18 janeiro 2012

Crise e a mobilidade - que soluções?



Há quase sempre soluções, mas não há receitas!

A crise está aí, embora muitos ainda andem a dormir e a fazer a vida de sempre, há uma "rubrica" que tem vindo a aumentar na contabilidade caseira, a da mobilidade.
São os preços dos combustíveis a subir, o custo dos passes e bilhetes dos transportes públicos a disparar, as SCUTS que passaram a ex-SCUTS.

Muitos perguntarão, "quais são as alternativas ao automóvel", ou "como posso poupar nos transportes", ou até "que transportes públicos há na minha zona", pois muita gente nem sequer sabe que há alternativas viáveis mesmo à sua porta.

Como seria de esperar, não há receita universal, nem sequer regional. Cada caso é um caso :).

A primeira coisa a fazer é conhecer as alternativas. Para tal, é preciso sair, ainda que mentalmente, da zona de conforto.

O transporte individual é, normalmente, aquele que acarreta maiores custos directos (combustíveis, portagens e estacionamento) e muitos custos indirectos (manutenção, impostos, seguros, etc). Esta opção é aquela que mais sufoca o orçamento familiar.
O gasóleo está a ser vendido a 1,5€!!! - só no último ano, subiu 15%. Em relação há 10 anos, o gasóleo custa hoje mais que o dobro (125% de aumento).

Apesar o desenvolvimento urbano ter sido muito mau no últimos tempos, com a proliferação de bairros-dormitório, com acessos rodoviários e pouca oferta capaz de transportes colectivos competitivos, quase sempre há alternativas.

Será preciso ir de carro?
A 1ª questão a responder é se é preciso mesmo ir de carro? Por vezes a distância é tão curta que uma caminhada de 5 a 20 minutos resolve a questão. Já assisti a relatos de pessoas que passaram a ir a pé e estavam contentíssimos com a opção, económica, saudável e libertadora (do carro e do trânsito).
Hoje em dia, muitas pessoas nem sequer têm a noção das distâncias a pé entre dois pontos e desvalorizam a  capacidade mais básica que temos, a de andar (a pé!). Muitas vezes a reacção é "Foi muito mais rápido do que pensava!"

A bicicleta
A bicicleta surge aqui como uma alternativa. Há hoje uma maior noção geral sobre o potencial da bicicleta como meio de transporte, há melhor aceitação pelos condutores de outros veículos, há condições físicas/ infraestruturas que (por vezes) introduzem verdadeiras melhorias e segurança e existem N fontes de informação, entidades e até indivíduos disponíveis para ajudar a começar.
Para distâncias até 8km em meio urbano, a bicicleta é o meio de transporte mais eficaz e trás um conjunto enorme de benefícios associados, desde económicos, de saúde, sociais, etc.

Os transportes públicos
"Que transportes públicos existem na minha zona?";  "Para onde vão?";  "A que horas passam?"; "Quanto custam?"; "São directos?"; "Terei que fazer ligações?"; "Quanto tempo demoram?" são perguntas que devem ser respondidas de seguida.

A esta equação deverá juntar-se a combinação de modalidades. Por vezes a conjugação duma caminhada, da bicicleta (ou do carro) com outro meio de transporte permite tornar viável uma opção que por si só parecia não servir.
A bicicleta pode ser transportada dentro de alguns transportes públicos, ou em todos no caso de ser uma dobrável. Também há a hipótese de a deixar num parque junto a uma estação, para ser novamente utilizada no sentido inverso, ao final do dia (aconselha-se o uso de uma bicicleta sem grande valor/aspecto e um bom cadeado, para minimizar o risco).

A scooter.
É a minha solução actual.
Não se trata de uma solução para todos. Andar de mota é perigoso (as estatísticas comprovam-no), mas o risco está muito associado ao comportamento do próprio.
Digo 'scooter' e não 'mota', de propósito. Tenho muitos anos de experiência e a velocidade é o factor que mais aumenta o risco de acidente, em geral, e a gravidade dos mesmos, para condutores de motas, em particular.
Andar de scooter E de uma forma defensiva, calma, sem arriscar manobras malucas é uma solução económica, prática de enfrentar as viagens diárias para o trabalho. A chuva? é mais fácil de resolver esta questão nas motas, pois não há exercício físico (transpiração) e temos sempre onde guardar todo o material.

Não é uma experiência como a de conduzir uma bicicleta, não é tão económico (pode ser metade em relação a um carro), mas é uma solução que deve ser considerada, se as anteriores não servirem.

O tempo da viagem.
O tempo gasto é um factor importante e normalmente de difícil análise com isenção. Há estudos que comprovam que há uma tendência optimista de quem passa muito tempo dentro de um carro quando analisa esta questão.
Eu próprio já constatei isso em várias conversas que tive com amigos e colegas que usam o carro nas suas deslocações diárias. Normalmente o tempo médio está muito perto do tempo óptimo no seu raciocínio e há uma tendência para chamar excepção aquilo que é muitas vezes aproximado à média.
Depois há ainda métodos de medição de tempo que são totalmente desviados, pois não contabilizam o tempo de estacionar, ou até entre a porta de casa/trabalho e o próprio veículo. Medir tempo é de porta-a-porta!
Um factor bastante importante é a forma como passamos esse tempo, o da viagem. É totalmente diferente ir a conduzir (normalmente até com algum stress, sobretudo quando o tempo é à conta) do que ir sentado no comboio a ler um livro, ou ir a pedalar e sentir o sol a bater na cara e o cheiro do café ao passar numa rua de comércio (é só um exemplo!).
Cada um terá a sua bitola, mas parece-me mais interessante demorar um pouco mais mas usar efectivamente esse tempo a fazer uma coisa que nos dá prazer.

Out-of-the-box!
Depois há um conjunto de alternativas, mais pontuais, que podem passar por dividir o carro com um colega ou vizinho, mudar de emprego para um menor remunerado mas com custos de deslocação bem menores ou inexistentes, etc, etc.

Soube recentemente de um caso, verídico, que uma rapariga comprou um carro a crédito, a 8 anos, e depois de pagar a prestação mensal, sobravam-lhe 50€, que obviamente não cobriam os custos de deslocação para o emprego. Claro que viva com os pais, que lhe cobriam o resto dos custos.
Agora pergunto, não seria melhor ficar em casa "quieta", ou seja a usar o tempo de uma forma mais lucrativa?
É um caso extremo... será assim tanto?

A solução radical.
A fenómeno dos subúrbios é muito acentuado em Portugal. Milhares de pessoas vivem/dormem longe dos locais onde passam a vida, onde trabalham, onde têm os filhos na escola. Por vezes, mesmo ao fim de semana caminham para os centros das cidades onde não vivem e para onde caminharam toda a semana, seja para eventos culturais, seja ver os amigos, etc.
Não são tempos fáceis para mudar de casa, mas muita vezes, a solução mais económica, mais confortável, mais TUDO é, efectivamente ir morar para o centro, onde estão os empregos, as melhores escolas (muitas públicas), os melhores transportes públicos, as melhores condições para andar de bicicleta, os melhores cinemas, teatros, etc, etc, etc, tudo o que as cidades têm de bom!
A troca de mais m2 (na casa) por km's percorridos é uma concessão que sai muito cara e (também há estudos que o comprovam) que esses m2 extra são sobrevalorizados face ao uso e benefício que realmente acrescentam.
Como disse o Guterres, "É só fazer as contas!". Quanto custa a Prestação da casa + colégio dos filhos + despesas de transportes? Quanto vale o tempo que gasto a mais diariamente? Quando é que vou recuperar esse tempo perdido? (Nunca mesmo!).
Talvez a conclusão seja que afinal as casas no centro da cidade não são assim tão caras.

Conclusão.
Se há desconforto, financeiro ou de outra natureza, é preciso provocar, lutar pela mudança. O carro está demasiado entranhado e (muitas vezes) é preciso reequacionar sem essa "constante"!

17 janeiro 2012

Crawl - A minha experiência

'Crawl' é uma palavra de pesquisa que manda leitores para este blog com alguma frequência.
Um pouco por causa disso, mas também porque voltei agora à piscina depois de 6 meses de interrupção (estou com pica!), vou contar a minha experiência no crawl, ao longo deste últimos anos.

Este post retrata apenas a minha experiência neste estilo. Não sou especialista, longe disso.

Toda a gente sabe nadar! Toda a gente nada crawl, bastando para isso dar uma braçadas em jeito de remadas e já está.
Nas nossas praias assistimos a verdadeiros nadadores... de praia. Cabeça de fora a girar (rabinho bem lá em baixo), braçadas enérgicas e curtas e pronto, 20 metros e 'tá' feita a demonstração técnica do Tarzan.
Volta e meia, aparece um que leva a cabeça debaixo de água e faz o dobro da distância - este sim, sabe nadar!
É certo que ninguém nasce ensinado e que não temos todos que nadadores, mas cada vez me divirto mais a ver o crawl que se nada por aí.

Não há muito tempo estava naquele grupo que metia a cabeça debaixo de água e fazia 30 metros seguidos, tudo isto com respiração bilateral! Eu sabia nadar mais-ou-menos... pelo menos pensava isso. Sério.

Um dia, decidi ir nadar para uma piscina, em regime livre.
O primeiro choque foi quando percebi que não conseguia nadar com ritmo meio-enérgico muito mais do que 25mts seguidos. Com a insistência comecei a aumentar a resistência.
O segundo choque, este enorme, foi quando decidi pegar numa prancha e bater apenas as pernas. Não consegui sair do sítio, literalmente.
Abandonei a prancha e continuei durante algum tempo a nadar em regime livre. A resistência foi aumentando e as sessões chegaram aos 1700mts (cerca de 45').

Depois de parar cerca de um ano, decidi voltar, mas desta vez para ter aulas. Foi o melhor que fiz.
Só quando temos um professor é que percebemos que afinal não estamos tão longe dos tais figuras de que falei antes, mesmo com respiração bilateral! :)

As pernas são duas âncoras que ao invés de nos darem propulsão, puxam-nos para trás, 'pedalando' (os joelhos trabalham muito e o movimento é rotativo) em vez de baterem , fazendo mais resistência do que outra coisa. Há aprendizes que chegam a andar para trás, quando apenas batem pernas.
A somar às pernas a trabalhar em contra-mão, temos as braçadas sem técnica, resultando numa coisa que não se pode chamar crawl, na realidade.

O problema maior é quando há 30 e tal anos disto. Desmontar todos estes vícios mecânicos é uma tarefa muito complicada e só anos de aprendizagem e prática nos permitem nadar com uma técnica média.

Ao olhar para a minha filha a bater pernas na sua aula de natação, tenho a certeza que me ganharia nesse exercício e temos o mesmo tempo de aulas de natação.

O que tem que ter quem sabe nadar crawl?

Deslize, deslize, deslize - Um bom nadador parece que vai parado, tal a aparente lentidão/subtiliza dos movimentos. Na realidade tem um bom deslize e apesar de poucas braçadas a velocidade é elevada e com um esforço optimizado.
Amplitude na braçada - para haver deslize é preciso agarrar a água lá à frente e deixá-la lá bem atrás.
Direcção - Todos os movimentos devem ser equilibrados e alinhados. Os braços não se cruzam à frente da cabeça, a anca pode 'dançar', etc. Os S's não permitem o tal deslize.
Pernada - As pernas têm que bater com um mínimo de técnica. Só muitos exercícios só de pernas podem dar a potência e a técnica. Nada de dobrar joelhos! Sem uma boa pernada o corpo afunda e os braços é que pagam.

Hoje, passados 4 anos de aulas de natação, 2x por semana, posso dizer que sei nadar crawl, porque reúno as condições base que acabei de descrever. Tenho-as, mas todas elas precisam de melhorar.

Quem quiser aprender (mesmo!) a nadar crawl, ou outro estilo, vá para as aulas, pois em regime livre não chega lá. Pode até chegar a uma boa performance, mas ficará sempre aquém do seu verdadeiro potencial. O longo percurso de aprendizagem da natação é o torna este desporto mais atractivo, pois é um desafio constante.

16 janeiro 2012

Quem somos, o que fazemos e o que queremos

Está a decorrer um inquérito on-line que visa "delinear perfis de utilizadores de bicicleta em meio urbano e identificar os problemas que enfrentam, assim como recolher propostas e sugestões para a melhoria das infra-estruturas da rede ciclável lisboeta."

A responsável pelo dito é uma experiente utilizadora de bicicleta da cidade e este estudo é feito no âmbito da sua Tese de Mestrado em Engenharia do Território do Instituto Superior Técnico (IST), que tem como tema "Gestão da Mobilidade em Bicicleta - necessidades, factores de preferência e ferramentas de suporte ao planeamento e gestão de redes".

O inquérito está disponível em www.InqueritoBicicleta.pt.to e o tempo estimado para preenchimento do inquérito é de 5 a 10 minutos. O público-alvo são utilizadores de bicicleta em Lisboa. As respostas serão alvo de tratamento estatístico de dados com fins meramente académicos.

Este tipo de estudos são muito importantes, sobretudo numa sociedade como a nossa em que pouco se sabe e se estuda sobre... mobilidade, por exemplo.

Pessoalmente estou muito curioso sobre os resultados, até porque trata-se de um questionário bem feito, claramente feito por quem tem experiência no terreno e que sabe quais os assuntos/questões importantes no tema.

PS: A autora do estudo conduz a única bicicleta que vendi até hoje! E o que eu gostava da bicla!


13 janeiro 2012

A cidade, as pessoas e as bicicletas

Quando se fala em grandes cidades, Nova Iorque vem sempre à cabeça. Pelo menos à minha.
Não conheço assim tantas cidades, mas conheço essa. Estive lá em 2002, altura em que os carros não me faziam a confusão que fazem hoje, e fiquei apaixonado. Passei 5 dias na rua e, apesar de todo aquele betão, ferro, trânsito, consegue ser uma cidade onde o peão se sente bem com inúmeros espaços agradáveis, desde jardins, parques, praças, etc, etc e muita companhia, ou seja pessoas na rua!

Desde então, muita coisa mudou nessa cidade, mas só para melhor.
Nova Iorque tem hoje um espaço público com muito mais qualidade e, aos poucos, os carros começaram a perder espaço para as pessoas. Para as pessoas e para as pessoas de bicicleta, que significa praticamente o mesmo, ao contrário das pessoas em carros que se transformam num ser frio, distante e tendencialmente agressivo.

Dito isto, segue o vídeo que queria mostrar neste post :)


Streetfilms- Celebrating #BIKENYC 2011

Natação - check!


Voltando rapidamente aos bons hábitos... :-)

12 janeiro 2012

2012, o ano [signo] do Pedal?

Tudo aponta para um ano com muita pedalada e o fim de uma fase menos activa (meio ano praticamente parado). A ver vamos...

14 novembro 2011

O fim das rodinhas! :D


Foi numa tarde de domingo, com um céu cinzento, negro até, pronto para descarregar toda a chuva que tinha sido prevista para fim de semana.

Depois de uma manhã de sofá a ver carros que falam na televisão, o filme Carros 2, era preciso desanuviar e nada melhor do que um passeio.

Como também tinha os cães para passear, desafiei a Joana e o Afonso para irem de bicicleta enquanto os passeava. Aceitaram logo. A Joana ainda quis que convidasse uma amiga que mora perto e esse foi o nosso primeiro destino.
Pelos passeios, lá fomos nós, eu a pé com os cães, o Afonso na sua bicla com rodinhas e a Joana na dela.

Como andar pelos passeios é desagradável, a Joana, já mais estradista, acabou por não curtir muito. Já o Afonso, estava especialmente motivado. Aproveitava cada troço para pedalar desenfreadamente só parando com uma valente travagem, por vezes no limite do equilíbrio.

Na zona da PSP, onde à volta de um relvado há uma espécie de pisa oval feita em blocos de cimento, meti-os a pedalar em jeito de corrida. O Afonso, ou por outra, o Francesco do Carros 2 como ele dizia, estava louco e pedalou com todas as suas energias. Cada ressalto no chão desequilibrava a pequena bicla de rodas 12" e pouco terreno perdia para a irmã, veterana nestas andanças.

A chuva continua a anunciar-se, o céu cada vez mais negro, mas o Afonso continua pedalar e cada vez as rodinhas tocavam menos no chão. O momento ideal tinha chegado.

Ao chegar a casa, desafiei-o. Vamos tirar as rodinhas? Aceitou prontamente e lá fomos nós.

Na mesma praceta onde a Joana aprendeu aos quase-6 anos, o Afonso com quase-5 aprendeu ontem.

Comecei por o segurar no pescoço, no capucho do casaco e passado uns minutos já o estava a deixar ir sozinho. Tirando o arbusto e uma ou outra entrada pelos canteiros que envolvem o largo, foi tudo sempre a andar. Esqueceu-se dos travões no processo mas parava facilmente com os pés tal o tamanho reduzido da bicicleta.
No meio disto tudo, nem um nervosismo, antes pelo contrário. Olhava para o lado, para trás, até tirou a mão para coçar o nariz... com uma queda evitada por mim, que por acaso seguia ao lado dele. :)
A principal instrução inicial foi "abranda!", não admira a foto estar tremida... ;)

Fui a casa buscar a câmara e ficou tudo em filme.

Grande sensação, esta de ensinar um filho a andar de bicicleta. Foi a segunda vez, mas o gostinho manteve-se!

Agora, é continuar a treiná-lo e passá-lo para a bicicleta da irmã de roda 20" depois de lhe tirar os autocolantes das Winx que foram colocados por cima dos motivos de rapaz que decoravam originalmente a bicicleta. :D (truques para não comprar coisas em duplicado!)

A Joana (sem saber), já tem uma bicicleta de senhorita à sua espera, uma Órbita Estoril 24" usada-como-nova comprada na semana passada. :)

Agora sim, somos 100% ciclistas lá em casa!

PS: passados 10 minutos estava a chover a cântaros. Foi uma tarde muito bem passada. Nada como enfrentar as condições!