11 fevereiro 2011

Cidades com vida

De todo o activismo que tenho praticado recentemente (engraçado como em Portugal esta palavra é quase depreciativa), em diferentes áreas, pró-peão e contra-carros-nos-passeios, pró-bicicletas como meio de transporte, pró-andar-a-pé (para a escola), na Transição (contra-um-sem-fim-de-coisas-da-sociedade-actual), o grande somatório disto tudo é simples de obter:

O que eu quero mais são cidades com vida.

O que é uma cidade com vida? Já temos muitas pessoas (vivas) nas cidades, aliás cada vez mais... mas será que isso se está a traduzir em "vida"?

Temos cada vez mais pessoas de costas para a sociedade, à espera que alguém faça o que elas querem que seja feito, mas sem nunca pensar que podem sair do lado do problema e passar para o lado da solução.
Temos cada vez mais pessoas, mas cada vez mais dentro de carros.
Temos cada vez mais pessoas mas a viverem vidas cada vez mais isoladas (não escrevo isto na sequência da notícia da morte da idosa que só foi descoberta 9 anos depois, embora tenha tudo a ver!).
Temos cada vez mais pessoas auto-escravizadas numa sociedade de consumo., que trabalham sobretudo para "ter" e cada vez menos para "ser", e trabalham muito.
Temos cada vez mais pessoas que passam cada vez menos tempo com os filhos. Delegam a educação na TV, consolas, internet e afins.

Temos cada vez mais pessoas a viver como autómatos, ou seja com menos vida.

O que me move em termos sociais é isto. Envolvo-me para promover a vida.

Escrevi este post depois de ver estas duas imagens, não por ter sido uma descoberta vê-las pois já é um tema que aprofundo há uns tempos, mas inspiram-me!

Antes ->vidas???


Depois->Vidas!!!

Nestas duas fotos (a 2ª tem tanto fotoshop quanto as fotografias de revista de hoje em dia) podemos ver como trazer vida às cidades. O site de onde as copiei está a promover um concurso tipo "Desenha a tua rua!" e é curioso pois é precisamente o que estou a fazer com os meus vizinhos do grupo da Mobilidade na Iniciativa de Transição de Telheiras.

O que tem a Transição a ver com mobilidade e medidas de acalmia de tráfego? Tem tudo! Transição -> eliminar dependência do petróleo + comunidades mais ligadas = andar a pé.
Como conseguir converter trânsito motorizado em trânsito não motorizado? Redesenhando as ruas para dar segurança aos actores principais, as pessoas!!

O que já aconteceu até agora? Começou com um palestra sobre a utilização da bicicleta como meio de transporte e mobilidade suave em geral com a participação do Mário Alves, onde cabeças foram literalmente abertas para esta temática.
Desde então, várias pessoas (no mínimo 5 ou 6) passaram a a bicicleta como meio de transporte. Foi criado um grupo de trabalho que já tem um diagnóstico sobre o bairro, que, se tudo correr bem será o princípio de processo de transformação na vida de bairro, que não é má mas pode melhorar e muito.

Termino este post com uma frase que aprendi neste processo: "As pessoas são o sangue das cidades". Já agora uma outra: "Os carros esterilizam as ruas". Têm tanto significado. Adoro o poder da linguagem!! :)

Bons desenhos! Boas vidas!

28 janeiro 2011

Bicicleta de carga

Já tenho algumas bicicletas, mas ainda me falta ter uma.

Não é uma qualquer, é A bicicleta que vai eliminar algumas viagens (curtas) de carro, que ainda faço e que me fazem muita comichão.
Porquê a comichão, porque são curtas, porque são de carro quando podiam ser facilmente feitas de bicla, sem trânsito, sem estacionamento, sem poluir etc, etc.
Porquê de carro? Porque tenho que carregar coisas, porque tenho que levar o filho e/ou a filha não-sei-onde.

MAS, o fim desta comichão está à vista. Vêm aí a UTE! Trata-se de uma long-tail que tem os requisitos que tenho neste momento, um deles, o preço contido.

Há duas semanas tive a oportunidade de experimentar uma long-tail. Troquei de duas-rodas com o Gonçalo (Vespa<->bicicleta) na sexta à tarde e tive um fim de semana livre do carro, quase.
Logo no sábado de manhã, fui ao Continente de Telheiras com o Afonso. Para ele foi a aventura, sempre a dizer para andar mais rápido e a reclamar sempre que pedalava (ainda que apenas por momentos) em cima do passeio... "vai para a estrada, vai para a estrada!".
Giro giro, foi ameaçar para ele se portar bem, senão íamos de carro e não de bicicleta! e a resultar!!! ;)

Na parte da tarde, foi o "grande" passeio à horta de permacultura da FCUL (mais info e fotos, aqui). Já no local, este veículo tornou-se num carrocel e os meus filhos e as filhas de uns amigos que lá foram ter, só queriam andar e quase que lutavam para conseguir o seu lugar. Claro que, por onde passávamos, era garantia a atenção de todos...não sei porquê :)

Agora, é só esperar mais umas semanas para que a minha chegue.
Já está encomendada, claro, à Cenas a Pedal ;) que me ajudou imenso neste difícil processo de escolher a bicicleta ideal tendo em conta os meus requisitos. São especialistas em soluções de mobilidade a pedais! 5 estrelas!

21 janeiro 2011

Permacultura?? O que é essa cena?

Quem viu este filme já sabe um pouco do que é isto da Permacultura.

Quem não viu o filme, não sabe o que perde... mas eu digo, perde a possibilidade de ter a noção do que está por detrás da nossa agricultura convencional e como esse modelo pode ter os dias contados.
Perde a possibilidade de conhecer alguns (bons) exemplos alternativos à agricultura convencional.

Claro que pode sempre reverter isso e ver o filme, ou ir até Telheiras na próxima quarta-feira, dia 26 de Janeiro, participar no evento, "AH! Permacultura em Telheiras!", mais uma iniciativa do grupo de Transição em Telheiras, do qual, orgulhosamente, faço parte! :)
(clicar para ampliar)

Melhor ainda, pode ver o filme e participar no evento. ;)
Participem! Experimentem sair do lado do problema e passar para o lado da solução. É bem mais interessante.

20 janeiro 2011

Pequenas (grandes) mudanças

É com orgulho que escrevo este post.
Sempre gostei de partilhar e até influenciar, sobretudo quando tenho a certeza que essa partilha/influência é uma "coisa boa".

Há uns meses, em conversa com um colega durante o almoço, o tema era "filhos" e rotinas matinais, etc.
Este meu colega, com três filhos pequenos (dos 2 aos 6 anos, na altura, acho) não tinha a vida fácil e falava da rotina de distribuição como algo complicado.
De facto, despachar, meter no carro (casacos, malas, cintos de segurança, etc, quando são muito pequenos/não obedientes, etc, não é fácil, acreditem!), enfrentar o trânsito, arranjar lugar para estacionar minimamente bem, ir à escola, despedidas nem sempre rápidas (daí a importância de estacionar sem bloquear outros), etc, etc... Ufa, só de escrever isto cansa!
Bom, ouvindo isto e tendo eu já "visto a luz", fiz uma ou duas perguntas para perceber se havia possibilidade de mudar (haver há sempre!).

- A que distância moras da escola?
- É fácil estacionar em frente à escola?
- Costumas apanhar trânsito nesse trajecto?

Bingo!
Morava perto (dois quarteirões), estacionar era super complicado e stressante e o trânsito era também um factor muito importante já que estamos a falar de uma zona central e movimentada até com alguns dias de caos.

Meti o discurso "andar a pé", falei do meu caso e dos benefícios que senti com as mudanças, pois também tinha sido totó ao levar a Joana de carro "à passagem", o que era um absurdo completo.

A minha sugestão/desafio(!) foi logo aceite. As diferenças foram sentidas logo de início. Houve dias de resistência das miúdas, mas a mudança aconteceu.
Também a mulher do meu colega resistiu à mudanças, mas temporariamente (o testemunho é seu)

Entretanto pedi-lhes que dessem um pequeno testemunho na 1ª pessoa, que acederam logo, mas só agora me chegou às mãos. Tá tudo dito.


Andar a pé é divertido. [21.05.2010]

Todos os dias de manhã a rotina da distribuição era igual. Todos juntos num único carro e fazíamos a distribuição. Primeiro o mais pequeno, que fica com a avó e depois as meninas que andam na mesma escola, a seguir passávamos em casa e cada um seguia no seu carro para o trabalho.

No mês de Fevereiro (mais coisa menos coisa) o marido começou a ir levar as meninas a pé. Elas não gostavam nada. Faziam fita à saída, ou porque estavam cansadas, ou porque lhes doía as pernas ou porque tinham frio. Quando chovia iam contente com os chapéus-de-chuva. Eu não concordava (muito) com esta mudança, mas até me deu jeito. Pois assim perdia menos tempo de manhã e chegava muito mais cedo ao trabalho e assim também podia sair mais cedo.

Algum tempo depois, as queixas deixaram de se ouvir e começaram a perguntar-me quando é que eu ia também a pé e todos os dias respondia-lhes: qualquer dia.

Os dias ficaram melhores, o bebé começou a andar ainda melhor e experimentei. Demorei menos tempo e fiquei fã. E voltámos a sair todos juntos de manhã para a distribuição, a diferença é que não vamos de carro, mas sim a pé. Nos dias em que não há actividades extra-curriculares, também os vamos buscar a pé. Apesar da distância não ser grande, sinto que as crianças andam melhor, com o passo mais firme e mais direitas.

Desvantagens: Nenhuma.

Vantagens:

  • Não temos de nos preocupar com o estacionar na escola, que por vezes era uma confusão.
  • Poupança de combustível.
  • Despachamo-nos mais depressa (tem dias em que é muito complicado “prender” 3 crianças dentro de um carro).
  • Chegam à escola com o aquecimento feito e não há tantas birras na despedida.
  • Mais tempo com qualidade com as crianças.
  • E sem sombra de dúvida, é divertido!

Actualização [29.01.2011]

A partir do início do ano lectivo de 2010/2011 (Setembro), o mais novo foi para a escola – antes ficava na casa da Avó – e deixámos de sair todos juntos a pé, só as mais velhas é que iam a pé com o Pai. “Ele tem de ir de carro dado que a escola dele fica a cerca de 15 minutos a pé, enquanto as delas fica a cerca de 7 minutos, sem ronha”.

A partir de Outubro, com a mudança do clima ele ficou doente, até há 2 semanas, e por causa disso até as manas deixaram de ir a pé.

Desde a semana passada voltamos a fazer as caminhadas matinais, e a boa disposição voltou. Vamos no caminho a cantar, a falar sobre coisas que aconteceram na véspera e que no dia anterior não houve tempo para contar…etc, e num instante já está, chegamos à escola.

12 janeiro 2011

Telheiras em Transição

Não tenho falado muito disso, mas faço parte da Iniciativa de Telheiras em Transição.

O que é a Transição? É a passagem de uma sociedade desagregada e dependente do petróleo para um conjunto de comunidades unidas e resilientes (uma definição minha).

É consumir conscientemente, é consumir local, é reduzir/eliminar a dependência do petróleo, é cultivar os próprios vegetais e frutas em horta pequenas e/ou comunitárias, de preferência permacultura, é viver em sociedade, é partilhar conhecimento e skills, é poluir muito menos....enfim... é tanta coisa boa! :)

No fundo é uma preparação, uma mudança para um estilo de vida que nos prepará para um futuro cada vez mais incerto, com crises económicas e sociais sem fim à vista, o pico do petróleo eminente (seja hoje ou daqui a 10, 20 anos), uma conjuntura que vai abanar muito a nossa sociedade e o nosso modo de vida actual.

E não, não é nenhuma seita do Apocalipse, é uma comunidade que olha para o lado da solução em vez de se focar no problema.

No âmbito deste movimento, a bicicleta tem um papel importante por todas as razões que já foram anteriormente faladas ;)

Este fim de semana a bicicleta estará em alta em Telheiras e por isso deixo o convite a todos que queiram saber mais um pouco de permacultura, que queiram/precisem reparar ou afinar uma bicicleta ou simplesmente queiram conviver com pessoas que escolheram viver a vida e outra maneira.
(clicar na imagem para ampliar)

Eu, em princípio, terei uma long tail (bicicleta mais longa que transporta muita carga e também pessoas) durante o fim de semana para um "teste de carga" a esta opção na vida real .

Já experimentei a bicicleta do Bicycle Repair Man durante uns minutos e foi a loucura (ainda hoje me lembrei dele enquanto caminhava para casa com a bicla pela mão, pneu furado) .

Era quase Natal e a Joana e o Afonso decidiram cantar uma canção de Natal, alto e bom som enquanto seguiam, ambos, sentados atrás. Tudo debaixo de chuva miudinha. Épico!
Fica um obrigado à Ana e ao Bruno das Cenas a Pedal.

Em breve haverá novidades neste tema, stay tuned!

Sol. Bicicleta para o ....

...Furo. Mota, afinal teve ser a mota, novamente.

Acordei cedo. O sol radiante confirmou-se e pensei "Zero emissões!". Preparei a trouxa toda para mais um bike-to-work-day. Saco da natação, pequeno-almoço para tomar no comboio, tudo.

Saí, e com a bicicleta (gocycle) pela mão, levei a Joana à escola, para logo de seguida iniciar a viagem para o trabalho.
Cerca de 800mts depois, sensação estranha, parece que "sentia mais o chão", alguns segundos depois, confirmo, furo na roda traseira.

Alguns (intermináveis) minutos a caminhar para casa - ainda bem que foi perto!, encasaquei-me e lá fui ter com a Vespa que levou rapidamente ao trabalho, acabando por chegar à mesma hora que chegaria de bicicleta, mas claro, sem metade do gozo.
Podia ter sido pior, pois se fosse carro teria tido "Zero gozo"!

09 janeiro 2011

50' alternativos à Televisão

Com um documentário de televisão, da BBC.
Desde que vi este documentário que ando a falar muito nele a amigos.
Não fazia sentido, portanto, não o deixar por aqui, até porque é sobre mais um Plano A (Agricultura) que parece estar em causa no futuro, que se adivinha no mínimo incerto.

06 janeiro 2011

Os meus Mais e Menos para 2011

Em jeito de resoluções de ano novo, para 2011 quero:

Chegar mais cedo ao trabalho;
Sair mais cedo do trabalho;
Andar mais de bicicleta;
Andar mais a pé;
Usar mais Transportes Públicos;
Treinar mais para Triatlos;
Participar mais em triatlos;
Praticar mais BTT;
Deitar mais cedo;
Dormir mais;
Ler mais;
Saber mais;
Cultivar mais vegetais no quintal;
Consumir mais produtos portugueses/locais;
Reparar mais coisas;
Reutilizar mais coisas;
Construir mais coisas;
Passar mais tempo com família e amigos;
Conhecer mais sítios;
Ajudar mais os outros;
Partilhar mais com os outros;

Andar menos de carro;
Consumir menos plásticos;
Consumir menos!;
Usar (ainda) menos produtos descartáveis;
Poluir menos;
Ver (ainda) menos televisão;
Depender menos do petróleo;
Desperdiçar menos tempo;


E não, não se trata disto:


Para o planeta só há o Plano A.


Imagem: zero2fearo

Imagens presentes num concurso de design ecológico, Sustainable Refrainables.

03 janeiro 2011

Ano novo... 4 rodas novas!


Não é um carro, claro! Também não são novas, nem velhas. São... antigas... clássicas!!

Uma ZEG para senhora e uma Ye-Ye para homem. Só preciso de uma bomba que dê para válvulas de há 30 anos... :D