23 fevereiro 2012

Vejo tudo, mas alguém me vê?

Qualquer ciclista fala disto. A nossa percepção do que nos rodeia é brutal.
E a percepção dos automobilistas que, por um lado, conduzem a velocidades que implicam um concentração muito mais específica - no seu caminho e obstáculos directos, por outro lado vão envolvidos numa lata que não lhes permite uma visão periférica, etc, etc.

No blog bikeyface.com, que tem ilustrações muito giras sobre a vida de uma ciclista, duas imagens ilustram bem esta situação, a da percepção dos automobilistas versus a percepção dos ciclistas.





O que vêem os automobilistas?


O que vêem os ciclistas?

14 fevereiro 2012

Conferência sobre "usos da bicicleta e (des)equilíbrios dos modos de vida" - FMH, amanhã

Vou participar numa conferência no âmbito da Sociologia do Desporto,  Lazer e Competição, na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. Estarei na mesa de debate, como ciclista civil, mas também como representante da MUBi e Rodas de Mudança.

Fica o programa e convite.


10 fevereiro 2012

One Talk

Ontem, no final da tarde, vesti a camisola da MUBi, associação da qual faço parte, e fui orador numa sessão da ONE Talks, onde apresentei a associação e, no final, houve um debate em que várias perspectivas foram apresentadas por parte dos participantes, uns experientes e utilizadores, outros "só-na-holanda", outros só ao fim de semana, etc.

Quem tiver curiosidade para ver o que lá se passou, sobretudo ouvir (a imagem é muito fraquinha) , fica o video (que foi transmitido em directo):


ONE Talks são as palestras de ONE Perfect Movement. A sua razão de ser são as pessoas (ONEs) que estão a transformar o Mundo, o seu e o dos outros (Movement).


São paletras semanais, de livre acesso, às 5a feiras, dias úteis, às 18h30 no COWORKLISBOA.pt.
Este mês o tema é a Bicicleta e ainda há mais duas sessões:

16.Fev - 'Cenas a Pedal', Ana Pereira e/ou Bruno Santos
23.Fev - Mobilidade Urbana em Bicicleta: mitos e boas intenções , Mário Alves 


ONE Talks 
Organização: www.oneperfectmovement.org
Curador: Marco de Abreu

03 fevereiro 2012

Dois filmes, a mesma filosofia

Dois filmes, dois países, dois continentes, duas realidades distintas, um princípio - os carros (a mais) dão cabo de tudo o resto.
Aqui podemos ver o que se pode fazer para começar a inverter o paradigma (1º video) e qual a visão a atingir (2º video).



31 janeiro 2012

Rodas de Mudança

As nossas cidades estão cada vez mais hostis para as pessoas. A invasão de automóveis a que assistimos impassíveis nas últimas décadas tem provocado a extinção dos peões e ciclistas das nossas ruas. Esta gradual esterilização da vida tem muitos efeitos nefastos a vários níveis, como o económico e o social.
O automóvel como meio de transporte individual esgotou por completo as cidades e não é possível nem desejável que o desenho urbano continue a privilegiar as máquinas.Veja-se o exemplo da Avenida da Liberdade que no passado foi “o passeio público” e que nos últimos anos se tornou num esgoto de tráfego. No entanto, com coragem, sabedoria e persistência esta avenida deveria, sem grandes demoras, evoluir para uma ocupação mais humanizada, como espaço de residência e fruição.
A bicicleta é um regresso ao futuro como um meio de transporte prático e eficaz. Estas características aliadas a outras muito contemporâneas – é um meio de transporte sustentável, saudável e socialmente dinamizador – catapultam a bicicleta como o grande regresso de uma das mais espantosas invenções da humanidade dos últimos séculos – de facto foi votada pelos ouvintes da BBC como a melhor invenção desde 1800.
Por todo o mundo este regresso é visível e celebrado. As cidades estão rapidamente a mudar tendo como prioridade as pessoas e não os carros. Neste paradigma, as bicicletas desempenham um papel fundamental - ajudam a humanizar o trânsito com um "manguito" poético à velocidade. As pessoas passam a ter uma nova relação com a cidade e até consigo próprias, tornam-se mais activas, melhoram a sua condição física e estabelecem mais contactos sociais.
Terão as cidades portuguesas condições para adoptar a bicicleta? Algumas terão melhores condições do que outras, mas regra geral, a resposta é um retumbante, sim! Perante os enormes desafios que teremos que enfrentar nas próximas décadas, só há um caminho a seguir, que é o da transformação das cidades em espaços mais humanos e com claras vantagens para os peões, ciclistas ou utilizadores de transportes públicos.
Esta campanha – Rodas de Mudança – pretende humanizar o uso da bicicleta como meio de transporte, através de retratos de pessoas comuns e que usam a bicicleta no seu dia-a-dia.
Este texto é o Manifesto do projecto. Trata-se de um projecto MUBi.
No próximo dia 11 de Feveiro das 13h-17h, haverá nova sessão de fotos na Praça do Comércio (link Facebook). Quem quiser dar a cara pelo projecto e pela causa, é só aparecer, passar um bom bocado e arriscar-se a ter uma foto magnífica, tirada pelo Fábio Teixeira
As "mentes" de Mudança! :)

30 janeiro 2012

Tendências

O nome do post podia ser 'Aumento' do número de utilizadores de bicicleta, mas face aos números absolutos, ou à percentagem deste meio de transporte face às restantes opções, decidi chamar-lhe apenas 'Tendências'.

Há uma tendência  para o uso da bicicleta nas cidades. Cada vez se vêem mais ciclistas pelas ruas de Lisboa (e concerteza, no resto do país).
Em Telheiras, em particular, o nº de "avistamentos" (palavra usada para OVNI's) é cada vez maior.

Levo a minha filha a pé para a escola, de manhã, aproveitando para passear os cães num descampado que há ao lado da escola, o que me permite observar toda aquela azáfama de depósito de miúdos na escola. Trata-se de uma escola básica (ou primária, como se dizia antes).
Além de todos os carros, muitos, que estacionam onde calha, desde 2ª fila até por cima de parte da ciclovia que está ao nível do alcatrão, começam a aparecer uns malucos, os ciclistas.
Há dias assisti a uma sequência que me deixou com esperança.

Primeiro, uma senhora e o seu filho, cada um na sua bicicleta. Rapidamente chegaram à escola, alheios à confusão, deixaram a bicicleta do miúdo dentro do recinto presa ao gradeamento e a senhora seguiu viagem noutra direcção, provavelmente a caminho do seu trabalho.

Pouco tempo depois, um senhor, numa bicicleta de BTT com um cadeirinha atrás onde transporta o seu filho. Num minuto entrou na rua, foi ao portão e voltou a sair da rua, através da ciclovia que passa em frente ao portão da escola.

Já a caminho de casa, vejo um miúdo a passar de bicicleta por um relvado em modo vou-para-a-escola-a-curtir e a parar logo a seguir junto a um amigo, também ciclista, que estava parado a olhar para a sua bicicleta.
Aproximo-me para ajudar. A corrente tinha saído da cassete e estava presa entre a dita e o quadro. Dei-lhe umas dicas de como a soltar e perguntei-lhes para onde iam. "Doroteias", disseram. Trata-se de um colégio que fica junto ali no Campo Grande/Quinta do L'Ambert, do outro lado da Churrasqueira. Eram dois miúdos com cerca de 12 anos, 14 vá.

Aqui, alguns leitores (espero que poucos) pensam, "e se em vez de os ajudar, eu os raptasse?" Ah, pois. É um perigo deixar andar crianças por aí à solta! E se eles ficassem debaixo de um carro? E se, e se, e se, e se?
E se eles se andam a "drógar" lá na escola? E se, quando saem à noite, bebem 30 shots de vodka?
Pois, é difícil controlar a vida destes pequenos adultos, não é? O que podemos fazer, faz-se "em casa" e no caso das bicicletas nas ruas, acompanhando-os inicialmente e dar-lhes as ferramentas para lidarem com situações adversas e tentadoras, algo que faz parte da educação.

Voltando ao tema, é bom ver, em apenas 10 minutos, que no meio destas crianças pertencentes ao back-seat-generation há algumas que estão a entrar numa via alternativa, mais saudável, mais sustentável, mais humana, verdadeiramente ecológia, socialmente inclusiva, mais todas aquelas vantagens que a bicicleta tem. São estas crianças que serão os próximos adultos e é importante que nestas idades sejam semeados bons exemplos.

E como é que eu vi(vi) tudo isto? Porque estava a pé! ;)

20 janeiro 2012

A cidade, o Tejo e uma aventura

Mais um post da série "Uma aventura". Sem dúvida que, volto a dizê-lo, a opção bicicleta trás muita aventura à nossa vida. Aventurinhas, pronto. Peripécias, histórinhas que ficam....

Nas passadas férias escolares, de Natal, os meus filhos passaram grande desse período no Algarve, terra da minha mulher. O mais novo, o Afonso foi lá para baixo com familiares e a Joana foi mais tarde de comboio, com uma amiga e seus filhos.

Como essa amiga que a ia levar estava na Costa da Caparica, só tínhamos que levar a Joana até lá e foi aí que entraram as bicicletas.

Já há muito que andávamos para fazer a travessia para a Trafaria de barco com as bicicletas. O futuro muito incerto da continuação desta ligação de barco foi o empurrão para se fazer desta vez.

Aqui fica a história.

Num belo domingo de Inverno, céu limpo e temperaturas baixas, bom para pedalar... acordámos, molengámos e rapidamente ficámos atrasados para fazer a ligação Telheiras-Cais de Belém, cerca de 15km. O stress acumulou-se e saímos de casa a 45/50' do barco partir. Tínhamos que apanhar aquele, porque só haveria outro 2h depois, o que invalidava toda a "missão".

Como a Joana só ia, não voltava, foi à pendura na Xtracycle.
Foi uma viagem puxada. A minha prática desportiva reduzia-se às viagens urbanas de bicicleta e, para tentar a chance, foi preciso puxar pelo cabedal do início ao fim e só a coincidência de haver uma prova de atletismo naquele dia, que fechou ao trânsito o Saldanha, a Fontes Pereira de Melo, a Rotunda do Marquês e a Av. da Liberdade, nos permitiu chegar a horas (ou a tempo de o barco esperar que comprássemos os bilhetes).

O regresso foi agradável, mas também um pouco penoso, tal a minha falta de forma física actual, sobretudo para corridas-de-15km-com-carga. Valeu-me a bicicleta eléctrica do meu primo, que conduzi em parte da viagem.

Fica a reportagem fotográfica e alguns comentários.

 A partir do Saldanha, entrámos numa "via verde". "Furámos a barricada" e invadimos uma corrida de atletismo. Foi hilariante, pois uma família a pedal apareceu, passou pelo pelotão, passou os líderes (mais ou menos no momento da foto) e ainda foi passar o batedor da polícia (que se vê ao fundo na foto). Entrámos na rotunda a fazer de batedores e só a meio da Av. da Liberdade fomos desviado por um polícia mais zeloso que nos desclassificou e nos retirou do circuito. Esta "participação", para além de memorável, foi o que nos permitiu chegar a horas ao destino. Chegámos com um velocidade média de 18km/h, atravessando a cidade pelo meio, o que não é nada mau! O principal obstáculo foi a própria ciclovia à beira rio, manhosa, e os BTTistas-de-ciclovias, demasiados lentos para um família-pedalo-voadora. :D

 Os veículos no barco, a caminho da outra banda. Eu aqui tive que tirar a camada interior de roupa, pois estava encharcada... Fomos com speed-over-style!

A saída do barco.
Esta travessia (Belém-Trafaria) tem o seu fim previsto.
Talvez hoje se saiba o veredicto final...(update: Mantém-se!!)

 Brincando e pedalando!

Na Trafaria, vila pescatória, com Lisboa no horizonte.

Já no paredão da Costa da Caparica.
Estava um dia espectacular para pedalar e passear. Fresco e luminoso!

Parados, só para desfrutar a paisagem (e os ângulos para fotos).

No regresso, um fim de tarde magnífico, que nos brindou com as cores que aqui vêem. 

Um ciclista à espera de dois ciclistas. O meu primo, com quem combinámos e que nos fez companhia até casa, metendo a conversa em dia. Tentem fazer isto de carro, tentem! :)

Porque será que os ciclistas têm tantas fotos tão boas? (1)

Porque será que os ciclistas têm tantas fotos tão boas? (2)

Resposta às perguntas (1) e (2):
Porque têm sempre tempo e disposição para tirar fotos, mesmo a meio da viagem.

Na realidade são fotos normalíssimas, sem qualidade por aí além, tiradas por um telemóvel. As oportunidades é que são boas. :)



18 janeiro 2012

Crise e a mobilidade - que soluções?



Há quase sempre soluções, mas não há receitas!

A crise está aí, embora muitos ainda andem a dormir e a fazer a vida de sempre, há uma "rubrica" que tem vindo a aumentar na contabilidade caseira, a da mobilidade.
São os preços dos combustíveis a subir, o custo dos passes e bilhetes dos transportes públicos a disparar, as SCUTS que passaram a ex-SCUTS.

Muitos perguntarão, "quais são as alternativas ao automóvel", ou "como posso poupar nos transportes", ou até "que transportes públicos há na minha zona", pois muita gente nem sequer sabe que há alternativas viáveis mesmo à sua porta.

Como seria de esperar, não há receita universal, nem sequer regional. Cada caso é um caso :).

A primeira coisa a fazer é conhecer as alternativas. Para tal, é preciso sair, ainda que mentalmente, da zona de conforto.

O transporte individual é, normalmente, aquele que acarreta maiores custos directos (combustíveis, portagens e estacionamento) e muitos custos indirectos (manutenção, impostos, seguros, etc). Esta opção é aquela que mais sufoca o orçamento familiar.
O gasóleo está a ser vendido a 1,5€!!! - só no último ano, subiu 15%. Em relação há 10 anos, o gasóleo custa hoje mais que o dobro (125% de aumento).

Apesar o desenvolvimento urbano ter sido muito mau no últimos tempos, com a proliferação de bairros-dormitório, com acessos rodoviários e pouca oferta capaz de transportes colectivos competitivos, quase sempre há alternativas.

Será preciso ir de carro?
A 1ª questão a responder é se é preciso mesmo ir de carro? Por vezes a distância é tão curta que uma caminhada de 5 a 20 minutos resolve a questão. Já assisti a relatos de pessoas que passaram a ir a pé e estavam contentíssimos com a opção, económica, saudável e libertadora (do carro e do trânsito).
Hoje em dia, muitas pessoas nem sequer têm a noção das distâncias a pé entre dois pontos e desvalorizam a  capacidade mais básica que temos, a de andar (a pé!). Muitas vezes a reacção é "Foi muito mais rápido do que pensava!"

A bicicleta
A bicicleta surge aqui como uma alternativa. Há hoje uma maior noção geral sobre o potencial da bicicleta como meio de transporte, há melhor aceitação pelos condutores de outros veículos, há condições físicas/ infraestruturas que (por vezes) introduzem verdadeiras melhorias e segurança e existem N fontes de informação, entidades e até indivíduos disponíveis para ajudar a começar.
Para distâncias até 8km em meio urbano, a bicicleta é o meio de transporte mais eficaz e trás um conjunto enorme de benefícios associados, desde económicos, de saúde, sociais, etc.

Os transportes públicos
"Que transportes públicos existem na minha zona?";  "Para onde vão?";  "A que horas passam?"; "Quanto custam?"; "São directos?"; "Terei que fazer ligações?"; "Quanto tempo demoram?" são perguntas que devem ser respondidas de seguida.

A esta equação deverá juntar-se a combinação de modalidades. Por vezes a conjugação duma caminhada, da bicicleta (ou do carro) com outro meio de transporte permite tornar viável uma opção que por si só parecia não servir.
A bicicleta pode ser transportada dentro de alguns transportes públicos, ou em todos no caso de ser uma dobrável. Também há a hipótese de a deixar num parque junto a uma estação, para ser novamente utilizada no sentido inverso, ao final do dia (aconselha-se o uso de uma bicicleta sem grande valor/aspecto e um bom cadeado, para minimizar o risco).

A scooter.
É a minha solução actual.
Não se trata de uma solução para todos. Andar de mota é perigoso (as estatísticas comprovam-no), mas o risco está muito associado ao comportamento do próprio.
Digo 'scooter' e não 'mota', de propósito. Tenho muitos anos de experiência e a velocidade é o factor que mais aumenta o risco de acidente, em geral, e a gravidade dos mesmos, para condutores de motas, em particular.
Andar de scooter E de uma forma defensiva, calma, sem arriscar manobras malucas é uma solução económica, prática de enfrentar as viagens diárias para o trabalho. A chuva? é mais fácil de resolver esta questão nas motas, pois não há exercício físico (transpiração) e temos sempre onde guardar todo o material.

Não é uma experiência como a de conduzir uma bicicleta, não é tão económico (pode ser metade em relação a um carro), mas é uma solução que deve ser considerada, se as anteriores não servirem.

O tempo da viagem.
O tempo gasto é um factor importante e normalmente de difícil análise com isenção. Há estudos que comprovam que há uma tendência optimista de quem passa muito tempo dentro de um carro quando analisa esta questão.
Eu próprio já constatei isso em várias conversas que tive com amigos e colegas que usam o carro nas suas deslocações diárias. Normalmente o tempo médio está muito perto do tempo óptimo no seu raciocínio e há uma tendência para chamar excepção aquilo que é muitas vezes aproximado à média.
Depois há ainda métodos de medição de tempo que são totalmente desviados, pois não contabilizam o tempo de estacionar, ou até entre a porta de casa/trabalho e o próprio veículo. Medir tempo é de porta-a-porta!
Um factor bastante importante é a forma como passamos esse tempo, o da viagem. É totalmente diferente ir a conduzir (normalmente até com algum stress, sobretudo quando o tempo é à conta) do que ir sentado no comboio a ler um livro, ou ir a pedalar e sentir o sol a bater na cara e o cheiro do café ao passar numa rua de comércio (é só um exemplo!).
Cada um terá a sua bitola, mas parece-me mais interessante demorar um pouco mais mas usar efectivamente esse tempo a fazer uma coisa que nos dá prazer.

Out-of-the-box!
Depois há um conjunto de alternativas, mais pontuais, que podem passar por dividir o carro com um colega ou vizinho, mudar de emprego para um menor remunerado mas com custos de deslocação bem menores ou inexistentes, etc, etc.

Soube recentemente de um caso, verídico, que uma rapariga comprou um carro a crédito, a 8 anos, e depois de pagar a prestação mensal, sobravam-lhe 50€, que obviamente não cobriam os custos de deslocação para o emprego. Claro que viva com os pais, que lhe cobriam o resto dos custos.
Agora pergunto, não seria melhor ficar em casa "quieta", ou seja a usar o tempo de uma forma mais lucrativa?
É um caso extremo... será assim tanto?

A solução radical.
A fenómeno dos subúrbios é muito acentuado em Portugal. Milhares de pessoas vivem/dormem longe dos locais onde passam a vida, onde trabalham, onde têm os filhos na escola. Por vezes, mesmo ao fim de semana caminham para os centros das cidades onde não vivem e para onde caminharam toda a semana, seja para eventos culturais, seja ver os amigos, etc.
Não são tempos fáceis para mudar de casa, mas muita vezes, a solução mais económica, mais confortável, mais TUDO é, efectivamente ir morar para o centro, onde estão os empregos, as melhores escolas (muitas públicas), os melhores transportes públicos, as melhores condições para andar de bicicleta, os melhores cinemas, teatros, etc, etc, etc, tudo o que as cidades têm de bom!
A troca de mais m2 (na casa) por km's percorridos é uma concessão que sai muito cara e (também há estudos que o comprovam) que esses m2 extra são sobrevalorizados face ao uso e benefício que realmente acrescentam.
Como disse o Guterres, "É só fazer as contas!". Quanto custa a Prestação da casa + colégio dos filhos + despesas de transportes? Quanto vale o tempo que gasto a mais diariamente? Quando é que vou recuperar esse tempo perdido? (Nunca mesmo!).
Talvez a conclusão seja que afinal as casas no centro da cidade não são assim tão caras.

Conclusão.
Se há desconforto, financeiro ou de outra natureza, é preciso provocar, lutar pela mudança. O carro está demasiado entranhado e (muitas vezes) é preciso reequacionar sem essa "constante"!

17 janeiro 2012

Crawl - A minha experiência

'Crawl' é uma palavra de pesquisa que manda leitores para este blog com alguma frequência.
Um pouco por causa disso, mas também porque voltei agora à piscina depois de 6 meses de interrupção (estou com pica!), vou contar a minha experiência no crawl, ao longo deste últimos anos.

Este post retrata apenas a minha experiência neste estilo. Não sou especialista, longe disso.

Toda a gente sabe nadar! Toda a gente nada crawl, bastando para isso dar uma braçadas em jeito de remadas e já está.
Nas nossas praias assistimos a verdadeiros nadadores... de praia. Cabeça de fora a girar (rabinho bem lá em baixo), braçadas enérgicas e curtas e pronto, 20 metros e 'tá' feita a demonstração técnica do Tarzan.
Volta e meia, aparece um que leva a cabeça debaixo de água e faz o dobro da distância - este sim, sabe nadar!
É certo que ninguém nasce ensinado e que não temos todos que nadadores, mas cada vez me divirto mais a ver o crawl que se nada por aí.

Não há muito tempo estava naquele grupo que metia a cabeça debaixo de água e fazia 30 metros seguidos, tudo isto com respiração bilateral! Eu sabia nadar mais-ou-menos... pelo menos pensava isso. Sério.

Um dia, decidi ir nadar para uma piscina, em regime livre.
O primeiro choque foi quando percebi que não conseguia nadar com ritmo meio-enérgico muito mais do que 25mts seguidos. Com a insistência comecei a aumentar a resistência.
O segundo choque, este enorme, foi quando decidi pegar numa prancha e bater apenas as pernas. Não consegui sair do sítio, literalmente.
Abandonei a prancha e continuei durante algum tempo a nadar em regime livre. A resistência foi aumentando e as sessões chegaram aos 1700mts (cerca de 45').

Depois de parar cerca de um ano, decidi voltar, mas desta vez para ter aulas. Foi o melhor que fiz.
Só quando temos um professor é que percebemos que afinal não estamos tão longe dos tais figuras de que falei antes, mesmo com respiração bilateral! :)

As pernas são duas âncoras que ao invés de nos darem propulsão, puxam-nos para trás, 'pedalando' (os joelhos trabalham muito e o movimento é rotativo) em vez de baterem , fazendo mais resistência do que outra coisa. Há aprendizes que chegam a andar para trás, quando apenas batem pernas.
A somar às pernas a trabalhar em contra-mão, temos as braçadas sem técnica, resultando numa coisa que não se pode chamar crawl, na realidade.

O problema maior é quando há 30 e tal anos disto. Desmontar todos estes vícios mecânicos é uma tarefa muito complicada e só anos de aprendizagem e prática nos permitem nadar com uma técnica média.

Ao olhar para a minha filha a bater pernas na sua aula de natação, tenho a certeza que me ganharia nesse exercício e temos o mesmo tempo de aulas de natação.

O que tem que ter quem sabe nadar crawl?

Deslize, deslize, deslize - Um bom nadador parece que vai parado, tal a aparente lentidão/subtiliza dos movimentos. Na realidade tem um bom deslize e apesar de poucas braçadas a velocidade é elevada e com um esforço optimizado.
Amplitude na braçada - para haver deslize é preciso agarrar a água lá à frente e deixá-la lá bem atrás.
Direcção - Todos os movimentos devem ser equilibrados e alinhados. Os braços não se cruzam à frente da cabeça, a anca pode 'dançar', etc. Os S's não permitem o tal deslize.
Pernada - As pernas têm que bater com um mínimo de técnica. Só muitos exercícios só de pernas podem dar a potência e a técnica. Nada de dobrar joelhos! Sem uma boa pernada o corpo afunda e os braços é que pagam.

Hoje, passados 4 anos de aulas de natação, 2x por semana, posso dizer que sei nadar crawl, porque reúno as condições base que acabei de descrever. Tenho-as, mas todas elas precisam de melhorar.

Quem quiser aprender (mesmo!) a nadar crawl, ou outro estilo, vá para as aulas, pois em regime livre não chega lá. Pode até chegar a uma boa performance, mas ficará sempre aquém do seu verdadeiro potencial. O longo percurso de aprendizagem da natação é o torna este desporto mais atractivo, pois é um desafio constante.

16 janeiro 2012

Quem somos, o que fazemos e o que queremos

Está a decorrer um inquérito on-line que visa "delinear perfis de utilizadores de bicicleta em meio urbano e identificar os problemas que enfrentam, assim como recolher propostas e sugestões para a melhoria das infra-estruturas da rede ciclável lisboeta."

A responsável pelo dito é uma experiente utilizadora de bicicleta da cidade e este estudo é feito no âmbito da sua Tese de Mestrado em Engenharia do Território do Instituto Superior Técnico (IST), que tem como tema "Gestão da Mobilidade em Bicicleta - necessidades, factores de preferência e ferramentas de suporte ao planeamento e gestão de redes".

O inquérito está disponível em www.InqueritoBicicleta.pt.to e o tempo estimado para preenchimento do inquérito é de 5 a 10 minutos. O público-alvo são utilizadores de bicicleta em Lisboa. As respostas serão alvo de tratamento estatístico de dados com fins meramente académicos.

Este tipo de estudos são muito importantes, sobretudo numa sociedade como a nossa em que pouco se sabe e se estuda sobre... mobilidade, por exemplo.

Pessoalmente estou muito curioso sobre os resultados, até porque trata-se de um questionário bem feito, claramente feito por quem tem experiência no terreno e que sabe quais os assuntos/questões importantes no tema.

PS: A autora do estudo conduz a única bicicleta que vendi até hoje! E o que eu gostava da bicla!