23 agosto 2011

Paris->Brest-> a caminho de Paris

Depois de ter trazido os Randonneurs para Portugal, neste momento (as we "speak"), o Pedro está a finalizar um projecto de vários anos. Participar no mítica "prova" Paris-Brest-Paris.

Já com mais de 800km peladados, durante mais de 40h, depois de já ter ido dar a volta a Brest, este ciclista tem pela frente mais 400km - tudo isto numa etapa, ah pois é!


Força Pedro! e BOA SORTE!


Para ver os tempos intermédios:
Aqui, introduzindo o nº dele, o 8471.
(No blog dele pode ser vista a posição actual no mapa)



31 julho 2011

Malas de viagem

Começa a ser difícil não ter uma bicicleta por perto, mesmo em férias.
Se não posso ir montado numa, tenho que levá-la na bagagem.

Este ano as férias vão começar no norte. Uma semana no Porto sem uma bicicleta? Nah!
Perder a oportunidade de sentir o pulsar da cidade imbicta? Nem pensar.
Ainda por cima tenho lá um encontro cycle chique (com q de quá-quá).

Como tenho duas que dobram/desmontam em três tempos (uma mais do que outra), levo duas, uma para mim, outra para a minha mulher (caso apareça a oportunidade de emparelhar).

Recentemente a minha eléctrica foi comparada com uma motoreta... São bocas soltas, meio a brincar, meio a sério, mas o que é certo é que são recorrentes.

Bom, decidi levar a motoreta... numa mala. Vejam como a fiz:


























20 julho 2011

Lisboa turística

Muitas vezes vivemos em cidades e conhecemo-las menos do que os turistas que as visitam por meia dúzia de dias.

A viver em Lisboa desde 1999, mas há muito ligado à cidade devido a diferentes fases dos meus estudos, só depois de me tornar ciclista é que estou a conhecer e a sentir, MESMO, a cidade que escolhi para viver.

Já falei disto antes, várias vezes!, mas não há nada melhor do que a velocidade não muito rápida nem muito lenta da bicicleta para permitir passar e ver, passar e sentir, parar para ver melhor, mudar de rota só porque sim, etc, etc.

São sítios e vistas como estas, que todos "conhecemos", mas pouco temos o privilégio de lá passar, ver e sentir verdadeiramente.


O Parque Eduardo VII e a fabulosa vista que se tem "lá em cima"



A Praça do Município


A Praça D. Pedro IV, ou o Rossio, que tenho o prazer de atravessar, volta e meia, enquando pedalo lentamente, só observando em redor...

Somos poucos mas bons! Poucos, mas cada vez mais [ciclistas urbanos], uns priviligiados, no fundo.

Fotos tiradas do site da CML.

08 julho 2011

Rodas de Mudança - o site!



Esta campanha está só a começar. Agora na net, redes sociais, mais tarde, quem sabe, pelas ruas das cidades, ajudando a acordar aqueles que ainda estão vidrados em opções obsoletas de mobilidade.

Deixo aqui um especial agradecimento a todos os que contribuiram para este projecto, à MUBi e aos meus dois sócios principais nesta aventura, a Joana Janeiro e o Gonçalo Baptista.
Não esquecer ainda o João Peixoto, que teve o trabalho e paciência de implementar o site, o Bruno que o ajudou e ao Mário Alves que ajudou a melhorar o conteúdo. A eles um agradecimento pessoal.

As rodas de mudaça estão aí e vão continuar a rolar....

05 julho 2011

Rodas de Mudança - Convite para 2ª sessão fotográfica (com fotos oficiais!)


Rodas de Mudança é uma campanha de incentivo à utilização da bicicleta. Através de retratos de pessoas comuns, que simplesmente escolheram esta opção de mobilidade, prova-se que não é preciso ser um super-herói para usar a bicicleta no dia-a-dia.
A 1ª sessão fotográfica foi um sucesso, tanto em material recolhido, como em convívio. A MUBi, associação que promove esta iniciativa contou aqui como foi.

No próximo dia 9 de Julho (Sábado), pelas 15h será a sessão de fotos.

Terá lugar em Telheiras, junto à Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro.


A campanha constituída por um site próprio, já em fase final de construção com fotos da 1ª sessão fotográfica e, posteriormente, também com as da 2ª sessão.


Vamos também tentar outros meios de divulgação, consoante as parcerias e patrocínios que se venham a desenvolver.
Não haverá "venda" nem uso comercial das imagens, que serão sempre da MUBi e apenas para promoção e divulgação da bicicleta.


Para tornar o convívio (ainda) mais agradável, vamos ter comes-e-bebes, em modo picnic, ou seja, cada um é convidado a levar alguma coisa para posterior partilha. Não é preciso levar muito, basta a quantidade equivalente ao que se come/bebe. ;) Estamos a providenciar uma forma de termos cerveja e água fresquinhas.


Também está previsto haver uma Cicloficina e Feira de partes (venda informal de peças), mas estas estarão dependentes do número de participantes.


As fotos da 1ª sessão ficaram espectaculares, e fica aqui um cheirinho da qualidade da coisa, com fotos da minha família e dos outros dois "sócios" da iniciativa, Joana e Gonçalo.


Fica o convite! Apareçam!



01 julho 2011

Então e o desporto?

O desporto foi o tema que escolhi para começar um blog.
Sentia necessidade de partilhar (ok, também influenciar positivamente) e na altura que comecei a escrever o desporto, a actividade física em geral, pois os seus benefícios e recompensas eram os únicos temas que tinha para essa tal partilha.

Nessa altura a única actividade física regular era o Futebol, mas rapidamente se juntou o atletismo (provas populares de 10 a 15km) e o ciclismo, inicialmente através do regresso ao BTT.

Foi na sequência desta mudança, mais desporto, o blog e a conjugação dos dois - o blog e a partilha funcionam como catalisador, é giro - e da blogosfera que descobri o tema da mobilidade e mais tarde surgiu a "arrojada" ideia de usar a bicicleta para algumas deslocações dentro da cidade.

Pelo meio ficaram algumas aventuras mistas, mobilidadó-desportivas com idas do Tagus até casa e experiências de triatlo que depois ficaram mais sérias tendo chegado a ser federado e tudo.

Com o triatlo, veio o ciclismo e as bicicletas de estrada. De uma bicicleta clássica, que comprei na noite anterior a ir para Coimbra para uma prova de triatlo, a uma mais recente, mais adequada às exigências das provas (pedais de encaixe, mais mudanças, etc). Ter bicicletas de ciclismo também soube bem, mesmo como meio de transporte, devido às suas grande performances.

Ao longo de todo este tempo a natação foi sempre o desporto mais regular e desde que descobri/senti as duas hérnias discais, em Dezembro de 2009, tem sido o único desporto regular que pratico.

E então? Como ficamos? :)

Na natação a evolução tem sido contínua.
Para quem está fora, mesmo quem gosta de nadar, acha que a natação é uma seca. Felizmente, no meu caso não tem sido nada seca. Tenho vários colegas com níveis aproximados ao meu e, todos, temos evoluído e continuamos com muita pica durante as aulas, onde se misturam os exercícios e a competitividade saudável. Não há aula de que não goste.
Os tempos têm baixado em quase todas os estilos e distâncias, mas o que se nota é uma velocidade de cruzeiro cada vez mais elevada, resultado da maior técnica e maior relaxe com que nado hoje.

No triatlo, 2011 está a ser o primeiro ano em que ainda não participei em nenhum.
Nem a prova de Oeiras que nunca tinha falhado, este ano devido a ter coincidido com a grande aventura/viagem ao Algarve.

O atletismo parou, praticamente.
Depois das hérnias aparecerem só corri na Corrida do SLB em 2010 e nos triatlos desse ano. Voltarei? Tenho para mim que sim, mas em terra batida para massacrar menos a coluna.

O ciclismo.
Entusiasmado com as bicicletas de estrada, comecei a achar piada a esta modalidade.
No ano passado, fiz os 84km num passeio da FPCUB, passeio que repeti este ano, saindo de casa já a pedalar, o que somou mais 100km.
Ainda no ano passado, acompanhei o Pedro Alves dos Randonneurs durante a sua passagem por Lisboa, vindo de Viana do Castelo a caminho de Sagres, no já conhecido "Portugal na Vertical", agora brevet homologado para qualificação para a mítica prova Paris-Brest-Paris, tendo feito cerca de 100km, igualando o record pessoal em termos de distância de bicicleta.
Na gaveta ficou a participação no Brevet de 200km dos Randonneurs de Portugal, prova inaugural desta associação.

BTT. Com as costas assim é complicado voltar. Ainda não desisti (tenho a bicicleta), mas não sei se e quando voltarei. Se o fizer, serei bem menos radical :(


Resumindo, a natação e o ciclismo, sobretudo o feito em modo utilitário têm sido toda a minha actividade física/desporto. Este últimos tempos têm sido mais activistas do que físicos e o tempo não chega para tudo.

Ainda bem que uma das grandes vantagens da bicicleta como meio de transporte tem-se confirmado, e em termos de forma física, propriamente dita, encontro-me apenas com 1kg a mais em relação ao meu peso quando estava no auge da forma desportiva, há cerca de 2 anos.

10 junho 2011

Cicloturismo familiar - do Plano C ao plano B

Ter um plano C é fácil. Exige pensar out of the box. Se ter não é fácil, executá-lo ainda é mais difícil...

Não é novidade a minha paixão por bicicletas. Não é novidade que tenho algumas. Não é novidade que recentemente investi numa long-tail e a razão pela qual o fiz foi aumentar mais ainda a percentagem de viagens feitas de bicicleta, sobretudo em família.

Dia 9 de Junho, foi o dia para o qual estava preparado um grande plano [C], a viagem e férias de bicicleta para toda a família. Quatro pessoas, três bicicletas, muita carga, farnel para viagem, muita boa disposição e espírito de aventura.

Eis o relato deste memorável dia:
O dia começou cedo. O Afonso, excitado com o que aí vinha, acordou antes da 8h e disse logo "Eu queria mesmo acordar cedo!".
A Joana teve uma manhã normal pois era dia de escola e tinha um teste. Só a fui buscar às 10h45, depois do teste.
O tempo esteve sempre muito tremido e com alguns aguaceiros, o que deixou algum stress, sobretudo se tivéssemos que sair sem folga para apanhar o comboio e estivesse a chover bem na altura. Não aconteceu!

A saída de casa estava programada para as 12h00. Toda a bagagem só foi finalizada e carregada naquela manhã. Umas compras de última hora (de bicicleta, claro) e 1 minuto antes da 12h00 estávamos todos montados nas bicicletas, prontos para o grande dia que se esperava, fazer Telheiras > Portimão com bicicletas, usando muito comboio.
As bicicletas fariam a ligação Casa->estação de Entre-Campos e estação de Portimão->Casa.
A grande inovação seria deixar o carro em casa para uma viagem longa e usar apenas bicicletas nos dias de férias no Algarve.

Nesta altura, tivemos a companhia e ajuda do João Oliveira, vizinho e amigo, que nos acompanhou de Telheiras até ao cais da estação de Entre-Campos, sempre documentando esta saída de Lisboa com fotos e filmes e terminando com uma preciosa ajuda a levar as bicicletas carregadas (long-tail semi-aviada e bicicleta da minha mulher com quatro alforges) até ao cais, utilizando as escadas rolantes.
Uma última foto do grupo junto das bicicletas, despedimo-nos do João e passado uns 10/15 minutos, o nosso comboio chegou.

Uma vez instalados, depois das bicicletas atracadas em zona própria (excepto a da minha mulher que foi encostada sobre um degrau), foi uma viagem super tranquila.


Comeu-se, bebeu-se, tiraram-se fotografias e os miúdos, felizes da vida, deliciaram-se com novas paisagens, vistas com outra calma e conforto a que ainda não estão habituados, pelo menos em longas distâncias.


Cerca de 1h depois, chegámos a Setúbal. Dali, iríamos seguir no Inter-Regional até Tunes, e daí num outro comboio até Portimão.
Como tínhamos tempo (uns 40 minutos), dirigi-me com os miúdos até às bilheteiras, situadas num piso inferior, para confirmar a linha, etc, deixando a minha mulher no cais com as três bicicletas.

Ao aproximar-me das bilheteiras, começo a ouvir a conversa entre o cliente e a funcionária e duas palavras saltaram do texto: "greve" e "regional". Comecei a gelar e com vontade de falar por cima da outra pessoa... Rapidamente chegou a minha vez e o inesperado confirmou-se, o comboio que íamos apanhar fora suprimido porque, "o revisor morava não-sei-onde-lá-para-o-norte e como não teria comboio para regressar a casa ao final do dia por causa da greve anunciada para o dia seguinte e por isso não ia haver comboio".
(Ainda agora, enquanto escrevo estas linhas, fico sem acção quando relembro esta justificação)

A partir daqui foi o descalabro... Até ali tinha sido tudo perfeito, perfeito demais, diria.
Aquele comboio era o 2º e último comboio do dia que podia transportar bicicletas.

Entretanto apareceu uma esperança, o Inter-Cidades ia passar dali a uns minutos e "se o revisor estivesse bem disposto" poderia deixar-nos seguir viagem com as bicicletas... era uma esperança. Entretanto a Srª espreitou e viu a nossa frota... "São essas todas? Esqueçam, nem vale a pena lá ir!!!" :/ Claro que fomos.
Toca a subir ao cais da linha 1 (felizmente o elevador era comprido e a long-tail cabia lá) para fazer o choradinho ao revisor. Depois de uma falha destas por parte da CP, restava a boa vontade de um funcionário....

Chegou o comboio, corro para o homem, que saiu de uma porta mais atrás, explico-lhe rapidamente o sucedido e peço-lhe para nos levar. Perguntou quantas bicicletas eram e deu o OK.
Corro para a minha mulher, acenando-lhe logo ao longe para pegar nas bicicletas e entrar... Nisto, como as portas que estavam perto das bicicletas não eram das normais, acabamos por nos aproximar do revisor e ele apercebe-se que uma da bicicletas era a long-tail.... e "epá, essa grande não dá!!" Pediu desculpas apressadamente, fez sinal ao maquinista e nós, depois de uns segundos de esperança, vimos o comboio partir... sem nós.

Ironicamente, a mesma bicicleta que nos abriu os horizontes e nos levou até ali, foi a razão por termos ali ficado, a meio da viagem, sem alternativas para continuar...
Claro que a "bicicleta grande" foi a desculpa que ele precisava para nos dar um não. Foi um alívio para ele não ter que "pisar o risco" e permitir bicicletas a bordo, mesmo depois de a CP nos ter abandonado no meio, sem aviso prévio, sem qualquer preocupação pelos seus clientes.

Finalmente derrotados, fomos até ao exterior da estação, comer qualquer coisa, já que os miúdos suplicavam por comida e também por explicações, pois perceberam que algo não estava a correr bem...
Milhares de opções passaram-nos pela cabeça... continuar de bicla via Tróia? Mas o tempo, os miúdos e a Joana a pedalar não permitiam grandes aventuras.
Com muita dificuldade e angústia decidimos voltar para trás... Dali a minutos havia um comboio para Lisboa e devido a isso, saímos rapidamente do jardim onde os miúdos almoçavam o frango/farnel e voltámos a estação da desgraça.

Com os miúdos confusos e nós ainda sem ter caído na real, fizemos a viagem de regresso, já sem a alegria da manhã, pelos menos os adultos. Só a sair da estação em Entre-Campos é que o Afonso realmente se apercebeu que estava a voltar para casa. Nem na passagem por cima do Tejo, quando dissemos que era novamente Lisboa, quis acreditar dizendo "Lisboa? não, vamos para o Algarve!".
Eram 16h e estávamos novamente em Lisboa. Pedalar até casa foi feito em modo silencioso.



No Campo Grande, o Afonso começou a cabecear e a adormecer... tive que lutar para ele manter os olhos aberto e o corpo hirto. Chegámos a casa, mas não foi a chegada esperada. Em vez de triunfantes, chegámos derrotados. Derrotados pelo absurdo.

O excelente plano C falhou. Restava-nos pensar no plano B.

A opção carro parecia-nos "nojenta", nesta altura, depois de todo este plano. Como só haveria comboio no Sábado (devido à greve anunciada para Sexta), ir nesse dia também parecia inapropriado, já que voltaríamos na Terça seguinte.

Ao entrar em casa, a escolha foi óbvia. Voltar a casa, abri-la, desarrumá-la, para voltar a sair em breve, não seria opção. O carro teria que ser usado, por muito que nos custasse.
Parecia um plano A... mas foi salvo. A minha mulher disse logo "levamos [em cima do carro] duas bicicletas e temos lá outra."

E assim foi. Consegui-se fugir do plano A e delinear um plano B.

[o carro substituiu o comboio]

[Bagagem da bicicletas, transferida. Nunca a bagageira andou tão vazia]

Claro que o plano B, usando o carro, também tinha os seus imprevistos...

[2ª circular completamente entupida]

Nove horas depois da primeira saída de casa, chegámos a Portimão, duas horas depois da chegada prevista na viagem original.

Para cúmulo, pouco depois de iniciarmos a viagem de carro, soubemos pelo rádio que a greve tinha sido desconvocada.
Azar dos azares, fomos afectados por uma greve que nunca chegou a acontecer... Troika, dêm uma olhada pela REFER e CP, paalease!

Pessoalmente cheguei com uma sensação mista, derrota-vitória. Derrotado por mais uma vez ter trazido o carro. Vitorioso por sentir que não são obstáculos destes que me/nos vão impedir de continuar a trilhar o plano C.

Hoje, na continuação do plano B, promoveu-se a bicicleta de senhora a cargo-bike-not-so-long-tail-with-a-seat.

[Alforge duplo DIY com tela reciclada (de publicidade de rua) e almofada para pendurinha]

Ao seguirmos para a praia juntamente com o meu sogro, confirmou-se... este plano B está a saber muito, muito bem.


Moral da história, o plano C está forte, será continuado, revisto e aumentado.

Esta foi mais uma aventura que não será esquecida e ficará sempre como a 1ª viagem de cicloturismo da família, mesmo não tendo sido bem assim.

Já me estou a imaginar daqui a uns anos, far, far away, à frente de uma fogueira com a família, bicicletas ali ao lado, começando uma conversa "Lembram-se na nossa 1ª viagem de bicicleta??"

06 junho 2011

Ostentar

É chegar de bicicleta ao trabalho, num parque tecnológico no meio do nada, onde praticamente toda a gente chega de carro porque não há alternativas.

É entrar na garagem do edifício, cheia de carros-status, passar airosamente ao lado da cancela, estacionar e partilhar um elevador com colegas que perguntam admirados "Vem de bicicleta para o trabalho??".

Nunca gostei de ostentar, mas com a bicicleta, quando acontece, dá-me um certo prazer! :)

01 junho 2011

Uma aventura para lado nenhum

Andar de bicicleta como meio de transporte altera a vida de quem opta por o fazer.
Uma das alterações é a adição de uma dose aventura na vida do dia-a-dia, o ram-ram. Pode ser visto com um ponto negativo, sobretudo pelos detractores, e há muitos por aí, como já referi antes.
Aventura é uma componente que desaparece na vida ao longo dos anos, sobretudo quando se vivem vidas muito mais controladinhas, standerizadas e formatadas.
Para quem anda de carro, o maior imprevisto nos dias que correm é a quantidade de trânsito que se apanha, aliás, justificação sempre bem aceite por quem espera muito por alguém – Aposto que é das desculpas falsas mais usadas, tal a boa aceitação que tem.
De bicicleta, o maior imprevisto, dos poucos aliás, é sem dúvida alguma a meteorologia, sobretudo em dias de tempo incerto.
É claro que não é tanto quanto os automobilistas pensam, pois estes nem se apercebem que é raro o dia em que chove muito tempo seguido – fechado num automóvel não se tem uma percepção acertada das condições atmosféricas (nem de uma carrada de outras coisas…).
No sábado passado, dia incerto, o plano familiar era passar de bicicleta pelo Campo Pequeno a meio da tarde. Estava a decorrer o 1º Encontro Cycle Chic de Lisboa e a Cenas a Pedal tinha lá uma tenda/loja. Como tinha encomendado um “assento” para os passageiros da Xtracycle, assim passava por lá e aproveitava para ver como estava a decorrer o encontro chic.
[Quando a carga é irrequieta, demora-se mais a acondicioná-la]
À medida que nos íamos preparando e atrasando, o céu foi escurecendo, até que passados poucos minutos de termos começado a pedalar, começou, naturalmente a chover. Eu na X com os miúdos e minha mulher na dela (por prevenção à chuva a Joana não levou a dela para simplificar em caso de molha).
Quanto mais andamos de bicicleta, mais nos relaxamos com a cor do céu – não há utilizador de bicicleta que não faça isto. Há três razões principais: 1) Uma melhor percepção do tempo devido à maior exposição a este; 2) Gostar imenso de usar a bicicleta como meio de transporte; 3) Mais abertura para a “aventura”.
Seguíamos, todos frescos, já com as pingas a engrossar, e aceleramos o andamento até pararmos debaixo da Padre Cruz, num grande viaduto que serve peões e a ciclovia Telheiras-Entrecampos.
Enquanto aguardávamos por uma aberta, desfrutámos daquele abrigo. Desfrutar é gozar o momento, nem que seja rir da situação em que nos metemos e imaginar como vamos sair dela.
O Afonso corria feito louco de um lado para o outro.
A Joana, menina, imaginava como sairíamos dali, enquanto a chuva se adensava e os trovões começavam…

Enquanto os minutos passavam, as esperanças que mudasse o tempo foram ficando menores, e fotografias se tiravam… :p
Como tínhamos um casal amigo ali perto – com quem tínhamos combinado este passeio, mas aguardava uma aberta para sair de casa – em troca de mensagens, ofereceram um resgate dos miúdos dali para fora de carro.
Toca de vestir os impermeáveis...
... e enquanto o carro chegava e não chegava, preparei-me para levar os miúdos até à estrada…


Claro que eles, instintivamente, meteram-se debaixo do meu poncho. Foi uma risada completa aqui e, ficou a ideia para outra altura… :)
Resgate dos miúdos feitos, e nós decidimos seguir para casa, mas… distraídos com o resgate nem analisámos bem as condições do momento e foi precisamente quando caiu a maior carga de água. Andei 100mts, a subir, e dei meia-volta e voltei à “toca”… Esperámos mais um pouco e lá seguimos, hilariantes… no meio do barulho da chuva conseguia ouvir as gargalhadas da minha mulher :).
O meu poncho (na Xtacycle leva-se sempre muita coisa e este já lá estava!!!) tapava-me quase todo, o problema era por baixo pois ainda não tenho pára-lamas, apesar de já estarem encomendados… :(
Passado minutos estávamos em casa, encharcados da cintura para baixo, mas muito bem dispostos. Os miúdos aguardavam dentro do carro, estacionado à nossa porta.
Assim se passou uma parte de Sábado. Se podia ter sido evitado? Podia, mas não teria sido a mesma aventura. De certeza que desta ninguém se vai esquecer e a vida é também é feita de coisas como estas.
Depois de um lanchinho, acabámos por passar de carro pelo Campo Pequeno para fazer o que estava previsto.
Curiosidade: o pessoal da Cenas a Pedal também estava encharcado e nem impermeáveis levaram… “Olhámos para o céu, mas estava calor, por isso pensámos, que se lixe, vai ser uma cena tropical…” – Eu não disse que os ciclistas relaxavam em relação às condições meteorológicas…. Eu disse!
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Já esta semana, o Tagus Park ganhou mais uma ciclista, com grande contribuição do serviço gratuito da MUBi, o Bike Buddy. O Rui Costa foi o voluntário de serviço e sem nunca lá ter ido antes, cumpriu a sua tarefa com distinção. O Trajecto foi Amadora->TagusPark com comboio à mistura. Quem ainda pensa que não é possível, pense novamente, pois as desculpas começam a ser poucas.



27 maio 2011

A minha "X"tracycle

Finalmente tenho a minha frota completa com a chegada da "Xtracycle" (até uma dobrável já temos, fruto de uma generosa oferta de um bom vizinho - conhecer vizinhos é só vantagens!!).

Xtracycle é a marca do kit que alonga a bicicleta (afastando a roda de trás cerca de 40cm) e lhe dá uma capacidade de carga estrondosa com duas bolsas laterais enormes e de grande versatilidade. Ainda por cima é escalonável com a adição de mais peças da mesma marca que encaixam facilmente.
É comum chamar "eXtracycle" ou simplesmente "X" a bicicletas com este kit, tal a importância que ele assume na bicicleta. Com ele, de facto, a bicicleta ganha toda uma outra dimensão que só quem experimenta e usufrui das suas capacidades consegue efectivamente perceber.

Como tem sido?

O 1º fim-de-semana foi super Xtraciclado.
O 2º teve um domingo 100% a pedal, mas "só" entre Telheiras e Sta. Apolónia, depois Entre-Campos, Av. Igreja e regresso a casa, 7h depois, isto tudo em modo carregando os cerca de 45kg que terão a Joana e Afonso juntos. Como é andar com os dois? É fácil! 21 mudanças ajudam e as pernas vão dando para os declives.

O que muda?

Já tínhamos forma de andar com o Afonso. Já tínhamos alforges. Já fazíamos piqueniques de bicicleta.... Agora, fazemos tudo isto e mais com muito mais facilidade.

1º Poder levar os dois filhos significa ir a todo o lado.
A Joana já pedala pela cidade, mas não está apta para 1) distâncias superiores a 2/3km, sobretudo com declives; 2) lidar com muito trânsito, ou por outra o trânsito não está apta a lidar com ela, que até já consegue ir "direitinha" - no outro dia um automobilista "atencioso" achou que era boa ideia buzinar alto-e-bom-som mesmo atrás dela para sinalizar a sua presença!!! Claro que a miúda assustou-se e ficou nervosa, e eu, claro, também tendo até gritado com o condutor no semáforo seguinte... enfim.
Levar os dois é super seguro e prático, além de dar espectáculo toda a viagem (fica tudo a olhar!), já que vamos ao ritmo de adulto, e podemos ir para todo o lado. Começamos a olhar para qualquer destino de uma forma muito menos carro-dependente. É um verdadeiro abre Ciclo-Horizontes!

2º Carga, muita carga
Como dizia um cromo com quem trabalhei, "por exemplos, um exemplo":

Ontem, dia de compras. Lista feita, 5 minutos pedalando até ao Hipermercado de Telheiras, compras feitas sem qualquer restrição de volume....


Carregado nos porta-bagagens....

[Já com o volante para os passageiros instalado, obtido e transformado na cicloficina]

Estacionar! Outra grande vantagem desta opção, para mim. Assim posso levar as compras até à porta/quintal de casa mesmo. De carro chego a percorrer 30mts entre o carro e a porta de casa.


Para ilustrar melhor a quantidade de compras (quase 20kg), decidi fazer esta foto:


Algumas considerações:

Pedalar com peso lateral - Assim que comecei a pedalar com todo este peso senti o balanço e tive que conduzir de forma mais suave. Uns 20mts foram suficientes para me habituar. Tive muitas manobras apertadas depois disso e foi na boa.

Carregar a carga - Confesso que ainda nas compras pensei "posso comprar o que quiser que cabe tudo na X".... Arrumar foi mais complicado, pois requer alguma arrumação. Acabei por meter tudo à maluca, ainda por cima só levava metade das coisas ensacadas. Não foi fácil, mas estou convencido que a prática permitirá levar mais 50% de volume/peso sem stress.

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Ontem, foi dia de Massa Crítica, onde já não ia há muito. Foi muito fixe, com 126 participantes, muitos estrangeiros, um patinador, um corredor, muito bom tempo, muito corking pacífico, um andamento super tranquilo.


Para acabar em beleza, desvio da Massa para ir jantar com a Joana (também participante da Massa) e Gonçalo para os lados da Av. António Augusto Aguiar. Pela 1ª vez percorri a totalidade da ciclovia Duque D'Avilla e gostei bastante, pena os pilaretes demasiado em cima da mesma...

Curiosidade: Do restaurante até a meio do Campo Grande, demorámos o mesmo a pedalar do que demorou o Gonçalo no seu carro (que usou devido a ter um joelho lesionado!), às 22h30, ou seja, sem qualquer tânsito.