29 julho 2010

Massa Crítica - Amanhã

No mês passado foi assim. Um passeio com quase 100 ciclistas que começou no Marquês e terminou na Fonte Luminosa, na Alameda. Pela primeira vez levei a minha mulher.
"À minha pala" já somos 4 a participar nestas MC's. Mais alguém interessado? em mudar de vida?


Mudar de vida? Sim? Amanhã às 18h30 no Marquês de Pombal, junto ao Parque Eduardo VII.

28 julho 2010

Ciclista (e o turismo)

Cada dia que passa sou mais ciclista. Ciclista, não pelo ciclismo (de estrada), mas em termos genéricos.
De facto, cada vez mais utilizo a bicicleta para diferentes funções. Com três bicicletas de características diferentes consigo usar este fantástico veículo para tudo e mais alguma coisa.
No lado lúdico/desportivo é o Triatlo, o BTT e o cicloturismo/ciclismo.
No lado da mobilidade é o lado prático (bike-to-work, etc) e o lado lúdico (passeios, turismo, etc).

Ontem foi dia (mais noite) de turismo. De bicicleta, claro.
Aproveitando o facto de ter os filhos de férias (ou de estar de férias dos filhos :) fomos (eu e a minha mulher) jantar fora. Onde? Ali mesmo ao lado... a Cacilhas!!

Ciclovia do Campo Grande.

A bordo do barco na travessia do Tejo (Cais do Sodré -> Cacilhas).

Já em Cacilhas, em direcção ao restaurante.

Já sentados.

Saímos de casa pelas 20h e cerca de 1h depois estávamos sentados à mesa do restaurante.

O caminho foi muito mais do que uma viagem, foi um passeio, foi turismo, foi lazer!
De carro teríamos apanhado imenso trânsito e teria sido tempo 100% perdido e quiçá stressante (devido às filas, claro!).

A noite estava perfeita para uma saída destas...

No regresso, um pouco de turismo pela baixa da cidade.
Estátuda de D. José I na renovada Praça do Comércio.
Adoro esta praça, sobretudo depois da renovação. Imponente!

Da baixa até ao Saldanha, é o pior troço para se pedalar. Como fui na Gocycle, troquei de bicicleta com a minha mulher para ela subir com o auxílio do motor. Eu pedalei na (nova) bicicleta dela, de senhora. Só me faltou o cesto à frente :D, mas pedalei em grande estilo e com bastante vigor pela Fontes Pereira de Melo a cima!!!

O que poderia ter sido uma saída para jantar vulgar, foi um verdadeiro passeio que fica para relembrar...
A Gocycle cada vez mais confirma-se como uma boa escolha. Dá para pedalar sem accionar o motor e permite ultrapassar qualquer subida/trânsito sempre que não nos apetece pedalar (por demorar mais, por ser mais perigoso devido à velocidade do tráfego, etc, etc).

25 julho 2010

Lisboa na vertical

Mais uma vez, o Portugal na vertical demonstrou ser uma empresa de sucesso.

Desta vez não me limitei a torcer por fora. Com uma bicicleta de ciclismo por estrear, tive que arranjar forma de "participar" nesta aventura.

A partir das estimativas do Pedro Alves, percebi que a noite de sábado para domingo ia ser curta de sono e longa de pedais!
Meia hora depois de receber o SMS do Pedro, dizendo que estava na Benedita (Alcobaça), um pouco antes da 5h da manhã iniciei a minha própria aventura!
Bem equipado com luzes e material reflector, lá saí em direcção aos amigos Pedro e Albano, os dois aventureiros das longas pedaladas do cicloturismo audaz (Audax).

O meu maior receio era o trânsito da nacional 1o em noite de Sábado para Domingo. Sai em direcção aos Olivais, via Av. Brasil, Aeroporto e Av. Berlim. Uma vez na nacional 10, apercebi-me que o trânsito não ia ser problema. Um carro de vez em quando e quase sempre ultrapassando-me com segurança (para mim).
O objectivo mais ambicioso era chegar a Chegança(achei piada à expressão) a cerca de 45km de distância, e de lá até ao Cais do Sodré com os audazes... Decidi pedalar sem pressa, sem desgaste. Cheguei a Vila Franca de Xira com o primeiros raios de sol e com despertar de um ou outro galo. :)
Cerca de 29km e média de 25km e pouco por hora e VFX ficava para trás (depois de uma tortuosa calçada!!!).
A partir de aqui começaram a aparecer mais ciclistas, mas só à entrada de Alenquer avistei os dois magníficos. Estavam precisamente a parar junto de um amigo que ia acompanhar de mota o resto (?) do percurso e a filmar em tudo o que era ângulo favorável à reportagem. O video promete!


Uma breve paragem e toca a andar, porque este meninos estavam ali para andar e não para descansar. :)
Outro receio que tinha era não aguentar a pedalada do Portugal na Vertical. Mesmo sendo de mais de 600km, eu estou a anos-luz destes atletas... Também este receio ficou para trás e desde logo percebi que não ia atrasar a caravana. Ora na roda, ora na frente, ora a dar uns dedos de conversa, seguimos em bom ritmo para Lisboa.

Já no parque das nações juntou-se a nós um mais um amigo do PnV e pouco depois apareceu a Filomena. Parámos num Hotel onde seria caorimbado o controle de Lisboa. Alguns momentos para fotos e voltámos a pedalar, agora sim, até ao Cais do Sodré.
Pelas 8h da manhã chegámos à estação fluvial do Cais do Sodré. Passado uns 15 minutos despedi-me e segui para casa, agora em ritmo urbano, mais calmo.
94km e 4h depois estava em casa. Detalhes aqui (o cardio está errado, já que não levei medidor).
Depois de um banho e de outro pequeno almoço, foi no Guincho que retemperei :)


Os nossos amigos continuaram a aventura. Sei ainda pouco. Sei que acabou bem e que apanharam 47! graus no Alentejo. Realmente o dia esteve mau para tanto esforço...
Parabéns aos dois!

22 julho 2010

Coisas soltas

Ando sem disposição para posts muito elaborados...
Fica um conjunto de acontecimentos e pensamentos sobre mim, dentro da temática do blog, claro.

1 - Bati o meu record dos 1000mts na piscina, em crawl!!! 19'50". Pela 1ª vez fiz menos de 20' o que é um grande marco para mim. Foi numa aula de natação livre e comecei a nadar sem objectivos até que, pelos 200mts, decidi "ir" para os 1000 e ver como me saia. O facto de ter sido numa piscina com água 3º mais fresca comparativamente com a piscina onde normalmente nado, também deve ter ajudado.
Apesar do record, sinto-me muito em baixo de forma e sem força, fruto da paragem devido a uma forte constipação.


2 - Comprei o material que me faltava para triatlo, o fato de lycra, uma espécie de baby doll :D Mandei vir de UK mas devolvi porque ficou pequeno... Venha o L!!
Depois disto "só" fica a faltar o sapato de encaixe para bicicleta de estrada...

Quase me esquecia...
Comprei uma nova bicicleta (usada mas como nova) para ciclismo. Uma coisa gama baixa, mas já com garfo e escoras em carbono. Pesa pouco menos que a minha clássica, mas é muito mais apta para ciclismo a sério.
O meu problema agora, é que não me consigo desfazer da outra e só eu já tenho 4 bicicletas, num total de 7 lá em casa e ainda falta comprar uma de senhora para a minha mulher começar a levar par ao trabalho... :p
Isto está a ficar crítico, lol.


3 - Como já aqui disse antes, o Pedro Alves vai fazer o Brevet de 600km para o PBP 2011, o já famoso Portugal na Vertical.

Eu tenho intenção de o acompanhar da zona de Vila Franca Xira até ao Cais do Sodré. O meu maior receio é a hora a que acontece, pois é pela madrugada de domingo, altura com muito condutores ainda "animados" da noite por essas estradas fora. Vamos ver como corre...


4 - Hoje vim para o trabalho de bicicleta. Mais um Bike-To-Work-Day (BTWD)... nada de especial a não ser uma melhor disposição geral, mesmo no trabalho! :D.

E, claro, menos uns 5kg e tal de emissão de CO2.


5 - De resto, faltam apenas uns dias para as férias no Algarve e "para variar" vão ter uma forte componente desportiva. Será o meu regresso ao BTT este ano, pois aqueles caminhos perto do mar são irresistíveis!! Também me apetece levar a bicla de estrada...
Na praia, tal como no ano passado, haverão sessões de natação no estilo "águas abertas":)

Se conseguir encaixar, ainda vou participar numa destas provas, do 18º CIRCUITO DE MAR ALGARVE 2010.

[Foto dos JO de Pequim]

Fica a divulgação do circuito, muito interessante para quem gostar destas andanças!

15 julho 2010

Bike-to-work-days reduzem o risco de morte até 40%


Ir de bicicleta para o trabalho é, aparentemente, mais seguro do que não ir.
Um estudo dinamarquês avaliou o estado de saúde de 30 mil pessoas ao longo de um período de 14 anos e descobriu que, com todos os outros factores de risco iguais, simplesmente ir de bicicleta para o trabalho reduziu o risco de morte em 40%.

Os estudos indicaram que os ciclistas têm, pelo menos, 15% menos de absentismo em relação a trabalhadores não-ciclistas, e quanto maior frequência e a distância, a menor taxa de absentismo.

Calcula-se que, se pedalarmos a cerca de 20km/h durante meia hora, então queimaremos energia equivalente a três bananas.

Quem pedala e mora a cerca de 6,5 Kms do trabalho, evita mais de 900 kg de emissões de CO2, por ano.

Outros estudos mostram um aumento de 4% a 15% na produtividade e menos 27% de erros em tarefas para funcionários fisicamente aptos.

[in Treehugger.com]

14 julho 2010

Triatlo do Zêzere - Taça de Portugal -> DNF


Zêzere e a barragem do Cabril

Pela 1ª vez na vida não acabei uma prova desportiva. DNF (did not finish).
Resumindo a história:
A primeira surpresa (e contratempo!) foi a temperatura da água na Barragem do Cabril, em Pedrógão Grande. A água estava a 26º e por causa disso não era permitido usar fato de natação (apenas permitido até 23º). Como ainda não tenho o fato de lycra de triatlo, tive que fazer a natação com uma camisola nada adequada para o efeito, ou seja nada justa ao corpo.
Acabei por fazer a natação sem qualquer deslize e mais parecia que levava sacos de plástico presos nos ombros... :-/
O tempo foi de 17'41" e apenas ficaram cerca de 25 atletas atrás de mim.

No ciclismo, apanhei o troço mais duro até hoje. Os cerca de 22km eram feitos num constante sobe e desce entre o Zêzere e Pedrórgão Grande, 4 voltas com cerca de 3,5km a subir e 3,5km a descer. Para dar uma ideia, a descer atingi cerca de 63km/h.
Neste tipo de percurso a minha falta de treino, face aos demais, notou-se e bem.
Ao km 17km furei e a prova acabou para mim. Ia cansado mas ainda com muita energia para acabar.Foi pena.

Ficou a componente turística, já que passei todo o fim de semana na região.

Ficam três fotos: A casa de turismo rural onde fiquei hospedado e duas prais onde estive: Praia fluvial do Mosteiro e Praia fluvial Fragas de São Simão

09 julho 2010

Audax e 1º Brevet homologado pelo Audax Club Parisien em Portugal

Grande notícia!

O Pedro Alves, rapaz já aqui referido várias vezes, pela sua capacidade e determinação em fazer ultra-distâncias de bicicleta, o rapaz do projecto Portugal na Vertical, volta a demonstrar a sua determinação que, paulatinamente, tem feito muito por esta forma de ciclismo em Portugal.

A partir de agora passa a ser possível a qualificação em Portugal para e evento mundialmente famoso Paris-Brest-Paris.
Este evento é mítico e é o ponto alto do cicloturismo Audax.

O que é o cicloturismo Audax? (fica um pouco da história)

Cicloturismo Audax é o evento de cicloturismo mais antigo do mundo.
A história do Audax começa em 1891, quando o jornalista francês e cicloturista fanático Pierre Giffard, criou esse tipo de desafio fantástico, o qual consistia em percorrer os 600km que separam a capital Paris de Brest, e fazer todo o percurso de volta. Parecia loucura, mas Charles Terront completou o desafio em 71 horas e 22 minutos. No início surge como prova competitiva, em que são aceites cicloturistas entre os participantes.

Grupo de participantes em 1895

Em 12 de Junho 1897, um grupo de cicloturistas italianos percorreu 230km entre Roma e Nápoles. Pela audácia da façanha, e considerando-se as condições e equipamentos da época, foram chamados de audazes e denominou-se a mesma como "Audax".
Em 1904 Henri Desgranges, criador do Tour de France, criou o Audax Francês, tal como o Audax Italiano, e delegou ao Audax Club Parisien a realização dos Brevets Audax em França.
Assim o Audax Club Parisien passou a organizar o desafio. Em 1951 a prova deixa de ser competitiva. A partir desse ano o Paris-Brest-Paris converte-se definitivamente num evento cicloturista, e realiza-se todos os 5 anos. Ao longo dos anos foi ganhando importância e tradição. O evento chegou a ser realizado todos os 10 anos, mais tarde teve a sua periodicidade diminuída para 4 anos.

A palavra "Audax" vem do latim, audacioso, corajoso. É o nome dado a este evento cicloturistico não competitivo e de longa distância, conhecido internacionalmente também pelo nome de "randonnees". São eventos cicloturisticos, muito comuns na Europa, na América do Norte e na Austrália.
O desafio do Audax não é a competição, mas terminar o "desafio" dentro do tempo limite, pedalando no seu próprio ritmo. A fórmula utilizada nos eventos Audax possibilitam a quase todos os utilizadores de bicicleta - os principiantes determinados, os que praticam o uso recreativo e ocasional e os cicloturistas - desfrutar do prazer de participar em eventos que representam um desafio e atingem altos padrões de satisfação pessoal, reconhecidos internacionalmente.

Os eventos Audax são organizados por clubes. Para que o evento seja reconhecido internacionalmente, deve ser sancionado pelo "Randonneurs Mondiaux" (RM),
organização internacional que congrega clubes de passeios de longa distância de 19 países, criada em 1983, e que utiliza as regras do Clube Parisiense Audax (ACP - Audax Club Parisien).

Apesar de serem eventos de massa, os Audax tendem a atrair ciclistas profissionais. O limite máximo de velocidade média, a não publicação de resultados e a proibição do uso de veículos motorizados de apoio, garantem que os Randonnées não se transformem em provas competitivas. Os tempos, limite na velocidade média e mínima é de aproximadamente 15 km/h, para distâncias até 600 km. Neste tipo de evento existem postos de controlo com horário de abertura e fecho pré-determinados.

Foram criadas etapas qualificadoras de menor distância, chamadas de “brevets", que de forma sucessiva preparam os cicloturistas para o grande desafio do Paris-Brest-Paris.
Somente em 1983, quando os clubes organizadores desses brevets fundaram o “Lês Randonneur Mondiaux", é que esse tipo de prova passou a ganhar mais notoriedade na Europa e nos EUA.

Na América do Norte existe um evento semelhante, o Boston-Montreal-Boston (BMB), realizado anualmente em um percurso de 1200 km (ida e volta), entre as cidades de Boston, nos Estados Unidos, e Montreal, no Canadá. Há também os "century" e os "double-century". São eventos de longa distância organizados pelos clubes de cicloturismo locais ou por particulares, com percursos de 100 milhas 160Km) e 200 milhas (320Km), respectivamente. As regras variam de acordo com cada evento, mas o espírito é semelhante ao do europeu: enfatizar a realização pessoal e o prazer de pedalar em grupo, em detrimento da competição.

Praticamente todos os anos há brevet de 1.200 km em algumas partes do mundo, sempre organizado pelo ACP (Audax Club Parisien). No entanto, a cada quatro anos, é realizado um evento Audax em França, o PBP (Paris-Brest-Paris), o mais famoso dos brevets. Com 1.225 km de extensão, este desafio é a “Volta á França” dos cicloturistas de longa distância e chega a reunir mais de 4 mil participantes.


Este texto explicativo encontrei-o num documento da FPCUB, curiosamente uma Federação de Cicloturismo que até hoje nada tinha feito para trazer este evento para Portugal.

Ainda organizaram uma provas Audax (uso abusivo do nome, que é marca registada) que mais não foram do que corridas a lá Zé Audáxio, já que não respeitavam mínimamente o regulamento e espírito da coisa. Hoje têm o nome de AUDACE... Mais valia o tal "Zé Audácio!" :D

Bom, basicamente a partir de agora teremos uns audazes rapazes a organizar Brevets em Portugal como deve ser. O primeiro, de 600km, é já dia 24 de Julho e é a edição de 2010 do Portugal na Vertical, com as devidas adaptações para cumprir as regras do evento Randonneur.

Mais informação aqui (e noutros posts deste blog).

Pessoalmente, vou acompanhar de perto este projecto e quiçá até fazer um BRM de 200km...
Acho muita piada ao espírito da prova, em que a competição é feita dentro de cada um.

Parabéns Pedro!

28 junho 2010

A mais longa volta de ciclismo de sempre

Este título engana! Aviso já!
Engana tanto quanto esclarece, também.
Passo a explicar: Engana porque para quem pedala a sério não é nada, esclarece porque para quem pedala a brincar, é muito, mais concretamente, pouco menos do que eu tinha pedalo na estrada este ano! :D

Este Domingo, participei no passeio Tejo Ciclável, organizado pela Federação de Cicloturismo. Não sou propriamente adepto dos Passeios da malta do garrafão, mas o simples facto de dois amigos meus também irem foi suficiente para mim.
Por outro lado, era também um bom teste para a minha capacidade como ciclista e, sobretudo, às minhas costas e o antigo problema que volta e meia me incomoda.

Ainda recentemente numa incursão nocturna de ciclismo (estrada) ao Monsanto, com um amigo, acabei a volta com fortes dores na região cervical/músculos trapézios e a volta foi bastante calminha, já que o meu amigo é "um pouco pesado" ehehe.

De volta ao tema. No Domingo lá fomos nós para uma aventura de 84km.
O percurso foi:

Parque Tejo, junto à Foz do Rio Trancão/Parque das Nações - Póvoa de Sta. Iria - Alverca - Alhandra - Vila Franca de Xira - Ponte Vila Franca de Xira - Porto Alto - Alcochete - Área de serviço sentido GALP - Ponte Vasco da Gama - Parque Tejo / Parque das Nações.

Foi uma manhã muito bem gozada. O BTTista Bandeira ficou para trás, mas eu e o Jorge (bem montado numa Gazelle de ciclo-turismo clássica) estávamos com força para maiores ritmos. Partimos atrasados e passados alguns kms reagrupámos com o mega pelotão. Paragem para reagrupamento em plena recta da E10 (todo o trânsito a partir da ponte de Vila Franca foi "eliminado") e a partir daí uma novidade, Música.
O Jorge sacou das suas colunas, ligou-as ao telemóvel e daí para a frente a festa começou. Bom som e boa disposição levou-nos até Alcochete. Não ia no meu melhor ritmo, mas a ideia não era essa. Fui sempre a fazer dupla com o Jorge, por vezes "rebocando-o" na minha roda...

Em Alcochete, já com 65km, paragem para água e fruta e reagrupamento antes de entrarmos na ponte Vasco da Gama, onde seguiríamos na cauda do Bike Tour.
Passados 20' aparece o Bandeira que enfrentou aquele troço quase sozinho e com um joelho recém-operado. A sua disposição mantinha-se boa e dali para a frente seguimos sempre juntos.
A parte da ponte acabou por ser um fiasco, já que estávamos demasiado em cima do Bike Tour e como não podíamos misturamos-nos com eles, tivemos paragens sucessivas até à entrada no Parque das Nações. A malta do ciclismo do garrafão não gostou nada e ouviram-se muito protestos do tipo "É a última vez que venho!" e tal e tal... :)
Nós continuávamos bem dispostos e ao Jorge acabou por dar jeito, já que subiu a ponte a custo e nem a minha roda conseguiu apanhar. :)

Fica a foto do grupo (pode ser reconhecido de uma ou outra Massa Crítica, já que são os mesmos, os poucos que ainda pedalam, na verdade).


No final, as fotos dos ciclistas e as respectivas bicicletas...













Foi uma excelente manhã. A ideia do som foi ge-ni-al.

22 junho 2010

Mobilidade - Entrevista a Mário Alves

Engenheiro civil pelo Instituto Superior Técnico e mestre pelo Imperial College London, o consultor de transportes e gestão da mobilidade diz que "este é um problema político com soluções políticas". E acusa técnicos e eleitos de tentarem apagar o "fogo" do trânsito com gasolina.

É uma fatalidade termos empresas públicas de transporte em falência técnica como acontece em Lisboa e no Porto?

Não. Apesar de o transporte público em todas as cidades do mundo geralmente precisar de compensação financeira do Estado, esta situação não é habitual em países da Comunidade Europeia. Mas não pode haver ilusões, os transportes públicos têm de ser ajudados porque, aliás, trazem grandes benefícios sociais, muitos não directamente quantificáveis.

Então em que é que Portugal está a falhar?

São décadas de falta planeamento estratégico de longo prazo, de definição exacta do que se pretende com o Serviço Público de Transportes. Faltam autarquias regionais que definam estratégias coerentes de transporte e mobilidade a nível metropolitano - a autarquia metropolitana de Madrid tem feito um trabalho notável a este nível. Existe muita navegação à vista e nada articulada entre operadores, com competição entre modos de transporte que deviam trabalhar em complementaridade. Assim como muita falta de coragem política para restringir o uso do automóvel.

As autoridades metropolitanas de transportes podem contribuir para mudar essa realidade?

Estas autoridades terão muita dificuldade em fazer alterações de fundo no sistema, pois não têm um mandato político claro.

Então essas alterações estão nas mãos de quem?

Só serão conseguidas com autoridades de transportes sob tutela de autarquias regionais. É urgente para as áreas metropolitanas relançar o debate da regionalização. A mobilidade é um problema político com soluções políticas.

E seriam essas autarquias a financiar o sistema e a ter a tutela das empresas de transportes?

Sim, esse seria um modelo possível e até recomendável. Tem de haver articulação metropolitana entre os vários modos de transportes, assim como políticas de ordenamento do território coerentes e não-competitivas. Mas que não haja ilusões: neste momento o transporte individual é subsidiado, de forma directa e indirectamente, não pagando os custos sociais que provoca à sociedade - congestionamento, poluição atmosférica, acidentes rodoviários, emissões de gases, etc. Neste contexto estamos numa economia do tipo Disneylândia, onde uma parte substancial do transporte não está a pagar o seu verdadeiro custo.

Como é que se acaba com isso?

Não é um problema técnico, mas é obviamente um problema político enorme. Temos de começar a incluir a chamada Conta Pública da Mobilidade nos planos de deslocação dos municípios - isto é, informar as pessoas, decisores e políticos de quais são os verdadeiros custos de cada um dos modos de transportes. Decidir sem fazer contas sobre o futuro só pode levar à bancarrota.

Como é que se dificulta a "vida" do transporte individual nas cidades para tornar mais apetecíveis os transportes públicos e os modos suaves de mobilidade?

Existem muitas formas de o fazer. O estacionamento deve ser gerido com rigor e de forma a aceitar que todas as cidades têm limites de capacidade. O espaço público é um bem muito escasso e o automóvel é uma das máquinas mais ineficientes e mortíferas jamais inventadas. Um espaço público confortável, livre de obstáculos, com árvores e bancos para descansarmos e seguro, é condição essencial para que o sistema de mobilidade da cidade funcione com eficácia - os peões são a argamassa de um sistema de transportes públicos eficaz e economicamente saudável. Preparar a cidade para pessoas com mobilidade reduzida faz com que a cidade fique melhor e mais confortável para todos. Infelizmente não se conseguirá equilibrar um sistema com graves problemas agradando a todos.

As cidades portuguesas têm estado desatentas em relação à mobilidade pedonal?

Muitos equipamentos do Estado seguem modelos modernistas: grandes superfícies fora das áreas urbanas - temos
campi universitários ou hospitais aos quais é praticamente impossível chegar a pé, e estão sempre rodeados de grandes áreas de estacionamento. Temos também grandes superfícies comerciais com milhares de lugares de estacionamento e rodeados de anéis de auto-estrada e vias rápidas. Para agravar a situação continua a persistir a ideia entre muitos técnicos e políticos que é possível resolver os problemas de congestionamento com mais capacidade da rede viária ou mais estacionamento. Isto são formas de apagar um fogo usando gasolina. Mas começam a existir bons exemplos.

Onde?

Almada, com um plano de mobilidade pioneiro em Portugal, tem agora um centro bem servido por um metro de superfície, com passeios largos e áreas de fruição pedonal. O Porto, com as intervenções no espaço público para a capital europeia da cultura, conseguiu alguns espaços de grande qualidade, assim como foi assimilando que a forma mais eficaz de reconquista do espaço público é a construção do metro à superfície. Portimão também tem tido uma intervenção muito consistente no que diz respeito a medidas de acalmia de tráfego e segurança para os peões.

Não tem sido devidamente acautelado o impacto dessas opções urbanísticas no domínio da mobilidade?

De forma alguma. É uma responsabilidade política que passou a ser considerada uma responsabilidade individual. Quem compra mais metros quadrados sem acesso a transportes públicos considera-se simplesmente que está a exercer a sua liberdade individual de consumidor. Os impactos e consequências deixaram de ser preocupação do Estado a não ser quando as consequências chegam aos anuários estatísticos. Da mesma forma, as autarquias e o Estado negoceiam a localização de grandes superfícies comerciais com milhares de lugares de estacionamento e cujo único acesso realista é o automóvel. Este tipo de opções não só exacerba a dependência das famílias ao consumo do automóvel como esvazia os centros urbanos de actividades económicas e emprego.

No futuro como serão feitas as deslocações nas cidades?

Muito dependerá do preço da energia e do horizonte temporal a que nos estamos a referir. É quase certo que nos próximos anos a escassez de combustíveis fosseis leve a que seja cada vez mais caro o uso de veículos tradicionais. Se este factor é mais complexo de ultrapassar no transporte interurbano de mercadorias, nas cidades o uso do transporte individual poderá ser mais facilmente substituído por modos de transporte mais económicos - nem que seja só em parte da viagem. Políticas de controlo de acesso e restrição ao estacionamento em zonas mais compactas levarão, principalmente em zonas históricas, ao uso do
car-sharing (partilha de carros). Esta é a única forma possível de a maior parte dos habitantes de zonas históricas terem acesso a um automóvel de vez em quando. Mas para que este tipo de serviço floresça, terá de haver políticas corajosas de limpeza e requalificação do espaço público: as ruas das zonas históricas não poderão continuar a albergar o mesmo número de carros de hoje. Em nenhuma zona histórica europeia é possível garantir um lugar de estacionamento por fogo e não é por isso que deixam de ser zonas apetecíveis e disputadas por certos grupos sociológicos.

16 junho 2010

Meio ano (desportivo) muito diferente

Meio ano de 2010 já lá vai.
Como registo umas coisas acerca da minha actividade desportiva, o mínimo que posso fazer é olhar para os registos e tirar conclusões.

É perigoso dar demasiada importância ao números - veja-se a governação do nosso país. Perde-se o lado humano da coisa. Como sou o próprio não corro esse risco!

O grande desporto do ano de 2009 foi o atletismo. Foram 410km.
Este ano só percorri 8% dessa distância.
As razões são várias. Começou por ser devido às novas hérnias discais, passou por falta de disponibilidade (real e por vezes mental) e mais recentemente devido ao ciclismo de estrada, que me anda a dar mais pica neste momento.
Esta falta de treino nota-se muito nas provas de triatlo, onde aquele que era o meu melhor segmento é agora claramente o pior, demais até!

A natação continua a ser a modalidade com maior regularidade, pois é praticada à hora do almoço, perto do local de trabalho, que é o que temos de mais regular nesta vidinha - o trabalho!!
Na natação a evolução continua a acontecer, com tempo a caírem com frequência, como por exemplo os 1000mts em 20'03" (em 5 meses caiu 1'30") e os 100mts bruços feitos em 1'44", menos 11" do que o anterior record (há dois dias).
Mais uma vez, no triatlo este segmento era sem dúvidas o mais fraco e agora começo a aproximar-me do meio da tabela. É agora o meu melhor segmento do triatlo.

Já o ciclismo de estrada, é a modalidade em grande crescimento! Já pedalei este ano cerca de 70% face ao ano de 2009 e a tendência é vir a pedalar cada vez mais.
Agora tenho (também) uma bicicleta para este estilo (já lá vão 3 estilos) e apesar de ser velhinha, serviu para alimentar o bichinho que já tinha pela estrada. Recentemente comecei a rolar de noite, algo que pretendo desenvolver mais muito em breve.
No barómetro que é o triatlo, este segmento andava muito mal e agora começa a ser minimamente aceitável.

O BTT é o grande derrotado de 2010, com ZERO km até agora. O tempo não dá para tudo e é dos desportos que mais poderá agravar as hérnias discais, sobretudo porque gosto da vertente mais radical desde desporto.... Ainda lá voltarei, brevemente.