Fui. Acabei! :)
Este foi o grande (novo) objectivo desportivo de 2009.
Não é uma Maratona, mas é meia, que para mim representou muito, e logo desde do início do ano já que me propus a um treino específico e intenso como nunca tinha tido, aliás, nunca tinha tido disciplina de treino individual para nenhum desporto. Era quando calhava...
A última semana de treinos começou com uma lesão forte e a minha estratégia foi deixar de correr até à prova.
Na sexta e sábado à noite, passeei a minha cadela em jogging (4 ou 5 minutos, roupa normal, sapatos, etc) para aferir o estado da lesão.
Como não tive qualquer sinal, decidi que iria estar na partida da prova e depois logo se via.
Assim foi, ou quase, pois a partida foi dada e eu ainda estava preso num engarrafamento humano a 500mts do local, pois a ligação entre os transportes públicos - a prova tem início do outro lado da margem do Tejo e a única forma de quem vive na outra margem (Lisboa, etc) lá chegarem é de comboio - tinha um estrangulamento e demorei cerca de 30 minutos para andar 10 metros... :S
Fica um reparo para a organização ter em conta. Entre os atletas da meia-maratona já se dizia que a Meia devia deixar de atravessar a ponte, tal como acontece com os atlestas de elite.
De facto a ponte é para os tugas passearem e se isto continuar assim, a Meia deixa (mais ainda) de ter o interesse dos atletas amadores...
Esses, os tugas estavam lá todos. Os velhinhos do farnel, o grupinho das fotos em tudo o que é lugar, o "rancho falcolórico" que insiste em caminhar lado-a-lado e ocupa três faixas de rodagem, o que leva o cão com a t-shirt no pêlo, o do carrinho de bebé, a velhota que está a treinar para Fátima 2009... enfim, os atletas do costume.
É claro que é melhor ir para isto do que ficar em casa, mas acho que a prova devia ser adaptada para ter estas duas componentes. Por exemplo: Faixas Lisboa->Almada para corredores e faixas Almada->Lisboa para andadores.
Também vi lá muitos (mesmo muitos) estrangeiros, miúdos (até com 4 anos!!) e um batalhão de militares, com botas e tudo, em formação rectangular :) e que fizeram a Meia!
A minha prova
Não sabia que prova ia fazer. Talvez parasse poucos minutos depois e me juntasse aos caminhantes. Talvez fizesse a ponte e optasse por seguir para a Mini. Talvez fosse até ao Cais do Sodré (8km e pouco) e apanhasse o Metro... Ia gerir a situação e alterando o objectivo e o formato da (minha) prova. :)
Chegando atrasado à partida e não querer levar mais (ainda) caminhantes, fiz um aquecimento rápido e comecei a correr lentamente. Curiosamente consegui correr relativamente bem e sem zig-zaguear muito como fazia em provas mais pequenas.
Não houve sinais da lesão e segui em ritmo moderado até controlar o tempo/ritmo a primeiras vez aos 5km, depois de Alcântara. Ritmo de 5'10" o que tendo em conta a lentidão em que ia, ou seja, primeiros indícios de que estava bem fisicamente.
Como parti com cerca de 7 minutos de atraso em relação à partida oficial, nesta altura da prova ia sempre a ultrapassar atletas. A sensação era boa e o 6º e 7º km foram feitos a 5' certinhos.
Estreante nesta distância, decidi hidratar-me, o que nunca fiz antes, já que participava em provas até 10km.
Em todas as zonas com bebidas agarrava uma garrafa de bebida energética e outra de água. Comecei por beber um pouco de cada, aumentando gradualmente ao longo da prova até um máximo 1/3 (1/2) nos últimos quilómetros.
Km 8 e 9 a 5'06" e e a perna dá o primeiro sinalzinho. Uma espécie de choque eléctrico suave de baixo para cima que se sente por baixo dos gémeos.
Segundo sinal poucos metros depois, agora mais intenso e começo a encostar-me ao passeio, pronto para parar assim que sentisse uma dor mais forte, já que a coisa estava em crescendo...
Abrandei e comecei a arrumar as coisinhas para me ir embora (mentalmente, entenda-se). "9km e tal", "melhor do que nada", "nem me doeu até aqui, portanto nem foi mau de todo", etc, etc...
Como continuei a correr, mais lento, o terceiro sinal não apareceu e o kms 10, 11 e 12 foram feitos a 5'16". Nesta altura apercebi-me que automaticamente estava a aliviar a tensão muscular no músculo lesionado e que assim poderia aligeirar a coisa e prosseguir mais uns quilómetros.
Na placa dos 12km tento uma pequena aceleração e a perna dá sinal para me acalmar.
Engraçado como as diferentes partes do corpo negociaram esta tarefa. Foi um trio
composto pela mente, pulmão/coração e músculos (lesionado e restantes). Ora era a mente a querer e o músculo a contrariar, ora eram todos a dizer "bora lá" e o músculo lesionado e mais para o fim eram todos "está bom assim, coitado do músculo lesionado, vamos ser solidários, coitado!" desculpas, pois estava tudo de rastos! :)
Tudo isto acontecia em fracções de segundo, mas senti claramente toda esta negociação em muitos momentos!
Até aos 16km a coisa correu bem (5'24", 5'20" e 5'10" respectivamente) e daqui para a frente senti que tinha começado outra Meia. De repente os Kms pareciam Milhas, tudo ficou mais lento! Até o relógio parecia ter abrandado! É o "muro" pensei, o muro de que falam os maratonistas. O sacana, apareceu cedo!
Pensei "o meu treino é para 15km, não mais!" :)
Algés nunca mais chegava, pensando eu que ia voltar para trás em Algés... Apareceu Algés, mas a volta era mais à frente, depois da recta do Dafundo... :S
O ritmo baixou a partir daqui comecei a rolar devagarinho.
Os joelhos juntam-se aos à facção dos que travavam o andamento. De 'ultrapassador' passei a ultrapassado. 5'30", 5'28", 5'33", 5'38", 5'36, km 20 e terminei a 5'34". Pelo meio ainda tive uma tentativa de acelerar mas a perna ameaçou logo o conselho "Olhem que eu paro e acabo já com isto!!!" :)
1h51m42" foi o tempo que medi. Fiquei muito contente, por ter participado (até este objectivo esteve em causa), por ter acabado e por ter feito um tempo dentro do meu objectivo principal que era entre 1h45m e 1h55m.
Não foram as condições físicas ideais, mas foram as possíveis.
O tempo oscilou entre o neutro, o quentito e o fresco, nada mau, pois nos últimos tempos fez muito calor.
Gostei muito da experiência.
Nas últimas semanas questionei-me se iria gostar de correr tanto tempo, que poderia ser uma seca e tal. Mas não foi! Mesmo com a lesão a coisa passou-se bem e nem o pseudo-sofrimento depois do (meu) muro me fez olhar para esta prova como "uma seca".
Provavelmente farei outras, não sei, mas para este ano acho que está bom assim.
Fica assim uma nova entrada na secção
SportBest, na lateral deste blog.
Fisicamente, hoje estou relativamente recuperado com a excepção da sola do pé esquerdo que acabou por ser sacrificado com adaptação biomecânica que fiz na perna esquerda para aliviar o músculo lesionado. Pelos vistos, o pisar ficou mais violento e hoje não consigo estar sob o pé muito tempo.
Por fim, fica uma agradecimento aos que acompanharam e me apoiaram - e até comentaram!!! - nesta aventura. Foram importantes para mim, acreditem.
Resultado:
2.826º da Geral (terminaram 5.504)
465º do escalão Veteranos I Masculino (terminaram 827)
Até uma próxima!