10 dezembro 2010

Brincar na rua (ou viver a rua)

Brincar na rua como antigamente...

Já falei disto. A solução é simples.
Basta ir para a rua, dar alguma liberdade às crianças e elas logo dão largas à imaginação e entretêm-se horas. Um bocado de giz, umas pedras, uns paus, um carrinho ou boneca que levam de casa, um novo amigo, uma bicicleta/skate/trotinete/triciclo, etc, etc. Experimentem!
Escolham um "bocado de rua" com alguma área, de preferência sem estar cheio de carros (algo difícil neste país) et voilá!

Se há coisa que dá vida, valor, alegria a uma rua são as pessoas, sobretudo as crianças. Uma rua, um bairro sem pessoas a passar, a "estar", no fundo a viver a rua, não interessa. Escolham outra rua/zona.
As pessoas são o sangue das cidades e as nossas cidades estão anémicas! Cabe a cada um de nós alterar isso. Se não há condições para tal, reivindiquem-nas!!

Se precisarem de um incentivo mais gráfico e com instruções, é fácil, está tudo aqui: Playing Out!
O site está muito bom, com um design tipo giz no alcatrão. Vale a pena visitar e, sobretudo, explorá-lo.
É um exemplo um pouco mais elaborado, já que fecharam as ruas no período pós-escolar. Mas cada um de nós pode remar contra esta maré estéril em termos de vida nas ruas.

Vejam como as crianças se divertem e como os adultos também conhecem vizinhos que nunca tinham visto! Oiçam acerca dos benefícios que brincar na rua tem!

Eu quero isto na minha rua!!!! Queiram também na vossa. Se foi possível ali, porque não é possível aqui e aí??


07 dezembro 2010

Pouca actividade, por outro lado nem por isso

Não tenho aparecido por aqui.
Não tenho andado parado, excepto em termos físicos pois nesse campo só mesmo a natação tem sido praticada e com muito exercício pois o prof. puxa bem pela malta e os resultados depressa aparecerão.

Ando "mole"! não tenho conseguido gerir o tempo para "fazer tempo" para as actividades físicas. Tenho algumas desculpas, mas não as aceito, interiormente. Uma delas foi uma forte constipação com grandes dores de garganta à mistura (até tive que usar o carro para ir trabalhar durante dois dias! custou-me andar enlatado e preso no trânsito!).

Correr já não é muito aconselhável para as minhas costas. "Tenho que correr em pisos mais moles", digo, mas não tenho arranjado forma de o executar.

No campo das bicicletas, tirando um bike-to-work-day há duas semanas, nunca mais pedalei. É mau, mas nem tenho tido pequenos recados para fazer em Lisboa, nem ido às Massas Críticas e nem tenho organizado bem a minha vida para ir para o trabalho de bicla, que exige mais tempo do que a solução motorizada (mota!).

No campo mais teórico, tenho feito umas coisas.
Organização uma palestra, "Há pedalada em Telheiras!!!"* sobre bicicletas, participação em várias iniciativas de transição em Telheiras como por exemplo, ajudar numa horta urbana, na construção de uma espiral de ervas aromáticas, dar os primeiros passos para um novo projecto de criação de medidas de acalmia de tráfego em Telheiras e partilha de muitas coisas com a comunidade que está a crescer graças a esta iniciativa. Eu e o António (com quem organizei a palestra) somos os bike-guys a que toda a gente recorre para pedir conselhos e opiniões sobre tudo o que se relaciona com este tema. Há várias pessoas à procura de bicicletas em Telheiras, neste momento! Há pedalada em Telheiras!!!

* A palestra "Há pedalada em Telheiras!!!" foi dia 24 e ainda nem falei dela aqui.
A assistência foi relativamente boa, mais de 50 pessoas, muitas novas para este mundo.
Eu e o António falámos sobre o assunto de A a Z, passando por todos os mitos sobre o tema (já espelhados no cartaz do evento). As pessoas gostaram, acho.
Bom bom, foi ver o Mário Alves fazer a sua magia e abrir uma nova janela na mente dos presentes, sobre a mobilidade suave em geral. Estava previsto alargar o tema para esta vertente e não podia ter corrido melhor.
Ver cada um dos presentes conhecer outras realidades de mobilidade, ruas com medidas físicas de acalmia de tráfego (passadeira sobrelevadas, árvores desalinhadas, etc, etc) e seus benefícios para a sociedade em geral. Muito bom.
Desde o evento que muitas pessoas vêm ter comigo e referem precisamente esta parte, que nunca tinham ouvido falar de tal coisa e que adoraram a ideia, mesmo pessoas muito viajadas e informadas. Quando não se está alerta para determinadas coisas, nem se nota que elas estão ali! Pessoas despertaram para a mobilidade e seus efeitos na sociedade em que vivemos! Priceless!!!
No fim houve debate e a minha mulher ainda testemunhou a sua experiência que começou este Verão e já vai bem rica.

Agora é começar a inverter este processo menos activo e voltar a fazer mais coisas, no desporto em geral e no ciclismo em geral! :D Depois de arranjar a minha bicla de estrada tenho que começar a rolar para ver se faço o Brevet de 200km dos Randonneurs Portugal, já a 26 Fev de 2011.

25 novembro 2010

Manifesto da reparação (e afins)

É simples: Gasta-se um pouco mais e compra-se produtos que são projectados e construídos para durar muito tempo e sobreviver melhor às modas. A longo prazo poupa-se dinheiro e sobretudo o meio ambiente.

Isto é um assunto sensível já que implica uma mudança significativa no comportamento dos consumidores e na forma de projectar "coisas" de todas as nações industrializadas e ainda dos respectivos modelos de negócio.

A esperança e´que, se mais nada sair de bom das actuais dificuldades económicas, que aprendamos a valorizar a importância da reparação em vez da eliminação, que aprendamos a re-apreciar o talento das pessoas que dão vida às "coisas" e que deixemos que essas coisas tenham uma segunda vida depois da reparação.

O manifesto, em inglês, é muito claro. Vale a pena lê-lo e pensar em tudo o que nele é dito. Faz todo o sentido!
(clicar no Manifesto para ampliar)

Pessoalmente, gosto de explorar as coisas até elas não darem mais. Nunca tive o impulso de deitar fora algo assim que avaria. Muitas vezes nem faço nada, pois a funcionalidade mantêm-se boa, mesmo com uma pequena avaria ou dano. Muitas vezes meto um pouco de cola ou fita-cola. Quando as coisas deixam de funcionar, antes de deitar fora, olho sempre para cada componente e muitos ficam até terem novo uso. E, "guess what?", muitas vezes têm nova vida, na mesma função ou em funções distintas.

Gosto de provérbios e um dos que tenho sempre presente é "Guarda o que não precisas encontrarás o que te faz falta".

É preciso organização e algum espaço para guardar coisas, mas com um pouco de ginástica consegue-se!

Pequenos exemplos recentes:

- Umas tábuas que vinham na embalagem de máquinas de loiça, etc, estão já destinadas para uma pequena construção que tenho planeada.
- Um cabo de esfregona que deixou de servir para a esfregona, passou pouco tempo depois a servir para a pá (daquelas de cabo alto).
- Cordas e atacadores, elásticos, arames, etc, acabam sempre por dar jeito para atar mais tarde.
- Guardanapos de papel pouco danificados podem ser guardados e mais tarde usados para absorver gordura e molhos de loiça suja, evitando assim que vá pelo cano abaixo (lá em casa já usamos guardanapos de pano, mas as visitas recebem de papel).
- Sacos de plástico (dispensa explicações)
- Pregos, parafusos, etc, etc
- Caixas de cartão
- Peças de bicicletas
- Coisas electrónicas sem uso : Tenho um colega que faz mini-projectos com a filha e dou-lhe imensas coisas que depois são convertidas e servem para cativar os pequenos jovens para electrónica e ciência em geral.
Um exemplo: Retirou motores de uma impressora velha que lhe dei e fez uma maqueta de um prédio com elevador e tudo! Já fez carros movidos a energia solar, etc, etc.

Enfim, um sem fim de coisas, que muita gente considera lixo, acaba por dar sempre jeito, mais tarde. Mesmo antes de deitar fora, há que pensar se será útil para alguém. Se for e não se conhecer alguém que precise, deixar de uma forma arrumada na rua ao lado do lixo é meio caminho andado para ser aproveitado.

Recentemente conheci um sistema de "reutilização inter-pessoal" o Freecycle, onde basta aderir ao grupo e depois anunciar algo para dar e estar atento para algo que nos possa dar jeito, até mesmo anunciar o que nos faz falta.
Ainda não usei, mas tenho coisa para oferecer e já vi anúncios de recheios inteiros de uma casa para dar!!!


Muito relacionado com este tema, temos "A histórias das coisas" em http://www.storyofstuff.com/, muito gráfico, com desenhos em tempo real, onde se demonstra de uma forma eloquente como está pensada a indústria de consumo e como esta indústria está a esmifrar o nosso planeta. Vale a pena ver os filmes!!!

22 novembro 2010

Quando tudo começou...e 21 meses depois

Depois de amanhã vou orar :) sobre esta cena das bicicletas. Estou apanhado por este modo, mas consigo ver para além dele, pois tudo está relacionado e espero ajudar a mostrar isso a quem aparecer no evento.

Ainda há apenas 21 meses, relatei a minha 1ª experiência de utilização da bicicleta para fins estritamente utilitários depois de me tornar adulto (pois é, confesso!).

Em jovem usava a bicicleta muito para além da utilização normal para a idade, a de puro lazer. Na Aroeira, onde passei grande parte da minha adolescência, a bicicleta era um meio de transporte e faziam-se N kms diariamente. Também em Mem Martins, Sintra, no Verão, passava o dia em cima da minha bicla e volta e meia lá ia até à Praia Grande a pedalar...

Hoje, e depois de me libertar da formatação social-automóvel, estou de novo a viver esta agradável sensação de liberdade.
É inexplicável. Apareçam para ver um pouquinho, valerá a pena!

É incrível como a mudança que começou há 21 meses me abriu tanto, mas tanto os horizontes em termos de tanta coisa. Sou claramente diferente e em parte devo-o à bicicleta.


16 novembro 2010

De regresso aos...

... Gocycle-to-work-days!!

Pronto, era só isto. ;)

PS1: Continuo a contrariar a teoria geral de que troquei as biclicletas pela mota.
PS2: ZERO viagens de carro (para o trabalho) desde que tenho a mota.

09 novembro 2010

Cartão velho, carro novo!

No Domingo passado, aproveitei algum tempo livre para dar andamento a um projecto que já tinha na calha. Coisas feitas de cartão. O cartão é um material com muito potencial e bem trabalhado dá para imensa coisa, desde brinquedos, móveis, assentos, candeeiros, etc, etc.

Material: Caixa de cartão (enviada por correio pela Gocycle); cola, tesoura (não é o ideal) e ainda utilizei um x-acto.


Peças depois de cortadas...


Os miúdos também participaram. A Joana a colar...


... e o Afonso a snifar cola!/verificar colagem :)


Produto acabado: Um jipe (que não pode apanhar chuva) :)


Mas pode fazer todo o terreno (quando seco!)


Assim terminou este primeiro projecto.
O brinquedo continua a ser o preferido do dia e já tem montes de passageiros desenhados pelo Afonso, pois o cartão estava mesmo a pedir...

O melhor disto tudo é o processo de montagem partilhado com as crianças, pois há uma tendência para acharem que as coisas nascem nas lojas. O Afonso só perguntava "Quando é que está pronto? Já está?" :D. Já a Joana participou activamente.
Ah... e mais ninguém no mundo tem um brinquedo igual aquele. :D

Agora é arranjar tempo para mais brinquedos e utilidades. Talvez um avião e um estojo para lápis e canetas...

08 novembro 2010

"E agora, Portugal?"

Deixo aqui um post de um vizinho que conheci recentemente, nas sessões da Iniciativa de Transição em Telheiras.
É um excelente artigo sobre o estado da nação e do mundo, que deveria fazer pensar todos aqueles que o lerem.
Aconselho vivamente a leitura do post (e o resto do blog).

Aqui:

É bom ter vizinhos, sobretudo destes! ;)

05 novembro 2010

O petróleo está no fim (?)

O pico do petróleo é um assunto que me tem despertado interesse, sobretudo ultimamente, mas um pouco desde que li o livro "O sétimo Selo" do José Rodrigues dos Santos, onde fiquei a perceber alguma coisa (pouca!) sobre o petróleo e as questões à volta das reservas, extracção do dito e das questões geo-políticas-estratégicas que envolvem esta preciosa, e cada vez mais escassa, substância.

O tema não é nada fácil e é encarado pelos leigos, comuns cidadãos como mais uma história do fim do mundo, do Apocalipse e tal.

A conceituada revista National Geographic publicou, em 2004, um extenso artigo sobre este tema, que partilho aqui (digitalização do papel).

Uma coisa é certa, desenganem-se aqueles que pensam que tudo vai permanecer como está hoje, com os seres humanos a explorar o planeta até ao tutano, ao mesmo tempo que o sufocam com gases de efeito de estufa e com os chineses (indianos, etc, etc) a caminharem para o modelo de consumo ocidental (americano, mesmo).

Um pensamento "giro" sobre o petróleo é que vai "aparecer" algo que o substitua. A evolução tecnológica vai encarregar-se, naturalmente, de arranjar uma saída, como está acontecer com os carros eléctricos, visto como a salvação e a razão para deixarmos de consumir petróleo, de o abandonarmos, mesmo (recentemente alguém argumentava comigo isto mesmo, íamos deixar de precisar dele por causa dos carros eléctricos :s).
O petróleo não faz apenas andar os nossos carros, o petróleo está em tudo o que nos rodeia, e as energias alternativas de que tanto se fala (eólica, solar, das ondas, etc) não vão servir para fazer os produtos químicos de que depende toda a agricultura, para medicamentos, alcatrão, plásticos, etc, etc. etc...
A própria rede eléctrica é, ainda, alimentada sobretudo por combustíveis fósseis, como o petróleo, gás natural, carvão.

Bom, não sou especialista (nem de longe nem de perto!) e ainda há pouco tempo não tinha bem a noção de uma série de coisas... Apenas pretendo partilhar alguma informação ;)

03 novembro 2010

Cidadania


"Ask not what your country can do for you - ask what you can do for your country." é das frases históricas que mais me toca.

Em Portugal vivemos ainda na fase "O que é o Estado pode fazer por mim" e como o Estado é muito, muito, muito mau, o que tem sido feito não é bom para ninguém, a não ser para a oligarquia que o compõe.

Na onda do que é que podemos fazer pelo país, acabei de enviar um e-mail à direcção do instituto (público, sim!) onde trabalho, no sentido de os alertar para a falta de políticas de eficiência energética no gigante edifício em que estamos instalados.

Apelei ao lado económico, mas também ao lado ecológico e dei algumas sugestões de fácil implementação, como por exemplo instalar interruptores para se poderem apagar as luzes!!!! Edifícios modernos... :(

Não sei o que isto pode dar (vou tentar que dê algo), mas que fiz o que devia, fiz!