21 outubro 2011

Bicicletas de carga

Novamente este tema?
Sim! Nunca é demais insistir nele, divulgar estas bicicletas que podem mudar a vida de muito boa gente que pensa que o porta-bagagens e os bancos de trás são indispensáveis, logo o carro é indispensável nas suas vidas.

Para abrir deixo aqui este video com alguns testemunhos americanos sobre o tema (inclui energia eléctrica em alguns casos!)



Andar com uma coisa destas é muito mais do que andar com uma bicicleta mais alguma carga.

Muitos se interrogarão, uma bicicleta com uns bons alforges não dá para o mesmo? uma bicicleta com uma cadeirinha e uma criança não é a mesma coisa?

A resposta é "Não".
Uma bicicleta de carga, tem uma versatilidade semelhante a um carro, apenas tem menos capacidade.

Com uma bicicleta com (uns bons) alforges, temos que meter a carga avulso dentro do alforge, para depois tirá-la da mesma maneira. Se precisarmos de um item que está no fundo do dito, temos que tirar tudo para fora, quase. Não é prático.

Com uma bicicleta de carga, podemos sair de manhã e ir alterando o plano ao longo do dia mesmo que essas alterações ao plano incluam transporte de crianças (até um adulto!) ou cargas (um carrinho de compras quase cheio, por exemplo!).

Aproveitando a ausência do Afonso, ontem, pela primeira vez, fui de bicicleta para a natação da Joana, levando-a na bicicleta longa. Estou sempre a dizer a quem começa a pedalar, "Vais ver que passado meses e meses estás a descobrir mais e mais tarefas onde o carro pode ser substituído". Ontem fui eu a sentir isso, apesar de terem passado anos, ainda estou em evolução nas duas rodas como meio de transporte.

Como ia fazer o trajecto pela primeira vez, levei a minha filha (28kg) no banco de trás. Tomar esta decisão não implicou refazer a mala. O mesmo saco que ia no carro, enfiou-se numa das mega-super-versáteis bolsas laterais et voilá!
Às 18h a cidade de Lisboa estava caótica, mas o nosso caminho não incluía caos, porque algumas ciclovias são efectivamente úteis pois introduzem novos traejctos para bicicletas e não é preciso ir "dar uma granda bolta!". O que as ciclovias de Lisboa trouxeram de bom, efectivamente, foi isto, atalhos!

Durante o caminho, a sensação foi a de estar a ser filmado para um anúncio de bicicletas, onde todos olham, comentam, os carros ficam para trás e nós, utopicamente passamos "voando" por aquele caos todo, sempre com um sorriso nos lábios e cabelos ao vento (ok, no caso da minha filha!) :)

Demorando pouco mais do que a opção automóvel, acabei por estacionar à porta (literalmente).
Foi só tirar o saco em segundos, prender a bicicleta a um poste e estamos dentro do recinto!

O regresso, não foi tão directo, pois não queria subir o que tinha descido para ali chegar. Optei por um caminho mais longo, mais central e sem ganhar cota (desnecessária). A confusão/trânsito era tanto que até as motas foram ficando para trás. Ao chegar ao Campo Grande o caos instalou-se pois era jogo de um clube que veste verde que tem ali o estádio... Mais motas e motociclistas a verem-nos passar e lá chegámos a Telheiras. Para nós foi um fim de tarde normal, aproveitando o tempo da viagem para conversar e comentar o que se ia passando...

Para a próxima oportunidade, vai o mais pequeno à boleia (são só 20kg) e a Joana já vai a pedalar na dela. A carga dos dois.... vai na cargo-bike, claro!

Join the revolution! Get a cargo-bike!

07 outubro 2011

Ainda as ciclovias

Há um ano falei das ciclovias, numa perspectiva pessoal, com base na minha experiência.

[mapa com representação gráfica de duas alternativas
de circulação, nas ciclovias e fora]


Como se trata de um assunto sempre actual, volto a referir esse post (ou então é para fazer render mais ainda um dos posts mais lidos - faço fortunas com publicidade! NOT!).

Ciclovias analisadas.

Passou um ano e a minha opinião mantém-se inalterada.

Se queremos melhores condições para pedalar pela cidade a "luta" deverá ser contra a velocidade excessiva que é praticada nas cidades e pela invasão total dos automóveis aos poucos espaços que ainda não lhes pertencem (passeios, praças, passadeiras, segundas-filas, etc, etc).

Alguns factores (adicionais) a ter em conta na questão das ciclovias:

- São caríssimas! Porque são feitas, então? Porque são politicamente vantajosas (estão na moda, dá para inaugurar e ficam "bonitas"), ou seja, o povo gosta.
- Mantém/potencia o automóvel como rei e senhor da estrada. Ao meter as bicicleta fora das estradas, os automobilistas tornam-se menos tolerantes à presença das bicicletas. Há muitas queixas de ciclistas que são chateados por automobilistas para irem para o passeio (até polícias já fazem isto).


PS: Eu uso algumas ciclovias, mas em alguns cruzamentos a minha atenção tem que ser muito maior do que quando circulo na estrada, no fluxo "normal" do trânsito.

03 outubro 2011

A ciclo-revolução

Depois não digam que eu não avisei.

A ciclo revolução está a ganhar forma. Para além dos cada-vez-mais-frequentes avistamentos de ciclistas pelas ruas das cidades portuguesas, mais concretamente Lisboa, onde o fenómeno está a ganhar expressão, a Massa Crítica está cada vez maior.
Setembro foi o mês de aniversário da MC de Lisboa (já lá vão 8 anos!) e é sempre mês de record de participantes.

Na passada sexta-feira, fomos mais que 400 ciclistas (há contagens que apontam para 450), praticamente o dobro do record que foi estabelecido há um ano, no 7º aniversário.


Ter participado nesta Massa Crítica foi um privilégio por vários motivos, dos quais destaco (em jeito de resumo):

- Já não andava de bicicleta há 25 dias (devido à recuperação de um acidente de mota)

- Levei a Joana pela 1ª vez (à pendura na Xtracycle), que apesar da confusão, especialmente alguns corkings mais confusos, gostou.

- O percurso de Telheiras até ao Marquês. Saímos 17 de Telheiras e ao longo do trajecto, vários ciclistas se foram juntando. Indescrítivel!! Parecia uma cena combinada para um spot publicitário. Até banda sonora teve, pois o SOM da MC mora em Telheiras e era nesta caravana que ia.
Telheiras, mais uma vez, no topo da mudança, em transição!
Chegámos ao Marquês num grupo de cerca de 30 ciclistas. Muito bom!

[chegada do "gang" ao Marquês]

- A minha irmã também participou e veio de bicla do Montijo (acho que andou de barco pela 1ª vez e já lá está há uma porrada de anos) e acabou por fazer um fim de semana inteiro de bicicleta e transportes públicos E gostou! (óbvio, quem experimenta, normalmente gosta...).

- Foi engraçado ver ali quase uma dezena de ciclistas que directa ou indirectamente estão ali por causa da minha influência (tive que fazer um esforço para o reconhecer um ou outro), alguns dos quais já optaram por incluir a bicicleta nas suas opções de mobilidade. É uma grande satisfação.

- Numa reunião recente numa empresa  (por causa desta lides) lançámos o convite para participarem na MC e disponibilizamo-nos a arranjar bicicletas para quem não tivesse.
Estavam lá cerca de 15 colaboradores, todos estreantes!!!
Fica aqui o agradecimento à Bike Ibéria e ao Didier que emprestou bicicletas muitos destes novos participantes. É assim que se luta pelas causas que acreditamos!

- A Massa atingiu um volume brutal (que já mostra um pouco do que vem aí) e eu estava lá! A sensação de participar numa onda positiva daquelas é algo que não se esquece. ;)

[Praça de Espanha]


E como foi o percurso de mais de 400 ciclistas por volta das 19h numa sexta-feira? Foi o de sempre mas em "mais bom" :)

- A rotunda do Marquês de Pombal, onde se dão várias voltas iniciais, ficou atestada, não dando sequer para perceber onde começava ou acabava a coisa.

- Todas as avenidas por onde passávamos ficavam repletas de ciclistas, escapando-se apenas a faixa BUS, como sempre.

- Para manter esta massa compacta, foram necessárias rolhas (corking) nas vias perpendiculares quando os semáforos estavam verdes para as mesmas. Tirando a rotunda de Entre-Campos, onde os ânimos tiveram ao rubro, correu tudo bem.

- Com estas rolhas, o trânsito nas zonas onde circulámos ficou caótico, em todos os sentidos. Em Entre-Campos o verdadeiro dead-lock foi feitos com bicicletas, o que não deixa de ser engraçado. We are traffic!

- A Praça de Espanha foi quase "tomada". Metade de toda a extensão circular da dita foi ocupada por bicicletas, até à compactação num semáforo onde se atingiu um êxtase geral, com salva de palmas e tudo. Muito bom.

- Mais uma passagem pela rotunda do Marquês e depois segui dali para casa, já que tinha penduras menores. Sei que continuou para a baixa e terminou com a "tomada" da Praça do Comércio para fotos finais.

Esta MC teve necessariamente muitos estreantes e de certo que esses não ficaram indiferentes ao fenómeno, quer da Massa propriamente dita, quer do movimento em geral, pois estiveram na "montra" e puderam observar N soluções cicláveis, com carga, crianças pequenas e grandes, etc, etc. Há muito que a bicicleta saiu da esfera do desporto/BTT e ali estão centenas de casos que provam isso.

Fotos de Alexandre Paris, aqui.



13 setembro 2011

As crianças e as bicicletas - num livro!

A bicicleta transporta-nos para a infância. Não há dúvida.
A nossa infância teve a bicicleta como parte importante. Muito importante mesmo, no meu caso!

Hoje, as infâncias já não são o que eram, mas hoje há livros para tudo! :D
Vai ser lançado um livro que poderá compensar algum atraso na parentalidade de alguns....ou criar o "bichinho" na criança para ela depois exigir aos pais aquilo que eles não lhe deram e é dela por direito!

O meu livro de bicicletas”. Trata-se de um livro infanto-juvenil que dá a conhecer às crianças o mundo das bicicletas, a sua história, as suas múltiplas formas, as vantagens e regras da sua utilização, os cuidados de manutenção e o futuro da bicicleta no mundo.


A abrir a Semana Europeia da Mobilidade 2011, no dia 16 de Setembro, Dia da Bicicleta, será lançado o livro “O meu livro de bicicletas”, editado pela Câmara Municipal de Almada e pela Agência Municipal de Energia de Almada.




Paralelamente é inaugurada a exposição “Pedalar pelo mundo da bicicleta”, um evento inspirado no livro, que estará patente ao público até dia 3 de Outubro e que permitirá percorrer a história da bicicleta e perceber a sua diversidade e diferentes tipos de uso.



Fica a ideia para um cool gift para crianças! ;)

Esta iniciativa conta com o apoio da MUBi.

09 setembro 2011

O puzzle de Lisboa

Para se fazer um puzzle, é necessário ter uma boa noção da "big picture" mas também conhecer alguns elementos específicos. Se conseguirmos ligar esses pontos específicos, então temos capacidade de acabar o puzzle com muito mais facilidade.

Como não temos propriamente a imagem das cidades onde vivemos na cabeça (mesmo com o uso generalizado do gmaps e afins), acabamos por tentar fazer o puzzle sem recurso a esse elemento.

Mas o que quero dizer com esta conversa?
Em baixo está a cidade de Lisboa com os percursos que já foram feitos de bicicletas por todo o agregado lá de casa.

[Principais trajectos percorridos em família, alguns deles muitas vezes]

Apenas parte do "puzzle" está completo, mas de bicicleta todas estas peças se unem com bastante facilidade e tenho como certo que os meus filhos, com 4 e 8 anos, têm uma boa noção da cidade onde vivem. O nível de dificuldade deste puzzle acaba por diminuir. :)

Circular com eles de bicicleta pela cidade, dando-lhes pequenas informações sobre os vários locais, monumentos, praças, etc, parando aqui e ali, etc, dá-me um imenso prazer.
Descobrir, realmente, a cidade e em simultâneo dá-la a conhecer desta forma aos meus filhos é uma das melhores coisas que a bicicleta trouxe à minha vida.

O reflexo desta "educação", em termos de mobilidade, tem um retorno quase imediato. Cada um deles olha para o carro como uma das hipóteses de transporte e quase sempre como a última. De bicicleta, a pé são sempre as opções óbvias para eles e por vezes é preciso justificar porque não se pode ir dessa forma :).

PS: A minha filha já foi chamada de mentirosa na escola ao contar alguns episódios relativos às viagens de bicicletas...

06 setembro 2011

A carga e as crianças - os terríveis

Andar de bicicleta é muito bonito. É actual, é saudável e tal, mas só se aplica aos outros, porque quando chega à opção do próprio, acaba sempre num redondo "[Mas] para mim não dá!".

As crianças e a carga são frequentes desculpas para nem sequer se considerar melhor o tema.

Será a bicicleta o meio de transporte indicado para responder a estas solicitações? Por si só, não, mas tendo em conta todas as vantagens de andar de bicicleta e as razoáveis capacidades de alguns modelos disponíveis (sim, como nos carros, há modelos para tudo!), acho que é um assunto que tem muito por explicar.

Claro que o ideal é ter várias bicicletas. Não vou entrar pelo tema "quantas tenho?", mas digo apenas que é bem mais económico ter duas ou três bicicletas do que dois carros.

Por exemplo, em baixo está uma bicicleta (a cinzenta) que me custou 30€ e só foi preciso encher os pneus para ficar operacional.

A estrela da companhia, nestes capítulos, é a "longa", claro. Um kit que alonga as bicicletas faz maravilhas por centenas de vidas "across the planet!" e a minha família já foi apanhada nesta revolução ;)

Como não estou muito inspirado para escrever, ficam algumas fotos do dia a dia que falam por si (e com alguns comentários).

[qualquer pessoa a conduz - aqui a Rosa, que há muito não andava de bicicleta,
experimentou e adorou... com Catarina, a filha, atrás]

 [como depois deste encontro fomos todos para minha casa, levei a Rosa na "longa". Não há fotos, mas levei também o Afonso e a bicicleta pequena com rodas de reboque. A Catarina seguiu no porta-bagagens da bicicleta da minha mulher. A Joana também estava, claro, e pedalou na dela. 6 pessoas em 3 bicicletas e outra bicla de reboque. Espectáculo em Telheiras. Parecia o corso, tudo a olhar! :D]

 [Aqui foi a minha mulher que decidiu fazer um desvio e passar no Continente. Ao optar por um carrinho de compras, o volume das mesmas descambou, mas a "longa" apara estes golpes todos na boa...]

 [Regresso da feira da Luz, Carnide, com produtos de feira. Caixa de arrumação,
regador, fruteira de barro, vassoura e pá com cabo]

[18kg de ração para levar para a garagem na rua de trás... nah, pedala-se!] 

[um passeio familiar em que a Joana se cansou depois de muitos kms, já perto de casa...
Salta para a "longa" e mete a roda da frente no saco :p]

[e quando se vai só trocar uma coisinha e se acaba por comprar muito mais coisas
 que afinal estavam em falta e nem um elástico se tem. Puxa-se pelo nosso lado asiático 
e equilibra-se o excesso de carga, usando apenas a mola do porta-bagagens.
O saco com as Estrelitas foi na mão! :D ]


[Mais uma chegada das compras...com passageiro]

Que roupa para pedalar

Por esta altura já se percebeu que a bicicleta é cada vez mais também um meio de transporte e não apenas um aparelho para desporto.

Assim, pedalar poderá ser feito com vários objectivos e a vestimenta deverá ser escolhida em conformidade. Mas claro, entre tipo de roupa, há diferenças para além do conforto...

Como sempre, o Yehuda e amigos, retratam muito bem (também) estas situações.




23 agosto 2011

Paris->Brest-> a caminho de Paris

Depois de ter trazido os Randonneurs para Portugal, neste momento (as we "speak"), o Pedro está a finalizar um projecto de vários anos. Participar no mítica "prova" Paris-Brest-Paris.

Já com mais de 800km peladados, durante mais de 40h, depois de já ter ido dar a volta a Brest, este ciclista tem pela frente mais 400km - tudo isto numa etapa, ah pois é!


Força Pedro! e BOA SORTE!


Para ver os tempos intermédios:
Aqui, introduzindo o nº dele, o 8471.
(No blog dele pode ser vista a posição actual no mapa)



31 julho 2011

Malas de viagem

Começa a ser difícil não ter uma bicicleta por perto, mesmo em férias.
Se não posso ir montado numa, tenho que levá-la na bagagem.

Este ano as férias vão começar no norte. Uma semana no Porto sem uma bicicleta? Nah!
Perder a oportunidade de sentir o pulsar da cidade imbicta? Nem pensar.
Ainda por cima tenho lá um encontro cycle chique (com q de quá-quá).

Como tenho duas que dobram/desmontam em três tempos (uma mais do que outra), levo duas, uma para mim, outra para a minha mulher (caso apareça a oportunidade de emparelhar).

Recentemente a minha eléctrica foi comparada com uma motoreta... São bocas soltas, meio a brincar, meio a sério, mas o que é certo é que são recorrentes.

Bom, decidi levar a motoreta... numa mala. Vejam como a fiz: