05 janeiro 2010
Ano velho, Ano novo e Corpo velho
18 dezembro 2009
Ser ecológico - A mensagem chegou ao Público em geral???

Ecológico. Quem lê este blog sabe sou, ou tento ser.
O que lhe falta para passar no teste ambiental e ser uma pessoa bem-educada
Perguntámos a quatro portugueses o que é necessário fazer para se ter um comportamento verde. Reciclar é indiscutível, mas ter uma horta caseira também vem na lista. Afinal, diminuir o impacto das nossas vidas no planeta já passou a questão da cidadania, é boa-educação. Por Nicolau Ferreira
Acabou-se. Se ainda existe um lado glamoroso no discurso ecológico, atraente para jovens rebeldes que querem fazer parte das expedições mais ou menos heróicas da Greenpeace e irritante para os que olham com cinismo para a maior movida ambiental que alguma vez a humanidade viveu, Manuela Araújo afasta-o de uma vez por todas antes de começar a responder às perguntas do P2. "Todas as acções a que me refiro não se destinam a ter um impacto positivo no ambiente, apenas a reduzir o impacto negativo", explica a arquitecta de 47 anos por e-mail, antes de começar a enumerar as acções. Não há portanto uma pretensão ao heroísmo, nem ao salvamento de nada, há apenas uma tentativa de arrumar o máximo que se desarruma por termos o estilo de vida que temos.
E a desarrumação individual é significativa, basta fazer o teste da pegada ecológica para percebê-lo. Tentámos recriar o nosso quotidiano e medir esta pegada para compreender o impacto das nossas acções e perceber que efeito tem uma mudança de hábitos. Com um avatar suíço e os Alpes em pano de fundo, a situação mais próxima de Portugal que oferecia o site que escolhemos para o questionário, respondemos a perguntas sobre alimentação, o consumo de casa ou os meios de transporte que utilizamos.
O resultado está longe de ser brilhante. Mesmo com lâmpadas de poupança, reciclagem e poucos quilómetros percorridos de carro, seria necessária mais uma Terra inteira para comportar um modo de vida que não dispensa algumas horas anuais de voo, refeições com carne, alimentação importada e uma casa mal calafetada (mas sem aquecimento central). Se as perto de 6,8 mil milhões de pessoas que existem vivessem com luxos idênticos, um planeta Marte habitável não chegaria para todos, e ninguém sabe quando é que a população humana vai deixar de crescer. Mas existem alternativas para a maioria dos problemas e optar por essas alternativas pode, ao fim do dia, tornar-nos portadores de uma etiqueta verde.
Três frentes de batalha
Há um objectivo geral por trás de cada comportamento verde, por mais que o "ecológico" irrite os familiares, amigos e colegas que ainda não aderiram. "Para mim o importante é reduzir o consumo ao essencial e excluir o supérfluo, englobando aqui o consumo de água, de energia e de "coisas"", sumariza Manuela, que vive em Vila Nova de Famalicão. O consumo alimentar, a energia gasta em casa e o modo como cada um se movimenta todos os dias de um lado para o outro são as principais frentes de batalha que podem ser escrutinadas do ponto de vista ambiental.
No supermercado a primeira regra é comprar alimentos produzidos na região. Quanto mais perto for a origem do alimento, menos energia foi consumida para o fazer chegar aos pontos de venda. Depois, sempre que se puder, deve-se optar por alimentos de origem biológica, cujo certificado garante práticas naturais de crescimento, menos fertilizantes químicos e antibióticos. Também é importante a diminuição na procura de carnes, principalmente a vermelha, já que a produção animal exige grandes quantidades de cereal e feno (lembra-se da crise de alimentos durante a Primavera de 2008, em que parte do problema foi causada pelo número de famílias chinesas que passaram a consumir carne?). Para quem tenha a sorte de ter um pouco de terra sugere-se uma aventura pela horticultura para alimentação própria.
Em casa, uma das medidas mais unânimes é a separação do lixo e reciclagem. Uma actividade que pode abarcar mais do que o plástico, o papel ou o vidro e passar a incluir as pilhas, os óleos. Os restos orgânicos são grandes candidatos para a fertilização da horta. Nuno Pinheiro é um adepto. "Fazemos compostagem com cascas e restos das plantas do jardim e do olival. O olival é fertilizado com o mato da limpeza da mata da qual somos proprietários, onde plantamos de tudo um pouco e temos árvores das mais variadas espécies", explica o bancário de 39 anos que vive numa aldeia perto de Seia.
Em relação à energia e à água, Daniela Ambrósio, de 27 anos, tem uma lista longa de regras que ajudam a optimizar os recursos. Para poupar electricidade no aquecimento sugere proteger portas e janelas de fugas de ar, ter as persianas abertas durante o dia para entrar calor e manter as portas fechadas. Relativamente à luz, opta por lâmpadas economizadoras, prefere electrodomésticos de Classe A de energia, portáteis a computadores fixos, que obrigam a ter ecrã, desliga os electrodomésticos da ficha, só põe máquinas (da roupa e loiça) a trabalhar quando estão cheias, cozinha em grandes quantidades para economizar energia e defende a utilização de painéis fotovoltaicos. Para poupar água sugere a utilização de um copo sempre que se lava os dentes, armazenar a água do banho num balde para outros fins e utilizar a água da cozedura de alimentos para fazer sopa.
De tudo isto só falha uma coisa. "Não tenho painéis fotovoltaicos e solares porque o prédio onde moro não tem, mas quando tiver casa própria essa será uma prioridade", afirma a gestora cultural de Aveiro, que prefere roupas de fibra natural a fibra sintética e substitui o limpa-vidros por uma solução de água e vinagre menos nociva para o ambiente.
Nas viagens diárias não há muito a saber, trocar o automóvel com um passageiro por transportes públicos, uma bicicleta ou as pernas é a atitude mais ecológica. Mas há detalhes a ter em conta para os utilizadores de carro, como baixar o consumo de combustível reduzindo a velocidade, desligar o motor sempre que se pára em algum sítio, e abandonar o hábito de trocar o veículo de dois em dois anos.
Limitações externas
César Marques é um dos que optam por ter uma condução mais cuidada já que não consegue livrar-se do carro. "Não posso fugir a determinadas obrigações e responsabilidades, como ir para o trabalho todos os dias, que fica a 18 quilómetros de casa, num trajecto que não é servido por transportes públicos competitivos com o automóvel particular", explica o informático de 37 anos que vive em Lisboa. Se pudesse, admite que andaria só de bicicleta, pois é o seu transporte de eleição.
De resto recicla, sempre que pode vai a pé até aos locais, tem em casa um contador de electricidade bi-horário, que permite poupar dinheiro utilizando mais electricidade durante a noite, o que acarreta menos custos para a rede eléctrica. Se pudesse, faria mais: "Gostaria de produzir energia limpa de uma forma simples e sem grandes burocracias. Na Alemanha entra-se numa loja da especialidade, adquirem-se os painéis, faz-se a instalação e em meia dúzia de dias já se produz e vende energia para a rede eléctrica."
Há mais reparos a fazer ao sistema português. Como os preços altos dos produtos biológicos, das lâmpadas economizadoras, dos electrodomésticos de Classe A ou dos painéis fotovoltaicos que, segundo Daniela Ambrósio, nem todas as pessoas podem pagar. Manuela Araújo queixa-se da falta de incentivo à agricultura portuguesa, que impede termos um mercado interno maior, e sugere a implementação da certificação energética dos edifícios, não só dos que estão a ser construídos mas também dos antigos.
Nuno Pinheiro, apesar de pagar o saneamento, denuncia uma situação constrangedora para qualquer país que se diz civilizado. "A pegada ecológica da minha família poderia ser menor se os esgotos da minha aldeia fossem tratados. A agravar tudo isto, estão a ir directos para a única fonte de água que existia e abastecia a aldeia antes de haver água canalizada", explica, desabafando que "paga para poluir".
As limitações portuguesas não são uma justificação para não se fazer nada, considera César Marques, defendendo que "há ainda possibilidade de reduzir muito a pegada ecológica". O facto é que muitas pessoas não alteram os seus hábitos diários. Daniela Ambrósio acredita que para se alterar o comportamento é necessário ter-se, antes de tudo, uma "consciência do que é o ambiente, do quanto necessitamos dele para viver, e depois perceber o mal que lhe fazemos". Até porque outra opinião unânime é a de que a acção individual conta.
Ser ecológico
"Já imaginou a redução na área necessária para produção de alimentos para gado bovino se todos, ou a maioria dos habitantes dos países ditos desenvolvidos, passassem a comer apenas a quantidade de carne recomendada pelos nutricionistas?", questiona Manuela Araújo, que diz sentir-se tentada a criticar pessoas que têm um grande nível de instrução e ignoram este assunto. Nuno Pinheiro defende que a educação começa em casa, "e não na escola, como muitos pais pensam".
A forma mais fácil de educar é o exemplo pessoal, diz César Marques. "As pessoas são sensíveis aos casos particulares e projectam com maior facilidade essa experiência em si mesmas", acrescenta. E quando existem benefícios económicos, as mudanças ainda são mais rápidas, garante o informático.
Talvez não seja necessária uma etiqueta verde, uma lista que será sempre artificial e que poderá não se ajustar à realidade de cada um. Talvez as pessoas ganhem novos hábitos à medida que sintam os exemplos dos outros crescerem como uma coisa fácil, como parece ser para Manuela Araújo: "Faço de tudo um pouco e gradualmente, sem fundamentalismos, de modo a que não prejudique a vida familiar." César Marques olha para a ecologia como algo que deve estar enraizado, que faz parte de qualquer acto. "Ser ecológico é algo natural, tal como os bons modos para uma pessoa bem formada. Quem é bem-educado não tem uma lista de acções." Limpa o que suja, não cospe no chão, fecha a porta quando sai. Deixa as coisas como as encontrou, prontas para serem utilizadas pelo próximo. E a Terra é uma daquelas coisas que estão sempre a ser utilizadas pelo próximo.
(link)
14 dezembro 2009
G.P. Natal - No natal, até para terminar uma prova há filas
Sim, a corrida em que participei neste domingo terminou assim:

É verdade! Fiquei a ver a meta, o destino, o objectivo, mas atrás de umas boas dezenas de atletas, em fila!
Comecemos do início.
Apesar da lombalgia que me tem massacrado nos últimos dias (estranhamente, no sábado até me esqueci dela!) decidi participar nesta última corrida do ano - para mim, claro.
Esta era uma prova de que ouvia falar muito das edições anteriores - prova muito rápida, com muitas descidas, etc - e tinha bastante curiosidade em experimentar.
Lá fui.
Encontrei-me no local da partida com os meus colegas de clube para receber o dorsal da prova - nunca falei disto, mas tenho um clube (Clube de Cultura e Desporto da minha entidade patronal) que me patrocina as incrições e algum material desportivo - e ainda tive tempo de fazer um aquecimento, já que a manhã estava gélida.
Um pequeno truque: usei um creme gordo na cara que me protegeu totalmente do frio - nem o sentia!!
A prova começou rápida e eu também. Cada vez tenho mais dificuldade em começar calmo. Será da forma física ou influência do pelotão? Provavelmente dos dois!
Esta prova começava no Saldanha, seguia pela Av. República até ao Campo Grande, depois passava por trás da Churrasqueira e voltava pelo sentido inverso até ao Saldanha, para depois seguir pela Av. Fontes Pereira de Melo até até ao Marquês de Pombal, daí, descendo pela Av. da Liberdade, Restauradores, volta à Praça do Rossio e regresso aos Restauradores.
Tudo aconteceu pelas mais nobres avenidas da capital! :)
Tentei sempre um bom ritmo, embora por vezes tenha quebrado um pouco, como no Km 3, o mais lento de todos, a 4'50", fruto do arranque rápido e dos dois túneis de Entrecampos e Campo Grande - os túneis não matam mas moem!
No regresso do Campo Grande, comecei a retomar o ritmo e arranjei companhia. Reparei que um Sr. baixinho, já de cabelo branco, ia na mesma passada que eu desde uns kms atrás... meti-me com ele ao Km 4 e qualquer coisa. Disse-lhe "Já está quase..." ele negou e eu completei "...estamos quase a meio!". A partir daí seguimos juntos durante algum tempo. Senti que ia a levá-lo, e ele, correspondendo, ia a puxar por ele próprio. Seguimos em silêncio.

Na subida para o Saldanha - sim, é a subir! - voltei a quebrar ligeiramente (4'48"), mas mesmo assim segui em direccção ao objectivo, que era bater o record pessoal na distância.
Atingido o cume da prova, Saldanha, era tempo de acelerar. Comecei gradualmente a acelerar (aqui fui muito ultrapassado) e quando dou conta chega aparece, lançado, no meu campo de visão do lado direito o Sr. Rosa Millenium, que entretanto tinha ficado para trás. "Calçou os patins?", perguntei-lhe.
10 dezembro 2009
Log natação
09 dezembro 2009
04 dezembro 2009
A actividade base
Normalmente 2x por semana, em alguns meses 3x, como é o caso deste. Ando com pica e assim "compenso" as últimas semanas do ano, do Natal e Fim de ano, que me impedem de treinar.
Esta coisa de fazer mais que um desporto tem a sua piada. Além da diversidade que trás em diferentes campos (lúdico, desportivo, físico), é engraçado ver os resultados cruzados, ou seja os benefícios de uma actividade na performance de outra.
Um exemplo, na natação, nos exercícios de pernas crawl eu era fraquinho, muito mesmo! Hoje sou dos mais rápidos. Porquê? Só pode ser do ciclismo e do atletismo, já que tenho treinado o mesmo que os restantes colegas nadadores e tenho evoluído de forma diferente.
Os progresso nesta disciplina têm sido muito animadores e (também) por causa disso ando com muita pica.
Esta semana fiz três treinos e em dois deles houve séries rápidas de crawl, mariposa, estilos e também algum bruços.
Os meus tempos nas séries rápidas têm caído constantemente.
Hoje a aula começou, depois do devido aquecimento, com 10x25mts a sair aos 30", logo seguidos de 6x25mts a sair aos 25" (eu só fiz 4x). Pouco depois 3x100mts estilos a sair aos 3' mais 2x100mts a sair aos 2'30".
Na quarta-feira, entre muito outros, lembro-me de 6x25mts mariposa a sair aos 40" onde fiz 20"/21" e 10"/9" de descanso, etc, etc.
Há poucos meses estas séries seriam impensáveis e sinto que ainda há margem para melhorar. Promete ser uma boa época de natação!
Não costumo falar do peso, mas recentemente baixei dos 79 kg para o 76.5 kg e hoje estou com 77.5 kg, 1 kg a mais mas sem engordar (a olho nú). Será tudo músculo? :D
------
De referir, (mais) três excelentes posts do blog do Pedro A. sobre saúde e treino físico:
Mito da frequência cardíaca;
Health Club ou Death Club Sobre a actividade física exagerada e sem controle normalmente praticada em ginásio e com objectivos duvidosos;
e Death Club Take II;
03 dezembro 2009
Climagate, um dos maiores escândalos científicos da História
Como se chegou a esta conclusão? Afinal houve manipulação de dados!
Em menos de uma semana, já há mais de 10 milhões de referências na internet sobre este escândalo.
Fica aqui cópia de um excelente artigo do expresso.pt
_____________________
O caso Climategate, onde se manipularam dados para provar o aquecimento global, é um dos maiores escândalos científicos da História, pelo modo como afecta a credibilidade pública da comunidade científica e sobretudo pelas suas implicações económicas e políticas.
José J. Delgado Domingos*
Passaram há pouco 42 anos sobre um dos maiores desastres de origem climática em Portugal: as inundações de 1967 em Lisboa. Centenas de mortes e centenas de milhões de prejuízos materiais. Será que este desastre se deveu às emissões de CO2eq (CO2 equivalente) ou ao aquecimento global? Claro que não!
Aliás, na altura, a imprensa internacional explorava os receios de uma nova idade do gelo devido ao arrefecimento global que se verificava. Em 1967, a probabilidade de ocorrência da precipitação que provocou o desastre em Lisboa era conhecida. Uma precipitação com características análogas pode repetir-se amanhã e as suas consequências só serão menores se as necessárias medidas de prevenção forem entretanto tomadas (e nem todas o foram!).
Catástrofe de Nova Orleães não foi causada pelo aquecimento global
O que se passou com a destruição de Nova Orleães pelo furacão Katrina foi análogo: as consequências de um furacão com aquelas características eram bem conhecidas, e as imprescindíveis obras de reparação e reforço das protecções foram insistentemente pedidas mas sistematicamente adiadas.
A catástrofe não teve nada que ver com emissões de CO2eq ou aquecimento global. As tragédias climáticas no Bangladesh, não são provocadas por emissões de CO2eq, aquecimento global ou subida do nível do mar mas sim pelas inundações resultantes do assoreamento dos rios originado pela erosão que as extensíssimas desflorestações a montante agravaram e pelo crescente aumento do número de habitantes e construções em leito de cheia.
Segundo a ONU, mais de mil milhões de pessoas estão actualmente ameaçadas pela fome ou subnutrição, e agita-se o fantasma do seu aumento ou das suas migrações massivas se não forem combatidas as emissões de CO2eq para reduzir o aquecimento global.
A situação dramática e escandalosa destes milhões de seres humanos não tem nada a ver com as emissões de CO2eq, nem com o aumento oficial de 0,8 ºC na temperatura média global nos últimos 150 anos.
Temperaturas não aumentam desde 1998
Aliás, apesar de as emissões de CO2eq terem aumentado acima do cenário mais pessimista do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU, desde 1998 que a temperatura global não aumenta.
Os exemplos anteriores poderiam continuar mas a conclusão seria sempre a mesma: as consequências catastróficas de fenómenos climáticos são evidentes e têm aumentado devido a acções humanas.
O que sucedeu em 1967 em Lisboa e se repete cada vez mais agravado por esse mundo fora não é devido a emissões de CO2eq ou alegado aquecimento global.
É devido simplesmente ao facto de fenómenos climáticos naturais, que sempre existiram, terem efeitos cada vez mais catastróficos porque as acções humanas sobre o território criaram as condições para isso ao desflorestarem as cabeceiras de rios (que agravaram o seu assoreamento e as consequentes inundações), ao aumentarem os riscos de deslizamento das encostas (porque eliminaram a vegetação que as estabilizava), ao construírem cada vez mais em leitos de cheia, e ao provocarem alterações cada vez mais extensas e profundas no uso do solo.
Os efeitos das alterações no uso do solo são cada vez mais evidentes nas alterações climáticas locais e nos seus reflexos globais.
Sendo evidente que a variabilidade natural do clima sempre existiu e que as acções humanas têm vindo a agravar os seus efeitos, a subversão conceptual que a UE liderou, reduzindo tudo, ou quase tudo, às consequências do aquecimento global provocado por emissões de CO2eq é muito grave e, em última instância, contrária aos louváveis ideais que afirma defender e que suscitam o apoio das organizações ambientalistas e de multidões de bem intencionados.
Um dos maiores escândalos científicos da História
É neste contexto que rebenta o escândalo do chamado Climategate. Em termos da comunidade científica, o Climategate é um dos maiores escândalos científicos da História, não só pelo modo como afecta a credibilidade pública da comunidade científica mas sobretudo pelas implicações económicas e políticas de que se reveste.
De facto, nunca existiram tantas declarações, tantos tratados, tantos protocolos e tão gigantescos fluxos financeiros tendo como único fundamento a credibilidade e o suposto consenso da comunidade científica expresso nos Summary for Policy Makers (SPM) do IPCC.
Esse fundamento desapareceu, mas os interesses envolvidos (políticos, económicos, financeiros e industriais) são de tal monta e a percepção pública da fraude científica é tão lenta que a ficção criada pela UE ainda se irá manter durante muito tempo.
O Climategate consistiu na divulgação, através da Internet, de um conjunto de ficheiros, que incluem programas de computador e emails trocados entre alguns dos principais autores dos relatórios do IPCC, de entre os quais assumem particular relevo os de Phill Jones, director do Climate Research Unit (CRU) da Universidade de East Anglia e Hadley Centre (Reino Unido), de autores do notório hockeystick e instituições responsáveis pelas bases de dados climáticos, como o National Climate Data Center (NCDC) e o Goddard Institute for Space Studies (GISS) dos EUA, consideradas de referência pelo IPCC.
O hockeystick é o termo usado entre os cientistas para designar o gráfico (em forma de stick de hóquei) que representa a evolução das temperaturas do hemisfério norte nos últimos mil anos, e que foi criado por um grupo de cientistas norte-americanos em 1998.
Manipulação de dados
Os referidos ficheiros encontravam-se num servidor do CRU e a sua autenticidade não foi até agora contestada. Aliás, muitos deles apenas confirmam o que há muito se suspeitava acerca da manipulação/fabricação de dados pelo grupo.
Todavia, muito do que era suspeito e atribuível a erro humano surge agora como intencional e destinado a manter a "verdade" (do IPCC) de que houve um aquecimento anormal e acelerado desde o início da revolução industrial devido à emissões de CO2eq.
Esta "verdade" é incompatível com o Período Quente Medieval (em que as temperaturas foram iguais ou superiores às actuais apesar de não existirem emissões de CO2eq) e a Pequena Idade do Gelo que se seguiu. É também incompatível com o não aquecimento que se verifica desde 1998. Esconder ou suprimir estas constatações foram objectivos centrais da fraude científica agora conhecida.
Silenciar os cientistas críticos
Em termos científicos, o que os emails revelam são os esforços concertados dos seus autores, junto de editores de revistas prestigiadas, para não acolher publicações que pusessem em causa as suas teses ou os dados utilizados pelo grupo, recorrendo mesmo a ameaças de substituição de editores ou de boicote à revista que não se submetesse aos seus desígnios.
Propuseram-se mesmo alterar as regras de aceitação das publicações para consideração nos Relatórios do IPCC de modo a suprimir as críticas fundamentadas às suas conclusões. Em resumo, procuraram subverter, em seu benefício, toda a ética científica da prova, da contraprova e de replicação de resultados que está no cerne do método científico, controlando o próprio processo da revisão por pares.
Em conjunto, conseguiram impedir que fossem publicados a maioria dos dados e conclusões que pusessem em causa e com fundamento o seu dogma do aquecimento global devido às emissões de CO2eq.
O Climategate provocou já uma invulgar reacção internacional, como uma simples pesquisa no Google imediatamente revela (mais de 10.600.000 referências menos de uma semana depois da sua revelação).
No intenso debate internacional em curso e que irá certamente continuar por muitos meses/anos, surgiram já todos os habituais argumentos de ilegalidade no acesso aos documentos; de idiossincrasias próprias de cientistas-estrelas que se sentiram incomodados; citações fora de contexto, etc.
Em meu entender, o mais revelador e incontestável nos ficheiros divulgados nem são os emails, apesar do que mostram quanto ao carácter e a honestidade intelectual dos cientistas intervenientes, mas sim os programas de computador para tratar os registos climáticos que utilizaram para justificar as conclusões que defendem.
Diga-se o que se disser, os programas executaram o que está nas suas instruções e não o que os seus autores agora vêem dizer que fizeram ou queriam fazer.
Dados climáticos até 1960 destruídos
Antecipando porventura o que agora sucedeu, os responsáveis pelos dados climáticos de referência arquivados no CRU, vieram publicamente confirmar que destruíram os dados das observações instrumentais até 1960 e que apenas retiveram o resultado dos tratamentos correctivos e estatísticos a que os submeteram.
Ou seja, tornaram impossível verificar se tais dados foram ou não intencionalmente manipulados para fabricar conclusões. Neste momento há provas documentais indirectas de que o fizeram pelo menos nalguns casos.
Existe ainda um efeito perverso na referida manipulação que resulta de os modelos climáticos utilizados para a previsão do futuro terem parâmetros baseados nas observações climáticas passadas, que agora estão sob suspeita.
Afecta também todas as calibrações de observações indirectas relativas a situações passadas em que não existiam registos termométricos.
Independentemente de tudo isto, o mais perturbador para os alarmistas é o facto de, contrariamente ao que os modelos utilizados pelo IPCC previam, não existir aquecimento global desde 1998, apesar do crescimento das emissões de CO2eq.
E se alguma coisa os ficheiros do Climagate revelam são os esforços feitos para que este facto não fosse do conhecimento público.
Comportamento escandaloso e intolerável
O comportamento escandaloso e intolerável de um grupo restrito de cientistas que atraiçoaram o que de melhor a Ciência tem só foi possível porque um grupo de políticos, sobretudo europeus, criou as condições para o tornar possível.
Isso ficou claro desde a criação do IPCC e torna-se evidente para quem estuda os relatórios-base do IPCC (WG1-Physical Science Basis) e os confronta com os SPM.
Todavia, seria profundamente injusto meter todos os cientistas no mesmo saco, pelo que é oportuno lembrar que se deve a inúmeros cientistas sérios e intelectualmente rigorosos uma luta persistente e perigosa contra os poderes estabelecidos, para que a ciência do IPCC fosse verificável e responsável.
Foram vilipendiados e acusados de estar ao serviço dos mais torpes interesses. Os documentos agora revelados mostram que estavam apenas ao serviço da Ciência e do rigor e honestidade dos métodos que fizeram a sua invejável reputação.
Seria também irresponsável agir como se as consequências da variabilidade climática e da utilização desbragada de combustíveis fósseis tivesse desaparecido com a revelação do escândalo. Muito pelo contrário.
Problemas ambientais de fundo devem ser atacados
Chame-se variabilidade climática ou alteração climática, os problemas de fundo da sustentabilidade ambiental permanecem e agravam-se pelo que devem ser atacados com determinação e realismo.
Se os esforços internacionais mobilizados para a Cimeira de Copenhaga conseguirem ultrapassar a obsessão do aquecimento/emissões (liderado pela UE) para se concentrarem na eficiência energética, nas energias renováveis, na minimização dos efeitos das alterações nos usos do solo, no combate à desflorestação, à fome e aos efeitos da variabilidade climática, teremos uma grande vitória para o planeta se a equidade e a justiça social não forem esquecidas.
Ao que parece, as propostas da China e dos EUA vão neste sentido tendo a delicadeza suficiente para não humilhar a União Europeia. Esperemos que sim.
_____________________
*Professor catedrático do Instituto Superior Técnico.
23 novembro 2009
Corrida Luzia Dias - 1K e 10K (e não só)
Apesar do mau tempo instável anunciado (coisa que raramente me faz rever os planos - o que será será) deu para fazer o BTT matinal (super matinal, pois saí de casa ainda de noite) de sábado, com a companhia dos meus dois colegas do costume, e fazer a corrida Luzia Dias no Domingo.
Nas fotos: Eu e depois JB e HM, e a panorâmica da cidade vista do Monsanto (no moinho)A sessão de BTT (com muitas subidas) pode ser vista (e analisada) aqui.
Já a corrida, essa merece mais destaque deste blog (até o título do post!), por dois motivos.
Primeiro motivo, porque mais uma vez levei a minha filha para estas andanças. A custo, com alguma (boa) pressão e muitas doses de motivação para vencer a timidez, lá consegui levá-la a mais uma corrida.
1 km. Era das mais novas, senão a mais nova. Fez a corrida sem stress, sempre a correr certinho. Acompanhei-a apenas na 2ª metade, mas o bombeiro que a acompanhava disse-me que ela foi sempre a correr a um ritmo certo. Chegou ao fim sem abrandar ou mostrar sinais de muito desgaste. Foi a última em simultâneo com outra menina mais velha, que ora corria ora parava enquanto controlava a Joana, para não ser a última.
Comparando com a corrida do SLB, há seis meses, as diferenças são abismais. Nessa altura, custou-lhe, acabou vermelhona e claramente cansada. Ontem, acabou na maior! Espectáculo!!!
Como não houve medalhas para todos os pequenos, disse-lhe que a minha medalha era a dela e que se tinham esquecido de lha dar. Depois de muitos porquês (e porque tu não tiveste? tens sempre! etc etc) lá se convenceu.Segundo motivo, a minha corrida.
A jogar em casa (no KM 6 passei a 50 metros de casa) tinha que fazer boa figura! ;)
Depois de da corrida da Joana, acabei por me distrair e partir no fim de todos os atletas.
A prova teve um limite de 600 inscrições, mas mesmo assim, partiu lenta de mais para mim (que tenho a mania das pressas). Saltei para o passeio e toca de ultrapassar e entrar no ritmo.
Sentia-me bem e comecei com ritmo forte. Rapidamente me apercebi que esta corrida estava recheada de bons corredores de pelotão. Ia tudo muito rápido, olhava para o relógio e via 4'20"/km, 4'35"/km... Chiça! No fim do Km 2, o pi-pi do Garmin soou e olhei para o mostrador para ver que estava a correr abaixo dos 4'/Km...
Decidi começar a olhar para o cardio e o mesmo estava sempre na casa dos 150 e muitos. Pensei, tenho que abrandar o ritmo cardíaco, mas não sei onde. Estratégia: Não acelerar nada nas descidas! Não deu para muito mas repousei, acho.
Bom, a coisa continuou a correr bem, e lá segui nesse meu (novo) ritmo apesar do sobe e desce constante. Voltinha ao meu bairro e, ao KM 8, lá se seguiu em direcção ao Lumiar pela Alameda das Linhas de Torres, altura em que troquei algumas palavras com dois corredores que falavam sobre o local da meta. Surpresa agradável, pois conseguia falar sem qualquer problema, mesmo apesar do esforço que tinha feito até ali. Fiquei UAU! e decidi largá-los e atacar os últimos dois Km's que afinal, segundo o meu GPS, foram 2,31 km...
Conclusão: Record nos 10km reais, 45'27" (4'32"/km), mas tempo final, na meta (aos 10,31Km), nem por isso. Fiquei super contente com a prestação e estou ansioso pela última prova do ano, o GP de Natal, que decorre entre o Saldanha, Campo Grande, Saldanha, e Rossio e Restauradores (prova rápida, portanto).
Dados do computador de pulso :) aqui. Destaque para o gráfico de altimetria.
Resultado
Posição: 261º (586 terminaram)
Tempo: 46'52" (a 15'12" do 1º)
20 novembro 2009
Lisboa - vista do rio Tejo
Com esta foto, tirada do site da CML, inicio uma série nova de posts - Fotografias de Lisboa.Lisboa é a cidade que escolhi para viver, precisamente há 10 anos, embora, antes disso, em praticamente toda a minha vida tenha passado grandes períodos por Lisboa, desde o jardim de infância até à Universidade.
Nem me vou alongar, nem escrever coisas lindas e rebuscadas, versos ou frases conhecidas sobre esta cidade. Vou simplesmente partilhar, através de (boas) fotografias, a beleza desta cidade.
18 novembro 2009
"E o desporto?"
Bom, de facto não tenho (b)logado muito acerca da minhas actividades desportivas.
Os triatlos já acabaram, as corridas estão a acabar (ok, nem por isso, acho que há sempre corridas, basta procurar), mas a natação e o BTT continuam a acontecer.
Ou seja, acabou o triatlo, mas as especialidades que o compõem continuam a ser praticadas.
BTT
Depois de uma grande paragem, no sábado passado voltei ao Monsanto, com os meus colegas e companheiros desde desporto, JB e HM.
O piso estava molhado, mas não muito e deu para matar a sede do todo-o-terreno, já que deu para sentir o prazer e adrenalina da condução e dos saltos.
Pela primeira vez levei o GPS, que deu para registar muitos dados, para posterior análise. Por exemplo: Saber que em determinado single-track (a descer) atingi 35km/h e que a pulsação subiu a 163bpm (quase o máximo que atingi em toda a volta) de pura adrenalina, já que o esforço físico não foi muito por aí além... enfim, detalhes com interesse para mim, apenas, eu sei. :D
Ficou tudo registado e pode ser consultado aqui.
No próximo sábado haverá mais uma sessão, bem cedinho - pelas 7h15 da manhã - para não afectar o resto do dia em famelga.
Natação
Neste campo, como tenho dito, tem sido uma boa época e estou cada vez mais competitivo (comigo mesmo) e os records pessoais têm sido batidos ou igualados, mesmo sem grande esforço nesse sentido. Tenho rolado mais rápido, com (ainda) grande evolução na mariposa, onde, por exemplo, fazer 100mts já não me custa quase nada.
O estilo Costas também têm evoluído mais recentemente e no crawl, nas séries mais curtas e mais rápidas já estou praticamente ao nível dos meus colegas mais batidos na prática deste desporto.
Atletismo
Depois da prova Corrida do Tejo, treinei duas vezes. A última sessão foi esta semana e em cima da hora decidi fazer a ciclovia Telheiras-Benfica, só para experimentar uma coisa diferente. Acabou por ser uma experiência agradável e provavelmente de repetir.
A ciclovia acaba por ser uma pista que já trás o percurso e o objectivo definido à partido, o que simplifica o processo mental de definição do treino (quantas voltas? por onde vou agora? acabo já ou corro mais um bocado, etc, etc).
Mesmo pelas 21h30m cruzei-me com seis ciclistas, o acabou por ser uma boa contagem de bicicletas, que traduz um pouco da revolução (lenta) que está a acontecer em termos de mobilidade suave.
Dados dos treinos, aqui e aqui.
Este fim de semana, corrida "a jogar em casa", ou seja no Lumiar com passagem por Telheiras.
Até ao fim do ano ainda participarei em mais uma ou duas provas.
Certo certo, é terminar o ano com mais de 400km corridos, mais do dobro em relação ao ano passado (191km).

