05 novembro 2010

O petróleo está no fim (?)

O pico do petróleo é um assunto que me tem despertado interesse, sobretudo ultimamente, mas um pouco desde que li o livro "O sétimo Selo" do José Rodrigues dos Santos, onde fiquei a perceber alguma coisa (pouca!) sobre o petróleo e as questões à volta das reservas, extracção do dito e das questões geo-políticas-estratégicas que envolvem esta preciosa, e cada vez mais escassa, substância.

O tema não é nada fácil e é encarado pelos leigos, comuns cidadãos como mais uma história do fim do mundo, do Apocalipse e tal.

A conceituada revista National Geographic publicou, em 2004, um extenso artigo sobre este tema, que partilho aqui (digitalização do papel).

Uma coisa é certa, desenganem-se aqueles que pensam que tudo vai permanecer como está hoje, com os seres humanos a explorar o planeta até ao tutano, ao mesmo tempo que o sufocam com gases de efeito de estufa e com os chineses (indianos, etc, etc) a caminharem para o modelo de consumo ocidental (americano, mesmo).

Um pensamento "giro" sobre o petróleo é que vai "aparecer" algo que o substitua. A evolução tecnológica vai encarregar-se, naturalmente, de arranjar uma saída, como está acontecer com os carros eléctricos, visto como a salvação e a razão para deixarmos de consumir petróleo, de o abandonarmos, mesmo (recentemente alguém argumentava comigo isto mesmo, íamos deixar de precisar dele por causa dos carros eléctricos :s).
O petróleo não faz apenas andar os nossos carros, o petróleo está em tudo o que nos rodeia, e as energias alternativas de que tanto se fala (eólica, solar, das ondas, etc) não vão servir para fazer os produtos químicos de que depende toda a agricultura, para medicamentos, alcatrão, plásticos, etc, etc. etc...
A própria rede eléctrica é, ainda, alimentada sobretudo por combustíveis fósseis, como o petróleo, gás natural, carvão.

Bom, não sou especialista (nem de longe nem de perto!) e ainda há pouco tempo não tinha bem a noção de uma série de coisas... Apenas pretendo partilhar alguma informação ;)

03 novembro 2010

Cidadania


"Ask not what your country can do for you - ask what you can do for your country." é das frases históricas que mais me toca.

Em Portugal vivemos ainda na fase "O que é o Estado pode fazer por mim" e como o Estado é muito, muito, muito mau, o que tem sido feito não é bom para ninguém, a não ser para a oligarquia que o compõe.

Na onda do que é que podemos fazer pelo país, acabei de enviar um e-mail à direcção do instituto (público, sim!) onde trabalho, no sentido de os alertar para a falta de políticas de eficiência energética no gigante edifício em que estamos instalados.

Apelei ao lado económico, mas também ao lado ecológico e dei algumas sugestões de fácil implementação, como por exemplo instalar interruptores para se poderem apagar as luzes!!!! Edifícios modernos... :(

Não sei o que isto pode dar (vou tentar que dê algo), mas que fiz o que devia, fiz!

02 novembro 2010

Surf's up

Praia da Rocha, Portimão

Este fim de semana foi um fim de semana com surf!

O Surf é um desporto (é tão mais que isso!) sobre o qual já tinha assumido que tinha saudades e que ia voltar a praticar, assim que possível.
Sem forçar esse momento apareceu.

Por motivos familiares tive que ir passar parte deste fim de semana grande a Portimão, Algarve. A Praia da Rocha foi o spot onde regressei às ondas!

Domingo, bem cedo (hora nova mas hábitos velhos) fui ver o mar e lá estavam elas, as ondas que me iriam receber de volta. Regressei a casa para voltar com toda a troop incluindo os cães. Aí sim, os Marques tinham chegado à praia...

Eu segui a minha via, directo para o mar. O tempo estava mau, chuva e vento, e o resto da troop rápido regressou a casa.

Fiz um rápido aquecimento e entrei na água.
A temperatura estava boa, cerca de 20º suficientemente quente para não ter tido frio com o meu fato de amador (e de Verão, calção e manga curta) - o tal fato que já serviu para tudo, desde ski aquático, wakeboard, snorkeling e triatlo.

O mar estava grande e desordenado. O forte vento baralhava a ondulação e o resultado não era bonito, mas naquele momento nada me desmotivaria.
A primeira onda não tardou. Era grande e pensei "siga". Umas remadas e aí estava eu a apanhar a boleia. Assim que tentei pôr-me de pé, ainda no drop, Pumba! grande tralho!
Abusei e tentei cedo de mais meter-me de pé, como se tivesse sido ontem a última vez que surfei. Ri-me! Ainda debaixo de água, pensei "que estica! venha a próxima".
Segunda onda e zás, estava de pé. Fiz parte do drop ainda deitado e levantei-me com mais calma. De pé, senti-me realmente de volta. A onda já estava desfeita, mas o regresso estava feito.

Daí em diante foi sempre a evoluir, novamente. Onda atrás de onda, tralho atrás de tralho, porrada atrás de porrada, passei quase 2h dentro de água, sem qualquer cansaço, graças à forma física da natação! Se tivesse voltado ao surf sem "braços de natação" aquela sessão teria sido reduzida a 30 minutos de sofrimento, pois o mar estava difícil. Assim, foi muito, muito fácil voltar! :)

No dia seguinte voltei ao spot. O mar estava ainda maior, mas mais ordenado. O meu surf continuou a evoluir em grande velocidade. A sessão acabou por ser mais curta mas muito produtiva. Enquanto surfava a família e os cães brincavam na praia, num dia esplêndido de sol mas com vento.

O surf é um desporto que nos une com a natureza de uma forma indiscritível. Estar ali no meio do mar, sentir a força do mar, o Sol nele reflectido, a chuva (quando cai), o vento e todo aquele silêncio humano, só o som da natureza.... É muito bom! Tinha saudades, tinha mesmo saudades e só naquela altura percebi o quanto.

Assim foi o regresso, com as expectativas pessoais muito excedidas.
Surf's up, again!

29 outubro 2010

Grande opção, pequena falha

Utilizar a mota, aliás VESPA, para o trabalho tem-se provado uma excelente opção.
É a terceira semana que a uso e tenho poupado em todos os aspectos, Euros, minutos e stress, pois sei sempre quanto tempo vou demorar a fazer determinado trajecto.

O que tenho ganho é liberdade. Ontem tive que ir ao centro de Lisboa buscar o cartão de cidadão... Olhei para o relógio ao chegar ao Campo Pequeno, enquanto esperava pelo semáforo verde na cabeça da fila e constatei que tinha demorado 5' desde casa até ali com um trânsito descomunal. Disse para mim mesmo: "UAU".

A pequena falha é a falta de material de chuva. Tenho-me desleixado com isso e hoje apanhei a 1ª molha... ok, kind of, pois só ensopei o casaco e molhei uma pequena parte da camisola na barriga. Estou impecável, embora tenha uma poça atrás de mim debaixo da roupa motard que escorre pendurada numa cadeira...
Tenho que atinar e comprar o impermeável e as luvas que me faltam!

Mesmo assim, quando estiver mesmo mau tempo (como está neste preciso momento!)... posso pegar no carro, não há estigmas.

Para aqueles que já estão a pensar que deixei de usar de bicicleta, digo o seguinte: ERRADO!! Ainda ontem à noite fui às compras de bicicleta.

Transição em Telheiras

Telheiras é um bairro diferente. Já tinha percebido isso.
Sempre me senti bem vivendo em Telheiras. Sinto que estou integrado num bairro e que faço parte de uma comunidade.
A ART - Associação de Residentes de Telheiras, tem sangue novo e um dos projectos que está a arrancar nesta associação é a Iniciativa de Transição em Telheiras.

Na quarta feira-passada realizou-se o primeiro encontro, feito para palpar terreno e sentir se haveria quórum no bairro para tal projecto. A resposta foi muito positiva muitas dezenas de pessoas marcaram presença.

Feitas as apresentações, houve a projecção de um filme que focava um dos problemas globais actual, o pico do petróleo e o impacto na estilo de vida actual.
O filme (muito bom!), "THE END OF SUBURBIA" é centrado no modelo americano, mas aplica-se com muita facilidade noutras regiões, nomeadamente na Europa, dado que cada vez mais imitamos o "american way of living"...

Depois do filme houve um debate sobre o tema e não só. Falou-se do movimento de transição, de permacultura, do fim do petróleo, da dependência actual do petróleo e afins.
Vi muitas caras conhecidas, vizinhos ou nem por isso. Vi e fiquei a conhecer mais um pouco desta comunidade. Gostei de ver uma comunidade preocupada com estes temas e senti que havia ali vontade de fazer algo mais do que se faz actualmente.

No fim ficou a promessa de novidades em breve, a recepção de sugestões para temas a debater. Um dos temas a incluir será, claro, a bicicleta!

Chegámos a um ponto em que reciclar não é suficiente. Há que reduzir drasticamente a pegada ecológica!!

Já estava semi-familiarizado com a Transição e Permacultura(*), mas gostei de sentir ao vivo a coesão social em volta do tema. Se vai dar frutos ou não, veremos...

No fundo, no fundo, já estou em modo de transição há uns anos.

(*)Uma definição para Permacultura:
É um método holístico para planear, actualizar e manter sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias e comunidades) ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis.

Ficam mais alguns sites e blogs sobre o assunto:
poscarbono.blogspot.com
Pico do Petróleo
Transição e Permacultura Portugal

28 outubro 2010

Casa nova - Plano C

Mudei de poiso. Trouxe comigo tudo o que tinha acumulado. Mudei-me mas não vou deixar caixotes por abrir, nem vou mudar de decoração.

Continuo o mesmo, apenas precisei de sair de dentro de um Sportblog, que já não transmitia tudo aquilo que o blog representava. O desporto foi o princípio, agora é apenas parte de um "plano" mais abrangente.

Bem vindos de novo ao meu blog, o PLANO C.

27 outubro 2010

Randonneurs Portugal

Grande notícia para a bicicultura portuguesa.
Portugal já tem Randonneurs, representado por Randonneurs Portugal.


Vale a pena visitar o site oficial: www.randonneursportugal.org

O que é o Randonneurs Portugal?
É uma associação que tem como missão a implementação em Portugal dos Brevets Randonneurs Mondiaux (BRM), eventos de ciclismo de longa distância não competitiva.

Basicamente tratam-se de eventos que são obrigatórios para quem pretender participar no "Brevet de todos os brevets" o mítico Paris-Brest-Paris, evento que se realiza de 4 em 4 anos e que terá a a próxima edição já em 2011.

MAS, este eventos também são para quem queira simplesmente desafiar-se a si próprio ou fazer estes "passeios" pois normalmente têm um cariz turístico associado. As regras são muito simples pois basta fazer uma média mínima start-to-finish de 15km/h (e máxima de 30km/h), passar nos pontos de controlo obrigatórios e ter autonomia total entre eles.
Cumprindo estas simples regras e o código da estrada, o resto é com cada um. Se gosta de pedalar depressa e parar para uma almoçarada, uma soneca, etc, é à vontade.
A distância mais curta é de 200km a percorrer, no máximo, em 13h30m.

A calendário para 2011 já está definido e abrange todo o país, algo notável para primeiro ano de actividade.


Em Portugal esta modalidade está a arrancar, mas quem sabe... podem aparecer praticantes deste tipo de ciclismo que até aqui andaram por aí a pedalar "sozinhos" e claro, novos interessados em experimentar, como é o meu caso.

O simples facto de Portugal aparecer no mapa desta grande organização global é mais um motivo de orgulho para mim, pelo menos.

Como jovem associação que é, peço a colaboração de todos na divulgação desta modalidade que é não competitiva e que permite a cada participante alargar os horizontes em vários aspectos, sempre pedalando.

Parabéns aos organizadores, um pequeno grupo de entusiastas, liderado pelo meu colega e amigo, Pedro Alves (de quem já falei por diversas vezes neste blog). Ok... confesso que sou uma pequena parte deste grupo :).

Um nota importante: Esta associação não tem qualquer fim lucrativo e a valor das inscrições serão baixos e existirão apenas para os pequenos custos da organização.

25 outubro 2010

Bicicleta - Mitos e pequenos prazeres dos detractores.

Sempre que se fala de um novo conceito, uma nova tendência, há sempre aqueles que vão levantar problemas, argumentando contra, procurando defeitos, etc. São os novos velhos do Restelo, no fundo.

A bicicleta como meio de transporte tem sempre montes de problemas logo à partida, sobretudo para quem não se imagina largar o automóvel.
É incrível como passamos N vezes pelas mesmas conversas....
"E a chuva? :) Quando começar a chover quero ver como é...."
"E as colinas de Lisboa??"
"E a transpiração? Eu não posso chegar ao trabalho todo transpirado/a"
"E os filhos? Como levo os meus filhos à escola?"
Basicamente quase tudo isto se encaixa numa frase simples "Quero lá saber dessa merda de transporte. Tenho um sofá com volante e não vou abdicar dele!"

É claro que há aqueles que vivem a 50km do trabalho e têm os filhos algures no meio, mas para estes também digo algo: "São opções!!!"
Querem ficar perto da praia, ou perto da família, ou perto não sei do quê... tudo bem, mas não se queixem e não me venham pedir mais impostos para não pagarem portagens etc...
Quanto ao custo das casas nos centros urbanos... sim, são mais caras e mais pequenas, mas é tudo uma questão de opções, na mesma, pois contas feitas, muitos suburbanos gastam quase tanto ou até mais na prestação do carro do que na prestação da casa. Opções, opções, opções.
Isto não vale para todos, é certo, mas vale para muita gente!

Voltando aos mitos e aos velhos do Restelo, recentemente aconteceu-me outra engraçada. Toda a gente que sabe que também uso a bicicleta para ir trabalhar e me vê agora de mota, diz logo: Então substituíste a bicicleta? (sempre com um sorriso cínico na cara). Respondo logo, "Não, substituí o carro!".

Como tenho a Gocycle (a do motor auxiliar eléctrico) parada à espera de uma peça, este mês ainda não fui trabalhar de bicicleta, de facto, mas desde que tenho a mota, utilizei o carro ZERO vezes para ir trabalhar!
Por Lisboa, tenho feito as minha deslocações de bicicleta e ainda não alterei uma vírgula ao comportamento que tinha antes de ter a mota. O que fazia de bicicleta continuo a fazer!!!

As bicicleta com motor eléctrico são um estigma, até mesmo dentro da comunidade de ciclistas. Pensa-se sempre na "batota". Normalmente quem experimenta fica fã!!

Já os outros, os tais do Restelo, quando alguém me diz "... e não chegas todo transpirado??" e eu digo "Não, tenho uma bicicleta com motor eléctrico", em vez de dizerem, "Ah, boa, assim faz-se!" e verem o lado bom, não! reagem logo com "Isso é batota" e pronto a conversa perde o lado sério e ficam com a deles. A bicicleta não serve para nada além de passear ou fazer desporto!

Claro que a epopeia dos descobrimentos portugueses teve sucesso apesar dos velhos do Restelo. Já a epopeia da bicicleta, está a aparecer como um modo de transporte em grande ascenção em todo o mundo. Cá não será diferente...

No Porto, há um Mythbuster a trabalhar e a provar que é possível. Último mito quebrado, não é possível optar pela bicicleta quando se tem que levar crianças è escola.

Andar a pé é bom e aconselha-se!

Andar a pé é uma das "actividades" que mais defendo.

Falo muito de bicicletas, mas a bicicleta não é a chave da mobilidade mas sim um conjunto integrado de medidas onde a principal é a redução de viagens de automóvel particular no dia a dia.

Para mim o modelo de mobilidade a implementar deve ter como peça central a pessoa, sempre a pessoa.
Não o carro nem a bicicleta, mas sim a pessoa. Os Transportes Públicos, a mobilidade pedonal, a bicicleta também, claro, e até os automóveis, mas nunca com o focus que têm hoje!

Para não se chegar ao ponto de o andar a pé desaparecer e passar a ser uma modalidade olímpica daqui a uns anos, é preciso incorporar esta actividade no nosso dia a dia.

Como sempre gostei de falar e escrever (umas coisitas neste blog) sobre este tema, fui convidado a falar como pai para pais numa sessão do excelente projecto A pé para a escola, projecto coordenado pelo Mário Alves e companhia com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.


Já tinha falado do tema numa escola mas com criancinhas da escola básica da minha filha. A mensagem foi diferente mas deu para perceber que ir de carro para a escola é das formas menos apreciadas pelos míudos para este tipo de viagens. So they said!

Foi interessantíssimo ver a apresentação em diapositivos, cheios de resultados de estudos (preocupantes, diga-se!) e depois relatar a minha própria experiência desde do "antes" de andar a pé até ao presente dia e constatar que tudo batia certo.
Penso que o meu contributo foi bom para o projecto e o humanizou mais ainda, tornando mais real uma apresentação muito boa, mas necessariamente teórica, embora preveja passar à prática numa fase seguinte.
Espero ter galvanizado ainda mais os (poucos) pais presentes!

Obrigado Mário Alves pela oportunidade.

20 outubro 2010

Já estive mais longe...(de 1988)

Não é segredo que o surf é uma das minhas paixões não correspondidas (por mim!) :)
Por falta de disponibilidade ainda não voltei a este desporto.
Já tenho todo o material mínimo necessário, a antiga prancha (semente 6'2" de 1987), o fato de verão da Decathlon (o tal que fez triatlo!) e, comprados já neste milénio, o leash (corda que agarra a prancha à perna), o axe e uma lycra interior. Recentemente comprei uma prancha melhor para recomeçar, uma prancha em Epoxy de tamanho 6'9" , portanto maior e mais flutuante, mais fácil para maçaricos como eu serei certamente (outra vez!).

No sábado passado, tive um almoço de família na Aroeira e levei o material no carro. Pela tarde fui até à praia, mas as ondas não foram e o cenário foi este:

Bonito, mas não para as minhas intenções. :)

MAS, I'll be back! para a Costa da Caparica, mas mais no centro da vila, onde há spots com ondulação mais certinha... Estou quase, quase lá...

PS: Novamente de Vespa, de regresso ao Surf... A minha vida está a voltar a 1988! Só pode ser bom sinal! :D A juventude que gostaria de preservar, no fundo... Assim o corpo o permita.