Sempre que se fala de um novo conceito, uma nova tendência, há sempre aqueles que vão levantar problemas, argumentando contra, procurando defeitos, etc. São os novos velhos do Restelo, no fundo.
A bicicleta como meio de transporte tem sempre montes de problemas logo à partida, sobretudo para quem não se imagina largar o automóvel.
É incrível como passamos N vezes pelas mesmas conversas....
"E a chuva? :) Quando começar a chover quero ver como é...."
"E as colinas de Lisboa??"
"E a transpiração? Eu não posso chegar ao trabalho todo transpirado/a"
"E os filhos? Como levo os meus filhos à escola?"
Basicamente quase tudo isto se encaixa numa frase simples "Quero lá saber dessa merda de transporte. Tenho um sofá com volante e não vou abdicar dele!"
É claro que há aqueles que vivem a 50km do trabalho e têm os filhos algures no meio, mas para estes também digo algo: "São opções!!!"
Querem ficar perto da praia, ou perto da família, ou perto não sei do quê... tudo bem, mas não se queixem e não me venham pedir mais impostos para não pagarem portagens etc...
Quanto ao custo das casas nos centros urbanos... sim, são mais caras e mais pequenas, mas é tudo uma questão de opções, na mesma, pois contas feitas, muitos suburbanos gastam quase tanto ou até mais na prestação do carro do que na prestação da casa. Opções, opções, opções.
Isto não vale para todos, é certo, mas vale para muita gente!
Voltando aos mitos e aos velhos do Restelo, recentemente aconteceu-me outra engraçada. Toda a gente que sabe que também uso a bicicleta para ir trabalhar e me vê agora de mota, diz logo: Então substituíste a bicicleta? (sempre com um sorriso cínico na cara). Respondo logo, "Não, substituí o carro!".
Como tenho a Gocycle (a do motor auxiliar eléctrico) parada à espera de uma peça, este mês ainda não fui trabalhar de bicicleta, de facto, mas desde que tenho a mota, utilizei o carro ZERO vezes para ir trabalhar!
Por Lisboa, tenho feito as minha deslocações de bicicleta e ainda não alterei uma vírgula ao comportamento que tinha antes de ter a mota. O que fazia de bicicleta continuo a fazer!!!
As bicicleta com motor eléctrico são um estigma, até mesmo dentro da comunidade de ciclistas. Pensa-se sempre na "batota". Normalmente quem experimenta fica fã!!
Já os outros, os tais do Restelo, quando alguém me diz "... e não chegas todo transpirado??" e eu digo "Não, tenho uma bicicleta com motor eléctrico", em vez de dizerem, "Ah, boa, assim faz-se!" e verem o lado bom, não! reagem logo com "Isso é batota" e pronto a conversa perde o lado sério e ficam com a deles. A bicicleta não serve para nada além de passear ou fazer desporto!
Claro que a epopeia dos descobrimentos portugueses teve sucesso apesar dos velhos do Restelo. Já a epopeia da bicicleta, está a aparecer como um modo de transporte em grande ascenção em todo o mundo. Cá não será diferente...
No Porto, há um
Mythbuster a trabalhar e a provar que é possível. Último mito quebrado,
não é possível optar pela bicicleta quando se tem que levar crianças è escola.