25 novembro 2010

Manifesto da reparação (e afins)

É simples: Gasta-se um pouco mais e compra-se produtos que são projectados e construídos para durar muito tempo e sobreviver melhor às modas. A longo prazo poupa-se dinheiro e sobretudo o meio ambiente.

Isto é um assunto sensível já que implica uma mudança significativa no comportamento dos consumidores e na forma de projectar "coisas" de todas as nações industrializadas e ainda dos respectivos modelos de negócio.

A esperança e´que, se mais nada sair de bom das actuais dificuldades económicas, que aprendamos a valorizar a importância da reparação em vez da eliminação, que aprendamos a re-apreciar o talento das pessoas que dão vida às "coisas" e que deixemos que essas coisas tenham uma segunda vida depois da reparação.

O manifesto, em inglês, é muito claro. Vale a pena lê-lo e pensar em tudo o que nele é dito. Faz todo o sentido!
(clicar no Manifesto para ampliar)

Pessoalmente, gosto de explorar as coisas até elas não darem mais. Nunca tive o impulso de deitar fora algo assim que avaria. Muitas vezes nem faço nada, pois a funcionalidade mantêm-se boa, mesmo com uma pequena avaria ou dano. Muitas vezes meto um pouco de cola ou fita-cola. Quando as coisas deixam de funcionar, antes de deitar fora, olho sempre para cada componente e muitos ficam até terem novo uso. E, "guess what?", muitas vezes têm nova vida, na mesma função ou em funções distintas.

Gosto de provérbios e um dos que tenho sempre presente é "Guarda o que não precisas encontrarás o que te faz falta".

É preciso organização e algum espaço para guardar coisas, mas com um pouco de ginástica consegue-se!

Pequenos exemplos recentes:

- Umas tábuas que vinham na embalagem de máquinas de loiça, etc, estão já destinadas para uma pequena construção que tenho planeada.
- Um cabo de esfregona que deixou de servir para a esfregona, passou pouco tempo depois a servir para a pá (daquelas de cabo alto).
- Cordas e atacadores, elásticos, arames, etc, acabam sempre por dar jeito para atar mais tarde.
- Guardanapos de papel pouco danificados podem ser guardados e mais tarde usados para absorver gordura e molhos de loiça suja, evitando assim que vá pelo cano abaixo (lá em casa já usamos guardanapos de pano, mas as visitas recebem de papel).
- Sacos de plástico (dispensa explicações)
- Pregos, parafusos, etc, etc
- Caixas de cartão
- Peças de bicicletas
- Coisas electrónicas sem uso : Tenho um colega que faz mini-projectos com a filha e dou-lhe imensas coisas que depois são convertidas e servem para cativar os pequenos jovens para electrónica e ciência em geral.
Um exemplo: Retirou motores de uma impressora velha que lhe dei e fez uma maqueta de um prédio com elevador e tudo! Já fez carros movidos a energia solar, etc, etc.

Enfim, um sem fim de coisas, que muita gente considera lixo, acaba por dar sempre jeito, mais tarde. Mesmo antes de deitar fora, há que pensar se será útil para alguém. Se for e não se conhecer alguém que precise, deixar de uma forma arrumada na rua ao lado do lixo é meio caminho andado para ser aproveitado.

Recentemente conheci um sistema de "reutilização inter-pessoal" o Freecycle, onde basta aderir ao grupo e depois anunciar algo para dar e estar atento para algo que nos possa dar jeito, até mesmo anunciar o que nos faz falta.
Ainda não usei, mas tenho coisa para oferecer e já vi anúncios de recheios inteiros de uma casa para dar!!!


Muito relacionado com este tema, temos "A histórias das coisas" em http://www.storyofstuff.com/, muito gráfico, com desenhos em tempo real, onde se demonstra de uma forma eloquente como está pensada a indústria de consumo e como esta indústria está a esmifrar o nosso planeta. Vale a pena ver os filmes!!!

22 novembro 2010

Quando tudo começou...e 21 meses depois

Depois de amanhã vou orar :) sobre esta cena das bicicletas. Estou apanhado por este modo, mas consigo ver para além dele, pois tudo está relacionado e espero ajudar a mostrar isso a quem aparecer no evento.

Ainda há apenas 21 meses, relatei a minha 1ª experiência de utilização da bicicleta para fins estritamente utilitários depois de me tornar adulto (pois é, confesso!).

Em jovem usava a bicicleta muito para além da utilização normal para a idade, a de puro lazer. Na Aroeira, onde passei grande parte da minha adolescência, a bicicleta era um meio de transporte e faziam-se N kms diariamente. Também em Mem Martins, Sintra, no Verão, passava o dia em cima da minha bicla e volta e meia lá ia até à Praia Grande a pedalar...

Hoje, e depois de me libertar da formatação social-automóvel, estou de novo a viver esta agradável sensação de liberdade.
É inexplicável. Apareçam para ver um pouquinho, valerá a pena!

É incrível como a mudança que começou há 21 meses me abriu tanto, mas tanto os horizontes em termos de tanta coisa. Sou claramente diferente e em parte devo-o à bicicleta.


16 novembro 2010

De regresso aos...

... Gocycle-to-work-days!!

Pronto, era só isto. ;)

PS1: Continuo a contrariar a teoria geral de que troquei as biclicletas pela mota.
PS2: ZERO viagens de carro (para o trabalho) desde que tenho a mota.

09 novembro 2010

Cartão velho, carro novo!

No Domingo passado, aproveitei algum tempo livre para dar andamento a um projecto que já tinha na calha. Coisas feitas de cartão. O cartão é um material com muito potencial e bem trabalhado dá para imensa coisa, desde brinquedos, móveis, assentos, candeeiros, etc, etc.

Material: Caixa de cartão (enviada por correio pela Gocycle); cola, tesoura (não é o ideal) e ainda utilizei um x-acto.


Peças depois de cortadas...


Os miúdos também participaram. A Joana a colar...


... e o Afonso a snifar cola!/verificar colagem :)


Produto acabado: Um jipe (que não pode apanhar chuva) :)


Mas pode fazer todo o terreno (quando seco!)


Assim terminou este primeiro projecto.
O brinquedo continua a ser o preferido do dia e já tem montes de passageiros desenhados pelo Afonso, pois o cartão estava mesmo a pedir...

O melhor disto tudo é o processo de montagem partilhado com as crianças, pois há uma tendência para acharem que as coisas nascem nas lojas. O Afonso só perguntava "Quando é que está pronto? Já está?" :D. Já a Joana participou activamente.
Ah... e mais ninguém no mundo tem um brinquedo igual aquele. :D

Agora é arranjar tempo para mais brinquedos e utilidades. Talvez um avião e um estojo para lápis e canetas...

08 novembro 2010

"E agora, Portugal?"

Deixo aqui um post de um vizinho que conheci recentemente, nas sessões da Iniciativa de Transição em Telheiras.
É um excelente artigo sobre o estado da nação e do mundo, que deveria fazer pensar todos aqueles que o lerem.
Aconselho vivamente a leitura do post (e o resto do blog).

Aqui:

É bom ter vizinhos, sobretudo destes! ;)

05 novembro 2010

O petróleo está no fim (?)

O pico do petróleo é um assunto que me tem despertado interesse, sobretudo ultimamente, mas um pouco desde que li o livro "O sétimo Selo" do José Rodrigues dos Santos, onde fiquei a perceber alguma coisa (pouca!) sobre o petróleo e as questões à volta das reservas, extracção do dito e das questões geo-políticas-estratégicas que envolvem esta preciosa, e cada vez mais escassa, substância.

O tema não é nada fácil e é encarado pelos leigos, comuns cidadãos como mais uma história do fim do mundo, do Apocalipse e tal.

A conceituada revista National Geographic publicou, em 2004, um extenso artigo sobre este tema, que partilho aqui (digitalização do papel).

Uma coisa é certa, desenganem-se aqueles que pensam que tudo vai permanecer como está hoje, com os seres humanos a explorar o planeta até ao tutano, ao mesmo tempo que o sufocam com gases de efeito de estufa e com os chineses (indianos, etc, etc) a caminharem para o modelo de consumo ocidental (americano, mesmo).

Um pensamento "giro" sobre o petróleo é que vai "aparecer" algo que o substitua. A evolução tecnológica vai encarregar-se, naturalmente, de arranjar uma saída, como está acontecer com os carros eléctricos, visto como a salvação e a razão para deixarmos de consumir petróleo, de o abandonarmos, mesmo (recentemente alguém argumentava comigo isto mesmo, íamos deixar de precisar dele por causa dos carros eléctricos :s).
O petróleo não faz apenas andar os nossos carros, o petróleo está em tudo o que nos rodeia, e as energias alternativas de que tanto se fala (eólica, solar, das ondas, etc) não vão servir para fazer os produtos químicos de que depende toda a agricultura, para medicamentos, alcatrão, plásticos, etc, etc. etc...
A própria rede eléctrica é, ainda, alimentada sobretudo por combustíveis fósseis, como o petróleo, gás natural, carvão.

Bom, não sou especialista (nem de longe nem de perto!) e ainda há pouco tempo não tinha bem a noção de uma série de coisas... Apenas pretendo partilhar alguma informação ;)

03 novembro 2010

Cidadania


"Ask not what your country can do for you - ask what you can do for your country." é das frases históricas que mais me toca.

Em Portugal vivemos ainda na fase "O que é o Estado pode fazer por mim" e como o Estado é muito, muito, muito mau, o que tem sido feito não é bom para ninguém, a não ser para a oligarquia que o compõe.

Na onda do que é que podemos fazer pelo país, acabei de enviar um e-mail à direcção do instituto (público, sim!) onde trabalho, no sentido de os alertar para a falta de políticas de eficiência energética no gigante edifício em que estamos instalados.

Apelei ao lado económico, mas também ao lado ecológico e dei algumas sugestões de fácil implementação, como por exemplo instalar interruptores para se poderem apagar as luzes!!!! Edifícios modernos... :(

Não sei o que isto pode dar (vou tentar que dê algo), mas que fiz o que devia, fiz!

02 novembro 2010

Surf's up

Praia da Rocha, Portimão

Este fim de semana foi um fim de semana com surf!

O Surf é um desporto (é tão mais que isso!) sobre o qual já tinha assumido que tinha saudades e que ia voltar a praticar, assim que possível.
Sem forçar esse momento apareceu.

Por motivos familiares tive que ir passar parte deste fim de semana grande a Portimão, Algarve. A Praia da Rocha foi o spot onde regressei às ondas!

Domingo, bem cedo (hora nova mas hábitos velhos) fui ver o mar e lá estavam elas, as ondas que me iriam receber de volta. Regressei a casa para voltar com toda a troop incluindo os cães. Aí sim, os Marques tinham chegado à praia...

Eu segui a minha via, directo para o mar. O tempo estava mau, chuva e vento, e o resto da troop rápido regressou a casa.

Fiz um rápido aquecimento e entrei na água.
A temperatura estava boa, cerca de 20º suficientemente quente para não ter tido frio com o meu fato de amador (e de Verão, calção e manga curta) - o tal fato que já serviu para tudo, desde ski aquático, wakeboard, snorkeling e triatlo.

O mar estava grande e desordenado. O forte vento baralhava a ondulação e o resultado não era bonito, mas naquele momento nada me desmotivaria.
A primeira onda não tardou. Era grande e pensei "siga". Umas remadas e aí estava eu a apanhar a boleia. Assim que tentei pôr-me de pé, ainda no drop, Pumba! grande tralho!
Abusei e tentei cedo de mais meter-me de pé, como se tivesse sido ontem a última vez que surfei. Ri-me! Ainda debaixo de água, pensei "que estica! venha a próxima".
Segunda onda e zás, estava de pé. Fiz parte do drop ainda deitado e levantei-me com mais calma. De pé, senti-me realmente de volta. A onda já estava desfeita, mas o regresso estava feito.

Daí em diante foi sempre a evoluir, novamente. Onda atrás de onda, tralho atrás de tralho, porrada atrás de porrada, passei quase 2h dentro de água, sem qualquer cansaço, graças à forma física da natação! Se tivesse voltado ao surf sem "braços de natação" aquela sessão teria sido reduzida a 30 minutos de sofrimento, pois o mar estava difícil. Assim, foi muito, muito fácil voltar! :)

No dia seguinte voltei ao spot. O mar estava ainda maior, mas mais ordenado. O meu surf continuou a evoluir em grande velocidade. A sessão acabou por ser mais curta mas muito produtiva. Enquanto surfava a família e os cães brincavam na praia, num dia esplêndido de sol mas com vento.

O surf é um desporto que nos une com a natureza de uma forma indiscritível. Estar ali no meio do mar, sentir a força do mar, o Sol nele reflectido, a chuva (quando cai), o vento e todo aquele silêncio humano, só o som da natureza.... É muito bom! Tinha saudades, tinha mesmo saudades e só naquela altura percebi o quanto.

Assim foi o regresso, com as expectativas pessoais muito excedidas.
Surf's up, again!

29 outubro 2010

Grande opção, pequena falha

Utilizar a mota, aliás VESPA, para o trabalho tem-se provado uma excelente opção.
É a terceira semana que a uso e tenho poupado em todos os aspectos, Euros, minutos e stress, pois sei sempre quanto tempo vou demorar a fazer determinado trajecto.

O que tenho ganho é liberdade. Ontem tive que ir ao centro de Lisboa buscar o cartão de cidadão... Olhei para o relógio ao chegar ao Campo Pequeno, enquanto esperava pelo semáforo verde na cabeça da fila e constatei que tinha demorado 5' desde casa até ali com um trânsito descomunal. Disse para mim mesmo: "UAU".

A pequena falha é a falta de material de chuva. Tenho-me desleixado com isso e hoje apanhei a 1ª molha... ok, kind of, pois só ensopei o casaco e molhei uma pequena parte da camisola na barriga. Estou impecável, embora tenha uma poça atrás de mim debaixo da roupa motard que escorre pendurada numa cadeira...
Tenho que atinar e comprar o impermeável e as luvas que me faltam!

Mesmo assim, quando estiver mesmo mau tempo (como está neste preciso momento!)... posso pegar no carro, não há estigmas.

Para aqueles que já estão a pensar que deixei de usar de bicicleta, digo o seguinte: ERRADO!! Ainda ontem à noite fui às compras de bicicleta.