Quem lê este blog, ou quem me conhece, sabe mais ou menos qual o meu trajecto que faço para ir trabalhar.
Moro em Telheiras e trabalho no Tagus Park em Oeiras.
Morar em Lisboa e trabalhar fora de Lisboa é uma situação contra-natura. Cresci nos subúrbios, a deslocar-me diariamente para Lisboa, desde o Jardim de Infância, no secundário, na faculdade e no 1º emprego, com alguns bons intervalos pelo meio (desde a primária até ao 9º ano e no 12º). A viver desde 2000 em Lisboa, comecei a trabalhar em Oeiras em 2001. É galo! Por gostar de viver em Lisboa (sobretudo em Telheiras!) e não viver sozinho, é óbvio que mudar está fora da equação!
Quando, em 2001 em pleno centro de Lisboa, na 1ª entrevista para o actual emprego, me disseram "Vamos mudar para o Tagus Park em Oeiras, há algum problema?", respondi prontamente, "Não, não há problema, tenho carro!".
Comecei menos mal, em modo car-pooling.
Um grande amigo meu, de Benfica, acabou ficar meu colega alternavamos semanalmente de carro/condutor.
Era excelente! Éramos amigos, dividiamos os custos, partilhavamos a viagem com muita alegria e palhaçada, só volta e meia tínhamos que gerir melhor os horários devido a um de nós ter que ficar até mais tarde que o habitual. Nos dias em que havia um assunto particular para tratar antes ou depois, cada um levava o seu carro nesse dia.
Foi assim durante mais que um ano (não me lembro quanto tempo foi exactamente). Já nessa altura a nossa motivação era, sobretudo, de eficiência. Para quê dois carros para duas pessoas com o mesmo percurso e horário??
Mais tarde as nossas vidas complicaram-se, com filhos, com mudanças de morada, etc, o car-pooling deixou de ser opção e comecei a utilizar o carro, sozinho, como a grande maioria do portugueses.
Aqui entrei na fase tuga pura. Carro para todo o lado, levar a filha, ir buscar, é rápido, é contra-o-trânsito, etc, etc. Claro que valorizava a actividade física e tal, mas o carro era parte de mim.
Andei nisso até muito recentemente, altura em que comecei até começar escrever o blog Sportblog, inicialmente sobre a minha actividade desportiva, depois sobre a actividade física em geral, evoluindo para a utilização da bicicleta, altura em que se abriu para mim o mundo da mobilidade, muito por causa da web 2.0.
Como conhecimento é uma coisa lixada, comecei a ganhar uma consciência que nunca mais me permitiu olhar para carro-o-transporte-de-eleição com os mesmo olhos.
Nessa altura, dava por mim, dentro do carro, nos 18km de trajecto a pensar "tenho que arranjar uma forma de meter a bicicleta nesta equação".
As primeiras experiências foram aventureiras. Foi um misto de aventura/mobilidade suave. Como andava numa onda de BTT, comecei a analisar o mapa com o Google Earth e fui trançando e experimentando percursos cada vez menos urbanos. Levava a bicicleta no carro e no fim do dia ia de bicicleta para casa.
Demorava cerca de 1h15m e tinha um contacto bastante razoável com a natureza (tendo em conta a zona), com avistamentos de animais selvagens e tudo (perdizes, águias, coelhos). No dia seguinte ia de boleia de manhã e ao fim do dia regressava novamente no carro.
Numa fase seguinte, apareceu-me a solução bicicleta+Transportes Públicos, a intermodalidade.
Telheiras>Benfica>de comboio>Barcarena>TagusPark passou a ser o percurso a fazer de bicicleta, mas apenas de vez em quando.
Entretanto o namoro com a Gocycle já tinha começado. Tinha o que eu precisava, eléctrica, compacta, leve e "muita louca"! ;) Tive que a comprar! mas só depois de pensar muito sobre o assunto, pois conheci-a mais que um ano antes de a comprar, não foi algo impulsivo.
Mesmo com esta bicicleta, nas deslocações para o trabalho o carro continuou a ser o transporte principal e só volta e meia é que a minha vida permitia a utilização da bicicleta, comparando com um dia bom de carro, demorava mais 20 minutos e isso numa vida complicada pode fazer a diferença.
Já em 2010, com a mudança do meu filho mais novo para uma escola no bairro, tal como a minha filha, desapareceu a necessidade do carro para ir levar/buscar um filho a outra parte da cidade e tudo se descomplicou. Descomplicou para mim e para a minha mulher que começou a andar de bicicleta pela cidade logo a partir dessa altura.
Como o uso da bicicleta ocasional (o pico foi no mês de Setembro com 50% dos dias neste modo) não me satisfazia, continuei a procurar uma solução e cheguei à mota. Mota não, Vespa! :)
A partir de Outubro, desde do dia que a comprei, nunca mais usei o carro para ir trabalhar, à excepção de dois dias em que estive doente e decidi ir trabalhar na mesma.
Desde então, tem sido mota e, volta e meia, bicicleta.
Andar de mota novamente (de 1986 a 1996 foi o meu único meio de transporte) foi voltar a ter a liberdade que ela permite. Tal como na bicicleta, a componente trânsito desaparece como que milagrosamente e isso dá a liberdade de escolher qualquer percurso, a qualquer hora sem ter que equacionar o trânsito. É muito bom!
Está longe de permitir a vivência que uma bicicleta permite, mas só o facto de nos retirar de dentro da lata (e tudo o que ela implica) faz desta opção uma boa opção.
Fora do trajecto casa-trabalho-casa, hoje, o carro só anda mesmo quando tem que ser. Desde o início do ano foram consumidos menos de dois depósitos de combustível pelos carros lá de casa, em pequenas voltas por Lisboa com os miúdos (até isso está a mudar!) e em viagens para fora de Lisboa.
Ainda este sábado tive que chamar a assistência pois quando cheguei ao carro tinha a bateria descarregada.
Este post acabou por ficar diferente do que pretendia inicialmente, mas a escrita é assim, leva-nos a sítios diferentes dos planeados :D
Um dia destes vou escrever sobre as diferenças entre estes três modos, carro, mota e bicicleta.
Boas mobilidades!