É simples: Gasta-se um pouco mais e compra-se produtos que são projectados e construídos para durar muito tempo e sobreviver melhor às modas. A longo prazo poupa-se dinheiro e sobretudo o meio ambiente.
Isto é um assunto sensível já que implica uma mudança significativa no comportamento dos consumidores e na forma de projectar "coisas" de todas as nações industrializadas e ainda dos respectivos modelos de negócio.
A esperança e´que, se mais nada sair de bom das actuais dificuldades económicas, que aprendamos a valorizar a importância da reparação em vez da eliminação, que aprendamos a re-apreciar o talento das pessoas que dão vida às "coisas" e que deixemos que essas coisas tenham uma segunda vida depois da reparação.
O manifesto, em inglês, é muito claro. Vale a pena lê-lo e pensar em tudo o que nele é dito. Faz todo o sentido!
Pessoalmente, gosto de explorar as coisas até elas não darem mais. Nunca tive o impulso de deitar fora algo assim que avaria. Muitas vezes nem faço nada, pois a funcionalidade mantêm-se boa, mesmo com uma pequena avaria ou dano. Muitas vezes meto um pouco de cola ou fita-cola. Quando as coisas deixam de funcionar, antes de deitar fora, olho sempre para cada componente e muitos ficam até terem novo uso. E, "guess what?", muitas vezes têm nova vida, na mesma função ou em funções distintas.
Gosto de provérbios e um dos que tenho sempre presente é "Guarda o que não precisas encontrarás o que te faz falta".
É preciso organização e algum espaço para guardar coisas, mas com um pouco de ginástica consegue-se!
Pequenos exemplos recentes:
- Umas tábuas que vinham na embalagem de máquinas de loiça, etc, estão já destinadas para uma pequena construção que tenho planeada.
- Um cabo de esfregona que deixou de servir para a esfregona, passou pouco tempo depois a servir para a pá (daquelas de cabo alto).
- Cordas e atacadores, elásticos, arames, etc, acabam sempre por dar jeito para atar mais tarde.
- Guardanapos de papel pouco danificados podem ser guardados e mais tarde usados para absorver gordura e molhos de loiça suja, evitando assim que vá pelo cano abaixo (lá em casa já usamos guardanapos de pano, mas as visitas recebem de papel).
- Sacos de plástico (dispensa explicações)
- Pregos, parafusos, etc, etc
- Caixas de cartão
- Peças de bicicletas
- Coisas electrónicas sem uso : Tenho um colega que faz mini-projectos com a filha e dou-lhe imensas coisas que depois são convertidas e servem para cativar os pequenos jovens para electrónica e ciência em geral.
Um exemplo: Retirou motores de uma impressora velha que lhe dei e fez uma maqueta de um prédio com elevador e tudo! Já fez carros movidos a energia solar, etc, etc.
Enfim, um sem fim de coisas, que muita gente considera lixo, acaba por dar sempre jeito, mais tarde. Mesmo antes de deitar fora, há que pensar se será útil para alguém. Se for e não se conhecer alguém que precise, deixar de uma forma arrumada na rua ao lado do lixo é meio caminho andado para ser aproveitado.
Recentemente conheci um sistema de "reutilização inter-pessoal" o Freecycle, onde basta aderir ao grupo e depois anunciar algo para dar e estar atento para algo que nos possa dar jeito, até mesmo anunciar o que nos faz falta.
Ainda não usei, mas tenho coisa para oferecer e já vi anúncios de recheios inteiros de uma casa para dar!!!
Muito relacionado com este tema, temos "A histórias das coisas" em http://www.storyofstuff.com/, muito gráfico, com desenhos em tempo real, onde se demonstra de uma forma eloquente como está pensada a indústria de consumo e como esta indústria está a esmifrar o nosso planeta. Vale a pena ver os filmes!!!










