de vários bloguers, desmistificar alguns impedimentos mentais que tinha, como a distância ser excessiva ou o transito ser muito perigoso.

A prova!

[a propósito da inclinação da foto] andar de bicicleta em Lisboa, é escrever direito por linhas tortas :D

15 março 2012

Nos ouvidos


Desde que aderi à onda dos smartphones, tenho enriquecido mais ainda a minha consciência sobre o mundo que nos rodeia e os desafios globais que teremos que enfrentar.
Porquê?
Porque o audio passou a ser uma forte fonte de informação e de 1ª qualidade! (não é preciso um smartphone, mas ter tudo-em-um facilita)

Uma das principais fontes de informação têm sido os podcasts do Treehugger. Passear os cães tem sido como "assistir" a autênticas palestras!

Design, arquitectura, ecologia, agricultura, energia, sociedade, mobilidade, etc, tudo por grande cromos.

Há dois ou três temas que estão na boca de quase todos, sustentabilidade, alterações climáticas e pressão demográfica.

PS: Ao almoço chamaram-me hippie. Se olhar bem para as principais características deste movimento, aceito com orgulho :D
PPS: Não é a primeira vez que me classificam assim.

14 março 2012

Think bike! (do not think car!)

Hoje em dia, no que toca à mobilidade, quem tem carro, usa-o como uma extensão do corpo.
Não usar o carro numa deslocação é quase contra-natura.

Muitos amigos e colegas, perguntam-me quase estupefactos "Como é que vais não-sei-onde de bicicleta?".
De facto, vivemos numa sociedade automóvel e, sentados nestes veículos todas as nossas vidas, sem nos apercebermos ficamos programados com rotinas quase intrínsecas ao nosso ser.

Pensar bicicleta é substituir essa extensão, pesada, poluidora, invasora dos espaço público, pela bicicleta, obviamente sem menosprezar as pernas e o caminhar pois são a nossa melhor forma de deslocação, quando viável, claro.

Um pequeno episódio. Há dias, em pleno Eixo Norte-Sul, dia de chuva (o tal em que choveu, nestas últimas semanas/meses), a minha filha sai-se com esta:

- Porquê inventaram os automóveis? Foi para ser mais rápido, ou para ficarmos mais protegidos [da chuva]?
- Mais rápido do que o quê?, perguntei eu, adivinhando o raciocínio.
- Mais rápido do que andar a pé, de bicicleta e 'isso'.

É giro perceber que, desmontando o modelo, se consegue olhar para o carro com uma distância suficiente para o pôr em causa, tal como outra coisa qualquer. Pride!

09 março 2012

É para isto que escrevo, falo, mostro, etc

"Viva César,

Parabéns pelo Blog! 

Um amigo partilhou comigo esta entrada:


e foi tão inspiradora que decidi iniciar-me também no commuting com bicicleta, um dos meus impedimentos seria a distância (moro em Belas e trabalho em Lisboa) mas depois de ler a tua experiência deixei de ter medo e fiz o trajeto num Domingo sem problemas..."

Recebi este e-mail de um seguidor do blog (que não conheço) e... fiquei muito contente!
Acontece que o trajecto que ele precisa de fazer tem muito em comum com aquele que fiz e relatei nesse post.

PS: Recentemente fui contactado por um rapaz que também não conhecia e queria ajuda para encontrar uma bicicleta "tipo Rodas de Mudança", pois andava de BTT e quase caía quando passava alguém numa bicicleta cool, pois ficava a olhar, a olhar... :D