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25 agosto 2012
Ciclistas e comboios, uma união natural
Um(a) ciclista (que usa a bicicleta como meio de transporte), ao contrário do que muitos pensam, não é um herói, muito menos tolo.
Como não é nenhuma destas coisas, usa outros meios de transportes combinados com a bicicleta, aquela coisa de que tanto gosta e tenta usar sempre, a sua bicicleta.
Ora, o comboio é o seu meio de transporte preferido. Confortável, previsível, espaçoso e etc (juntar todas aquelas caraterísticas que gostam) .
Acontece que hoje em dia, e apesar de a CP dizer que se pode transportar a bicicleta gratuitamente em todos os comboios urbanos e regionais, é muito complicado combinar estes meios, sobretudo nos comboios que por vezes circulam nas linhas regionais por esse país fora.
Mas complicado como?
Imaginem que planeiam uma viagem de bicicleta de meia dúzia de dias e que em alguns troços o comboio é o meio escolhido (por comodidade, por ser um troço sem interesse para pedalar, para uma ligação direta para a zona para onde se pretende pedalar, etc). Chega o comboio, por sinal o único naquelas horas e o revisor não aceita a bicicleta por alegada falta de condições... por vezes no meio de nenhures. A situação atuam é esta. A CP diz que sim, faz publicidade, mas deixa a ultima palavra para o revisor e aqui temos que lidar com a personalidade de cada um destes funcionários, à sorte, uns compreensivos, outros receosos (pela segurança, essa coisa que quando dá jeito tem uma importância suprema!!), outros desenrascados, etc, etc...
No final do mês passado, eu e a minha família viajámos assim, num comboio regional, aqueles onde se pode transportar bicicletas...
Tivemos "muita sorte", pois o revisor começou por dizer que não nos levava...
Com as condições para o cicloturismo em Portugal são excelentes (escala, estradas secundárias, aldeias, paisagens, algumas infra-estruturas/ ciclovias, clima, etc, etc) o comboio assume uma importância ainda maior e é vital para o cicloturismo (quiçá para a própria empresa, a CP) que estas condições melhorem substancialmente, aliás, como já aconteceu por toda a Europa, onde o comboio tem uma vitalidade brutal e serve realmente os cidadãos (incluído ciclistas!).
Para tentar mudar alguma coisa a MUBi criou uma petição para a administração da CP e rogo-vos que a assinem, mesmo não sendo ciclistas, pois seriam melhorias que só beneficiam o nosso país e as nossas vidas.
Ver aqui.
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20 julho 2012
Momentos
Parque das Conchas. Amigos, crianças, frango e batatas-fritas. Acompanhou com bicicletas (Telheiras-Conchas-Telheiras).
Adultos a pedalar: 3
Adultos que não pedalavam há anos: 1 (com sensações (quase novas) de liberdade!!)
Crianças a pedalar: 3
Crianças à pendura na bicicleta longal: 2
PS: Inclui banho quase integral do Afonso (que tanto brincou que caiu lá dentro duas vezes) e da Joana (empurrada pelo Afonso). Na foto pode ver-se o Afonso em cuecas (encharcadas) e e a mãe a torcer a roupa! :)
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19 julho 2012
Mini cicloturismo - Tróia
Viajar em jeito de aventura sempre me seduziu. Viajar de bicicleta sabe sempre a aventura, independentemente do tamanho da viagem, mas aumentando a intensidade [da aventura] com a duração e distância, naturalmente.
Há uns tempos uns amigos levaram com os pedais (não com os patins) e fomos todos almoçar de bicla e com um ciclo-passeio de sobremesa. Gostaram muito e tal, mas o que foi giro foi a Marisa ter dito no final "Temos que repetir mas fazer uma passeio maior... assim... 2 dias!". O que ela foi dizer! :D
Como já tinha um pacote desenhado para Tróia/Setúbal que ficou por realizar no ano passado (por uma questão de saúde), foi a oportunidade de o reactivar.
Combinou-se a data, detalhou-se o plano e... fez-se!
2 famíias. 4 adultos e 4 crianças (dos 5 aos 9 anos). 7 bicicletas (o Afonso foi à pendura - mas chegou a chorar de contrariado - quer pedalar)
O plano foi simples e está ao alcance de qualquer família. É um excelente pacote para iniciantes nesta cena do cicloturismo.
Partimos sábado de manhã, de Telheiras para a estação de comboios de Entre-campos. Aí, comboio Fertagus até Setúbal, coisa para uma hora de viagem.
Chegados a Setúbal, fizemos em Massa Crítica uma ou duas ruas principais e entrámos numa zona quase pedonal, depois Luísa Todi, frente ribeirinha e chega-se aos ferry's.
20/25 minutos até Tróia, mas mais a sul, que os ferry's já não vão para o mesmo local dos barcos de passageiros.
Em Tróia há uma excelente ciclovia, ao longo da estrada principal, bem separada da mesma, que usámos em parte para chegar à praia.
Em cerca de 2h, chega-se de Lisboa á praia de Tróia. Uma família de 4 gasta 23€ para cada lado (comboio e ferry). Não é barato mas, lá está, não é a mesma coisa que ir de carro. Há aventura e começa logo à saída de casa, sobretudo para o miúdos.
Como Tróia anda com preços de luxo, optámos por ficar num hotel no centro de Setúbal, mesmo perto dos barcos. No dia seguinte voltámos a Tróia, para mais um dia espectacular de praia.
O regresso, foi precisamente o inverso da ida, directamente da praia para casa.
Ficam as fotografias de alguns momentos...
As viagens de comboio foram uma festa permanente para os mais pequenos. Como estavamos separados em dois grupos, por causa dos locais onde levar as bicicletas como deve de ser, os miúdos passaram o tempo todo a percorrer o comboio, sozinhos.
Aqui foi o 1º snack da viagem.
Entrada no ferry. Apesar das filas, de bicicleta somos sempre os primeiros a entrar no barco. O nome deste é "abre a felicidade". E não é que abre mesmo!
Primeiros kms em Tróia, na tal ciclovia. 5 estrelas!
Saída da praia no 1º dia. As bagagens andaram sempre connosco.
Lobby do Hotel, manhã do 2º dia.
Regresso a casa, ainda em Tróia. Aqui a ciclovia é elevada e em madeira
A ciclista mais pequena. Começou a viagem a zizezaguear e quase a comprometer a chegada a tempo ao comboio.
No final, pedalava como gente grande (ah, a bicicleta tem travão contra-pedal)
Aqui, pedalando e sorrindo, numa rua de Setúbal.
As restantes ciclistas pequenas, aqui na chegada à estação de comboios de Setúbal.
Mais 1h de bricadeira...
Campo Grande, já perto de casa.
E pronto, fica o testemunho de um passeio que está ao alcance de muitos. Os meus amigos nem bicicletas de cidade/viagem tinham e levaram a carga às costas (cada um com a sua mochila). Não é o ideal, mas prova que o que é preciso é vontade (de aventura)!
PS: Nesta altura está já a ser planeado um pacote mais ambicioso (4 dias, 90-100km, todos a pedalar, com campismo).
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16 julho 2012
Um grande pequeno passo
Parece incrível que todas as cidades à beira mar plantadas, algarvias e não só, ainda não se tenham apercebido que as bicicletas encaixavam perfeitamente no estilo de vida dos turistas, no verão ou fora dele e dos próprios habitantes, com hábitos diferentes dos das grandes metrópoles de interior.
Vilamoura, cidade sempre alguns furos acima em relação ao cuidado que tem com o acabamento urbanístico, tem investido na bicicleta como meio de transporte.
A confirmar esse investimento, surge agora um dos primeiros sistemas de 3ª geração de bicicletas públicas partilhadas em Portugal. Sei que há outros, mas até agora com pouca visibilidade.
Espero que este, por ser em Vilamoura, onde muitos portugueses passam alguns dias, ou até horas, lhes demonstre que é um sistema altamente viável e com muitos benefícios para todos, utilizadores e não utilizadores e indutor de comportamentos mais saudáveis e sustentáveis no que diz respeito à mobilidade.
As bicicletas são completamente diferentes e não passarão despercebidas. Só tenho pena que tenham optado pela cor (totalmente) branca, tornando-as ghost bikes (bicicletas que servem para homenagear os ciclistas vítimas mortais de acidente, colocadas nos locais onde a fatalidade ocorre).
Fica uma foto das bicicletas/estação e o filme de promoção.
Mais informações aqui.
Vilamoura, cidade sempre alguns furos acima em relação ao cuidado que tem com o acabamento urbanístico, tem investido na bicicleta como meio de transporte.
A confirmar esse investimento, surge agora um dos primeiros sistemas de 3ª geração de bicicletas públicas partilhadas em Portugal. Sei que há outros, mas até agora com pouca visibilidade.
Espero que este, por ser em Vilamoura, onde muitos portugueses passam alguns dias, ou até horas, lhes demonstre que é um sistema altamente viável e com muitos benefícios para todos, utilizadores e não utilizadores e indutor de comportamentos mais saudáveis e sustentáveis no que diz respeito à mobilidade.
As bicicletas são completamente diferentes e não passarão despercebidas. Só tenho pena que tenham optado pela cor (totalmente) branca, tornando-as ghost bikes (bicicletas que servem para homenagear os ciclistas vítimas mortais de acidente, colocadas nos locais onde a fatalidade ocorre).
Fica uma foto das bicicletas/estação e o filme de promoção.
[foto "roubada" da lista bicicletada_pt@lists.riseup.net]
Mais informações aqui.
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08 junho 2012
Novo projecto
Como os mais atentos já devem ter reparado, tenho escrito pouco.
A razão é boa. Tenho andado muito ocupado com O projecto Velo Culture (em Lisboa). Mete bicicletas e estilo de vida, tudo o que me move, como já repararam.
A bicicleta e o(s) estilo(s) de vida que induz são os principais temas deste blog, da minha vida, no fundo.
Não vou mudar de vida, vou estar nos bastidores da coisa, excepto nos meus tempos livres.
O António Cruz, amigo e vizinho, será o rosto da Velo Culture em Lisboa e se há alguém que sabe sobre a utilização da bicicleta em Lisboa (e não só) é ele. A loja está bem entregue!
Ontem foi um dia livre e por isso passei-o na loja e em família. Foi feriado mas como ainda há muita gente que quer conhecer a loja, desde amigos que não puderam estar na inauguração, desde clientes loucos para consumir dos nossos belos produtos :), decidimos abrir.
Não é vidinha má, passar um dia a falar com amigos e clientes sobre bicicletas e estilo de vida em conformidade. Aproveitei para conhecer um restaurante étnico na zona (há muitos!), beber umas cervejas com amigos e até, reencontrar um professor da faculdade que está interessado em mudar de vida.
Mudar de (estilo de) vida, é o que os nosso clientes querem e dizem-no até. Há coisa melhor do que presenciar isso e ajudar a materializar? :)
Fica a foto do dia!
Todas as deslocações foram feitas de bicicleta, claro. Fizemos Telheiras > Anjos em três bicicletas, com o Afonso à pendura na long-tail. A Joana cada vez mais domina a cidade (sob a nossa vigilância atenta, claro). O Afonso fica muito irritado por não ir a pedalar! Provavelmente já tem pedalada para este tipo de distâncias (8+8km) mas não tem maturidade suficiente para partilhar a estrada com automóveis. Não tem não! Gosta de velocidade e de arriscar - It's a (crazy) boy! :)
PS: Amanhã de manhã estarei novamente na loja. Apareçam!
Esta semana saiu notícia com o título "A bicicleta como meio de transporte e de fazer amigos". Guess who is :D
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25 maio 2012
Velo Culture - Bicicletas e estilo de vida, agora em Lisboa!
A Velo Culture chega a Lisboa. É já para a semana, dia 2 de Junho.
Bicicletas e estilo de vida, é o que vamos ter lá!
02 maio 2012
Vamos almoçar fora?
Quando combinamos o ponto de encontro em nossa casa para, de seguida, ir a qualquer lado, o resultado é este:
[estacionamento à porta do restaurante]
Quatro adultos e quatro crianças (dos 5 aos 9 anos).
Almoço a 1km de casa e, para fazer a digestão, passeio de cerca de 6km . Tempo "chuvoso" e algum vento não causaram mossa. Os convidados gostaram e querem repetir, mas para mais longe e todo o dia. Talvez um passeio até à Costa da Caparica....
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22 março 2012
Entrevista a um novato
Sem dúvida que neste inverno, sem chuva, se assistiu a um enorme aumento do número de ciclistas urbanos, aqueles que usam a bicicleta para se deslocar nas cidades.
Em Lisboa, diz quem lá passa o dia (não é o meu caso) que a todo o instante se vêem ciclistas a circular.
De facto, há dias, numa esplanada na minha rua, numa hora vi passar cerca de 20 ciclistas.
O que trago hoje é uma entrevista do Camilo, que me tinha contactado há pouco tempo no sentido de obter umas dicas sobre um trajecto que ele tinha intenção de fazer, de casa para o seu trabalho.
Como acho muito importante a captação de novos aderentes, fica aqui o testemunho de quem começou recentemente, que pode inspirar outros potenciais novatos!
Idade e profissão?
35, consultor de recursos humanos.
Em Lisboa, diz quem lá passa o dia (não é o meu caso) que a todo o instante se vêem ciclistas a circular.
De facto, há dias, numa esplanada na minha rua, numa hora vi passar cerca de 20 ciclistas.
O que trago hoje é uma entrevista do Camilo, que me tinha contactado há pouco tempo no sentido de obter umas dicas sobre um trajecto que ele tinha intenção de fazer, de casa para o seu trabalho.
Como acho muito importante a captação de novos aderentes, fica aqui o testemunho de quem começou recentemente, que pode inspirar outros potenciais novatos!
Idade e profissão?
35, consultor de recursos humanos.
Há quanto tempo usas a bicicleta como meio de transporte?
1 semana :-)
Porquê optaste por este meio de transporte?
Desafio, exercício físico, gozo pessoal.
Com definirias a tua capacidade física? Sentistes alterações desde que passaste a pedalar?
Baixa; Ainda não, mas conto sentir bastantes, para melhor.
Sentiste receio ou medo nas primeiras viagens? O que motivou esses sentimentos?
Algum receio pelas manobras dos automobilistas.
Qual o impacto desta opção na tua vida, sem ser em termos de mobilidade?
Melhorar o corpo e a mente, um bocadinho como o Red Bull :-) (também melhora o orçamento familiar, quer pela redução nos custos de deslocação, quer pela diminuição nos custos de saúde).
A opção pela bicicleta alterou a tua visão sobre o tema da mobilidade em geral?
Sim, sem dúvida e faço por que altere a dos que me rodeiam.
Zona de residência e local de trabalho? Descreve o teu trajecto habitual.
Belas - Lisboa (15 km). Belas > Amadora > Benfica > Praça de Espanha > Picoas
Usas os passeios, nas tuas deslocações?
Só para atalhos muito muito pontuais (hoje usei, uns 20 metros), por norma não uso. É mesmo pelo respeito aos peões e se rolo melhor em alcatrão na maioria das situações.... depois é muito o hábito de condução com mota.
Tens carro particular? Continuas a usá-lo? Com que frequência e quais as razões/motivos porque o fazes?
Mota e Carro; Sim (mota - commuting; carro - viagens); 2 a 3 vezes por semana (commuting), neste momento por falta de aptidão física para utilizar a bicicleta todos os dias e no futuro por situações em que as condições climatéricas não favoreçam a utilização da bicicleta (mau tempo).
Como é que a meteorologia afecta o teu dia-a-dia? Como lidas com o calor do Verão e a chuva do Inverno?
Ainda não senti nem o calor do Verão, nem a chuva do Inverno, mas o calor não será um problema porque felizmente tenho uma solução que me permite tomar um duche antes do trabalho... já a chuva/mau tempo, pelo risco inerente poderá ser mais desencorajadora...
Alguns ciclistas novatos com quem tenho falado, têm receio/vergonha que se saiba no trabalho que vão de bicicleta. Como foi contigo?
Não tenho vergonha nenhuma de divulgar, até faço questão de o fazer.
Como reagiram os teus familiares, amigos e colegas?
A minha mulher também achou perigoso, mas sabe que eu faço uma condução defensiva.
Os amigos, especialmente os ciclistas recreativos apoiaram todos e acho que já plantei umas sementinhas para eles passarem a usar também.
Porque achas que não há mais pessoas a optar por este meio de transporte?
Por desconhecimento de que é um transporte perfeitamente viável e principalmente pelo medo/risco associado ao transporte de bicicleta em ambiente urbano. Muitas pessoas com quem falo chamam-me louco e perguntam se me quero matar...
O que poderá ser feito para aumentar o número de bicicleta nas ruas das cidades?
Criar condições físicas, como estacionamentos para bicicletas, limitar o tráfego e as "vias rápidas" urbanas, alterar a legislação para colocar o ciclista com prioridade em algumas situações, aumentar o número de ciclovias (se bem que as existentes parecem-me bem mais perigosas do que a estrada...) e acima de tudo incentivar a rede de contactos de cada um na escolha deste meio de transporte, quer pelo que exemplo, quer pela ajuda a quem pretenda iniciar-se.
O que gostarias que mudasse na tua cidade/país em termos de mobilidade e porquê?
Tudo o que já referi na resposta à pergunta anterior e também que as empresas e o Estado criassem condições que favorecessem a utilização da bicicleta (quer condições físicas: estacionamento, chuveiros; sistemas de bike sharing; quer incentivos, como eventuais benefícios monetários para as empresas e para os trabalhadores que adiram a este meio de transporte).
Até que ponto a internet (blogs, redes sociais, etc) teve influência na decisão de optar pela bicicleta como meio de transporte?
Juntamente com a inspiração num grande amigo que também faz commuting, foi determinante porque me permitiu, através da partilha de vários bloguers, desmistificar alguns impedimentos mentais que tinha, como a distância ser excessiva ou o transito ser muito perigoso.
A prova!
[a propósito da inclinação da foto] andar de bicicleta em Lisboa, é escrever direito por linhas tortas :D
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20 março 2012
Tudo o que vos quero dizer num só video!
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14 março 2012
Think bike! (do not think car!)
Hoje em dia, no que toca à mobilidade, quem tem carro, usa-o como uma extensão do corpo.
Não usar o carro numa deslocação é quase contra-natura.
Muitos amigos e colegas, perguntam-me quase estupefactos "Como é que vais não-sei-onde de bicicleta?".
De facto, vivemos numa sociedade automóvel e, sentados nestes veículos todas as nossas vidas, sem nos apercebermos ficamos programados com rotinas quase intrínsecas ao nosso ser.
Pensar bicicleta é substituir essa extensão, pesada, poluidora, invasora dos espaço público, pela bicicleta, obviamente sem menosprezar as pernas e o caminhar pois são a nossa melhor forma de deslocação, quando viável, claro.
Um pequeno episódio. Há dias, em pleno Eixo Norte-Sul, dia de chuva (o tal em que choveu, nestas últimas semanas/meses), a minha filha sai-se com esta:
- Porquê inventaram os automóveis? Foi para ser mais rápido, ou para ficarmos mais protegidos [da chuva]?
- Mais rápido do que o quê?, perguntei eu, adivinhando o raciocínio.
- Mais rápido do que andar a pé, de bicicleta e 'isso'.
É giro perceber que, desmontando o modelo, se consegue olhar para o carro com uma distância suficiente para o pôr em causa, tal como outra coisa qualquer. Pride!
Não usar o carro numa deslocação é quase contra-natura.
Muitos amigos e colegas, perguntam-me quase estupefactos "Como é que vais não-sei-onde de bicicleta?".
De facto, vivemos numa sociedade automóvel e, sentados nestes veículos todas as nossas vidas, sem nos apercebermos ficamos programados com rotinas quase intrínsecas ao nosso ser.
Pensar bicicleta é substituir essa extensão, pesada, poluidora, invasora dos espaço público, pela bicicleta, obviamente sem menosprezar as pernas e o caminhar pois são a nossa melhor forma de deslocação, quando viável, claro.
Um pequeno episódio. Há dias, em pleno Eixo Norte-Sul, dia de chuva (o tal em que choveu, nestas últimas semanas/meses), a minha filha sai-se com esta:
- Porquê inventaram os automóveis? Foi para ser mais rápido, ou para ficarmos mais protegidos [da chuva]?
- Mais rápido do que o quê?, perguntei eu, adivinhando o raciocínio.
- Mais rápido do que andar a pé, de bicicleta e 'isso'.
É giro perceber que, desmontando o modelo, se consegue olhar para o carro com uma distância suficiente para o pôr em causa, tal como outra coisa qualquer. Pride!
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09 março 2012
É para isto que escrevo, falo, mostro, etc
"Viva César,
Parabéns pelo Blog!
Um amigo partilhou comigo esta entrada:
e foi tão inspiradora que decidi iniciar-me também no commuting com bicicleta, um dos meus impedimentos seria a distância (moro em Belas e trabalho em Lisboa) mas depois de ler a tua experiência deixei de ter medo e fiz o trajeto num Domingo sem problemas..."
Recebi este e-mail de um seguidor do blog (que não conheço) e... fiquei muito contente!
Acontece que o trajecto que ele precisa de fazer tem muito em comum com aquele que fiz e relatei nesse post.
Acontece que o trajecto que ele precisa de fazer tem muito em comum com aquele que fiz e relatei nesse post.
PS: Recentemente fui contactado por um rapaz que também não conhecia e queria ajuda para encontrar uma bicicleta "tipo Rodas de Mudança", pois andava de BTT e quase caía quando passava alguém numa bicicleta cool, pois ficava a olhar, a olhar... :D
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01 março 2012
Ciclo-momentos
Afonso conquistando a cidade.
Vendo o Metro passar...
À saída das aulas de Inglês da Joana.
No Colombo, estacionados à porta ;)
Em Vila Franca de Xira, em trabalho, no ponto de partida do BRM 200
Passagem pela casa da sogra, a caminho do restaurante
No estacionamento no local de trabalho
Transportando uma quiche.
A caminho do Inglês, para apanhar a Joana (com a sua bicicleta a reboque).
Foto tirada "contra o sol" :-)
Num ciclo-confronto de famílias, num semáforo! :-)
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29 fevereiro 2012
Commuting total de bicicleta - afinal é possível
Commuting é um conjunto de viagens regulares entre o local de residência e o local de trabalho ou estudo. Também se pode referir a viagens frequentes entre locais de outra natureza.
Actualmente faço o meu commuting de scooter. Tendo em conta a fase da vida em que estou, e mesmo gostando muito de pedalar, é a que faz mais sentido. É rápido, mesmo feito com pouca velocidade, relativamente seguro (sobretudo a essa velocidade) e consigo fazê-lo relativamente relaxado e metido nos meus pensamentos, algo semelhante ao que se consegue de bicicleta.
Ando tão relaxado, em modo-bicicleta, que já dei por mim a entrar de mota na ciclovia que costumo usar para sair de Telheiras em direcção ao centro da cidade, duas vezes. :p
Bom, o título fala em bicicleta, por isso vamos a ele.
Uma coisa que não me canso de dizer, sobre o uso da bicicleta, é a constante alteração da percepção que vamos tendo em relação à possibilidade de usar a bicicleta nas nossas deslocações. Cada dia que passa, alargamos os nossos horizontes, mesmo sendo já cromos no assunto (acontece o mesmo com andar a pé. Se começarmos a andar a pé, rapidamente nos apercebemos de que é possível percorrer distâncias razoáveis sem grande esforço ou tempo despendido).
Trabalhando no Tagus Park (entre Oeiras e Cacém), o meu commuting de bicicleta nunca chegou a sê-lo. Já teve altos e baixos, mas quando o carro desapareceu da equação, com a opção scooter, quando o tempo (fora do trabalho) começou a escassear, a opção bicicleta foi ficando menos competitiva.
A última versão de commuting de bicicleta incluía o comboio entre Benfica e Massamá (linha de Sintra).
Usar os transportes públicos, além de dispendioso (fica mais caro do que usar de mota, mesmo incluindo manutenção), tem um grande incómodo que é a dependência de horários e o aumento do tempo de viagem se os horários não forem cumpridos, tipo perder o comboio. Este inconveniente tem outro associado, que é o de existir algum stress quando vamos a caminho da estação. Andar de bicicleta é sobretudo anti-stress, portanto não joga muito bem. O ideal é a autonomia total, ou seja pedalar da origem ao destino.
Um colega meu, que mora na Falagueira, influenciado por mim, acho, utilizou várias vezes a bicicleta para chegar ao Tagus e o seu percurso tinha apenas 10km.
Recentemente, ao olhar para o seu track, registado num mapa, dei conta que afinal não seria assim tão complicado vir de bicicleta desde casa e que o caminho dele, já testado por ele, podia ser utilizado na íntegra.
Já em 2008 tinha pensado num trajecto quase igual. Na altura até lhe chamei 'Projecto arrojado' e não tinha claramente a experiência que tenho hoje. Na altura esse projecto acabou por ser concretizado em modo BTT-urbano, também muito engraçado, diga-se (embora apenas num sentido e com carro ao barulho). Acabei por repetir a experiência mais vezes, cada vez com mais gozo e de forma mais optimizada.
Foi um formato muito mix, que envolvia carro, BTT a sério, natureza (avistamentos de várias espécies animais), cidade, etc, etc.
Na semana passada, tinha um carro na revisão, perto do trabalho, e era dia de o ir buscar. A bicicleta é excelente para estas viagens sem ida ou sem volta. Utilizo-as muito para isto, também (há tempos fui levar um carro aos meus pais ao aeroporto - cheguei, abri o porta-bagagens, tirei a bicla, "adeus e divirtam-se" e lá fui eu a pedalar para casa).
Como tenho a eléctrica inactiva neste momento, optei pela minha touring-special, a minha bicla de eleição dos últimos tempos.
Desta vez, o comboio não ia ser utilizado e optei por fazer todo o caminho, cerca de 16km. Com dicas do meu colega consegui evitar quase toda a confusão entre da zona da Amadora e fiz toda a viagem sem grande confusão de trânsito e poluição, que é o que mais influencia a minha escolha de trajectos.
1h05 minutos de porta a porta foi o que demorei, mesmo depois de andar perdido por Massamá e com várias paragens pelo meio (para confirmar rota, tirar uma camisola, acertar a altura do banco da bicicleta, etc).
Na próxima vez conseguirei tirar 5 ou 10 minutos, na mesma bicicleta, um pouco mais se for na eléctrica (que poupa transpiração e permite outro andamento).
Para aqueles que têm a IC19 na cabeça, asseguro que só a vi quando passei por cima dela na passagem pedonal entre Massamá e São Marcos. Para os que têm a pergunta do 'suor' na cabeça, posso dizer que usei uma camisola de nylon que substitui por outra camisola interior no trabalho, tudo o resto ficou (calça de ganga e camisola de lã) e garanto que não fiquei a cheirar mal - o truque é simples, ter os banhos em dia!! :)
O percurso foi este: Telheiras > Carnide > Pontinha (perto de) > Falagueira > Amadora > Queluz > Massamá > São Marcos > Tagus Park.
Passagem por cima da Estação de Massamá
(como me perdi acabei por passar por aqui, desnecessariamente)
Em jeito de conclusão, achei tão fácil que fiquei com vontade de repetir muitas vezes e em breve e com a certeza que só usarei novamente o comboio pelo meio por um motivo muito especial (que não estou a ver qual seja).
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23 fevereiro 2012
Vejo tudo, mas alguém me vê?
Qualquer ciclista fala disto. A nossa percepção do que nos rodeia é brutal.
E a percepção dos automobilistas que, por um lado, conduzem a velocidades que implicam um concentração muito mais específica - no seu caminho e obstáculos directos, por outro lado vão envolvidos numa lata que não lhes permite uma visão periférica, etc, etc.
No blog bikeyface.com, que tem ilustrações muito giras sobre a vida de uma ciclista, duas imagens ilustram bem esta situação, a da percepção dos automobilistas versus a percepção dos ciclistas.

E a percepção dos automobilistas que, por um lado, conduzem a velocidades que implicam um concentração muito mais específica - no seu caminho e obstáculos directos, por outro lado vão envolvidos numa lata que não lhes permite uma visão periférica, etc, etc.
No blog bikeyface.com, que tem ilustrações muito giras sobre a vida de uma ciclista, duas imagens ilustram bem esta situação, a da percepção dos automobilistas versus a percepção dos ciclistas.

14 fevereiro 2012
Conferência sobre "usos da bicicleta e (des)equilíbrios dos modos de vida" - FMH, amanhã
Vou participar numa conferência no âmbito da Sociologia do Desporto, Lazer e Competição, na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. Estarei na mesa de debate, como ciclista civil, mas também como representante da MUBi e Rodas de Mudança.
Fica o programa e convite.
Fica o programa e convite.
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10 fevereiro 2012
One Talk
Ontem, no final da tarde, vesti a camisola da MUBi, associação da qual faço parte, e fui orador numa sessão da ONE Talks, onde apresentei a associação e, no final, houve um debate em que várias perspectivas foram apresentadas por parte dos participantes, uns experientes e utilizadores, outros "só-na-holanda", outros só ao fim de semana, etc.
Quem tiver curiosidade para ver o que lá se passou, sobretudo ouvir (a imagem é muito fraquinha) , fica o video (que foi transmitido em directo):
ONE Talks são as palestras de ONE Perfect Movement. A sua razão de ser são as pessoas (ONEs) que estão a transformar o Mundo, o seu e o dos outros (Movement).
São paletras semanais, de livre acesso, às 5a feiras, dias úteis, às 18h30 no COWORKLISBOA.pt.
Quem tiver curiosidade para ver o que lá se passou, sobretudo ouvir (a imagem é muito fraquinha) , fica o video (que foi transmitido em directo):
Este mês o tema é a Bicicleta e ainda há mais duas sessões:
16.Fev - 'Cenas a Pedal', Ana Pereira e/ou Bruno Santos
23.Fev - Mobilidade Urbana em Bicicleta: mitos e boas intenções , Mário Alves
ONE Talks
Organização: www. oneperfectmovement.org
Curador: Marco de Abreu
23.Fev - Mobilidade Urbana em Bicicleta: mitos e boas intenções , Mário Alves
ONE Talks
Organização: www.
Curador: Marco de Abreu
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03 fevereiro 2012
Dois filmes, a mesma filosofia
Dois filmes, dois países, dois continentes, duas realidades distintas, um princípio - os carros (a mais) dão cabo de tudo o resto.
Aqui podemos ver o que se pode fazer para começar a inverter o paradigma (1º video) e qual a visão a atingir (2º video).
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31 janeiro 2012
Rodas de Mudança
As nossas cidades estão cada vez mais hostis para as pessoas. A invasão de automóveis a que assistimos impassíveis nas últimas décadas tem provocado a extinção dos peões e ciclistas das nossas ruas. Esta gradual esterilização da vida tem muitos efeitos nefastos a vários níveis, como o económico e o social.
O automóvel como meio de transporte individual esgotou por completo as cidades e não é possível nem desejável que o desenho urbano continue a privilegiar as máquinas.Veja-se o exemplo da Avenida da Liberdade que no passado foi “o passeio público” e que nos últimos anos se tornou num esgoto de tráfego. No entanto, com coragem, sabedoria e persistência esta avenida deveria, sem grandes demoras, evoluir para uma ocupação mais humanizada, como espaço de residência e fruição.
A bicicleta é um regresso ao futuro como um meio de transporte prático e eficaz. Estas características aliadas a outras muito contemporâneas – é um meio de transporte sustentável, saudável e socialmente dinamizador – catapultam a bicicleta como o grande regresso de uma das mais espantosas invenções da humanidade dos últimos séculos – de facto foi votada pelos ouvintes da BBC como a melhor invenção desde 1800.
Por todo o mundo este regresso é visível e celebrado. As cidades estão rapidamente a mudar tendo como prioridade as pessoas e não os carros. Neste paradigma, as bicicletas desempenham um papel fundamental - ajudam a humanizar o trânsito com um "manguito" poético à velocidade. As pessoas passam a ter uma nova relação com a cidade e até consigo próprias, tornam-se mais activas, melhoram a sua condição física e estabelecem mais contactos sociais.
Terão as cidades portuguesas condições para adoptar a bicicleta? Algumas terão melhores condições do que outras, mas regra geral, a resposta é um retumbante, sim! Perante os enormes desafios que teremos que enfrentar nas próximas décadas, só há um caminho a seguir, que é o da transformação das cidades em espaços mais humanos e com claras vantagens para os peões, ciclistas ou utilizadores de transportes públicos.
Esta campanha – Rodas de Mudança – pretende humanizar o uso da bicicleta como meio de transporte, através de retratos de pessoas comuns e que usam a bicicleta no seu dia-a-dia.
Este texto é o Manifesto do projecto. Trata-se de um projecto MUBi.
No próximo dia 11 de Feveiro das 13h-17h, haverá nova sessão de fotos na Praça do Comércio (link Facebook). Quem quiser dar a cara pelo projecto e pela causa, é só aparecer, passar um bom bocado e arriscar-se a ter uma foto magnífica, tirada pelo Fábio Teixeira.
As "mentes" de Mudança! :)
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30 janeiro 2012
Tendências
O nome do post podia ser 'Aumento' do número de utilizadores de bicicleta, mas face aos números absolutos, ou à percentagem deste meio de transporte face às restantes opções, decidi chamar-lhe apenas 'Tendências'.
Há uma tendência para o uso da bicicleta nas cidades. Cada vez se vêem mais ciclistas pelas ruas de Lisboa (e concerteza, no resto do país).
Em Telheiras, em particular, o nº de "avistamentos" (palavra usada para OVNI's) é cada vez maior.
Levo a minha filha a pé para a escola, de manhã, aproveitando para passear os cães num descampado que há ao lado da escola, o que me permite observar toda aquela azáfama de depósito de miúdos na escola. Trata-se de uma escola básica (ou primária, como se dizia antes).
Além de todos os carros, muitos, que estacionam onde calha, desde 2ª fila até por cima de parte da ciclovia que está ao nível do alcatrão, começam a aparecer uns malucos, os ciclistas.
Há dias assisti a uma sequência que me deixou com esperança.
Primeiro, uma senhora e o seu filho, cada um na sua bicicleta. Rapidamente chegaram à escola, alheios à confusão, deixaram a bicicleta do miúdo dentro do recinto presa ao gradeamento e a senhora seguiu viagem noutra direcção, provavelmente a caminho do seu trabalho.
Pouco tempo depois, um senhor, numa bicicleta de BTT com um cadeirinha atrás onde transporta o seu filho. Num minuto entrou na rua, foi ao portão e voltou a sair da rua, através da ciclovia que passa em frente ao portão da escola.
Já a caminho de casa, vejo um miúdo a passar de bicicleta por um relvado em modo vou-para-a-escola-a-curtir e a parar logo a seguir junto a um amigo, também ciclista, que estava parado a olhar para a sua bicicleta.
Aproximo-me para ajudar. A corrente tinha saído da cassete e estava presa entre a dita e o quadro. Dei-lhe umas dicas de como a soltar e perguntei-lhes para onde iam. "Doroteias", disseram. Trata-se de um colégio que fica junto ali no Campo Grande/Quinta do L'Ambert, do outro lado da Churrasqueira. Eram dois miúdos com cerca de 12 anos, 14 vá.
Aqui, alguns leitores (espero que poucos) pensam, "e se em vez de os ajudar, eu os raptasse?" Ah, pois. É um perigo deixar andar crianças por aí à solta! E se eles ficassem debaixo de um carro? E se, e se, e se, e se?
E se eles se andam a "drógar" lá na escola? E se, quando saem à noite, bebem 30 shots de vodka?
Pois, é difícil controlar a vida destes pequenos adultos, não é? O que podemos fazer, faz-se "em casa" e no caso das bicicletas nas ruas, acompanhando-os inicialmente e dar-lhes as ferramentas para lidarem com situações adversas e tentadoras, algo que faz parte da educação.
Voltando ao tema, é bom ver, em apenas 10 minutos, que no meio destas crianças pertencentes ao back-seat-generation há algumas que estão a entrar numa via alternativa, mais saudável, mais sustentável, mais humana, verdadeiramente ecológia, socialmente inclusiva, mais todas aquelas vantagens que a bicicleta tem. São estas crianças que serão os próximos adultos e é importante que nestas idades sejam semeados bons exemplos.
E como é que eu vi(vi) tudo isto? Porque estava a pé! ;)
Há uma tendência para o uso da bicicleta nas cidades. Cada vez se vêem mais ciclistas pelas ruas de Lisboa (e concerteza, no resto do país).
Em Telheiras, em particular, o nº de "avistamentos" (palavra usada para OVNI's) é cada vez maior.
Levo a minha filha a pé para a escola, de manhã, aproveitando para passear os cães num descampado que há ao lado da escola, o que me permite observar toda aquela azáfama de depósito de miúdos na escola. Trata-se de uma escola básica (ou primária, como se dizia antes).
Além de todos os carros, muitos, que estacionam onde calha, desde 2ª fila até por cima de parte da ciclovia que está ao nível do alcatrão, começam a aparecer uns malucos, os ciclistas.
Há dias assisti a uma sequência que me deixou com esperança.
Primeiro, uma senhora e o seu filho, cada um na sua bicicleta. Rapidamente chegaram à escola, alheios à confusão, deixaram a bicicleta do miúdo dentro do recinto presa ao gradeamento e a senhora seguiu viagem noutra direcção, provavelmente a caminho do seu trabalho.
Pouco tempo depois, um senhor, numa bicicleta de BTT com um cadeirinha atrás onde transporta o seu filho. Num minuto entrou na rua, foi ao portão e voltou a sair da rua, através da ciclovia que passa em frente ao portão da escola.
Já a caminho de casa, vejo um miúdo a passar de bicicleta por um relvado em modo vou-para-a-escola-a-curtir e a parar logo a seguir junto a um amigo, também ciclista, que estava parado a olhar para a sua bicicleta.
Aproximo-me para ajudar. A corrente tinha saído da cassete e estava presa entre a dita e o quadro. Dei-lhe umas dicas de como a soltar e perguntei-lhes para onde iam. "Doroteias", disseram. Trata-se de um colégio que fica junto ali no Campo Grande/Quinta do L'Ambert, do outro lado da Churrasqueira. Eram dois miúdos com cerca de 12 anos, 14 vá.
Aqui, alguns leitores (espero que poucos) pensam, "e se em vez de os ajudar, eu os raptasse?" Ah, pois. É um perigo deixar andar crianças por aí à solta! E se eles ficassem debaixo de um carro? E se, e se, e se, e se?
E se eles se andam a "drógar" lá na escola? E se, quando saem à noite, bebem 30 shots de vodka?
Pois, é difícil controlar a vida destes pequenos adultos, não é? O que podemos fazer, faz-se "em casa" e no caso das bicicletas nas ruas, acompanhando-os inicialmente e dar-lhes as ferramentas para lidarem com situações adversas e tentadoras, algo que faz parte da educação.
Voltando ao tema, é bom ver, em apenas 10 minutos, que no meio destas crianças pertencentes ao back-seat-generation há algumas que estão a entrar numa via alternativa, mais saudável, mais sustentável, mais humana, verdadeiramente ecológia, socialmente inclusiva, mais todas aquelas vantagens que a bicicleta tem. São estas crianças que serão os próximos adultos e é importante que nestas idades sejam semeados bons exemplos.
E como é que eu vi(vi) tudo isto? Porque estava a pé! ;)
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20 janeiro 2012
A cidade, o Tejo e uma aventura
Mais um post da série "Uma aventura". Sem dúvida que, volto a dizê-lo, a opção bicicleta trás muita aventura à nossa vida. Aventurinhas, pronto. Peripécias, histórinhas que ficam....
Nas passadas férias escolares, de Natal, os meus filhos passaram grande desse período no Algarve, terra da minha mulher. O mais novo, o Afonso foi lá para baixo com familiares e a Joana foi mais tarde de comboio, com uma amiga e seus filhos.
Como essa amiga que a ia levar estava na Costa da Caparica, só tínhamos que levar a Joana até lá e foi aí que entraram as bicicletas.
Já há muito que andávamos para fazer a travessia para a Trafaria de barco com as bicicletas. O futuro muito incerto da continuação desta ligação de barco foi o empurrão para se fazer desta vez.
Aqui fica a história.
Num belo domingo de Inverno, céu limpo e temperaturas baixas, bom para pedalar... acordámos, molengámos e rapidamente ficámos atrasados para fazer a ligação Telheiras-Cais de Belém, cerca de 15km. O stress acumulou-se e saímos de casa a 45/50' do barco partir. Tínhamos que apanhar aquele, porque só haveria outro 2h depois, o que invalidava toda a "missão".
Como a Joana só ia, não voltava, foi à pendura na Xtracycle.
Foi uma viagem puxada. A minha prática desportiva reduzia-se às viagens urbanas de bicicleta e, para tentar a chance, foi preciso puxar pelo cabedal do início ao fim e só a coincidência de haver uma prova de atletismo naquele dia, que fechou ao trânsito o Saldanha, a Fontes Pereira de Melo, a Rotunda do Marquês e a Av. da Liberdade, nos permitiu chegar a horas (ou a tempo de o barco esperar que comprássemos os bilhetes).
O regresso foi agradável, mas também um pouco penoso, tal a minha falta de forma física actual, sobretudo para corridas-de-15km-com-carga. Valeu-me a bicicleta eléctrica do meu primo, que conduzi em parte da viagem.
Fica a reportagem fotográfica e alguns comentários.
A partir do Saldanha, entrámos numa "via verde". "Furámos a barricada" e invadimos uma corrida de atletismo. Foi hilariante, pois uma família a pedal apareceu, passou pelo pelotão, passou os líderes (mais ou menos no momento da foto) e ainda foi passar o batedor da polícia (que se vê ao fundo na foto). Entrámos na rotunda a fazer de batedores e só a meio da Av. da Liberdade fomos desviado por um polícia mais zeloso que nos desclassificou e nos retirou do circuito. Esta "participação", para além de memorável, foi o que nos permitiu chegar a horas ao destino. Chegámos com um velocidade média de 18km/h, atravessando a cidade pelo meio, o que não é nada mau! O principal obstáculo foi a própria ciclovia à beira rio, manhosa, e os BTTistas-de-ciclovias, demasiados lentos para um família-pedalo-voadora. :D
Nas passadas férias escolares, de Natal, os meus filhos passaram grande desse período no Algarve, terra da minha mulher. O mais novo, o Afonso foi lá para baixo com familiares e a Joana foi mais tarde de comboio, com uma amiga e seus filhos.
Como essa amiga que a ia levar estava na Costa da Caparica, só tínhamos que levar a Joana até lá e foi aí que entraram as bicicletas.
Já há muito que andávamos para fazer a travessia para a Trafaria de barco com as bicicletas. O futuro muito incerto da continuação desta ligação de barco foi o empurrão para se fazer desta vez.
Aqui fica a história.
Num belo domingo de Inverno, céu limpo e temperaturas baixas, bom para pedalar... acordámos, molengámos e rapidamente ficámos atrasados para fazer a ligação Telheiras-Cais de Belém, cerca de 15km. O stress acumulou-se e saímos de casa a 45/50' do barco partir. Tínhamos que apanhar aquele, porque só haveria outro 2h depois, o que invalidava toda a "missão".
Como a Joana só ia, não voltava, foi à pendura na Xtracycle.
Foi uma viagem puxada. A minha prática desportiva reduzia-se às viagens urbanas de bicicleta e, para tentar a chance, foi preciso puxar pelo cabedal do início ao fim e só a coincidência de haver uma prova de atletismo naquele dia, que fechou ao trânsito o Saldanha, a Fontes Pereira de Melo, a Rotunda do Marquês e a Av. da Liberdade, nos permitiu chegar a horas (ou a tempo de o barco esperar que comprássemos os bilhetes).
O regresso foi agradável, mas também um pouco penoso, tal a minha falta de forma física actual, sobretudo para corridas-de-15km-com-carga. Valeu-me a bicicleta eléctrica do meu primo, que conduzi em parte da viagem.
Fica a reportagem fotográfica e alguns comentários.
A partir do Saldanha, entrámos numa "via verde". "Furámos a barricada" e invadimos uma corrida de atletismo. Foi hilariante, pois uma família a pedal apareceu, passou pelo pelotão, passou os líderes (mais ou menos no momento da foto) e ainda foi passar o batedor da polícia (que se vê ao fundo na foto). Entrámos na rotunda a fazer de batedores e só a meio da Av. da Liberdade fomos desviado por um polícia mais zeloso que nos desclassificou e nos retirou do circuito. Esta "participação", para além de memorável, foi o que nos permitiu chegar a horas ao destino. Chegámos com um velocidade média de 18km/h, atravessando a cidade pelo meio, o que não é nada mau! O principal obstáculo foi a própria ciclovia à beira rio, manhosa, e os BTTistas-de-ciclovias, demasiados lentos para um família-pedalo-voadora. :D
Os veículos no barco, a caminho da outra banda. Eu aqui tive que tirar a camada interior de roupa, pois estava encharcada... Fomos com speed-over-style!
A saída do barco.
Esta travessia (Belém-Trafaria) tem o seu fim previsto.
Talvez hoje se saiba o veredicto final...(update: Mantém-se!!)
Talvez hoje se saiba o veredicto final...(update: Mantém-se!!)
Brincando e pedalando!
Na Trafaria, vila pescatória, com Lisboa no horizonte.
Já no paredão da Costa da Caparica.
Estava um dia espectacular para pedalar e passear. Fresco e luminoso!
Parados, só para desfrutar a paisagem (e os ângulos para fotos).
No regresso, um fim de tarde magnífico, que nos brindou com as cores que aqui vêem.
Um ciclista à espera de dois ciclistas. O meu primo, com quem combinámos e que nos fez companhia até casa, metendo a conversa em dia. Tentem fazer isto de carro, tentem! :)
Porque será que os ciclistas têm tantas fotos tão boas? (1)
Porque será que os ciclistas têm tantas fotos tão boas? (2)
Resposta às perguntas (1) e (2):
Porque têm sempre tempo e disposição para tirar fotos, mesmo a meio da viagem.
Na realidade são fotos normalíssimas, sem qualidade por aí além, tiradas por um telemóvel. As oportunidades é que são boas. :)
Na realidade são fotos normalíssimas, sem qualidade por aí além, tiradas por um telemóvel. As oportunidades é que são boas. :)
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