02 maio 2012

Vamos almoçar fora?

Quando combinamos o ponto de encontro em nossa casa para, de seguida, ir a qualquer lado, o resultado é este:



[estacionamento à porta do restaurante]

Quatro adultos e quatro crianças (dos 5 aos 9 anos).
Almoço a 1km de casa e, para fazer a digestão, passeio de cerca de 6km . Tempo "chuvoso" e algum vento não causaram mossa. Os convidados gostaram e querem repetir, mas para mais longe e todo o dia. Talvez um passeio até à Costa da Caparica....

22 março 2012

Entrevista a um novato

Sem dúvida que neste inverno, sem chuva, se assistiu a um enorme aumento do número de ciclistas urbanos, aqueles que usam a bicicleta para se deslocar nas cidades.
Em Lisboa, diz quem lá passa o dia (não é o meu caso) que a todo o instante se vêem ciclistas a circular.

De facto, há dias, numa esplanada na minha rua, numa hora vi passar cerca de 20 ciclistas.

O que trago hoje é uma entrevista do Camilo, que me tinha contactado há pouco tempo no sentido de obter umas dicas sobre um trajecto que ele tinha intenção de fazer, de casa para o seu trabalho.

Como acho muito importante a captação de novos aderentes, fica aqui o testemunho de quem começou recentemente, que pode inspirar outros potenciais novatos!


Idade e profissão?
35, consultor de recursos humanos.

Há quanto tempo usas a bicicleta como meio de transporte?
1 semana :-)

Porquê optaste por este meio de transporte?
Desafio, exercício físico, gozo pessoal.

Com definirias a tua capacidade física? Sentistes alterações desde que passaste a pedalar?
Baixa; Ainda não, mas conto sentir bastantes, para melhor.

Sentiste receio ou medo nas primeiras viagens? O que motivou esses sentimentos?
Algum receio pelas manobras dos automobilistas.

Qual o impacto desta opção na tua vida, sem ser em termos de mobilidade?
Melhorar o corpo e a mente, um bocadinho como o Red Bull :-) (também melhora o orçamento familiar, quer pela redução nos custos de deslocação, quer pela diminuição nos custos de saúde).

A opção pela bicicleta alterou a tua visão sobre o tema da mobilidade em geral? 
Sim, sem dúvida e faço por que altere a dos que me rodeiam.

Zona de residência e local de trabalho? Descreve o teu trajecto habitual.
Belas - Lisboa (15 km). Belas > Amadora > Benfica > Praça de Espanha > Picoas

Usas os passeios, nas tuas deslocações?
Só para atalhos muito muito pontuais (hoje usei, uns 20 metros), por norma não uso. É mesmo pelo respeito aos peões e se rolo melhor em alcatrão na maioria das situações....   depois é muito o hábito de condução com mota.

Tens carro particular? Continuas a usá-lo? Com que frequência e quais as razões/motivos porque o fazes?
Mota e Carro; Sim (mota - commuting; carro - viagens); 2 a 3 vezes por semana (commuting), neste momento por falta de aptidão física para utilizar a bicicleta todos os dias e no futuro por situações em que as condições climatéricas não favoreçam a utilização da bicicleta (mau tempo).

Como é que a meteorologia afecta o teu dia-a-dia? Como lidas com o calor do Verão e a chuva do Inverno?
Ainda não senti nem o calor do Verão, nem a chuva do Inverno, mas o calor não será um problema porque felizmente tenho uma solução que me permite tomar um duche antes do trabalho... já a chuva/mau tempo, pelo risco inerente poderá ser mais desencorajadora... 

Alguns ciclistas novatos com quem tenho falado, têm receio/vergonha que se saiba no trabalho que vão de bicicleta. Como foi contigo? 
Não tenho vergonha nenhuma de divulgar, até faço questão de o fazer.

Como reagiram os teus familiares, amigos e colegas?
A minha mulher também achou perigoso, mas sabe que eu faço uma condução defensiva.
Os amigos, especialmente os ciclistas recreativos apoiaram todos e acho que já plantei umas sementinhas para eles passarem a usar também. 

Porque achas que não há mais pessoas a optar por este meio de transporte?
Por desconhecimento de que é um transporte perfeitamente viável e principalmente pelo medo/risco associado ao transporte  de bicicleta em ambiente urbano. Muitas pessoas com quem falo chamam-me louco e perguntam se me quero matar...

O que poderá ser feito para aumentar o número de bicicleta nas ruas das cidades?
Criar condições físicas, como estacionamentos para bicicletas, limitar o tráfego e as "vias rápidas" urbanas, alterar a legislação para colocar o ciclista com prioridade em algumas situações, aumentar o número de ciclovias (se bem que as existentes parecem-me bem mais perigosas do que a estrada...) e acima de tudo incentivar a rede de contactos de cada um na escolha deste meio de transporte, quer pelo que exemplo, quer pela ajuda a quem pretenda iniciar-se.

O que gostarias que mudasse na tua cidade/país em termos de mobilidade e porquê?
Tudo o que já referi na resposta à pergunta anterior e também que as empresas e o Estado criassem condições que favorecessem a utilização da bicicleta (quer condições físicas: estacionamento, chuveiros; sistemas de bike sharing; quer incentivos, como eventuais benefícios monetários para as empresas e para os trabalhadores que adiram a este meio de transporte).

Até que ponto a internet (blogs, redes sociais, etc) teve influência na decisão de optar pela bicicleta como meio de transporte? 
Juntamente com a inspiração num grande amigo que também faz commuting, foi determinante porque me permitiu, através da partilha de vários bloguers, desmistificar alguns impedimentos mentais que tinha, como a distância ser excessiva ou o transito ser muito perigoso.

A prova!

[a propósito da inclinação da foto] andar de bicicleta em Lisboa, é escrever direito por linhas tortas :D

15 março 2012

Nos ouvidos


Desde que aderi à onda dos smartphones, tenho enriquecido mais ainda a minha consciência sobre o mundo que nos rodeia e os desafios globais que teremos que enfrentar.
Porquê?
Porque o audio passou a ser uma forte fonte de informação e de 1ª qualidade! (não é preciso um smartphone, mas ter tudo-em-um facilita)

Uma das principais fontes de informação têm sido os podcasts do Treehugger. Passear os cães tem sido como "assistir" a autênticas palestras!

Design, arquitectura, ecologia, agricultura, energia, sociedade, mobilidade, etc, tudo por grande cromos.

Há dois ou três temas que estão na boca de quase todos, sustentabilidade, alterações climáticas e pressão demográfica.

PS: Ao almoço chamaram-me hippie. Se olhar bem para as principais características deste movimento, aceito com orgulho :D
PPS: Não é a primeira vez que me classificam assim.

14 março 2012

Think bike! (do not think car!)

Hoje em dia, no que toca à mobilidade, quem tem carro, usa-o como uma extensão do corpo.
Não usar o carro numa deslocação é quase contra-natura.

Muitos amigos e colegas, perguntam-me quase estupefactos "Como é que vais não-sei-onde de bicicleta?".
De facto, vivemos numa sociedade automóvel e, sentados nestes veículos todas as nossas vidas, sem nos apercebermos ficamos programados com rotinas quase intrínsecas ao nosso ser.

Pensar bicicleta é substituir essa extensão, pesada, poluidora, invasora dos espaço público, pela bicicleta, obviamente sem menosprezar as pernas e o caminhar pois são a nossa melhor forma de deslocação, quando viável, claro.

Um pequeno episódio. Há dias, em pleno Eixo Norte-Sul, dia de chuva (o tal em que choveu, nestas últimas semanas/meses), a minha filha sai-se com esta:

- Porquê inventaram os automóveis? Foi para ser mais rápido, ou para ficarmos mais protegidos [da chuva]?
- Mais rápido do que o quê?, perguntei eu, adivinhando o raciocínio.
- Mais rápido do que andar a pé, de bicicleta e 'isso'.

É giro perceber que, desmontando o modelo, se consegue olhar para o carro com uma distância suficiente para o pôr em causa, tal como outra coisa qualquer. Pride!

09 março 2012

É para isto que escrevo, falo, mostro, etc

"Viva César,

Parabéns pelo Blog! 

Um amigo partilhou comigo esta entrada:


e foi tão inspiradora que decidi iniciar-me também no commuting com bicicleta, um dos meus impedimentos seria a distância (moro em Belas e trabalho em Lisboa) mas depois de ler a tua experiência deixei de ter medo e fiz o trajeto num Domingo sem problemas..."

Recebi este e-mail de um seguidor do blog (que não conheço) e... fiquei muito contente!
Acontece que o trajecto que ele precisa de fazer tem muito em comum com aquele que fiz e relatei nesse post.

PS: Recentemente fui contactado por um rapaz que também não conhecia e queria ajuda para encontrar uma bicicleta "tipo Rodas de Mudança", pois andava de BTT e quase caía quando passava alguém numa bicicleta cool, pois ficava a olhar, a olhar... :D

01 março 2012

Ciclo-momentos

 Afonso conquistando a cidade.

Vendo o Metro passar...

À saída das aulas de Inglês da Joana.

No Colombo, estacionados à porta ;) 

 Em Vila Franca de Xira, em trabalho, no ponto de partida do BRM 200

 Passagem pela casa da sogra, a caminho do restaurante

No estacionamento no local de trabalho 

 Transportando uma quiche.

 A caminho do Inglês, para apanhar a Joana (com a sua bicicleta a reboque).
Foto tirada "contra o sol" :-)

Num ciclo-confronto de famílias, num semáforo! :-)


29 fevereiro 2012

Commuting total de bicicleta - afinal é possível

Commuting é um conjunto de viagens regulares entre o local de residência e o local de trabalho ou estudo. Também se pode referir a viagens frequentes entre locais de outra natureza.

Actualmente faço o meu commuting de scooter. Tendo em conta a fase da vida em que estou, e mesmo gostando muito de pedalar, é a que faz mais sentido. É rápido, mesmo feito com pouca velocidade, relativamente seguro (sobretudo a essa velocidade) e consigo fazê-lo relativamente relaxado e metido nos meus pensamentos, algo semelhante ao que se consegue de bicicleta.
Ando tão relaxado, em modo-bicicleta, que já dei por mim a entrar de mota na ciclovia que costumo usar para sair de Telheiras em direcção ao centro da cidade, duas vezes. :p

Bom, o título fala em bicicleta, por isso vamos a ele.
Uma coisa que não me canso de dizer, sobre o uso da bicicleta, é a constante alteração da percepção que vamos tendo em relação à possibilidade de usar a bicicleta nas nossas deslocações. Cada dia que passa, alargamos os nossos horizontes, mesmo sendo já cromos no assunto (acontece o mesmo com andar a pé. Se começarmos a andar a pé, rapidamente nos apercebemos de que é possível percorrer distâncias razoáveis sem grande esforço ou tempo despendido).

Trabalhando no Tagus Park (entre Oeiras e Cacém), o meu commuting de bicicleta nunca chegou a sê-lo. Já teve altos e baixos, mas quando o carro desapareceu da equação, com a opção scooter, quando o tempo (fora do trabalho) começou a escassear, a opção bicicleta foi ficando menos competitiva.

A última versão de commuting de bicicleta incluía o comboio entre Benfica e Massamá (linha de Sintra).
Usar os transportes públicos, além de dispendioso (fica mais caro do que usar de mota, mesmo incluindo manutenção), tem um grande incómodo que é a dependência de horários e o aumento do tempo de viagem se os horários não forem cumpridos, tipo perder o comboio. Este inconveniente tem outro associado, que é o de existir algum stress quando vamos a caminho da estação. Andar de bicicleta é sobretudo anti-stress, portanto não joga muito bem. O ideal é a autonomia total, ou seja pedalar da origem ao destino.

Um colega meu, que mora na Falagueira, influenciado por  mim, acho, utilizou várias vezes a bicicleta para chegar ao Tagus e o seu percurso tinha apenas 10km.
Recentemente, ao olhar para o seu track, registado num mapa, dei conta que afinal não seria assim tão complicado vir de bicicleta desde casa e que o caminho dele, já testado por ele, podia ser utilizado na íntegra.

em 2008 tinha pensado num trajecto quase igual. Na altura até lhe chamei 'Projecto arrojado' e não tinha claramente a experiência que tenho hoje. Na altura esse projecto acabou por ser concretizado em modo BTT-urbano, também muito engraçado, diga-se (embora apenas num sentido e com carro ao barulho). Acabei por repetir a experiência mais vezes, cada vez com mais gozo e de forma mais optimizada.
Foi um formato muito mix, que envolvia carro, BTT a sério, natureza (avistamentos de várias espécies animais), cidade, etc, etc.

Na semana passada, tinha um carro na revisão, perto do trabalho, e era dia de o ir buscar. A bicicleta é excelente para estas viagens sem ida ou sem volta. Utilizo-as muito para isto, também (há tempos fui levar um carro aos meus pais ao aeroporto - cheguei, abri o porta-bagagens, tirei a bicla, "adeus e divirtam-se" e lá fui eu a pedalar para casa).
Como tenho a eléctrica inactiva neste momento, optei pela minha touring-special, a minha bicla de eleição dos últimos tempos.

Desta vez, o comboio não ia ser utilizado e optei por fazer todo o caminho, cerca de 16km. Com dicas do meu colega consegui evitar quase toda a confusão entre da zona da Amadora e fiz toda a viagem sem grande confusão de trânsito e poluição, que é o que mais influencia a minha escolha de trajectos.
1h05 minutos de porta a porta foi o que demorei, mesmo depois de andar perdido por Massamá e com várias paragens pelo meio (para confirmar rota, tirar uma camisola, acertar a altura do banco da bicicleta, etc).
Na próxima vez conseguirei tirar 5 ou 10 minutos, na mesma bicicleta, um pouco mais se for na eléctrica (que poupa transpiração e permite outro andamento).

Para aqueles que têm a IC19 na cabeça, asseguro que só a vi quando passei por cima dela na passagem pedonal entre Massamá e São Marcos. Para os que têm a pergunta do 'suor' na cabeça, posso dizer que usei uma camisola de nylon que substitui por outra camisola interior no trabalho, tudo o resto ficou (calça de ganga e camisola de lã) e garanto que não fiquei a cheirar mal - o truque é simples, ter os banhos em dia!! :)

O percurso foi este: Telheiras > Carnide > Pontinha (perto de) > Falagueira > Amadora > Queluz > Massamá > São Marcos > Tagus Park.

Passagem por cima da Estação de Massamá 
(como me perdi acabei por passar por aqui, desnecessariamente)

Em jeito de conclusão, achei tão fácil que fiquei com vontade de repetir muitas vezes e em breve e com a certeza que só usarei novamente o comboio pelo meio por um motivo muito especial (que não estou a ver qual seja).

23 fevereiro 2012

Vejo tudo, mas alguém me vê?

Qualquer ciclista fala disto. A nossa percepção do que nos rodeia é brutal.
E a percepção dos automobilistas que, por um lado, conduzem a velocidades que implicam um concentração muito mais específica - no seu caminho e obstáculos directos, por outro lado vão envolvidos numa lata que não lhes permite uma visão periférica, etc, etc.

No blog bikeyface.com, que tem ilustrações muito giras sobre a vida de uma ciclista, duas imagens ilustram bem esta situação, a da percepção dos automobilistas versus a percepção dos ciclistas.





O que vêem os automobilistas?


O que vêem os ciclistas?

14 fevereiro 2012

Conferência sobre "usos da bicicleta e (des)equilíbrios dos modos de vida" - FMH, amanhã

Vou participar numa conferência no âmbito da Sociologia do Desporto,  Lazer e Competição, na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. Estarei na mesa de debate, como ciclista civil, mas também como representante da MUBi e Rodas de Mudança.

Fica o programa e convite.